EPIFANIA!
O mês de janeiro marca o início de um Novo Ano civil. Celebra, na
dinâmica das festas natalinas, no tempo de Natal, a festa da “Epifania”, palavra grega, que
significa “manifestação”. Esta
festa retoma o Natal de Jesus, celebrando a sua humanidade manifestada a todos
os povos. Traz consigo a mística da universalidade da salvação.
Na periferia, longe do palácio real,
“os magos viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Em
seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra”
que indicam, respectivamente, a sua realeza, divindade e humanidade (cf. Mt
2,11).
“A Epifania é a celebração do amor de
Deus, que em seu Filho quer se revelar a todos os povos, representados pelos
magos que seguem a Estrela Nascente. Os magos do Oriente sentem grande alegria
ao segui-la. Herodes e o centro do poder, Jerusalém, ficam perturbados. Os sumos
sacerdotes e mestres da Lei, entendidos de religião, limitam-se a repetir as
Escrituras sagradas. Os entendidos de religião conhecem a Escritura e sabem que
de Belém sairá um pastor para Israel. Mas estão acomodados. Haviam transformado
a Palavra de Deus numa doutrina que já não tocava a realidade, pois não
conseguem reconhecer no brilho da estrela o caminho para o recém-nascido Pastor
de Israel.
Herodes e Jerusalém ficam perturbados,
ao imaginar que o Filho de Deus lhes tomaria o poder. Querem impedir que Deus
se manifeste ao mundo, eliminando o Filho recém-nascido. Mal sabem que o Menino
vem para servir; vem para mostrar que o poder de Deus está no amor que se
entrega e gera vida, não o ódio que divide e mata.
Os magos, por sua vez, põem-se à
procura. Vencem a escuridão, seguindo o brilho da estrela guia. Eles
representam todos os povos que buscam construir, juntos, a única comunidade dos
filhos de Deus. E como é grande a alegria de encontrar pessoalmente Jesus
Cristo e poder entregar-lhe a própria vida, com o que ela tem de melhor! Pois
Deus se revela a nós à medida que lhe entregamos o melhor de nós. Como os
presentes dos magos, que indicam quem é o Menino recém-nascido. Oferecem ouro
porque ele é Rei, incenso porque é Deus e mirra porque dará a vida na cruz.
Para revelar-se ao mundo, Deus
escolheu revelar-se ao coração de cada um de nós. Abrir-nos a esse amor que se
revela é encontrar a Deus em nossos irmãos, sobretudo nos menores e indefesos,
como o recém-nascido em Belém” (cf. Pe. Darci Luiz Marin, ssp em Liturgia
Diária da Paulus, de janeiro de 2026, p. 40).
A Epifania
nos traz Nova Esperança na medida em que nos tornamos servidores, promovendo
a comunhão e a fraternidade entre todas as pessoas que remetem suas esperanças ao
coração dos cristãos. Oxalá, os cristãos, especialmente os agentes de pastoral,
saibam sentir-se Servos e não “Donos” de um Povo desencantado e carente de nova
Esperança, novo Ânimo e novas Perspectivas de Vida. Saibamos acolher,
compreender, perdoar e amar todos aqueles que se aproximam de nossas
Comunidades. Sejamos, enfim, como a estrela do Oriente, que aponte o caminho
para Jesus Cristo. Não brilhemos para nós mesmos, mas seja o nosso brilho a
seta para o verdadeiro endereço, que é Jesus nascido em Belém, e que hoje
procura aconchego na manjedoura de nossos corações!
Pe. Gilberto Kasper
Teólogo
