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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

         BATISMO DO SENHOR!

  

 

Com a celebração do Batismo do Senhor, neste ano a 11 de janeiro, encerramos o Tempo do Natal. Embora não precisasse ser batizado, o Senhor quis se solidarizar com todo o povo que buscava o batismo de João. Esta liturgia é momento favorável para relembrarmos e renovarmos nossos compromissos batismais.

          Somos servos do Senhor a serviço da comunidade e responsáveis por construir uma sociedade justa. Jesus busca, em João, o batismo. Aí é proclamado “Filho amado de Deus”. A prática da caridade e da justiça deve ser nosso diferencial diante de Deus.

          Em cada batizado que celebro, costumo fazer três perguntas aos pais e padrinhos: Sabem o dia em que foram batizados? Quem (o padre, diácono ou ministro) os batizou? São de Igreja, participando de alguma Comunidade de Fé? E quando a reposta é “NÃO”? Quem não sabe o dia do batizado, também não o celebra, pelo menos, consciente e livremente. Talvez por tradição, ou porque é hábito da família. Sem uma Comunidade, que sustente os compromissos batismais, a fé recebida no dia de nosso batismo esclerosa, resseca, mofa. Já a Festa do Batismo do Senhor é um insistente convite, de que arejemos nossa fé, cultivando-a e por meio dela, anunciemos as maravilhas que os dons do Espírito Santo realizam naqueles que se abrem e se convertem a Ele. Esconder tais dons significa insensibilidade, indiferença e até omissão. Eis a hora de assumirmos nossa fé, como dom precioso que nos é dado desde o “Útero da Igreja”, a Pia ou Bacia Batismal!

          Podemos nos perguntar se, a partir do Batismo de Jesus, procuramos entender e concretizar o nosso batismo. Estamos dispostos a “mergulhar” no projeto de Jesus para construir relações humanas dignas, a começar pela família, no aconchego do lar, na escola, no trabalho, na Igreja, no mundo, com atitudes solidárias, ecumênicas?

          Deus se revelou em Jesus, confiando-lhe a missão de Servo e Filho amado. Pelo batismo, mergulhamos no mistério da morte e da ressurreição de Jesus para vivermos a vida nova. Em Cristo, recebemos o Espírito para a missão e fomos adotados/as como filhos e filhas de Deus. Somos gerados a cada dia, pelo amor misericordioso e bondade infinita do Pai, para renovarmos a nossa adesão e o nosso compromisso com o seu Reino.

Vamos abrir o ouvido do coração para acolher a voz do Pai, que ressoa dentro de nós, e que declara nossa missão: Tu és minha filha muito amada, tu és meu filho muito amado.

          O Batismo é nosso segundo parto. Primeiro partimos do útero de nossa mãe. Quando batizados, partimos do útero da Igreja, preparando-nos à luz da fé que nele recebemos para o parto definitivo, que se debruça sobre a esperança de que morrendo, partindo do útero da terra, veremos Deus como Deus é, e isso nos basta. Renovemos nossos compromissos batismais, buscando viver nosso Batismo na relação com Deus, que nos adota como seus de verdade, e com os outros, que se tornam nossos irmãos, para santificar-nos. Todo batizado torna-se um ser divinizado, isto é, candidato à santidade. Por isso não é nenhuma pretensão descabida, queremos ser santos. Devemos, isso sim, esforçar-nos todos os dias, para sermos santos.

Pe. Gilberto Kasper

Teólogo

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

EPIFANIA!

 

 EPIFANIA!


 

O mês de janeiro marca o início de um Novo Ano civil. Celebra, na dinâmica das festas natalinas, no tempo de Natal, a festa da “Epifania”, palavra grega, que significa “manifestação”. Esta festa retoma o Natal de Jesus, celebrando a sua humanidade manifestada a todos os povos. Traz consigo a mística da universalidade da salvação.

          Na periferia, longe do palácio real, “os magos viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” que indicam, respectivamente, a sua realeza, divindade e humanidade (cf. Mt 2,11).

          “A Epifania é a celebração do amor de Deus, que em seu Filho quer se revelar a todos os povos, representados pelos magos que seguem a Estrela Nascente. Os magos do Oriente sentem grande alegria ao segui-la. Herodes e o centro do poder, Jerusalém, ficam perturbados. Os sumos sacerdotes e mestres da Lei, entendidos de religião, limitam-se a repetir as Escrituras sagradas. Os entendidos de religião conhecem a Escritura e sabem que de Belém sairá um pastor para Israel. Mas estão acomodados. Haviam transformado a Palavra de Deus numa doutrina que já não tocava a realidade, pois não conseguem reconhecer no brilho da estrela o caminho para o recém-nascido Pastor de Israel.

          Herodes e Jerusalém ficam perturbados, ao imaginar que o Filho de Deus lhes tomaria o poder. Querem impedir que Deus se manifeste ao mundo, eliminando o Filho recém-nascido. Mal sabem que o Menino vem para servir; vem para mostrar que o poder de Deus está no amor que se entrega e gera vida, não o ódio que divide e mata.

          Os magos, por sua vez, põem-se à procura. Vencem a escuridão, seguindo o brilho da estrela guia. Eles representam todos os povos que buscam construir, juntos, a única comunidade dos filhos de Deus. E como é grande a alegria de encontrar pessoalmente Jesus Cristo e poder entregar-lhe a própria vida, com o que ela tem de melhor! Pois Deus se revela a nós à medida que lhe entregamos o melhor de nós. Como os presentes dos magos, que indicam quem é o Menino recém-nascido. Oferecem ouro porque ele é Rei, incenso porque é Deus e mirra porque dará a vida na cruz.

          Para revelar-se ao mundo, Deus escolheu revelar-se ao coração de cada um de nós. Abrir-nos a esse amor que se revela é encontrar a Deus em nossos irmãos, sobretudo nos menores e indefesos, como o recém-nascido em Belém” (cf. Pe. Darci Luiz Marin, ssp em Liturgia Diária da Paulus, de janeiro de 2026, p. 40).

A Epifania nos traz Nova Esperança na medida em que nos tornamos servidores, promovendo a comunhão e a fraternidade entre todas as pessoas que remetem suas esperanças ao coração dos cristãos. Oxalá, os cristãos, especialmente os agentes de pastoral, saibam sentir-se Servos e não “Donos” de um Povo desencantado e carente de nova Esperança, novo Ânimo e novas Perspectivas de Vida. Saibamos acolher, compreender, perdoar e amar todos aqueles que se aproximam de nossas Comunidades. Sejamos, enfim, como a estrela do Oriente, que aponte o caminho para Jesus Cristo. Não brilhemos para nós mesmos, mas seja o nosso brilho a seta para o verdadeiro endereço, que é Jesus nascido em Belém, e que hoje procura aconchego na manjedoura de nossos corações!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O NATAL E A SAGRADA FAMÍLIA!

 O NATAL E A SAGRADA FAMÍLIA!


Na oitava do Natal celebramos o Natal e a Sagrada Família! O Natal

perdeu muito de seu verdadeiro sentido. Há 50 anos, antes de entrarmos para

a era do pós-industrialismo e seu laicismo pragmático e materialista,

aproximadamente 80 em cada 100 lares tinham ao menos um Menino Jesus e

uma Sagrada Família num cantinho da sala. O Natal era um momento

significativo para o crescimento na fé. E o centro desta celebração era a

pessoa frágil e indefesa do Menino Jesus. Era muito importante entender Seu

nascimento.

Nos tempos atuais, pelo menos 98% das lojas tem um Papai Noel. Nas

vitrines enfeitadas, Jesus não entra. A Festa do Natal deixou de ser do Menino

de Belém para se tornar daquele que tem coisas para dar às crianças ou aos

amigos. Ser não é importante. Ter ficou mais importante: coisa típica do

industrialismo materialista. Perdeu o grupo, o coletivo e venceu o individualista,

o opulento, o velho (Papai Noel) que tem e dá.

Para a Igreja, o Batismo é um desafio. É nascer em Jesus e assumir o

seu projeto de vida e liberdade para todos. É andar, pensar, amar e orar com

Jesus. É nascer de novo e ir renascendo a cada dia. E viver o compromisso de

fé decorrente do Batismo. Eis a proposta para uma “Igreja em Saída”,

missionária e toda ela ministerial, como tanto nos pedia o Papa Francisco!

O Natal insere-se nessa mística. Acontece que a morte tem sido

institucionalizada no triste contexto da civilização das ogivas nucleares, do

macro mercado, dos macros marginais, do crime internacional, da corrupção

tão devastada entre os representantes legítimos do povo, dos juros extorsivos,

da morte mais eficiente, da produção que se perde e do 1,2 bilhão de famintos

e miseráveis.

Os meios de comunicação encarregam-se de difundir a cultura da morte

com milhares de cenas violentas dos Robocops, Rambos, etc. A morte diverte

e vende mais. De tragédias anunciadas, então, nem se fala! Quase não se fala

de pessoas recuperadas de drogas, álcool e vulnerabilidade social. Só são

anunciados os números de óbitos: vidas ceifadas pela violência no trânsito, o

que parece dar mais audiência, ou não! Os números já são tão elevados, que

não sensibilizam mais ninguém.

O nascimento de um bebê dá menos ibope do que um acidente que fere

e mata. A vida está menos importante num mundo que destrói mares, florestas

e nações sem o menor escrúpulo.

Festejar o Natal nesse tipo de mundo supõe uma profissão de fé na vida

e no Autor dela. Devolver o Natal às famílias e lutar para que não fique

circunscrito às Igrejas são tarefas desafiadoras. O Natal descristianizou-se e

nós permitimos isso. Papai Noel ocupou o espaço social, econômico, político e

até religioso que era de Jesus. Os cristãos perderam o marketing. No Natal,

fala-se mais de Papai Noel do que de Jesus.


Nós e nossas Famílias podemos mudar isso! Se colocarmos os símbolos

certos em nossas casas. Se crermos em Jesus. Ele tem de aparecer mais do

que o Papai Noel. Mais ainda: deverá ser percebido em nossas relações

humanas de amor e de ternura, como é O Natal e a Sagrada Família!

No próximo domingo, dia 28 de dezembro, às 9 horas, somos todos

convidados a participar do encerramento do grande Jubileu do aniversário de

Jesus Cristo, na Catedral Metropolitana, juntando-nos ao nosso Arcebispo

Metropolitano, Dom Moacir Silva. Não teremos, por isso, a Missa das 9 horas

na Igreja Santo Antoninho, na Avenida Saudade, 202, nos Campos Elíseos.

Vamos nos encontrar, todos, na Catedral de São Sebastião!

Pe. Gilberto Kasper

Teólogo