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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

ESPERANÇA!

 

Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

 A Esperança é uma das três virtudes teologais. Nenhum cristão tem o direito de abrir mão da esperança. Nossa fé se debruça sobre a esperança sempre: desde que nascemos (até mesmo antes de nascermos) até o dia em que nosso nome ecoar na eternidade e morrermos (até mesmo depois de nossa morte). Daí a importante necessidade de renovarmos nossa esperança para um tempo pós-pandemia. A pandemia vai passar e todos nós deveremos recomeçar pautados sempre sobre a esperança de tempos melhores.

Apraz-me fazer alusão às palavras do amado Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a Fraternidade e a Amizade Social, no que diz respeito à segunda Virtude Teologal, a Esperança. São dois parágrafos deste belíssimo texto, escrito com a simplicidade do Santo Padre, onde pretende “dar voz a diversos caminhos de esperança”. O Papa escreve: “A recente (podemos afirmar a presente) pandemia permitiu-nos recuperar e valorizar tantos companheiros e companheiras de viagem que, no medo, reagiram dando a própria vida. Fomos capazes de reconhecer como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns que, sem dúvida, escreveram os acontecimentos decisivos da nossa história compartilhada: médicos, enfermeiros e enfermeiras, farmacêuticos, empregados dos supermercados, pessoal da limpeza, cuidadores, transportadores, homens e mulheres que trabalham para fornecer serviços essenciais e de segurança, voluntários, sacerdotes, religiosas... compreenderam que ninguém se salva sozinho” (Fratelli Tutti 54).

            O Papa nos convida “à esperança que ‘nos fala de uma realidade cuja raiz está no mais fundo do ser humano, independentemente das circunstâncias concretas e dos condicionamentos históricos em que vive. Fala-nos de uma sede, de uma aspiração, de um anseio de plenitude, de vida bem-sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor. (...) A esperança é ousada, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna’. Caminhemos na esperança”, conclui o Papa (Fratelli Tutti 55).

As provações que a vida nos impõe, ou amadurecem nossa fé em Deus, ou nos revoltam e afastam d’Ele. Sempre dependerá de nossa eleição pessoal.

Ao nosso redor, tantas coisas mexem com o coração e desafiam a nossa fé. Tantas pessoas que se afastaram das nossas comunidades. Milhões de crianças que moram nas ruas, na mais triste pobreza. Tantos jovens entregues às drogas. É incontável a fila de irmãos e irmãs que passam fome e não tem casa para morar. Entre muitos poderosos avarentos, que se sentem  donos do dinheiro, impera o egoísmo, a concentração de poder, os privilégios. São milhões os sobrantes e excluídos da mesa comensal da vida.

A fome do irmão, as crianças abandonadas nas ruas, as violências ao ser humano são convites de Jesus para subirmos com ele na barca (a Igreja) e entrarmos nos desígnios de Deus Pai, depois de compreendermos e assumirmos nossa missão e fazermos a nossa parte. Páscoa é isso: passagem de situações de menos vida para situações de mais vida, de situações de pobreza e miséria para uma vida digna, bonita, feliz e realizada para todos. Continuemos alimentando, portanto, nossa Esperança de uma vida melhor para todos!



quarta-feira, 4 de agosto de 2021

VACINA COM LOUVOR!

 

Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

 

Antes de escrever o presente artigo, visitei inúmeros dos 36 Postos de Saúde que oferecem a Vacina contra a COVID-19 em nossa cidade de Ribeirão Preto. Em nenhum deles encontrei filas de espera, má vontade no semblante sempre sorridente e feliz dos Profissionais da Saúde que acolhem as pessoas, organizam os protocolos até às queridas Enfermeiras que vacinam nosso amado povo.

Nossa tendência é de reclamar de tudo sempre. Descrever e apelar aos nossos direitos, elencar o que não vai bem nos serviços públicos. É bem verdade, que devemos sempre exercer nossa cidadania e buscar por nossos direitos, porém, cumprir, igualmente, nossos deveres, e, quando as “coisas” funcionam bem, é salutar que se louve, se agradeça e se registre o que existe de positivo em nossas Políticas Públicas. Enquanto escrevo este artigo mais de 500 mil pessoas de Ribeirão Preto já receberam pelo menos a primeira dose da vacina, muitos a segunda e tantos outros a dose única. Somos mais de 700 mil habitantes e o número de pessoas, pelo menos parcialmente imunizadas, é digno de louvor pelo zelo e pela sensibilidade de nossos governantes!

Registro minha profunda gratidão, admiração e respeito a todos os Profissionais da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, especialmente por meio da Coordenadora de Vacinação em nossa cidade, a Dra. Luzia Márcia Romanholi. Sua eficiência, dedicação, organização nos agendamentos, bem como no atendimento para as vacinas são motivos de nosso Voto de Louvor. Ao assistir, pelos telejornais, as filas intermináveis em tantas cidades de nossa Macro região, Estados e País, fico admirado como os ribeirãopretanos agendados são atendidos pontualmente e com muita alegria e esperança de tempos melhores para todos aqueles que acreditam na ampla imunização de nosso povo, que se Deus quiser, logo poderá retomar hábitos, abraços, atividades e comportamentos, os mais próximos dos normais, numa fase que denominaremos “pós-pandemia”. Continuemos alimentando nosso espírito de corresponsabilidade para com nossa própria saúde, bem como com a saúde das pessoas com quem convivemos, as que amamos, aquelas que dependem de nossa presença física mais próxima, como é o caso das crianças, dos idosos e enfermos.

Por outro lado ouvimos sempre alguns daqui e dali que reclamam, mesmo assim. Alguns por não prestarem atenção nas datas de agendamentos, outros porque desejam escolher a marca da vacina, colocando ideologias falsas ou Fake News à frente da eficiência já comprovada de todas as vacinas autorizadas pela ANVISA, mesmo que em fase emergencial. Basta observar a diminuição de novos casos, internações e óbitos. “O pior cego, é aquele que não quer ver”! Os protocolos não farmacológicos continuam necessários: uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social, sem aglomerações, devendo evitar, por enquanto, as festinhas até mesmo em casa.

Uma das reclamações que me deixou estarrecido foi um senhor que disse retornar outro dia para vacinar, porque não achou a enfermeira bonita. Fui atrás dele e lhe disse: “Se tem alguém feio aqui neste posto de saúde é o senhor”! Ele meio bravo perguntou: “Por que você me acha feio”? Eu respondi: “Não existem pessoas feias. Todas são criaturas nascidas à imagem e semelhança do Criador. Mas as pessoas se tornam feias ou bonitas, dependendo de suas atitudes, como é essa do senhor”! Graças a Deus, o homem deu um sorriso amarelado, meio envergonhado e voltou à sala da vacinação. Até porque todas as Enfermeiras são lindas e sorridentes, delicadas e gentilmente educadas no cadastro e na aplicação, da Vacina com Louvor!

quarta-feira, 28 de julho de 2021

POR UM TRÂNSITO MAIS HUMANO!

 

Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

Com a pandemia vimos um aumento considerável de motociclistas transitando em nossas cidades. Entregas a domicilio e as orientações de trabalhos “em casa” triplicaram o trânsito de motos, até porque foi a maneira que muitos brasileiros encontraram, de sobreviver aos “fechamentos e aberturas daqui e dali” do comércio e escritórios. São pessoas, nas maiorias jovens, que merecem nossa consideração e nosso apoio, porque obrigados a mudarem seus hábitos e suas maneiras de garantirem “o pão de cada dia” com tamanho sacrifício e destreza. Antes de tudo, registro meu respeito e minha admiração pelos motociclistas que tomaram conta das malhas viárias de nossa cidade.



No entanto não pudemos deixar de observar o grande risco que os mesmos motociclistas representam para si e para os demais transeuntes de nossas ruas, e principalmente nos cruzamentos com semáforos. Exige de nós um maior cuidado, porque as motos vêm de todos os lados, sem muitas vezes, observarem as regras que se lhes são impostas pelas leis de trânsito. Ultrapassam pela direita, vêm sem que sejam observados pelos retrovisores dos motoristas de automóveis e aparecem tantas vezes do nada, costurando o trânsito para que cheguem o mais rápido possível aos seus destinos. Muitos deles não observam os sinais dos semáforos, passando em sinal vermelho, cruzando as vias públicas, sem observarem os sinais de “Pare”, utilizando sem necessidade a buzina ou xingando motoristas que na visão deles os ameaçam, simplesmente por seguirem a risca os sinais de trânsito, por eles nem sempre observados. Transitar pelas ruas, geralmente, muito bem sinalizadas, tornou-se um risco iminente para motoristas, motociclistas e nem por último pedestres.

Por causa da pandemia não foi possível realizar a bênção dos motoristas no ano passado e nesse, diante da Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, evento ocorrido ao longo de dez anos, sob a intercessão de São Cristóvão, o Protetor dos Motoristas. Essa bênção sempre foi um grande apelo por um trânsito mais humano, civilizado, educado, respeitando, além dos sinais e das leis de trânsito, a pessoa transeunte do modo como se move pelas vias públicas da cidade. Sempre lembrando que “o trânsito de uma cidade, demonstra o grau de educação dos habitantes da mesma”! Mais uma vez fica a pergunta: “Somos um povo educado, civilizado”, ou nos comportamos como pessoas egoístas, violentas, agressivas, impacientes e mal educadas enquanto dirigimos nossos veículos de transporte, sejam esses automóveis, ônibus ou motos?

Ouvimos diariamente, pelas Redes Sociais, os números de pessoas ceifadas pela COVID-19, porém deixamos de observar os incontáveis óbitos causados pela imensa irresponsabilidade no trânsito de nossa cidade. Também não somos informados, ou mal informados, sobre o número assustador de pessoas, nas maiorias jovens, internados em nossos hospitais, muitos deles em estado grave, provenientes dos acidentes de trânsito. Quantos desses que ainda tinham algum trabalho passam a conviver com graves sequelas causadas por um trânsito tão perigoso, passando a depender de indenizações nem sempre razoáveis, engordando assim, a fila de pessoas com deficiências e dependentes de salários ínfimos da Previdência Social do País, já tão enfraquecida pelas demandas que lhe são impostas neste tempo de crise não apenas nacional, mas também mundial?

São Cristóvão proteja todos os motoristas, motociclistas e transeuntes de nossa cidade, incentivando-nos a todos, por um trânsito mais humano!