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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

INDECISOS PARA AS ELEIÇÕES DE 2018!


INDECISOS PARA AS ELEIÇÕES DE 2018!

Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Constato que nossos fiéis em número razoável ainda se sentem desmotivados e indecisos para as eleições de 2018, por conta do cenário político caótico. Talvez essa seja a eleição mais atípica de todas, desde 1989. Mesmo que muitos pensem que Religião e Política não devem se entrelaçar, precisamos nos preparar para bem orientar nossas Comunidades. É preocupante que aproximadamente 40% dos Brasileiros até o momento deixem escapar que anularão seu voto, votarão em branco ou nem irão às Urnas.
 Muitos confiarão as Eleições deste ano à Igreja, que ainda lhes inspira certa segurança e buscam com ela, a Igreja, novos horizontes e nova esperança. Como não somos partidários e nem convém declarar nossa acepção a partido nenhum, precisamos estar preparados e muito bem informados quanto aos candidatos que se apresentam para os diversos cargos. A Campanha Eleitoral já começou com o primeiro Debate promovido pela Rede Bandeirantes no dia 9 de agosto, que reuniu oito dos treze Candidatos à Presidência da República. Foram três horas de “farpas”, egocentrismo, demagogias, propostas, algumas delas até mesmo hilárias, mas lançadas ao ar, a fim de que mais de um milhão e quinhentos mil telespectadores comecem a formar consciência crítica sobre cada um deles. Nem sempre é prazeroso assistir aos debates, apresentação de propostas, devaneios de alguns, falta de postura e ética de outros, mas será através desses, que poderemos desenhar em nossa consciência o que nos espera nas eleições deste ano.
Só seremos capazes de orientar bem nossas Comunidades, na medida em que conhecermos as propostas dos candidatos ao Legislativo e Executivo. É possível que sintamos o desejo de uma maior renovação nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional, não reelegendo Deputados Estaduais, Federais e Senadores, mas arriscando em homens e mulheres que oxigenem a velha política de caciques “embolorados”, porque colados há décadas numa dessas cadeiras, usufruindo de privilégios descabidos em detrimento dos milhões de cidadãos que acabam pagando absurdamente uma nobreza injusta, quando não imoral.
Isso só será possível na medida em que exercermos nossa cidadania, buscando o quanto possível, identificar quem são na verdade os candidatos. A civilidade não nos permite afirmar que não votaremos em ninguém. Acompanhar os debates dos presidenciáveis e conhecer bem os demais candidatos é tarefa difícil e nem sempre agradável, porém a meu ver, necessária. Além do primeiro debate na Band, teremos outros entre 17 de agosto e 4 de outubro, bem como os horários de propaganda eleitoral.
A Igreja diante das Eleições de 2018, por meio de seus Agentes de Pastoral e Líderes Religiosos, deverá orientar com fidelidade “apartidária” todos os fiéis de suas Comunidades, que talvez encontrem uma luz de esperança para um País mais justo numa palavra bem dita!


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO NONO DOMINGO DO TEMPO COMUM

DIA DOS PAIS
SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA
HORA DA FAMÍLIA
“O Evangelho da Família, alegria para o mundo”.

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


            Agosto é o mês vocacional. No dia dos pais, somos convocados pelo Senhor e estamos reunidos na força do seu Espírito, para render graças, bendizer o nome de Deus, nos alimentar com a Eucaristia e com a Palavra. É o Dia do Senhor, a Páscoa semanal dos cristãos. Nosso dia de descanso e louvor. Iniciamos, com alegria, a Semana Nacional da Família, que neste ano tem por tema a ser refletido: Hora da Família – “O Evangelho da Família, alegria para o mundo”. Este também é tema do IXº Encontro Mundial das Famílias com o Papa Francisco, de 22 a 26 de agosto em Dublin na Irlanda.
            A alegria da celebração se esconde na oração do dia: “Deus..., a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes”.
            É dia de festa e alegria, porque o carinho e a bondade de Deus, nosso Pai, se manifestam e nos atingem pela missão e presença amiga de nossos pais. Neles, Deus se mostra e revela o seu amor por nós. Os pais são sacramento e sinais do amor de Deus.
            Jesus, conhecido como filho de José e Maria, se declara o Pão vivo descido do céu. Ele se revela na partilha do pão e nas pessoas que lutam para sustentar e proteger a vida.
            A experiência de Elias é a nossa inspiração. Com a Igreja no mundo inteiro, rezamos: “Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa, e não desprezeis o clamor de quem vos busca” (antífona de entrada).
            Só por revelação de Deus é possível conhecer a condição de Filho amado do Pai, enviado como penhor de salvação, portador de vida eterna para a humanidade e pão da vida, que alimenta na longa caminhada rumo à casa do Pai.
            E, por conseguinte, o ser humano não pode conhecer Jesus por iniciativa própria. É o Pai quem coloca, no coração humano, o desejo de conhecer seu Filho e abrir-se ao seu Evangelho. Quem se deixa instruir pelo Pai torna-se discípulo de Jesus.
            Seguir Jesus, acreditar nele, é ter a vida eterna, desde agora. E a vida eterna é a vida de comunhão que une o Pai com o Filho. Dessa vida, Jesus é o pão. Ele a alimenta com o seu testemunho, o seu ensinamento, com a entrega da sua existência. A morte não põe fim a essa vida, como aconteceu com os que se alimentaram com o maná no deserto. O pão da vida nos liberta da morte. É a carne, o seu corpo, que vai sofrer a morte na cruz, o que nos dá vida. Assim, aquilo que causava incredulidade dos representantes do povo (é o que o termo “judeus” significa em João), a humanidade de Jesus, é na verdade matéria de fé e fonte de vida.
            Esta humanidade de Jesus deve nos levar a valorizar a fome e a sede concretas e históricas dentro do dom da vida eterna. Comungar na carne de Jesus nos faz irmãos de todos e cria entre nós uma comunidade de iguais, de pessoas que se perdoam mutuamente e vivem na doação da vida. Somente se dermos vida seremos “imitadores de Deus”. A vida em todas as suas formas e expressões. Dar vida pode significar dar a sua própria vida, e sobre isso, temos belos e dolorosos exemplos na Igreja que está no Brasil.
            A Palavra de Deus neste domingo é uma catequese sobre a vida. Nossas aspirações e lutas diárias giram em torno da vida e nascem na força da Palavra:
            - a luta contra a fome e as doenças é para preservar e prolongar a vida;
            - a luta pela justiça e pela paz é para evitar os conflitos, a violência e as guerras que destroem vidas;
            - Campanhas feitas pela Igreja no Brasil, como a Campanha da Fraternidade, a Semana Nacional da Família desta semana, são para promover a vida onde ela está ameaçada;
            - a luta pelo desenvolvimento é para melhorar os níveis de vida;
            - a ciência faz esforços enormes para afastar as causas de morte e elevar a expectativa de vida;
            - a educação prepara a vida;
            - a filosofia pretende dar sentido e interpretar a vida...
            Nossa busca fundamental é viver e lutar para que a vida seja mais humana e feliz. Nossa tragédia é não poder vencer a morte. Diante dessa realidade humana, Jesus apresenta-se Pão que dá a vida sem fim ao mundo.
            A experiência de Elias nos ajuda a enfrentar os dissabores da missão, que exige esforço grande para ser realizada com as próprias forças. Há necessidade imperiosa de caminhar sempre, apoiados nas forças do alimento que nos mantém vivos, rumo à felicidade plena.
            A Palavra de Deus deste domingo, temperada com o Dia dos Pais e Abertura da Semana Nacional da Família, coloca-nos diante das Urgências de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral. Todos sabemos que a Igreja pensada por Jesus Cristo, faz partícipes da grande Família de Deus todos os batizados, tornando-nos filhos de um mesmo Pai e irmãos de Jesus Cristo!
            O convite é respondermos: Qual é a Família ideal, querida por Deus? Qual é a Família real, que formamos em nosso tempo? Quais os desafios a serem superados para resgatarmos a verdadeira Família amada tão loucamente por Deus Pai? Como e o que fazer, a fim de resgatarmos a dignidade de nossas Famílias, tão surradas por uma Cultura de Sobrevivência desumana e que desumaniza galopantemente nossas Famílias? O que cada um de nós poderá fazer para reerguer nossas Famílias colocadas de bruços por conta de um tripé de contravalores agressivos e animalescos, como: o Consumismo, o Hedonismo e o Individualismo?
            Rezemos, cantando com a Oração pela Família do Padre Zezinho: “Que nenhuma família comece em qualquer de repente... Abençoa, Senhor, as Famílias, Amém!”.
         
   Padre Gilberto Kasper
(Ler 1 Rs 19,4-8; Sl 33(34); Ef 4,30-5,2 e Jo 6,41-51)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Agosto de 2018, pp. 46-49 e Roteiros  Homiléticos da CNBB do Tempo Comum de Agosto de 2018, pp. 12-16. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM

MÊS VOCACIONAL
MINISTÉRIOS ORDENADOS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


             No domingo anterior, tivemos o Evangelho de João, que narrava o sinal de Jesus na multiplicação dos pães. Neste domingo, a narrativa nos traz a explicação do Mestre quanto ao significado daquele sinal: Jesus é o verdadeiro pão descido do céu, o “pão da vida” conforme Ele mesmo refere. Pão da vida eterna, pão que sacia definitivamente a fome, transforma o homem, abre o caminho da santidade para aqueles que dele se alimentam.
            Dia 6 de agosto, a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor. Recorda os apóstolos, no Tabor, quando ouvem a voz do Pai dizendo que Jesus é o Filho amado, enviado para nossa salvação. Nós, hoje, somos os destinatários dessa revelação, imantados com o brilho das roupas brancas e tocados pela mensagem carinhosa.
            Ao longo do Tempo Comum, podemos sentir a espiritualidade que brota dos sinais de Jesus, vivendo de forma significativa a Páscoa de cada domingo, reunidos ao redor da mesa da Eucaristia e junto à mesa da Palavra.
            Queremos ser, neste domingo, a multidão a quem Jesus se dirige e anuncia a vida eterna. Para isso, precisamos aceitar suas propostas, libertar-nos do homem velho que existe em nós, aceitar a transformação que pode nos tornar em homem novo, refletindo a imagem de Deus, buscando a santidade. Isso, certamente, é necessário a todos nós cristãos, discípulos missionários de Jesus.
            No entanto, inúmeras vezes queremos que isto aconteça sem nos deslocarmos até o encontro com Jesus, não queremos desacomodar-nos, passar para “o outro lado do mar”. É preciso investir tempo e disposição para caminhar até Jesus, encontrá-lo, sentar até o entardecer, ouvindo-o falar, alimentar-nos do pão da sua Palavra.
            Para fazermos isso, podemos hoje priorizar a proximidade e o tempo significativo da Sagrada Escritura. Como nos diz o Documento de Aparecida: “entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma privilegiada, à qual todos somos convidados: a Lectio Divina, ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura”. Através da leitura orante, somos conduzidos ao encontro com Jesus, à luz de sua Palavra. Rezando com ela, mergulhamos no mistério do nosso Mestre, entramos em comunhão com Ele.
            Não deixemos que as paixões desordenadas do mundo”, como diz São Paulo, nos desviem do caminho e da disposição de ir para o outro lado do mar, ao encontro de Jesus. Priorizemos tempo para ouvi-lo, como as multidões que o seguiam, deixemo-nos conduzir pela fome de sua Palavra.
            O evento da Multiplicação dos Pães e a incontável multidão aglomerada em torno desse, nos leva a pensar, de que continuamos sendo mais pedintes do que agradecidos. Quando aquela gente toda corre atrás de Jesus, Ele percebe que o faz porque satisfeita com o gesto espetaculoso do Mestre, que de cinco pães e dois peixinhos alimentara grande multidão. O apelo de Jesus, entretanto, vai além do espetaculoso, do milagreiro e do mero alimento material: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35).
            Em nossos dias não vemos algo semelhante? Tem-se a impressão de que multidões correm atrás do que é espetaculoso mais do que o espetacular: sermos alimentados pelo Pão da Vida, Jesus na Eucaristia, Jesus na Palavra proclamada! A Teologia da Prosperidade promete resolver os problemas, oferece milagrezinhos fáceis, como emprego, saúde, casa própria e até uma vida de certa ostentação! Tais métodos de “suposta evangelização” atraem multidões. Atraem multidões como atraem fãs de cantores e artistas famosos, enquanto forem famosos e agradarem.
            Da multiplicação dos pães remeto minha consciência à Cruz sob a qual sobram apenas três mulheres e um jovem. Logo da Cruz de onde jorra sangue e água, a mística profunda da Igreja que Jesus tanto desejou: uma Igreja comprometida com a dignidade humana, com a promoção da pessoa através da partilha e da solidariedade! Enquanto nossos compromissos sociais tiverem precedência sobre nossa vida espiritual, continuaremos anêmicos do verdadeiro alimento: aquele que não perece, porque é eterno e nos robustece diante das surras e dificuldades que o hodierno de nossa vida se nos impõe!
            Com o primeiro domingo do mês de Agosto, O Mês Vocacional, somos convidados a rezar pela Vocação Específica do Ministério Ordenado! O tema escolhido pela CNBB para o Mês Vocacional deste ano é: “Seguir Jesus a luz da fé” e o lema: “Sei em quem acreditei” (2Tm 2,12). Rezemos nossa gratidão pela disponibilidade de nossos Diáconos Permanentes, Padres e do Arcebispo, rezemos para que sempre tenhamos corações generosos que acolham o convite ao Sacerdócio Ordenado, bem como pela santificação de todos que responderam ao convite do Mestre. Só uma Comunidade Orante terá um Sacerdote Santo. Só um Sacerdote Santo é capaz de santificar sua Comunidade! Sejamos solícitos e dóceis aos Padres, Bispos e Diáconos que o Senhor nos confia. Sejamos fiéis a Cristo, o Único, Eterno e Sumo Sacerdote, na pessoa de nosso Arcebispo, nossos Padres e Diáconos, configurados com Ele, o Bom Pastor!

            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Padre Gilberto Kasper

(Ler Ex 16,2-4.12-15; Sl 77(78); Ef 4,17.20-24 e Jo 6,24-35)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Agosto de 2018, pp. 26-30 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum de Agosto de 2018.