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quarta-feira, 10 de abril de 2019

COLETA DA SOLIDARIEDADE!


Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

A ABERTURA DA SEMANA SANTA acontecerá no próximo domingo, dia 14 de abril, quando na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, celebraremos no Átrio a Bênção dos Ramos às 9 horas. Logo a seguir caminharemos em procissão ao interior de nossa Igreja, para a Celebração Eucarística, na Avenida Saudade, 202, nos Campos Elíseos em Ribeirão Preto.
Com o DOMINGO DE RAMOS, descortina-se a Semana Santa em que a Igreja celebra os mistérios da salvação levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pela entrada messiânica em Jerusalém.
Os ramos abençoados que levamos para nossas casas, após a celebração, lembram que estamos unidos a Cristo na mesma doação pela salvação do mundo, na labuta árdua contra tudo o que destrói a vida.
Se durante a Quaresma fizemos o propósito de “não falar mal de ninguém”, o DOMINGO DE RAMOS que abre a grande Semana Santa nos convida ao balanço: conseguimos não falar mal de ninguém ao longo deste grande deserto em preparação à festa da Páscoa? Os pregos de hoje, que crucificam Jesus na pessoa do próximo é, frequentemente a língua felina, que mente, calunia, difama, destrói a oportunidade de o outro crescer. Muitas vezes por pura inveja. Quantas vezes não suportamos que o outro seja melhor!
É também o domingo da prestação de contas de todos os nossos exercícios quaresmais de oração com melhor qualidade, de jejum consciente, pensando naqueles que não têm o que comer todos os dias e, finalmente a profunda, sincera e generosa caridade! Sejamos honestos e devolvamos, no espírito da COLETA DA SOLIDARIEDADE os frutos saborosos colhidos em benefício dos que tem menos do que nós. A entrega de nossa partilha deverá ser o que na verdade deixamos de consumir na Quaresma. O resultado da Coleta será entregue integralmente na Cúria pelos Padres ou Colaboradores Paroquiais. Ninguém terá o direito de reter qualquer centavo desta, que é a Coleta da Fraternidade. Não deixemos que nenhum “tráfico corrupto” desvie a coleta de sua verdadeira finalidade! Isso seria feio e grave pecado contra a justiça! Fraternidade e Políticas Públicas conta com nossa honestidade! “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Cf. Is 1,27).
Como viver a profecia contra as injustiças políticas e sociais, se nós mesmos não formos honestos na destinação total da Coleta da Solidariedade?
           

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O CPC – CENTRO DO PROFESSORADO CATÓLICO CONVIDA!


O Centro do Professorado Católico da Arquidiocese de Ribeirão Preto convida os Professores e Amigos para a Missa de Ação de Graças pelo 71º Aniversário de sua Fundação, em seu Salão Social, na Rua Nélio Guimarães, 501 no Alto da Boa Vista, com a participação especial do Coral Branca Moro do CPC sob a Regência da Maestrina Adriana Morais. A Missa será dia 11 de abril, quinta-feira, às 09 horas!
 Santa Teresa de Jesus, Doutora, incentive nossos Professores e interceda junto aos nossos projetos de educação plena!

Padre Gilberto Kasper
Conselheiro Espiritual

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - QUINTO DOMINGO DA QUARESMA


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


             Neste Quinto Domingo da QUARESMA, somos convidados a reconhecer nossos pecados e a acolher os irmãos em suas fragilidades, em face de mais uma manifestação do poder libertador do agir misericordioso de Deus, através dos gestos e palavras de Jesus.
            A liturgia de hoje revela-nos um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar a escravidão da lei e das nossas próprias fragilidades para chegar à vida nova, à ressurreição.
            Na reta final da caminhada em direção à Páscoa, o domingo de hoje se constitui num forte apelo à conversão. A conversão do coração significa mudança de orientação de vida. Ora, exige-se mudança radical quando a pessoa se encontra desviada do caminho do amor de Deus e aos irmãos, centrada em si mesma e “com as mãos repletas de pedras”.
            A Quaresma é um tempo para cuidar de nosso coração, libertando-o daquilo que o destrói, da agressividade do julgamento e do rancor. E se fizermos parte do rol agraciado daqueles que necessitam da misericórdia, por não pertencermos ao grupo oficial dos ‘”justos”, resta-nos a bem-aventurança da misericórdia do Cristo em seu olhar de ternura e em sua voz firme e suave que diz: “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais”. Permitamos que a misericórdia toque nossos corações!
            Com o encontro de Jesus com a mulher pecadora, somos convidados a acolher em nossa vida o amor e a misericórdia de Deus. Celebramos a eucaristia dispostos a transformar o orgulho em compaixão para com aqueles que atendem ao apelo à conversão. Se não for assim, nossas celebrações não passam de disfarce, hipocrisia e enganação. Isso deve irritar profundamente o coração misericordioso de Deus.
            As leituras nos revelam a ternura e a compaixão de Deus para conosco: realiza coisas novas para o povo e supera o legalismo frio e contraditório. A justiça de Deus, que nos vem por meio da fé em Cristo, é amor, misericórdia e perdão. Quantas vezes enxotamos pessoas que não consideramos dignas de celebrar conosco a Eucaristia? Ministros Ordenados repreendendo aqueles que ainda vêm às nossas celebrações... Agentes de Pastoral, os que se acham “certinhos” não raras vezes excluem pessoas que segundo seu juízo não correspondem às exigências legalistas de nossa Pastoral? Quem, a não ser o próprio Cristo é digno?
            Sempre é tempo de deixar o passado e lançar-se para frente com otimismo, em busca de vida nova. Quem não tiver pecado seja o primeiro a julgar e atirar uma pedra. Quando aceitamos Cristo Ressuscitado, tudo se transforma para melhor em nossa vida.
            Em cada Quaresma ressoa o apelo “corações ao alto”, convidando-nos a olhar para o futuro e a ir além de nós mesmos, na busca do Homem Novo. Olhar para frente requer mudança de atitudes no sentido de esquecer os rancores do passado, os pecados, as tristezas que imobilizam a vida, daquilo que no presente é causa de queda, de fracasso, de frustração. Tenho uma grande amiga que costuma dizer: “O passado já não me pertence mais. É preciso olhar para frente!” Não devemos relativizar as coisas, mas construir oportunidades novas, ajudando as pessoas a reerguerem-se depois da queda. Muitas vezes acontece o contrário: quando as pessoas ficam deprimidas por causa dos pecados, costumamos pisar nelas e afundá-las ainda mais na lama das consequências de seus pecados. Gosto sempre de pensar que: Perdoar não é esquecer, mas lembrar sem rancor! Sempre há um caminho longo pela frente, sempre podemos mudar o curso da nossa vida, de nossa história, basta que haja o desejo profundo de mudança no interior de nosso coração. Contudo, a conversão é um caminho em construção. Nem sempre encontramos o apoio para a construção de uma nova vida. Principalmente no mundo clerical e de nossas Comunidades, costumamos colar adesivos na testa das pessoas. Temos ainda muitas dificuldades de perdoar de verdade. Como fica difícil à pessoa que busca a sincera conversão, mudar de vida, quando há tantas pessoas que se rogam o direito de marcá-las negativamente, até mesmo espalhando mundo a fora os erros do passado de quem tanto deseja mudar seu presente e futuro. Um dos hábitos que abomino entre nós, os ministros do Perdão, é falar mal daqueles cujos pecados vieram à tona. Quase sempre, aqueles que jogam as pedras, têm pecados semelhantes ou até mais graves. Escondem-nos (seus pecados) atrás de quem foi descoberto e isso é terrível e diabólico.
            Olhando para a nossa sociedade, averiguamos que o fundamentalismo e a intransigência, muitas vezes, falam mais alto do que o amor: mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus; desacredita-se, calunia-se, em razão de preconceitos; marginaliza-se em nome da moral e dos bons costumes. O que fazer para transformar a realidade em que estamos mergulhados?
            Jesus, face à atitude condenatória dos fariseus e escribas, denuncia a lógica dos que se julgam “perfeitos e autossuficientes”. O que se considera justo não sabe perdoar. Quantas pessoas conhecemos, que são assim. Quantas experiências já se fizeram, especialmente entre quem busca cargos, funções, prestígios e poderes, pisando sobre a lama dos que algum dia erraram? “Devemos perdoar como pecadores, não como justos”. Todos temos alguma pedra na mão para jogar nos outros. Estamos todos a caminho e, enquanto caminheiros, somos imperfeitos e limitados. É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida do Homem Novo. O mais importante não é acusar, mas que o amor seja mais forte do que o nosso pecado.
            A Eucaristia é sacramento de unidade, de comunhão. Substituamos as pedras por gestos de partilha e de perdão. A Eucaristia é sacramento da misericórdia e do perdão divinos. Não a celebramos porque somos melhores do que os outros, e nem somos perdoados porque merecemos, mas porque Deus é perdão gratuito.
            Que nossos exercícios espirituais de penitência quaresmal se transformem em frutos saborosos diante de Deus e de nossa Igreja. Não apenas o resultado dos mesmos, que será a Coleta da Solidariedade a ser entregue com senso de justiça no próximo domingo, mas nossa disposição e nosso esforço para perdoar àqueles que ainda esperam por nosso perdão. Nunca esqueçamos que o próprio Cristo nos adverte: “Não são sacrifícios, mas misericórdia que agradam o coração do meu Pai”!
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, meu abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 43,16-21; Sl 125(126); Fl 3,8-14 e Jo 8,1-11)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Abril de 2019, pp. 31-34 e Roteiros Homiléticos da CNBB da Quaresma (Abril de 2019), pp. 61-64.