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quarta-feira, 1 de julho de 2026

O DIA DO PAPA!

 

O DIA DO PAPA!



 

No último domingo, dia 28 de junho celebramos a Solenidade de São Pedro, o Primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. Foi o Dia do Papa! Desde então, a Igreja nunca ficou órfã de Papa. O Pedro de nossos dias, eleito dia 8 de maio de 2025 é Leão XIV, o Papa da Paz! É no dia do Papa, 29 de junho, que os novos Arcebispos, nomeados desde o ano anterior, recebem sobre os ombros o Pálio, um colar de lã que o próprio Sucessor de Pedro entrega aos demais sucessores dos Apóstolos, que têm confiado uma Província Eclesiástica, uma Arquidiocese, como é a de Ribeirão Preto. Atualmente nossa Província é formada por quatro Dioceses, onde cada Bispo é autônomo. Além da Sé Metropolitana de Ribeirão Preto, constituem nossa Província as Dioceses de Franca, Jaboticabal e São João da Boa Vista. O serviço do Arcebispo é de confirmar as Dioceses Sufragâneas na Unidade, Comunhão e certa Pastoral de Conjunto.

No dia 22 de maio do ano passado, o Papa Leão XIV decretou a divisão da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, elevando a Diocese de São José do Rio Preto a Arquidiocese e nomeando seu Bispo como primeiro Arcebispo Metropolitano, Dom Antônio Emídio Vilar, SDB. Totalmente desmembrada da Província de Ribeirão Preto, a nova Arquidiocese tem como Dioceses Sufragâneas Barretos, Catanduva, Jales e Votuporanga.

No dia 4 de junho de 2025, durante a 87ª Assembleia das Igrejas do Regional Sul 1 da CNBB, que compreende as 8 Arquidioceses e 35 Dioceses do Estado de São Paulo, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, foi eleito o Presidente desse Regional, com a belíssima missão de garantir a Sinodalidade entre todos nós, que consiste num “caminhar juntos na comunhão, participação e missão”!

Na verdade, o que celebramos na Solenidade de São Pedro e São Paulo não são os méritos destes apóstolos. O que celebramos é o Senhor mesmo que escolheu e enviou estes apóstolos, para serem seus principais parceiros no grande mutirão em favor da vida, inaugurado pelo mistério pascal de Cristo e assistido pelo dom do Espírito Santo.

São Pedro e São Paulo, ao lado de São João Batista e Santo Antônio, são santos muito estimados pelo nosso povo brasileiro; são alegremente festejados pela religiosidade popular deste país, compondo assim nossas tradicionais festas juninas. A tradição dos Santos Juninos é portuguesa e foi assumida pelos Índios e Escravos do Brasil, tornando-se uma das principais festas, especialmente no Nordeste e no Sul. Lá são celebrados por um mês inteiro.

No Dia do Papa que neste ano solenizamos no último domingo de junho, fizemos a Coleta do Óbolo de São Pedro. São as Comunidades Católicas Apostólicas Romanas do mundo inteiro que partilham de sua pobreza, sendo generosas e oferecem, livremente, parte do que lhes pertence a quem tem menos. O Papa, por meio de sua assessoria, utiliza o resultado desta Coleta para socorrer, em nome da Igreja do mundo inteiro, nossos irmãos que sofrem dificuldades: as vítimas da fome (continuam passando fome diariamente no mundo, segundo a ONU mais de 1 bilhão de pessoas); as vítimas de enchentes, tornados e guerras, essas sempre tão estúpidas. Enquanto o Vaticano envia auxílio aos nossos irmãos em situações de risco e vulnerabilidade, é justamente nossa oferta que alivia as dores de tantos sofredores, pois o faz em nome de cada um e de todos que se sentem Católicos Apostólicos Romanos e vivem inseridos e comprometidos como tal. Agradecemos a generosidade de todos que pensam naqueles que têm menos do que nós. Quem não conseguiu fazer sua oferta, poderá oferece-la numa das celebrações do próximo final de semana. Ainda há tempo! As Comunidades enviarão toda a coleta à Cúria Metropolitana, que fará chegar ao destino certo nossa participação consciente, com sabor de amor divino!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 


 

“Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João.

Ele veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor

Um povo bem-disposto” (Jo 1,6-7; Lc 1,17).

 

 

 

Além de Jesus Cristo e Maria Santíssima, João Batista é o único santo que tem celebrado no Calendário Litúrgico, seu nascimento, enquanto os demais são lembrados no dia de sua páscoa natural ou na data de seu martírio! A Igreja celebra também sua Vigília, preparando-se para celebrar o precursor, a luz que haverá de preparar os caminhos e abrir as cortinas para a estreia do verdadeiro Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo, Jesus, o Messias! Com João, o que batiza um Batismo de Conversão, nos deparamos com o encontro do Antigo com o Novo Testamento. Com João Batista, o último e principal dos Profetas acontece o enlace da Antiga com a Nova Aliança; a maior compreensão do pacto de Fidelidade de Deus para com a Humanidade! Ressalta a “teimosia” de Deus em amar, apaixonadamente, sua Criatura predileta: a Pessoa!

          São João Batista é importante para os cristãos. Santo muito querido e estimado pelo povo brasileiro. Em todas as regiões, principalmente do norte, nordeste e sul, existem as festas tradicionais de São João, celebradas com alegria, muita comida e bebida, danças e trajes típicos, à luz da tradicional fogueira de São João. Estas festas ocupam lugar de destaque no calendário popular.

          A Igreja, já no século VI, reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de São João Batista. Santo Agostinho escreve: “A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação... João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor diz: ‘A lei e os profetas até João Batista’ (Lc 16,16). (...) Antes mesmo de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele” (Ofício das Leituras, in Liturgia das Horas).

          Jesus o declara o maior de todos os profetas. Homem simples, austero, corajoso, apontou o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29-36). Deu testemunho da luz, aplainou os caminhos e preparou o povo para acolher o Salvador. Antes que Jesus chegasse, pregou um batismo de conversão.

          A celebração do seu nascimento nos associa à alegria de Isabel, de Zacarias e dos vizinhos, porque Deus se lembra de nós, indica os caminhos da salvação e aponta os horizontes da liberdade.

          A Palavra anunciada nos conduz para dentro da verdadeira Luz de todos os povos, o Salvador, do qual nem merecemos desamarrar as sandálias. Celebramos, acima de tudo, o mistério daquele que se fez o menor no reino de Deus, e, por isso, é o maior: Jesus.

          Como seria lindo, se a humanidade, a começar de mim, se revestisse   da identidade de São João Batista, a humildade. Porque a humildade é uma das mais lindas virtudes de uma criatura humana. Como é bom ser humilde!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!

 

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!



É difícil escrever um artigo sobre como celebrar o 170º aniversário da Cidade em tempos de tanta insegurança e violência. Os cidadãos estão reféns e sentem medo uns dos outros. A maioria dos bairros estão feios e perigosos.  Mas também é evidente que os investimentos na saúde nem sempre são prioridade, ou pelo menos, nem sempre são levados a sério tanto em nossa macro-região, como em nosso País Continental, não obstante ainda tenhamos a Saúde de melhor qualidade tanto em nossa aniversariante cidade, como em São Paulo, o mais rico Estado do Brasil. Já as crises econômicas, políticas e morais, aparentemente fogem ao controle dos Municípios. Elas, as crises, se nos são impostas desde a esfera Federal e também Estadual. O que não se pode negar, é que crises em geral, a priori, angustiam todos os cidadãos. 
A magnífica Professora e Escritora Maria Helena Silva Dutra de Oliveira, de saudosa memória, um dia enviou-me uma mensagem de George Carlin, que me ajuda a escrever este artigo, porque provoca uma reflexão e nos convida a encontrar um jeito de como celebrar o aniversário da Cidade de Ribeirão Preto. O aniversário é de todos, é nosso, é de cada cidadão ribeirãopretano. 
O paradoxo de nosso tempo na história é que nós temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais curtos, estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Nós gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências, mas menos tempo. Temos mais diplomas, mas menos sabedoria, mais conhecimento, mas menos espírito crítico, mais especialistas e mais problemas, mais remédios e menos bem estar.
Nós bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem cuidado, rimos muito pouco, guiamos muito depressa, ficamos muito bravos, dormimos muito tarde, levantamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos muita televisão, rezamos muito raramente. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos muito, amamos muito raramente, e temos raiva frequentemente.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não uma vida.  Acrescentamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos. Vamos até a lua e voltamos, mas temos problemas para atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior.
  Nossa cidade aniversariante antes feia e descuidada, agora já demonstra novamente zelo e beleza, porque seu povo continua lindo e cheio de novas esperanças. Já é novamente possível “cortar o bolo de aniversário”, porque “não levamos o bolo de novo” e a cada dia que amanhece não esqueçamos, de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade: Exercendo a cidadania, cumprindo com nossa parte, e pedindo a quem nos governa, executivo e legislativo seja servidor do povo, garantindo-lhe sua dignidade!
  Desejo muito que o distanciamento social, e outras novas posturas que precisamos tomar para superar a Cultura da Sobrevivência, que continua nos surpreendendo a todos, nos ajudem a sermos pessoas melhores. Não cesse nossa capacidade de sermos solidários e olharmos para nossos concidadãos com olhos de um coração sempre mais generoso e sempre menos egoísta. Não deixemos que a desigualdade social cicatrize ainda mais nossa rica e tão acolhedora cidade aniversariante de Ribeirão Preto!
Pe. Gilberto Kasper
          Teólogo


quarta-feira, 10 de junho de 2026

A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!

 

A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!

 

 

No dia 13 de junho de 2026, a Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, carinhosamente conhecida como Igreja Santo Antoninho, situada na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, celebra os 123 anos de fundação. A pedra fundamental, segundo informações da Cúria da Arquidiocese de São Paulo, foi implantada em 1892. O templo é o mais antigo, em pé, da cidade de Ribeirão Preto. Foi Capela da Vila Emília, depois da Família Proença da Fonseca e em 1989, através de inventário assinado pela então última herdeira viva, Hilma Proença da Fonseca Mamede, foi doada à Arquidiocese de Ribeirão Preto “para cultivar a fé católica da Família Proença da Fonseca”. Adjudicada do complexo do imóvel que compreendia a Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, incendiada no dia 7 de setembro de 2019 e demolido, o que sobrara da antiga residência da Família em 2022, bem como do Mosteirinho onde viveram os Padres Scalabrinianos e os Monges Beneditinos Olivetanos no início do século XX, a Arquidiocese de Ribeirão Preto obteve a escritura do imóvel, que em 2009 foi tombado provisoriamente pelo CONPPAC – Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto.

Depois que os Monges Beneditinos Olivetanos passaram a residir em seu Mosteiro próprio, a Igreja Santo Antoninho passou a ser atendida por sacerdotes diocesanos (há 82 anos portanto), como Padre Euclides Gomes Carneiro, que celebrou a primeira Missa na Capelinha, de portas abertas para o povo no dia 10 de maio de 1903, Monsenhor João Lauriano, Cônego Arnaldo Álvaro Padovani, este último, ao longo de quatro décadas, por inúmeros padres mais jovens e zelosos, como o Pe. Márcio Luiz de Souza, o Pe. Josirlei Aparecido da Silva e o Pe. Giovanni Augusto, que o auxiliaram quando já sentia o peso da idade, pelos Missionários Claretianos, como o saudoso Pe. Lauro Edgar de Araújo Franco, CMF, que me acolheu para minha primeira Missa como reitor daquele Espaço Cultural Ecumênico de Espiritualidade, vontade expressa por Dom Joviano de Lima Júnior, o então Arcebispo, que me enviou para esse fim àquela simpática e acolhedora Igrejinha no dia 20 de abril de 2008, com a provisão de reitor assinada no dia 17 de abril do mesmo ano. Dom Joviano faleceu sonhando com a Santo Antoninho e o Mosteirinho atrás dela, restaurados, bem como a Casa da Amizade ao lado, desenvolvendo sua verdadeira função, se tornando um Centro Social ou Cultural a serviço dos mais pobres da cidade, como consta no próprio inventário. As queridas irmãs portuguesas desejavam que se continuassem suas obras de caridade: a distribuição dos pães aos pobres e a hospitalidade às parturientes vindas do interior, que não tivessem como se hospedar enquanto aguardassem atendimento na Santa Casa situada no mesmo bairro dos Campos Elíseos.

Desde o tombamento provisório em 2009, da Igreja conjuntamente com a Academia que já não existe mais e o Mosteirinho anexo, fizemos um árduo caminho de tentativas para restaurar a Santo Antoninho, sem êxito. Levamos 5 anos, 5 meses e 35 dias para obter a autorização da construção de 2 banheiros e a instalação de água e esgoto. Essa realidade mudou desde 2018, quando formamos o Grupo dos Amigos da Igreja Santo Antoninho. No início éramos mais de 120 pessoas. Mesmo assim o CONPPAC nos fez esperar 15 anos, com idas e vindas, projetos e mais projetos negados para, finalmente podermos iniciar as obras de restauro de nossa Santo Antoninho. Já o terreno ao lado da Igreja, está abandonado, um verdadeiro “criadouro” de insetos como mosquitos da Dengue, escorpiões, além de servir para acampamento de pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Logo estará “invadido” e lá nascerá mais uma “favela”? Já acionamos inúmeras autoridades municipais, sem êxito: desde a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores até Deputados Federais. Simplesmente não nos retornam, ou quando retornam “prometem”, mas não nos ajudam. Temos quem faria um estacionamento sem fins lucrativos naquele terreno, a fim de que as pessoas pudessem guardar seus veículos enquanto participassem das celebrações e atividades na Igreja. Uma vez que não é mais permitido estacionar na Avenida Saudade. E nosso grito por socorro continua!

Celebraremos a Missa de ação de graças pelos 123 anos da Santo Antoninho, no próximo dia 13 de junho, sábado, às 8 horas. Desejamos que acolham nossa mais profunda gratidão e a renovação de nossa fidelidade na busca da restauração desse pedacinho da história e tão importante patrimônio de nossa Arquidiocese e Cidade de Ribeirão Preto!

 

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

terça-feira, 2 de junho de 2026

A FESTA DE CORPUS CHRITI!

 

A FESTA DE CORPUS CHRITI!

 

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas; em
que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa vida.

          O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, informado do milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o Padre Pedro de Praga, da Boêmia, Itália, teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais", (onde tive a graça de celebrar a Eucaristia em 1997). Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e mais tarde, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

          Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.

É uma ocasião ímpar de testemunhar nossa fé, de que a Eucaristia é a alma da Igreja. Não existe Igreja sem Eucaristia. É, também, oportunidade de invocar bênçãos sobre as famílias, os enfermos, os surrados pela vida de nossa rica cidade. Que a Festa de Corpus Christi deste ano tenha um sabor de menos violência, menos mentiras maquiadas de verdades, menos corrupção, menos inveja, menos competição na busca de poder e prestígio. Que nossa sincera homenagem à Santíssima Eucaristia nos ajude a caminhar juntos no espírito da sinodalidade, superando de uma vez por todas as pandemias e viroses da insensibilidade, do confronto, da agressividade e dos contravalores que nos animalizam ao invés de nos humanizar.

A Festa de Corpus Christi, na Forania Santa Maria Goretti, será celebrada no Colégio Vita et Pax, nesta quinta-feira, dia 04 de junho, na Avenida Abade Constantino, 174 no Bairro Jardim Recreio de Ribeirão Preto, às 09 horas, presidida por nosso Vigário Forâneo, Padre Márcio Luiz de Souza e concelebrada pelos Padres da Forania, como testemunho de Unidade e Comunhão. Logo a seguir haverá uma pequena procissão até a Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila, na Praça das Rosa, onde será dada a Bênção do Santíssimo Sacramento.  Sintam-se todos convidados!

Que a Festa de Corpus Christi impulsione todos os cristãos e demais cidadãos de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, bem como do mundo inteiro, a melhorarem sua qualidade de vida, sendo Anjos uns dos outros!

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

quarta-feira, 27 de maio de 2026

AGRADECENDO A QUERMESSE!

 

AGRADECENDO A QUERMESSE!


 

O Dicionário Aurélio define a Quermesse como “feira beneficente, com barraquinha (tendas), leilão (sorteio) de prendas, etc.” Infelizmente o Dízimo ainda não mantém o culto de nossas Comunidades Paroquiais, como suas pastorais, manutenção dos templos e tantas outras despesas que implicam na administração de uma Paróquia instalada. Por isso gostaria de manifestar minha gratidão pelas quermesses, que também são fontes de recursos para a manutenção de nossas Paroquias.

Gosto de pensar, que se cada cristão católico que, mais ou menos, participa de nossas atividades paroquias, oferecesse mensalmente, um porcento de seus rendimentos à sua Comunidade, em forma de dízimo livre e consciente, não precisaríamos nos preocupar tanto com promoções que visem arrecadar fundos para sua manutenção. As Quermesses ou eventos afins teriam maior motivação de confraternização, de encontro de irmãos que professam a mesma fé, enriquecendo, assim, a sinodalidade de nossa Igreja, promovendo também por meio de eventos sociais, a comunhão, participação e missão, especialmente no testemunho de que somos todos irmãos, filhos de uma Igreja que é mãe e mestra e que ama muito todos os seus filhos e filhas!

É muito lindo perceber o comprometimento de nossos agentes de pastoral na preparação de uma Quermesse. Não obstante as inúmeras dificuldades, especialmente financeiras, dos que colaboram com nossas Comunidades, todos se revestem de entusiasmo, ânimo e grande disponibilidade na busca de recursos para a realização da melhor Quermesse a cada ano. Há uma competitividade saudável entre as equipes de trabalho, porque cada uma quer organizar da melhor maneira sua tarefa, sua tenda, seu compromisso para com o evento em preparação.

 As pessoas tem participado como nunca antes das Quermesses realizadas pelas inúmeras Paróquias por todos os lados. Milhares de pessoas surpreenderam positivamente com sua presença e efetiva participação. Isso também é percebido nos grandes shows ao ar livre e nas festas comemorativas de cunho social. Eu ficaria muito feliz se o mesmo acontecesse com nossas celebrações de Missas, que em comparação, se percebe bem mais devagar e tímido, pelo menos na Paróquia Santa Tereza de Ávila, no Jardim Recreio, em Ribeirão Preto. Há Paróquias com linda e imensa participação de fiéis. Quermesses e barzinhos, bem como tantos outros eventos sociais contam com multidões, quando para a participação nas Missas de nossa Igreja ainda se ouve inúmeras desculpas. Quantas vezes ouço a desculpa de que não foi possível participar da celebração na Comunidade porque precisava ir a um aniversário! “Tempo é uma questão de Prioridade”!

Mas também os encontros de pessoas que sentem saudades umas das outras, participando de nossas Quermesses, podem servir de testemunho de que nos amamos e desejamos formar uma grande e linda Família de Deus! Por isso venho a público para agradecer a todos que, de alguma maneira prepararam e participaram da Quermesse na Paróquia Santa Teresa D’Ávila nos dias 15 e 16 de maio passado. Sou testemunha da dedicação exemplar de uma linda e querida equipe de Eventos coordenada pelo Sr. Daniel Dandun e sua linda Família, que ao longo de meses preparou com profundo amor à Igreja, essa Quermesse, cuja renda será destinada às necessárias reformas e melhorias de nossa Paróquia, que o Dízimo ainda não consegue cobrir e contemplar. Nem por último, quero agradecer, de coração, aos veículos de Comunicação: Emissoras de Televisão, Rádio, Internet, Jornal Tribuna Ribeirão e à querida Thaís Portella, pela divulgação! Ouvi de centenas de lábios, que foram prestigiar nossa Quermesse, por terem sido informados pelos meios de comunicação, o que muito me alegrou! Encontrei pessoas lindas, que há nos não via. Foi um encontro de verdadeiros amigos e irmãos!

Invoco a bênção sob a intercessão de Santa Tereza de Ávila sobre todos, que contribuíram, participaram, trabalharam e divulgaram nossa tradicional Quermesse. Deus os recompense e abençoe grandemente por tudo sempre, com Sua divina ternura!

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ENXERGAR BEM É UM DOM!

 

ENXERGAR BEM É UM DOM!


 

A maior fragilidade humana não está na complexidade de seu organismo, mas se revela quando entra em crise. Os antônimos nos esclarecem melhor a natureza das coisas ou, pelo menos, nos dão maior apreço pelos valores positivos. Assim se aprecia melhor a luz quando se vê seu contraste com a escuridão; o dia fica mais significativo quando comparado com a noite. A saúde fica melhor ressaltada em comparação com a doença. Ou como se costuma dizer: só conhece o valor da saúde quem ficou doente.

          Há hoje um consenso em não restringir a saúde a uma questão biológica. Ela envolve valores psicológicos, sociais, espirituais, econômicos e religiosos. Pode ser definida como bem-estar físico, psicológico, social, econômico, espiritual e religioso. A ausência de algumas dessas dimensões constitui crise e deve ser considerada doença.

          Pela constituição unitária da pessoa humana, todos estes fatores se influenciam mutuamente. Uma disfunção orgânica no ser humano não tem o mesmo significado que num animal ou numa planta. Por isso não pode ser tratado do mesmo modo. É exatamente o que deveria distinguir o médico do veterinário e do ambientalista. Nós somatizamos nossos problemas psíquicos, sociais, econômicos e religiosos.

          No dia 29 de abril me submeti a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. Consultando com o magnífico professor aposentado da USP, Dr. Harley Bicas, que atende às quartas-feiras no Instituto da Visão de Ribeirão Preto, à Av. Independência, 2509, fui diagnosticado com catarata nos dois olhos, sendo que o esquerdo estava mais comprometido. Feitos os exames sob a orientação da Dra. Maria Cristina Zanatto, fui operado com sucesso pelo renomado e querido Dr. Roberto P. Coelho, Proprietário do Instituto da Visão.

          “A cirurgia de catarata é um procedimento seguro e rápido, geralmente durando entre 10 e 30 minutos, que remove o cristalino opaco e o substitui por uma lente artificial (lente intraocular) para restaurar a visão. Realizada com anestesia local e alta no mesmo dia, a técnica mais comum é a faco- emulsificação, utilizando ultrassom ou laser para fragmentar e aspirar o cristalino” (Dr. Roberto P. Coelho).

          Ainda há escrúpulos e resistências em relação à cirurgia de Catarata, por centenas de pessoas que enxergam pouco, por possuírem essa enfermidade. Os tempos mudaram e a medicina, também oftalmológica, evoluiu muito. Dr. Roberto Coelho faz a cirurgia por laser e não demora mais do que sete minutos. Pelo menos foi o que aconteceu no meu caso.

          O pós-operatório pede alguns cuidados muito simples de serem adotados, sem que alterem nossas atividades hodiernas. Também isso evoluiu. O que importa, é a beleza de enxergar sem óculos; tudo que antes se via embaçado, agora se vê mais nítido do que nunca. A sensação de enxergar bem longe e perto, é um verdadeiro dom!

          Costumo “brincar” com pessoas amigas, que passando dos 60 anos de idade, começamos a “trocar os órgãos de nosso corpo humano”. Já me perguntaram se não seria pecado? Claro que não, desde que recupere a saúde fragilizada com o passar dos anos. Não se trata de mera vaidade, mas de zelo pela saúde, a fim de que possamos continuar servindo, cada um, à luz de sua vocação específica.

          Desde a recepção até ao Centro Cirúrgico e os retornos médicos com o Dr. Roberto P. Coelho e a Dra. Maria Cristina Zanatto, fui tratado como um “príncipe” de que nem digno sou. Minha experiência foi das melhores e recomendo que busquemos enxergar bem, porque enxergar bem é um dom. Minha próxima cirurgia de catarata no olho direito está agendada para o dia 26 de maio próximo.

          Assim agradeço, de coração, pelas orações de tantas pessoas queridas e amadas. Também expresso minha gratidão aos médicos do Instituto da Visão: seu proprietário, Dr. Roberto P. Coelho, a Dra. Maria Cristina Zanatto, toda a Equipe do Centro Cirúrgico na pessoa da Enfermeira-Chefe Ana Paula, as Meninas, verdadeiros Anjos Bons, da Recepção, e por fim, o Dr. Harley Bicas, que fez questão de acompanhar a primeira cirurgia, acolhendo-me e depois, despedindo-me na porta de entrada do Instituto da Visão. Deus os recompense e abençoe grandemente por tudo sempre! Não esqueçamos que enxergar bem é um dom!

         

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 13 de maio de 2026

DEVOLVER O ROUBADO!

 

DEVOLVER O ROUBADO!



 Quanto mais medito a “Ambiguidade humana e graça de Deus – A origem do mal” no terceiro capítulo do Livro de Gênesis, especialmente o diálogo do Criador com o Homem (Gn 3, 8-13), concluo que até nossos dias a história se repete, no que diz respeito à transferência de responsabilidades! O homem remete sua culpa à mulher e esta à serpente no cenário do Éden. “Fiz, mas não tenho culpa, porque foi ela que me tentou!”

No atual cenário político não parece ser diferente. Os que vão sendo descobertos em suas falcatruas, roubalheiras, desvios de verbas públicas, corrupção sistêmica e irresponsabilidade fiscal remetem a terceiros seus atos, mesmo que tenham tido conhecimento ou não disso ou daquilo. Perdeu-se totalmente a consciência do ridículo. Nossos Governantes, especialmente alguns Deputados e Senadores reeleitos, que mais parecem com raposas de campanha (não são todos), subestimam seus eleitores decepcionados com as inúmeras revelações do que costumo chamar de diabólico, porque enganoso, mentiroso, cruel e nem por último criminoso.

Não me refiro aos bilhões de reais que escorrem pelos bolsos de tantos homens públicos, utilizados para o bem pessoal ou de coleções de sapatos de suas esposas. Segundo o Magistério da Igreja Católica, a Teologia Moral nos ensina que alguém arrependido de ter roubado algo de maior ou menor valor, e tendo a coragem de confessá-lo, será orientado a devolver o roubado, a fim de que reencontre a paz que tal pecado lhe roubou. Se os bilhões desviados dos cofres públicos fossem devolvidos a quem de direito, já teríamos uma boa solução para a crise que se instalou em nosso rico Brasil: crise política, econômica e principalmente ética. Porque não acredito que os “Corruptos poderosos” condenados a alguns anos de prisão, se convertam. Gosto de pensar que quando se encurta uma calça, é na barra da mesma que se corta e nunca na cintura. Os subservientes que paguem pelos verdadeiros mandantes.

 Devemos ser misericordiosos como o Pai é misericordioso. Mas se lermos o texto de Gênesis 3, 14-24, veremos que a atitude de Deus foi a imposição de uma penitência corretiva. Não basta arrepender-se, pedir perdão e não corrigir os estragos que nossa atitude causou. Ao invés disso, um remete a culpa ao outro. Se cada um assumir sua parcela de responsabilidade, chegaremos ao consenso de que é necessária uma imediata conversão ou radical mudança, que devolva não só o dinheiro desviado e gasto indevidamente, como a dignidade do Povo tão pacífico, trabalhador e sofrido, porque subestimado em sua capacidade de discernir o certo do errado e o verdadeiro culpado do inocente. Para que isso aconteça, será necessário rever o equilíbrio, a educação básica sem gritos histéricos e ameaçadores, as manifestações que depredam bens públicos e privados, o diálogo e respeito com o diferente!

A transferência de responsabilidades não leva a lugar nenhum, a não ser a um poço de areia movediça. Já passou da hora de colocar a mão na consciência, ter um pouquinho de vergonha na cara e uma dose de humildade, a fim de redesenharmos o Brasil que todos merecem! Mas isso só será possível, se realmente conhecermos bem os homens e as mulheres que elegeremos, neste ano, para compor um Congresso Nacional comprometido, de verdade com o bem comum, e não com o bem próprio, com corporações interesseiras e amiguinhos de “mão boba”, que sem nenhum escrúpulo, roubam o dinheiro público que cada brasileiro produz com seu suor e árduo trabalho, e depois é obrigado a sustentar até mesmo luxúrias, fundos partidários, verbas para propagandas eleitorais, na maioria das vezes, mentirosas, com os impostos, os mais altos do mundo. Não esqueçamos, que quem não é de Deus cai; um dia cai; e quanto mais alto subir às custas dos outros, os mais simples, maior será o tombo. Já quem promove a dignidade e a justiça de todos os cidadãos, permanecerá de pé diante de Deus, que sempre aguarda que devolvamos o que roubamos!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 6 de maio de 2026

SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!

 

 SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!


 

O mês de maio começa celebrando a Festa de São José, operário, embora seja bem mais dedicado à MULHER! Comemora as Mães, as Noivas e é considerado pelos cristãos católicos, um mês dedicado à MARIA, Mãe de Jesus. O convite do Papa Francisco, para o mês de maio, sempre foi que rezássemos em Família, todos os dias, o Terço. Somos a Igreja Doméstica pedindo proteção a todos os filhos de nossa Mãe comum. “A Família que reza unida, permanece unida”, especialmente diante de tantos desafios e dificuldades!

A intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de maio, neste ano, é “Por uma alimentação para todos”! O Papa pede que rezemos para que todos, desde os grandes produtores até os pequenos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício de alimentos e para que todos tenham acesso a uma alimentação de qualidade. Quantas mães conhecemos, que deixam de se alimentar adequadamente, para que seus filhos tenham o que comer? Muitas vão dormir com muita fome, porém satisfeitas porque deixaram comida para matar a fome dos filhinhos, principalmente em nossas Comunidade, as mais vulneráveis, que atendemos pelo Fraterno Auxílio Cristão (FAC), diariamente. Por isso, sabemos do que escrevemos!

Gostaria de refletir muitos temas, mas pensei em escrever algo sobre o sentido da maternidade cristã, a partir das milhares de mães que assumem seus filhos sozinhas. São as que nossa sociedade chama de “mães solteiras”! É interessante observar que nunca ouvi ninguém chamar uma mãe, casada, direitinho, ou cujo pai assume com ela os filhos, de “mãe casada”!

Continuamos com o péssimo hábito de discriminar as pessoas, vivendo, muitas vezes, às escondidas, disfarçando gravidez antecipada, aliás, nas últimas décadas, a maioria das crianças nasce aos sete meses, ou me engano? Casamentos ou contratos de estabilidade conjugal forçados, que não passam de hipocrisia, para não admitir, ou então não se sentir motivo de conversinhas de vizinhos maldosos seriam válidos? Certamente a gravidez simplesmente, sem a certeza do amor gratuito, com sabor divino, profundo e verdadeiro, não é razão suficiente para “mentir” fidelidade diante de testemunhas, de ministros assistentes a matrimônios com aparatos megalomaníacos, como fotografias, filmagens, festas em renomados espaços de elegância exacerbada. São simplesmente nulos. Não acontece então o verdadeiro sacramento, eis uma farsa.

Penso que estaria na hora de revermos o verdadeiro sentido da maternidade cristã. O que significa ser mãe, com ou sem parceiro? Ser mãe implica uma vocação específica, sublime, nobre e abençoada por Deus, o Criador. Ser mãe é gerar vida com amor. Para ser mãe de verdade, é preciso “fazer amor” e não simplesmente relação sexual por mero prazer hedonista. É, por isso possível, dissociar vocação ao matrimônio da vocação materna? Penso que não. Quem se casa sem querer constituir Família, utiliza-se de uma Instituição Sagrada: A Família, colocada de bruços nas últimas décadas, que continua sendo a célula da sociedade. Precisa urgentemente ser reerguida e reassumida por pessoas que ainda acreditam em valores humanos e promovem a pessoa na sociedade, que ao contrário, a coisifica.

Quero, neste mês de maio, prestar minha homenagem muito terna, às mães que chamam de “solteiras”: mulheres corajosas, especiais, que desempenham também o papel de pais, para educar e amar divinamente os filhos que geraram, tantas vezes com dificuldades impostas pela própria família, pelos parentes e por uma sociedade que precisa ser mais amorosa, fraterna e misericordiosa com elas. Quem julga, fala mal, condena e determina a sentença sobre qualquer pessoa e seu comportamento, ousa prepotentemente ser deus sobre o outro. Minha ternura a todas as Mães do mundo, sobre as quais invoco as bênçãos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 29 de abril de 2026

OS ÓCULOS DE DEUS!

 

OS ÓCULOS DE DEUS!

 

 


 

Ao ler a Exortação Apostólica do Santo Padre Leão XIV, Dilexi Te – Sobre o Amor para com os Pobres, lembrei-me de uma estorinha que ouvi ao participar de um curso para formadores de seminários, em Vitória (ES), no ano de 1996, que gostaria novamente de partilhar com os estimados leitores. Quem a contou foi Gaston de Mezerville, psicólogo especializado na formação de formadores de seminários. Livremente a traduzo para nossa reflexão, do espanhol para o português.

Numa pequena cidade, certa vez morreu um agiota. Foi para o céu. Estando diante da porta entreaberta do céu, nem ele acreditou poder estar ali. A porta do céu estava entreaberta, mas não havia ninguém para recebê-lo. Nem mesmo São Pedro, a quem costumamos atribuir a tarefa de acolher as pessoas na porta do céu. Não havia ninguém e não se ouvia nada. Nenhum barulho de anjos, santos, enfim, o céu estava vazio, embora com a porta entreaberta. O agiota entrou. Entrou e sentiu-se como nunca: leveza de alma, serenidade e harmonia indescritíveis. Foi adentrando e conhecendo cada cômodo do céu, mas não via ninguém. Um profundo silêncio pairava no céu.

Chegou diante de outra grande porta, sobre a qual havia um letreiro: Escritório de Deus! Também aquela porta estava entreaberta, mas não havia ninguém. O agiota entrou. Viu uma mesa, atrás dela uma grande cadeira, diante da mesa um banquinho e sobre a mesa os Óculos de Deus!

Imediatamente colocou os Óculos de Deus e passou a ver tudo como Deus certamente vê: o universo inteiro de uma só vez. Minuciosamente procurou sua cidadezinha. Lá viu seu sócio de agiotagem ameaçando uma pobre viúva que não tinha como lhe pagar os altos juros do empréstimo que fizera. Com os Óculos de Deus viu a injustiça que o sócio cometia. Não pensou duas vezes em fazer justiça para com a pobre viúva. Tomou o banquinho diante da mesa, mirou a testa do sócio e a jogou em sua direção. O sócio teve morte instantânea. Feito isso, ouviu barulho de anjos, santos, até de Nossa Senhora no céu. Era toda a corte retornando de um piquenique celestial. Virando-se, viu também Deus, parado na entrada do escritório. Colocou de volta os Óculos de Deus, desculpou-se e tentou justificar sua entrada no céu, porque encontrara a porta entreaberta.

Deus lhe perguntou o que acabara de fazer. O agiota, todo orgulhoso, contou a Deus o que vira com os óculos sobre a mesa e que fizera justiça com uma pobre viúva, que estava sendo ameaçada por seu sócio. E Deus começou a chorar. O agiota, comovido disse: “Por que o Senhor chora? Não agi corretamente fazendo justiça?” E Deus respondeu entre lágrimas: “Que pena, meu filho. Você fez sim justiça com os Óculos de Deus. Mas o que eu esperava mesmo, é que amasse e tivesse misericórdia com o Coração de Deus”!

Eis o que Deus espera de nós: promover a justiça com Seus olhos, mas sem deixar de amar e ser misericordiosos com o Seu coração!

(A pedido dos leitores, reproduzo o presente artigo)

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 15 de abril de 2026

MISERICÓRDIA!

 

  MISERICÓRDIA!


 

 

 Ser misericordiosos como o Pai é um desafio e ao mesmo tempo é nossa vocação, pois fomos criados para ser “imagem e semelhança de Deus”. Celebramos no último Domingo, o Segundo da Páscoa, que encerrou a Oitava da Páscoa, O Domingo da Divina Misericórdia!

 

                    A Misericórdia é um sentimento nobre, suscita compaixão e perdão; lembra a nossa miséria (miseri) e o coração (cordis) bondoso de Deus. Contudo, no pensamento hebraico, misericórdia também significa aquele sentimento que tem origem nas entranhas maternas (rahamin), semelhante àquele amor do pai que acolhe ao filho pecador e tem carinho com o filho mais velho que não perdoa o irmão. Ser misericordiosos como o Pai é também viver a fidelidade ao seu amor quando amamos e nos preocupamos com nossos irmãos.

 

                    Ser misericordiosos como o Pai num mundo violento e intolerante é um desafio que nos oferece a chance de apagar as chamas de violência e desrespeito que a vida e dignidade humanas têm sofrido ultimamente: fanatismo, terrorismo, discriminação, intolerância são sintomas de uma sociedade sem inteligência que não sabe conviver com o diferente e com quem tem opiniões diferentes das que a mídia apresenta. Ser misericordiosos significa apresentar as condições para um diálogo franco e fraterno apontando soluções mediadas pela compreensão e por uma visão abrangente do mundo e da pessoa humana.

 

Misericórdia não gera resignação, apatia, desmotivação. Ao contrário, suscita esperança num modo de agir que não alimenta violência. A misericórdia alimenta o sentimento da bondade, da nova oportunidade ao passo que a violência mata as possíveis soluções para uma convivência pacífica. Misericórdia é o sentimento que cresce no coração dos que têm certeza que o outro é uma pessoa que merece outra chance, que precisa ser ajudada a se libertar das próprias escravidões e sentir-se novamente amparada por aquele sentimento amoroso que o pai dedicou ao filho mais novo que errou muito longe de casa. (Cf. Lc 15).

 

Ser misericordiosos não é o mesmo que ficar sentados de braços cruzados e esperar a banda passar, mas trabalhar em favor do bem, da verdade, da justiça e da fraternidade. Ser misericordiosos é também gritar em defesa da vida, é desmascarar as mentiras travestidas em propagandas enganosas que desrespeitam o direito do povo ser religioso e ter suas manifestações de fé; é também orientar para o bem os que andam iludidos pelo mal.

 

Ser misericordiosos é colaborar com a paz e torná-la realidade no meio onde vivemos; é praticar a caridade não por meio de discursos e sim pela atitude não discriminatória nem racista; é também entender Jesus Cristo quando diz “quero a misericórdia, não o sacrifício” (Cf. Mt 9,13).

 

Que Jesus Misericordioso nos ampare nesse tempo de tantos desencontros, tornando-nos pessoas melhores hoje do que fomos ontem. Saibamos aprender a amar um amor verdadeiro a partir das “surras” que levamos aqui e acolá. Aprendamos a valorizar a vida a partir de pequenos gestos de solidariedade, que temperados pelo amor, nos tornarão ainda mais Anjos uns dos outros!

 

Nesta quarta-feira, dia 15 de abril inicia-se da 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil – a CNBB. Rezemos por nossos Bispos, especialmente, os 373 que se encontram reunidos no Santuário Nacional de Aparecida. Que se deixem conduzir pelo Espírito Santo e acariciar por Nossa Senhora Aparecida, Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 1 de abril de 2026

AS CELEBRAÇÕES DO TRÍDUO PASCAL!

 AS CELEBRAÇÕES DO TRÍDUO PASCAL!


Os três dias, que vão da tarde da quinta feira à tarde do domingo (Calendário Romano 19) constituem o tríduo “da morte, da sepultura e da ressurreição” do Senhor. Na origem, a sexta e o sábado foram caracterizados pelo jejum, o domingo pela alegria, sem que houvesse qualquer celebração a não ser a vigília. Desse ponto de vista, não se pode dizer que o tríduo seja uma extensão da vigília. Ele constitui uma realidade essencial e pressuposta para que a noite pascal se revista plenamente de seu sentido: com efeito, ela é a passagem do jejum à festa, como foi, para o Cristo, a passagem da morte à vida.

A celebração da quinta-feira santa encontra seu ápice na Instituição da Eucaristia. É, também, o dia da instituição do sacerdócio. “Fazei isto em memória de mim”!

A celebração não eucarística da sexta feira santa (Palavra, Oração Universal, Veneração da Cruz e Comunhão) tem por fim introduzir mais profundamente no mistério pascal e preparar a comunidade para a Vigília Pascal.

 No centro, acha-se a Vigília Pascal, que celebra toda a história da salvação, culminando na morte e ressurreição do Cristo. Ela comporta uma Celebração com o Rito da Bênção do Fogo Novo, a Preparação do Círio Pascal, a Proclamação da Páscoa, a Liturgia da Palavra e Batismal (com a renovação das Promessas Batismais) e a Liturgia Eucarística. É “a mãe de todas as Vigílias e Celebrações”!

 Na quinta feira santa, às 9 horas, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, concelebraremos a Missa da Unidade com a Bênção dos Santos Óleos, presidida por nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva. É também nesta ocasião que os Presbíteros renovam diante do Arcebispo e do Povo de Deus reunido, suas promessas sacerdotais. 

 As Celebrações do Tríduo Pascal serão celebradas na Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto. Na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, celebraremos apenas as Missas Dominicais às 9 horas. Enquanto nosso Templo continua em fase de restauro, fica difícil celebrarmos durante os dias da semana, mas a Missa Dominical nunca deixou de ser celebrada. A Santo Antoninho nunca fechou. As obras de restauro estão sendo realizadas na medida em que os Amigos de nossa amada Santo Antoninho, coordenados pelo Engenheiro José Roberto Hortêncio Romero, auxiliado pelo Ítalo Júnior e seus Colaboradores diretos, já autorizadas pelo atual Conselho do CONPPAC, a quem somos agradecidos, especialmente através de seu Presidente, Dr. Lucas Gabriel Pereira e inúmeros Benfeitores!

Iniciando na quinta-feira santa às 19 horas, celebraremos as Instituições dos Sacramentos da Eucaristia, da Ordem e da Humildade (o Lava-Pés) e a Vigília Eucarística após à Missa. A celebração da Paixão e Morte do Senhor será na sexta feira santa (Dia de Jejum e Abstinência, bem como Coleta para os Lugares Santos) na parte da tarde às 15 horas. A Vigília Pascal no sábado santo será à noite às 18 horas. No domingo da Ressurreição do Senhor, celebraremos a Missa Solene às 9 horas na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres nos Campos Elíseos e às 18 horas na Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio. Sejamos próximos uns dos outros na oração, abraçando-nos espiritualmente. Celebremos o Tríduo Pascal com novas esperanças, perspectivas e sentido de vida cristã! Aproveitemos essa pós-graduação do abraço fraternal! Abençoada, Feliz e Santa Páscoa!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 25 de março de 2026

COLETA DA SOLIDARIEDADE!

 

 COLETA DA SOLIDARIEDADE!




 

A Abertura da Semana Santa acontecerá no próximo domingo, dia 29 de março, quando em nossas Comunidades teremos a Celebração Eucarística com a tradicional Bênção e Procissão dos Ramos. É o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor!

Com o Domingo de Ramos, descortina-se a Semana Santa em que a Igreja celebra os mistérios da salvação levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pela entrada messiânica em Jerusalém.

Os ramos abençoados lembram que estamos unidos a Cristo na mesma doação pela salvação do mundo, na labuta árdua contra tudo o que destrói a natureza e a vida na sua integralidade. Neste ano somos convidados a seguir as orientações da Campanha da Fraternidade, refletindo a situação caótica da Moradia em nosso país e no mundo inteiro, dialogando sem radicalismos e polarizações: Fraternidade e Moradia, “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Cuidemos de nossos irmãos sem moradia, sem um endereço, sem terem como voltar para casa, porque não têm lar para irem, a não ser num barraco, diante das portas de algumas lojas, em bancos de praças, e assim estaremos cuidando uns dos outros, devolvendo a quem a perdeu, a dignidade humana!

Se durante a Quaresma fizemos o propósito de “não falar mal de ninguém”, o Domingo de Ramos que abre a grande Semana Santa nos convida ao balanço: conseguimos não falar mal de ninguém ao longo deste grande deserto em preparação à festa da Páscoa? Os pregos de hoje, que crucificam Jesus na pessoa do próximo é, frequentemente a língua ferina, que mente, calunia, difama, destrói a oportunidade de o outro crescer. Muitas vezes por pura inveja. Quantas vezes não suportamos que o outro seja melhor!

Será também o domingo da prestação de contas de todos os nossos exercícios quaresmais de oração com melhor qualidade, de jejum consciente, pensando naqueles que não têm o que comer todos os dias e, finalmente a profunda, sincera e generosa caridade! Sejamos honestos e devolvamos, no espírito da Coleta da Solidariedade os frutos saborosos colhidos em benefício dos que tem menos do que nós. A entrega de nossa partilha deverá ser o que na verdade deixamos de consumir na Quaresma, neste tempo tão rico de conversão, perdão, misericórdia e reconciliação. Ninguém terá o direito de reter qualquer centavo desta, que é a Coleta da Solidariedade, proposta pela Campanha da Fraternidade deste ano. Não deixemos que nada desvie a coleta de sua verdadeira finalidade! Isso seria feio e grave pecado contra a justiça! E para os que duvidam do destino justo da Coleta, testemunho que há muitos anos, por Decreto de nossos amados Arcebispos, um dos beneficiários do resultado da Coleta da Solidariedade é o FAC – Fraterno Auxílio Cristão, que a cada coleta recebe 10% do valor que fica na Arquidiocese, para os projetos sociais alusivos ao tema da Campanha da Fraternidade. Por isso, somos profundamente agradecidos ao nosso Arcebispo Metropolitano Dom Moacir Silva e ao Pe. André Luís Massaro e toda sua Equipe de Campanhas, por tamanha generosidade.

          Aguardamos orientações de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto e da Equipe que coordena a Campanha da Fraternidade, como a partilha de nossa pobreza, através da Coleta da Solidariedade será revertida aos projetos, especialmente aos que enfrentam a falta de moradia digna!

          Pe. Gilberto Kasper

                    Teólogo