A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!
No dia
13 de junho de 2026, a Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, carinhosamente
conhecida como Igreja Santo Antoninho, situada na Avenida Saudade, 202 nos
Campos Elíseos, celebra os 123 anos de fundação. A pedra fundamental, segundo informações
da Cúria da Arquidiocese de São Paulo, foi implantada em 1892. O templo é o
mais antigo, em pé, da cidade de Ribeirão Preto. Foi Capela da Vila
Emília, depois da Família Proença da Fonseca e em 1989, através de inventário
assinado pela então última herdeira viva, Hilma Proença da Fonseca Mamede, foi
doada à Arquidiocese de Ribeirão Preto “para cultivar a fé católica da Família
Proença da Fonseca”. Adjudicada do complexo do imóvel que compreendia a
Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, incendiada no dia 7 de setembro de
2019 e demolido, o que sobrara da antiga residência da Família em 2022, bem
como do Mosteirinho onde viveram os Padres Scalabrinianos e os Monges Beneditinos
Olivetanos no início do século XX, a Arquidiocese de Ribeirão Preto obteve a
escritura do imóvel, que em 2009 foi tombado provisoriamente pelo CONPPAC – Conselho
de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto.
Depois
que os Monges Beneditinos Olivetanos passaram a residir em seu Mosteiro próprio,
a Igreja Santo Antoninho passou a ser atendida por sacerdotes diocesanos (há 82
anos portanto), como Padre Euclides Gomes Carneiro, que celebrou a primeira
Missa na Capelinha, de portas abertas para o povo no dia 10 de maio de 1903,
Monsenhor João Lauriano, Cônego Arnaldo Álvaro Padovani, este último, ao longo
de quatro décadas, por inúmeros padres mais jovens e zelosos, como o Pe. Márcio
Luiz de Souza, o Pe. Josirlei Aparecido da Silva e o Pe. Giovanni Augusto, que
o auxiliaram quando já sentia o peso da idade, pelos Missionários Claretianos,
como o saudoso Pe. Lauro Edgar de Araújo Franco, CMF, que me acolheu para minha
primeira Missa como reitor daquele Espaço Cultural Ecumênico de
Espiritualidade, vontade expressa por Dom Joviano de Lima Júnior, o então
Arcebispo, que me enviou para esse fim àquela simpática e acolhedora Igrejinha
no dia 20 de abril de 2008, com a provisão de reitor assinada no dia 17 de
abril do mesmo ano. Dom Joviano faleceu sonhando com a Santo Antoninho e o
Mosteirinho atrás dela, restaurados, bem como a Casa da Amizade ao lado,
desenvolvendo sua verdadeira função, se tornando um Centro Social ou Cultural a
serviço dos mais pobres da cidade, como consta no próprio inventário. As queridas
irmãs portuguesas desejavam que se continuassem suas obras de caridade: a distribuição
dos pães aos pobres e a hospitalidade às parturientes vindas do interior, que
não tivessem como se hospedar enquanto aguardassem atendimento na Santa Casa
situada no mesmo bairro dos Campos Elíseos.
Desde
o tombamento provisório em 2009, da Igreja conjuntamente com a Academia que já
não existe mais e o Mosteirinho anexo, fizemos um árduo caminho de tentativas para
restaurar a Santo Antoninho, sem êxito. Levamos 5 anos, 5 meses e 35 dias para
obter a autorização da construção de 2 banheiros e a instalação de água e esgoto.
Essa realidade mudou desde 2018, quando formamos o Grupo dos Amigos
da Igreja Santo Antoninho. No início éramos mais de 120 pessoas. Mesmo assim o
CONPPAC nos fez esperar 15 anos, com idas e vindas, projetos e mais projetos
negados para, finalmente podermos iniciar as obras de restauro de nossa Santo
Antoninho. Já o terreno ao lado da Igreja, está abandonado, um verdadeiro “criadouro”
de insetos como mosquitos da Dengue, escorpiões, além de servir para acampamento
de pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Logo estará “invadido” e
lá nascerá mais uma “favela”? Já acionamos inúmeras autoridades municipais, sem
êxito: desde a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores até Deputados Federais.
Simplesmente não nos retornam, ou quando retornam “prometem”, mas não nos
ajudam. Temos quem faria um estacionamento sem fins lucrativos naquele terreno,
a fim de que as pessoas pudessem guardar seus veículos enquanto participassem
das celebrações e atividades na Igreja. Uma vez que não é mais permitido
estacionar na Avenida Saudade. E nosso grito por socorro continua!
Celebraremos
a Missa de ação de graças pelos 123 anos da Santo Antoninho, no próximo dia 13
de junho, sábado, às 8 horas. Desejamos que acolham nossa mais profunda gratidão
e a renovação de nossa fidelidade na busca da restauração desse pedacinho da história
e tão importante patrimônio de nossa Arquidiocese e Cidade de Ribeirão Preto!
Pe.
Gilberto Kasper
Teólogo


