DEVOLVER O ROUBADO!
No
atual cenário político não parece ser diferente. Os que vão sendo descobertos
em suas falcatruas, roubalheiras, desvios de verbas públicas, corrupção
sistêmica e irresponsabilidade fiscal remetem a terceiros seus atos, mesmo que
tenham tido conhecimento ou não disso ou daquilo. Perdeu-se totalmente a
consciência do ridículo. Nossos Governantes, especialmente alguns Deputados e
Senadores reeleitos, que mais parecem com raposas de campanha (não são todos),
subestimam seus eleitores decepcionados com as inúmeras revelações do que
costumo chamar de diabólico, porque enganoso, mentiroso, cruel e nem por último
criminoso.
Não
me refiro aos bilhões de reais que escorrem pelos bolsos de tantos homens
públicos, utilizados para o bem pessoal ou de coleções de sapatos de suas
esposas. Segundo o Magistério da Igreja Católica, a Teologia Moral nos ensina
que alguém arrependido de ter roubado algo de maior ou menor valor, e tendo a
coragem de confessá-lo, será orientado a devolver o roubado, a fim de que
reencontre a paz que tal pecado lhe roubou. Se os bilhões desviados dos cofres
públicos fossem devolvidos a quem de direito, já teríamos uma boa solução para
a crise que se instalou em nosso rico Brasil: crise política, econômica e
principalmente ética. Porque não acredito que os “Corruptos poderosos” condenados a alguns anos de prisão, se convertam.
Gosto de pensar que quando se encurta uma calça, é na barra da mesma que se
corta e nunca na cintura. Os subservientes que paguem pelos verdadeiros
mandantes.
Devemos ser misericordiosos como o Pai é
misericordioso. Mas se lermos o texto de Gênesis 3, 14-24, veremos que a
atitude de Deus foi a imposição de uma penitência corretiva. Não basta
arrepender-se, pedir perdão e não corrigir os estragos que nossa atitude causou.
Ao invés disso, um remete a culpa ao outro. Se cada um assumir sua parcela de responsabilidade,
chegaremos ao consenso de que é necessária uma imediata conversão ou radical mudança,
que devolva não só o dinheiro desviado e gasto indevidamente, como a dignidade
do Povo tão pacífico, trabalhador e sofrido, porque subestimado em sua capacidade
de discernir o certo do errado e o verdadeiro culpado do inocente. Para que
isso aconteça, será necessário rever o equilíbrio, a educação básica sem gritos
histéricos e ameaçadores, as manifestações que depredam bens públicos e
privados, o diálogo e respeito com o diferente!
A transferência
de responsabilidades não leva a lugar nenhum, a não ser a um poço de areia
movediça. Já passou da hora de colocar a mão na consciência, ter um pouquinho
de vergonha na cara e uma dose de humildade, a fim de redesenharmos o Brasil que todos
merecem! Mas isso só será possível, se realmente conhecermos bem os homens e as
mulheres que elegeremos, neste ano, para compor um Congresso Nacional
comprometido, de verdade com o bem comum, e não com o bem próprio, com corporações
interesseiras e amiguinhos de “mão boba”, que sem nenhum escrúpulo, roubam o
dinheiro público que cada brasileiro produz com seu suor e árduo trabalho, e
depois é obrigado a sustentar até mesmo luxúrias, fundos partidários, verbas
para propagandas eleitorais, na maioria das vezes, mentirosas, com os impostos,
os mais altos do mundo. Não esqueçamos, que quem não é de Deus cai; um dia cai;
e quanto mais alto subir às custas dos outros, os mais simples, maior será o tombo.
Já quem promove a dignidade e a justiça de todos os cidadãos, permanecerá de pé
diante de Deus, que sempre aguarda que devolvamos o que roubamos!
Pe.
Gilberto Kasper
Teólogo
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