Pesquisar neste blog

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ENXERGAR BEM É UM DOM!

 

ENXERGAR BEM É UM DOM!


 

A maior fragilidade humana não está na complexidade de seu organismo, mas se revela quando entra em crise. Os antônimos nos esclarecem melhor a natureza das coisas ou, pelo menos, nos dão maior apreço pelos valores positivos. Assim se aprecia melhor a luz quando se vê seu contraste com a escuridão; o dia fica mais significativo quando comparado com a noite. A saúde fica melhor ressaltada em comparação com a doença. Ou como se costuma dizer: só conhece o valor da saúde quem ficou doente.

          Há hoje um consenso em não restringir a saúde a uma questão biológica. Ela envolve valores psicológicos, sociais, espirituais, econômicos e religiosos. Pode ser definida como bem-estar físico, psicológico, social, econômico, espiritual e religioso. A ausência de algumas dessas dimensões constitui crise e deve ser considerada doença.

          Pela constituição unitária da pessoa humana, todos estes fatores se influenciam mutuamente. Uma disfunção orgânica no ser humano não tem o mesmo significado que num animal ou numa planta. Por isso não pode ser tratado do mesmo modo. É exatamente o que deveria distinguir o médico do veterinário e do ambientalista. Nós somatizamos nossos problemas psíquicos, sociais, econômicos e religiosos.

          No dia 29 de abril me submeti a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. Consultando com o magnífico professor aposentado da USP, Dr. Harley Bicas, que atende às quartas-feiras no Instituto da Visão de Ribeirão Preto, à Av. Independência, 2509, fui diagnosticado com catarata nos dois olhos, sendo que o esquerdo estava mais comprometido. Feitos os exames sob a orientação da Dra. Maria Cristina Zanatto, fui operado com sucesso pelo renomado e querido Dr. Roberto P. Coelho, Proprietário do Instituto da Visão.

          “A cirurgia de catarata é um procedimento seguro e rápido, geralmente durando entre 10 e 30 minutos, que remove o cristalino opaco e o substitui por uma lente artificial (lente intraocular) para restaurar a visão. Realizada com anestesia local e alta no mesmo dia, a técnica mais comum é a faco- emulsificação, utilizando ultrassom ou laser para fragmentar e aspirar o cristalino” (Dr. Roberto P. Coelho).

          Ainda há escrúpulos e resistências em relação à cirurgia de Catarata, por centenas de pessoas que enxergam pouco, por possuírem essa enfermidade. Os tempos mudaram e a medicina, também oftalmológica, evoluiu muito. Dr. Roberto Coelho faz a cirurgia por laser e não demora mais do que sete minutos. Pelo menos foi o que aconteceu no meu caso.

          O pós-operatório pede alguns cuidados muito simples de serem adotados, sem que alterem nossas atividades hodiernas. Também isso evoluiu. O que importa, é a beleza de enxergar sem óculos; tudo que antes se via embaçado, agora se vê mais nítido do que nunca. A sensação de enxergar bem longe e perto, é um verdadeiro dom!

          Costumo “brincar” com pessoas amigas, que passando dos 60 anos de idade, começamos a “trocar os órgãos de nosso corpo humano”. Já me perguntaram se não seria pecado? Claro que não, desde que recupere a saúde fragilizada com o passar dos anos. Não se trata de mera vaidade, mas de zelo pela saúde, a fim de que possamos continuar servindo, cada um, à luz de sua vocação específica.

          Desde a recepção até ao Centro Cirúrgico e os retornos médicos com o Dr. Roberto P. Coelho e a Dra. Maria Cristina Zanatto, fui tratado como um “príncipe” de que nem digno sou. Minha experiência foi das melhores e recomendo que busquemos enxergar bem, porque enxergar bem é um dom. Minha próxima cirurgia de catarata no olho direito está agendada para o dia 26 de maio próximo.

          Assim agradeço, de coração, pelas orações de tantas pessoas queridas e amadas. Também expresso minha gratidão aos médicos do Instituto da Visão: seu proprietário, Dr. Roberto P. Coelho, a Dra. Maria Cristina Zanatto, toda a Equipe do Centro Cirúrgico na pessoa da Enfermeira-Chefe Ana Paula, as Meninas, verdadeiros Anjos Bons, da Recepção, e por fim, o Dr. Harley Bicas, que fez questão de acompanhar a primeira cirurgia, acolhendo-me e depois, despedindo-me na porta de entrada do Instituto da Visão. Deus os recompense e abençoe grandemente por tudo sempre! Não esqueçamos que enxergar bem é um dom!

         

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 13 de maio de 2026

DEVOLVER O ROUBADO!

 

DEVOLVER O ROUBADO!



 Quanto mais medito a “Ambiguidade humana e graça de Deus – A origem do mal” no terceiro capítulo do Livro de Gênesis, especialmente o diálogo do Criador com o Homem (Gn 3, 8-13), concluo que até nossos dias a história se repete, no que diz respeito à transferência de responsabilidades! O homem remete sua culpa à mulher e esta à serpente no cenário do Éden. “Fiz, mas não tenho culpa, porque foi ela que me tentou!”

No atual cenário político não parece ser diferente. Os que vão sendo descobertos em suas falcatruas, roubalheiras, desvios de verbas públicas, corrupção sistêmica e irresponsabilidade fiscal remetem a terceiros seus atos, mesmo que tenham tido conhecimento ou não disso ou daquilo. Perdeu-se totalmente a consciência do ridículo. Nossos Governantes, especialmente alguns Deputados e Senadores reeleitos, que mais parecem com raposas de campanha (não são todos), subestimam seus eleitores decepcionados com as inúmeras revelações do que costumo chamar de diabólico, porque enganoso, mentiroso, cruel e nem por último criminoso.

Não me refiro aos bilhões de reais que escorrem pelos bolsos de tantos homens públicos, utilizados para o bem pessoal ou de coleções de sapatos de suas esposas. Segundo o Magistério da Igreja Católica, a Teologia Moral nos ensina que alguém arrependido de ter roubado algo de maior ou menor valor, e tendo a coragem de confessá-lo, será orientado a devolver o roubado, a fim de que reencontre a paz que tal pecado lhe roubou. Se os bilhões desviados dos cofres públicos fossem devolvidos a quem de direito, já teríamos uma boa solução para a crise que se instalou em nosso rico Brasil: crise política, econômica e principalmente ética. Porque não acredito que os “Corruptos poderosos” condenados a alguns anos de prisão, se convertam. Gosto de pensar que quando se encurta uma calça, é na barra da mesma que se corta e nunca na cintura. Os subservientes que paguem pelos verdadeiros mandantes.

 Devemos ser misericordiosos como o Pai é misericordioso. Mas se lermos o texto de Gênesis 3, 14-24, veremos que a atitude de Deus foi a imposição de uma penitência corretiva. Não basta arrepender-se, pedir perdão e não corrigir os estragos que nossa atitude causou. Ao invés disso, um remete a culpa ao outro. Se cada um assumir sua parcela de responsabilidade, chegaremos ao consenso de que é necessária uma imediata conversão ou radical mudança, que devolva não só o dinheiro desviado e gasto indevidamente, como a dignidade do Povo tão pacífico, trabalhador e sofrido, porque subestimado em sua capacidade de discernir o certo do errado e o verdadeiro culpado do inocente. Para que isso aconteça, será necessário rever o equilíbrio, a educação básica sem gritos histéricos e ameaçadores, as manifestações que depredam bens públicos e privados, o diálogo e respeito com o diferente!

A transferência de responsabilidades não leva a lugar nenhum, a não ser a um poço de areia movediça. Já passou da hora de colocar a mão na consciência, ter um pouquinho de vergonha na cara e uma dose de humildade, a fim de redesenharmos o Brasil que todos merecem! Mas isso só será possível, se realmente conhecermos bem os homens e as mulheres que elegeremos, neste ano, para compor um Congresso Nacional comprometido, de verdade com o bem comum, e não com o bem próprio, com corporações interesseiras e amiguinhos de “mão boba”, que sem nenhum escrúpulo, roubam o dinheiro público que cada brasileiro produz com seu suor e árduo trabalho, e depois é obrigado a sustentar até mesmo luxúrias, fundos partidários, verbas para propagandas eleitorais, na maioria das vezes, mentirosas, com os impostos, os mais altos do mundo. Não esqueçamos, que quem não é de Deus cai; um dia cai; e quanto mais alto subir às custas dos outros, os mais simples, maior será o tombo. Já quem promove a dignidade e a justiça de todos os cidadãos, permanecerá de pé diante de Deus, que sempre aguarda que devolvamos o que roubamos!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 6 de maio de 2026

SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!

 

 SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!


 

O mês de maio começa celebrando a Festa de São José, operário, embora seja bem mais dedicado à MULHER! Comemora as Mães, as Noivas e é considerado pelos cristãos católicos, um mês dedicado à MARIA, Mãe de Jesus. O convite do Papa Francisco, para o mês de maio, sempre foi que rezássemos em Família, todos os dias, o Terço. Somos a Igreja Doméstica pedindo proteção a todos os filhos de nossa Mãe comum. “A Família que reza unida, permanece unida”, especialmente diante de tantos desafios e dificuldades!

A intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de maio, neste ano, é “Por uma alimentação para todos”! O Papa pede que rezemos para que todos, desde os grandes produtores até os pequenos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício de alimentos e para que todos tenham acesso a uma alimentação de qualidade. Quantas mães conhecemos, que deixam de se alimentar adequadamente, para que seus filhos tenham o que comer? Muitas vão dormir com muita fome, porém satisfeitas porque deixaram comida para matar a fome dos filhinhos, principalmente em nossas Comunidade, as mais vulneráveis, que atendemos pelo Fraterno Auxílio Cristão (FAC), diariamente. Por isso, sabemos do que escrevemos!

Gostaria de refletir muitos temas, mas pensei em escrever algo sobre o sentido da maternidade cristã, a partir das milhares de mães que assumem seus filhos sozinhas. São as que nossa sociedade chama de “mães solteiras”! É interessante observar que nunca ouvi ninguém chamar uma mãe, casada, direitinho, ou cujo pai assume com ela os filhos, de “mãe casada”!

Continuamos com o péssimo hábito de discriminar as pessoas, vivendo, muitas vezes, às escondidas, disfarçando gravidez antecipada, aliás, nas últimas décadas, a maioria das crianças nasce aos sete meses, ou me engano? Casamentos ou contratos de estabilidade conjugal forçados, que não passam de hipocrisia, para não admitir, ou então não se sentir motivo de conversinhas de vizinhos maldosos seriam válidos? Certamente a gravidez simplesmente, sem a certeza do amor gratuito, com sabor divino, profundo e verdadeiro, não é razão suficiente para “mentir” fidelidade diante de testemunhas, de ministros assistentes a matrimônios com aparatos megalomaníacos, como fotografias, filmagens, festas em renomados espaços de elegância exacerbada. São simplesmente nulos. Não acontece então o verdadeiro sacramento, eis uma farsa.

Penso que estaria na hora de revermos o verdadeiro sentido da maternidade cristã. O que significa ser mãe, com ou sem parceiro? Ser mãe implica uma vocação específica, sublime, nobre e abençoada por Deus, o Criador. Ser mãe é gerar vida com amor. Para ser mãe de verdade, é preciso “fazer amor” e não simplesmente relação sexual por mero prazer hedonista. É, por isso possível, dissociar vocação ao matrimônio da vocação materna? Penso que não. Quem se casa sem querer constituir Família, utiliza-se de uma Instituição Sagrada: A Família, colocada de bruços nas últimas décadas, que continua sendo a célula da sociedade. Precisa urgentemente ser reerguida e reassumida por pessoas que ainda acreditam em valores humanos e promovem a pessoa na sociedade, que ao contrário, a coisifica.

Quero, neste mês de maio, prestar minha homenagem muito terna, às mães que chamam de “solteiras”: mulheres corajosas, especiais, que desempenham também o papel de pais, para educar e amar divinamente os filhos que geraram, tantas vezes com dificuldades impostas pela própria família, pelos parentes e por uma sociedade que precisa ser mais amorosa, fraterna e misericordiosa com elas. Quem julga, fala mal, condena e determina a sentença sobre qualquer pessoa e seu comportamento, ousa prepotentemente ser deus sobre o outro. Minha ternura a todas as Mães do mundo, sobre as quais invoco as bênçãos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo