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quarta-feira, 24 de junho de 2026

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 


 

“Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João.

Ele veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor

Um povo bem-disposto” (Jo 1,6-7; Lc 1,17).

 

 

 

Além de Jesus Cristo e Maria Santíssima, João Batista é o único santo que tem celebrado no Calendário Litúrgico, seu nascimento, enquanto os demais são lembrados no dia de sua páscoa natural ou na data de seu martírio! A Igreja celebra também sua Vigília, preparando-se para celebrar o precursor, a luz que haverá de preparar os caminhos e abrir as cortinas para a estreia do verdadeiro Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo, Jesus, o Messias! Com João, o que batiza um Batismo de Conversão, nos deparamos com o encontro do Antigo com o Novo Testamento. Com João Batista, o último e principal dos Profetas acontece o enlace da Antiga com a Nova Aliança; a maior compreensão do pacto de Fidelidade de Deus para com a Humanidade! Ressalta a “teimosia” de Deus em amar, apaixonadamente, sua Criatura predileta: a Pessoa!

          São João Batista é importante para os cristãos. Santo muito querido e estimado pelo povo brasileiro. Em todas as regiões, principalmente do norte, nordeste e sul, existem as festas tradicionais de São João, celebradas com alegria, muita comida e bebida, danças e trajes típicos, à luz da tradicional fogueira de São João. Estas festas ocupam lugar de destaque no calendário popular.

          A Igreja, já no século VI, reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de São João Batista. Santo Agostinho escreve: “A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação... João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor diz: ‘A lei e os profetas até João Batista’ (Lc 16,16). (...) Antes mesmo de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele” (Ofício das Leituras, in Liturgia das Horas).

          Jesus o declara o maior de todos os profetas. Homem simples, austero, corajoso, apontou o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29-36). Deu testemunho da luz, aplainou os caminhos e preparou o povo para acolher o Salvador. Antes que Jesus chegasse, pregou um batismo de conversão.

          A celebração do seu nascimento nos associa à alegria de Isabel, de Zacarias e dos vizinhos, porque Deus se lembra de nós, indica os caminhos da salvação e aponta os horizontes da liberdade.

          A Palavra anunciada nos conduz para dentro da verdadeira Luz de todos os povos, o Salvador, do qual nem merecemos desamarrar as sandálias. Celebramos, acima de tudo, o mistério daquele que se fez o menor no reino de Deus, e, por isso, é o maior: Jesus.

          Como seria lindo, se a humanidade, a começar de mim, se revestisse   da identidade de São João Batista, a humildade. Porque a humildade é uma das mais lindas virtudes de uma criatura humana. Como é bom ser humilde!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!

 

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!



É difícil escrever um artigo sobre como celebrar o 170º aniversário da Cidade em tempos de tanta insegurança e violência. Os cidadãos estão reféns e sentem medo uns dos outros. A maioria dos bairros estão feios e perigosos.  Mas também é evidente que os investimentos na saúde nem sempre são prioridade, ou pelo menos, nem sempre são levados a sério tanto em nossa macro-região, como em nosso País Continental, não obstante ainda tenhamos a Saúde de melhor qualidade tanto em nossa aniversariante cidade, como em São Paulo, o mais rico Estado do Brasil. Já as crises econômicas, políticas e morais, aparentemente fogem ao controle dos Municípios. Elas, as crises, se nos são impostas desde a esfera Federal e também Estadual. O que não se pode negar, é que crises em geral, a priori, angustiam todos os cidadãos. 
A magnífica Professora e Escritora Maria Helena Silva Dutra de Oliveira, de saudosa memória, um dia enviou-me uma mensagem de George Carlin, que me ajuda a escrever este artigo, porque provoca uma reflexão e nos convida a encontrar um jeito de como celebrar o aniversário da Cidade de Ribeirão Preto. O aniversário é de todos, é nosso, é de cada cidadão ribeirãopretano. 
O paradoxo de nosso tempo na história é que nós temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais curtos, estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Nós gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências, mas menos tempo. Temos mais diplomas, mas menos sabedoria, mais conhecimento, mas menos espírito crítico, mais especialistas e mais problemas, mais remédios e menos bem estar.
Nós bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem cuidado, rimos muito pouco, guiamos muito depressa, ficamos muito bravos, dormimos muito tarde, levantamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos muita televisão, rezamos muito raramente. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos muito, amamos muito raramente, e temos raiva frequentemente.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não uma vida.  Acrescentamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos. Vamos até a lua e voltamos, mas temos problemas para atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior.
  Nossa cidade aniversariante antes feia e descuidada, agora já demonstra novamente zelo e beleza, porque seu povo continua lindo e cheio de novas esperanças. Já é novamente possível “cortar o bolo de aniversário”, porque “não levamos o bolo de novo” e a cada dia que amanhece não esqueçamos, de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade: Exercendo a cidadania, cumprindo com nossa parte, e pedindo a quem nos governa, executivo e legislativo seja servidor do povo, garantindo-lhe sua dignidade!
  Desejo muito que o distanciamento social, e outras novas posturas que precisamos tomar para superar a Cultura da Sobrevivência, que continua nos surpreendendo a todos, nos ajudem a sermos pessoas melhores. Não cesse nossa capacidade de sermos solidários e olharmos para nossos concidadãos com olhos de um coração sempre mais generoso e sempre menos egoísta. Não deixemos que a desigualdade social cicatrize ainda mais nossa rica e tão acolhedora cidade aniversariante de Ribeirão Preto!
Pe. Gilberto Kasper
          Teólogo


quarta-feira, 10 de junho de 2026

A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!

 

A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!

 

 

No dia 13 de junho de 2026, a Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, carinhosamente conhecida como Igreja Santo Antoninho, situada na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, celebra os 123 anos de fundação. A pedra fundamental, segundo informações da Cúria da Arquidiocese de São Paulo, foi implantada em 1892. O templo é o mais antigo, em pé, da cidade de Ribeirão Preto. Foi Capela da Vila Emília, depois da Família Proença da Fonseca e em 1989, através de inventário assinado pela então última herdeira viva, Hilma Proença da Fonseca Mamede, foi doada à Arquidiocese de Ribeirão Preto “para cultivar a fé católica da Família Proença da Fonseca”. Adjudicada do complexo do imóvel que compreendia a Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, incendiada no dia 7 de setembro de 2019 e demolido, o que sobrara da antiga residência da Família em 2022, bem como do Mosteirinho onde viveram os Padres Scalabrinianos e os Monges Beneditinos Olivetanos no início do século XX, a Arquidiocese de Ribeirão Preto obteve a escritura do imóvel, que em 2009 foi tombado provisoriamente pelo CONPPAC – Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto.

Depois que os Monges Beneditinos Olivetanos passaram a residir em seu Mosteiro próprio, a Igreja Santo Antoninho passou a ser atendida por sacerdotes diocesanos (há 82 anos portanto), como Padre Euclides Gomes Carneiro, que celebrou a primeira Missa na Capelinha, de portas abertas para o povo no dia 10 de maio de 1903, Monsenhor João Lauriano, Cônego Arnaldo Álvaro Padovani, este último, ao longo de quatro décadas, por inúmeros padres mais jovens e zelosos, como o Pe. Márcio Luiz de Souza, o Pe. Josirlei Aparecido da Silva e o Pe. Giovanni Augusto, que o auxiliaram quando já sentia o peso da idade, pelos Missionários Claretianos, como o saudoso Pe. Lauro Edgar de Araújo Franco, CMF, que me acolheu para minha primeira Missa como reitor daquele Espaço Cultural Ecumênico de Espiritualidade, vontade expressa por Dom Joviano de Lima Júnior, o então Arcebispo, que me enviou para esse fim àquela simpática e acolhedora Igrejinha no dia 20 de abril de 2008, com a provisão de reitor assinada no dia 17 de abril do mesmo ano. Dom Joviano faleceu sonhando com a Santo Antoninho e o Mosteirinho atrás dela, restaurados, bem como a Casa da Amizade ao lado, desenvolvendo sua verdadeira função, se tornando um Centro Social ou Cultural a serviço dos mais pobres da cidade, como consta no próprio inventário. As queridas irmãs portuguesas desejavam que se continuassem suas obras de caridade: a distribuição dos pães aos pobres e a hospitalidade às parturientes vindas do interior, que não tivessem como se hospedar enquanto aguardassem atendimento na Santa Casa situada no mesmo bairro dos Campos Elíseos.

Desde o tombamento provisório em 2009, da Igreja conjuntamente com a Academia que já não existe mais e o Mosteirinho anexo, fizemos um árduo caminho de tentativas para restaurar a Santo Antoninho, sem êxito. Levamos 5 anos, 5 meses e 35 dias para obter a autorização da construção de 2 banheiros e a instalação de água e esgoto. Essa realidade mudou desde 2018, quando formamos o Grupo dos Amigos da Igreja Santo Antoninho. No início éramos mais de 120 pessoas. Mesmo assim o CONPPAC nos fez esperar 15 anos, com idas e vindas, projetos e mais projetos negados para, finalmente podermos iniciar as obras de restauro de nossa Santo Antoninho. Já o terreno ao lado da Igreja, está abandonado, um verdadeiro “criadouro” de insetos como mosquitos da Dengue, escorpiões, além de servir para acampamento de pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Logo estará “invadido” e lá nascerá mais uma “favela”? Já acionamos inúmeras autoridades municipais, sem êxito: desde a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores até Deputados Federais. Simplesmente não nos retornam, ou quando retornam “prometem”, mas não nos ajudam. Temos quem faria um estacionamento sem fins lucrativos naquele terreno, a fim de que as pessoas pudessem guardar seus veículos enquanto participassem das celebrações e atividades na Igreja. Uma vez que não é mais permitido estacionar na Avenida Saudade. E nosso grito por socorro continua!

Celebraremos a Missa de ação de graças pelos 123 anos da Santo Antoninho, no próximo dia 13 de junho, sábado, às 8 horas. Desejamos que acolham nossa mais profunda gratidão e a renovação de nossa fidelidade na busca da restauração desse pedacinho da história e tão importante patrimônio de nossa Arquidiocese e Cidade de Ribeirão Preto!

 

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo