VAMOS CONVIVER EM PAZ?
A vida pode ser uma sucessão de coincidências felizes, de
encontros prazerosos, de união entre as pessoas. Mas nem sempre é isso o que
vemos ao nosso redor. Na correria diária, são muitos os “ruídos” que tiram o nosso sossego e atrapalham a nossa
convivência.
Por vezes nos tornamos porta-vozes da
difamação ao invés de instrumentos da Paz. Como então falar de paz, se desfiguramos
nossas próprias famílias por causa de ideologias tantas vezes nefastas? O Natal
recentemente celebrado com tanta emoção e solidariedade, trouxe novamente à
tona Jesus Cristo, o Príncipe da Paz! Como então dizer-se cristão, quando
permitimos ódio em lugar de paz em nossos corações? Que tipo de paz promovemos
entre nós? A paz de cemitério, que nos silencia por medo de criarmos “encrencas”,
ou a verdadeira paz trazida desde a manjedoura que tanto decantamos no recente
Natal celebrado? Essa última exige de nós posturas e respostas proféticas de amor,
verdade, justiça e liberdade em todos os sentidos. Não somente naquilo que nos
convém!
Na era da Internet, toda e qualquer
mensagem se propaga num piscar de olhos. Fatos que ocorrem num canto do planeta
atravessam fronteiras, chegando a outras cidades, outros países e continentes
com a rapidez de um clique. Alimentadas pela fofoca e mentiras, histórias que
envolvem a intimidade das pessoas tomam proporções inimagináveis e invadem
nossos lares como se fossem verdades absolutas. E essas histórias fomentam
antipatias, preconceitos e desprezo. Parece-me que vivemos a “era da mentira”!
Outro agente semeador de discórdia é a
necessidade que alguns têm de impor suas idéias e sua maneira de ser. Parecem
querer provar a si mesmos que são superiores aos outros. Muitas pessoas gostam
de recitar a Oração de São Francisco, como um poema em homenagem à Paz. É
fundamental que todos compreendam que a construção desta Paz, em nível mundial
ou dentro de casa, depende de cada um de nós. Depende de uma mudança de conduta
pessoal. Nas palavras de São João Paulo II num discurso que fez em Assis, a Paz
é descrita como um canteiro de obras aberto a todos: “A paz é uma responsabilidade universal: passa através de milhares de
pequenos atos da vida cotidiana. Por seu modo cotidiano de viver com os outros,
as pessoas optam pela Paz ou a descartam”.
E neste ano celebramos os 800 anos da
morte de São Francisco de Assis, tão querido, admirado e citado por cristãos e
não cristãos. O que ele diria ao mundo tão cheio de ódio, de uma “terceira
guerra mundial a prestação”, como dizia o saudoso Papa Francisco? Guerras
estúpidas em busca de poder, terras, prestígio; tão doentias que dificilmente
se explicam por si mesmas! Governos que se endeusam e matam inocentes, como se
estivessem matando insetos. Como ninguém consegue colocar um “basta” nessa
dúzia de homens tão inescrupulosos e que desfiguram a humanidade em sua
dignidade?
Sempre que deparamos com a tentação da
discórdia, é bom lembrar o exemplo da Família de Nazaré. Foram muitas as
apreensões vividas por Maria, José e o Menino Jesus enquanto buscavam um lugar
seguro para morar, mas em nenhum momento perderam o sentido da união.
Mantiveram-se juntos para o que desse e viesse. O ódio contra os imigrantes se justifica?
Somente aos que se julgam os donos do mundo! Isso que morrerão como qualquer pessoa!
Não podemos nos perder uns dos outros.
E, mais importante ainda, não podemos nos perder de Deus, que é a fonte de toda
união. Não nos afastemos de sua Palavra em nossa vida pessoal, familiar,
espiritual, social e profissional. A fé em Deus nos ensina a contribuir para a
união entre os seres humanos.
Esse discernimento nos leva a refletir
antes de realizarmos toda e qualquer ação. A reflexão é o exercício dos sábios.
Quando desenvolvemos o hábito de refletir, conseguimos criar um equilíbrio
entre razão e emoção, atuando com mais cordialidade e gentileza. Nossas
palavras serão mais adequadas, nossas conversas mais oportunas e positivas.
Nossas decisões serão mais justas. Nosso comportamento dará aos outros a
certeza de que precisamos
urgentemente Conviver em Paz!
Pe. Gilberto Kasper
Teólogo


