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quarta-feira, 6 de maio de 2026

SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!

 

 SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!


 

O mês de maio começa celebrando a Festa de São José, operário, embora seja bem mais dedicado à MULHER! Comemora as Mães, as Noivas e é considerado pelos cristãos católicos, um mês dedicado à MARIA, Mãe de Jesus. O convite do Papa Francisco, para o mês de maio, sempre foi que rezássemos em Família, todos os dias, o Terço. Somos a Igreja Doméstica pedindo proteção a todos os filhos de nossa Mãe comum. “A Família que reza unida, permanece unida”, especialmente diante de tantos desafios e dificuldades!

A intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de maio, neste ano, é “Por uma alimentação para todos”! O Papa pede que rezemos para que todos, desde os grandes produtores até os pequenos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício de alimentos e para que todos tenham acesso a uma alimentação de qualidade. Quantas mães conhecemos, que deixam de se alimentar adequadamente, para que seus filhos tenham o que comer? Muitas vão dormir com muita fome, porém satisfeitas porque deixaram comida para matar a fome dos filhinhos, principalmente em nossas Comunidade, as mais vulneráveis, que atendemos pelo Fraterno Auxílio Cristão (FAC), diariamente. Por isso, sabemos do que escrevemos!

Gostaria de refletir muitos temas, mas pensei em escrever algo sobre o sentido da maternidade cristã, a partir das milhares de mães que assumem seus filhos sozinhas. São as que nossa sociedade chama de “mães solteiras”! É interessante observar que nunca ouvi ninguém chamar uma mãe, casada, direitinho, ou cujo pai assume com ela os filhos, de “mãe casada”!

Continuamos com o péssimo hábito de discriminar as pessoas, vivendo, muitas vezes, às escondidas, disfarçando gravidez antecipada, aliás, nas últimas décadas, a maioria das crianças nasce aos sete meses, ou me engano? Casamentos ou contratos de estabilidade conjugal forçados, que não passam de hipocrisia, para não admitir, ou então não se sentir motivo de conversinhas de vizinhos maldosos seriam válidos? Certamente a gravidez simplesmente, sem a certeza do amor gratuito, com sabor divino, profundo e verdadeiro, não é razão suficiente para “mentir” fidelidade diante de testemunhas, de ministros assistentes a matrimônios com aparatos megalomaníacos, como fotografias, filmagens, festas em renomados espaços de elegância exacerbada. São simplesmente nulos. Não acontece então o verdadeiro sacramento, eis uma farsa.

Penso que estaria na hora de revermos o verdadeiro sentido da maternidade cristã. O que significa ser mãe, com ou sem parceiro? Ser mãe implica uma vocação específica, sublime, nobre e abençoada por Deus, o Criador. Ser mãe é gerar vida com amor. Para ser mãe de verdade, é preciso “fazer amor” e não simplesmente relação sexual por mero prazer hedonista. É, por isso possível, dissociar vocação ao matrimônio da vocação materna? Penso que não. Quem se casa sem querer constituir Família, utiliza-se de uma Instituição Sagrada: A Família, colocada de bruços nas últimas décadas, que continua sendo a célula da sociedade. Precisa urgentemente ser reerguida e reassumida por pessoas que ainda acreditam em valores humanos e promovem a pessoa na sociedade, que ao contrário, a coisifica.

Quero, neste mês de maio, prestar minha homenagem muito terna, às mães que chamam de “solteiras”: mulheres corajosas, especiais, que desempenham também o papel de pais, para educar e amar divinamente os filhos que geraram, tantas vezes com dificuldades impostas pela própria família, pelos parentes e por uma sociedade que precisa ser mais amorosa, fraterna e misericordiosa com elas. Quem julga, fala mal, condena e determina a sentença sobre qualquer pessoa e seu comportamento, ousa prepotentemente ser deus sobre o outro. Minha ternura a todas as Mães do mundo, sobre as quais invoco as bênçãos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 29 de abril de 2026

OS ÓCULOS DE DEUS!

 

OS ÓCULOS DE DEUS!

 

 


 

Ao ler a Exortação Apostólica do Santo Padre Leão XIV, Dilexi Te – Sobre o Amor para com os Pobres, lembrei-me de uma estorinha que ouvi ao participar de um curso para formadores de seminários, em Vitória (ES), no ano de 1996, que gostaria novamente de partilhar com os estimados leitores. Quem a contou foi Gaston de Mezerville, psicólogo especializado na formação de formadores de seminários. Livremente a traduzo para nossa reflexão, do espanhol para o português.

Numa pequena cidade, certa vez morreu um agiota. Foi para o céu. Estando diante da porta entreaberta do céu, nem ele acreditou poder estar ali. A porta do céu estava entreaberta, mas não havia ninguém para recebê-lo. Nem mesmo São Pedro, a quem costumamos atribuir a tarefa de acolher as pessoas na porta do céu. Não havia ninguém e não se ouvia nada. Nenhum barulho de anjos, santos, enfim, o céu estava vazio, embora com a porta entreaberta. O agiota entrou. Entrou e sentiu-se como nunca: leveza de alma, serenidade e harmonia indescritíveis. Foi adentrando e conhecendo cada cômodo do céu, mas não via ninguém. Um profundo silêncio pairava no céu.

Chegou diante de outra grande porta, sobre a qual havia um letreiro: Escritório de Deus! Também aquela porta estava entreaberta, mas não havia ninguém. O agiota entrou. Viu uma mesa, atrás dela uma grande cadeira, diante da mesa um banquinho e sobre a mesa os Óculos de Deus!

Imediatamente colocou os Óculos de Deus e passou a ver tudo como Deus certamente vê: o universo inteiro de uma só vez. Minuciosamente procurou sua cidadezinha. Lá viu seu sócio de agiotagem ameaçando uma pobre viúva que não tinha como lhe pagar os altos juros do empréstimo que fizera. Com os Óculos de Deus viu a injustiça que o sócio cometia. Não pensou duas vezes em fazer justiça para com a pobre viúva. Tomou o banquinho diante da mesa, mirou a testa do sócio e a jogou em sua direção. O sócio teve morte instantânea. Feito isso, ouviu barulho de anjos, santos, até de Nossa Senhora no céu. Era toda a corte retornando de um piquenique celestial. Virando-se, viu também Deus, parado na entrada do escritório. Colocou de volta os Óculos de Deus, desculpou-se e tentou justificar sua entrada no céu, porque encontrara a porta entreaberta.

Deus lhe perguntou o que acabara de fazer. O agiota, todo orgulhoso, contou a Deus o que vira com os óculos sobre a mesa e que fizera justiça com uma pobre viúva, que estava sendo ameaçada por seu sócio. E Deus começou a chorar. O agiota, comovido disse: “Por que o Senhor chora? Não agi corretamente fazendo justiça?” E Deus respondeu entre lágrimas: “Que pena, meu filho. Você fez sim justiça com os Óculos de Deus. Mas o que eu esperava mesmo, é que amasse e tivesse misericórdia com o Coração de Deus”!

Eis o que Deus espera de nós: promover a justiça com Seus olhos, mas sem deixar de amar e ser misericordiosos com o Seu coração!

(A pedido dos leitores, reproduzo o presente artigo)

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 15 de abril de 2026

MISERICÓRDIA!

 

  MISERICÓRDIA!


 

 

 Ser misericordiosos como o Pai é um desafio e ao mesmo tempo é nossa vocação, pois fomos criados para ser “imagem e semelhança de Deus”. Celebramos no último Domingo, o Segundo da Páscoa, que encerrou a Oitava da Páscoa, O Domingo da Divina Misericórdia!

 

                    A Misericórdia é um sentimento nobre, suscita compaixão e perdão; lembra a nossa miséria (miseri) e o coração (cordis) bondoso de Deus. Contudo, no pensamento hebraico, misericórdia também significa aquele sentimento que tem origem nas entranhas maternas (rahamin), semelhante àquele amor do pai que acolhe ao filho pecador e tem carinho com o filho mais velho que não perdoa o irmão. Ser misericordiosos como o Pai é também viver a fidelidade ao seu amor quando amamos e nos preocupamos com nossos irmãos.

 

                    Ser misericordiosos como o Pai num mundo violento e intolerante é um desafio que nos oferece a chance de apagar as chamas de violência e desrespeito que a vida e dignidade humanas têm sofrido ultimamente: fanatismo, terrorismo, discriminação, intolerância são sintomas de uma sociedade sem inteligência que não sabe conviver com o diferente e com quem tem opiniões diferentes das que a mídia apresenta. Ser misericordiosos significa apresentar as condições para um diálogo franco e fraterno apontando soluções mediadas pela compreensão e por uma visão abrangente do mundo e da pessoa humana.

 

Misericórdia não gera resignação, apatia, desmotivação. Ao contrário, suscita esperança num modo de agir que não alimenta violência. A misericórdia alimenta o sentimento da bondade, da nova oportunidade ao passo que a violência mata as possíveis soluções para uma convivência pacífica. Misericórdia é o sentimento que cresce no coração dos que têm certeza que o outro é uma pessoa que merece outra chance, que precisa ser ajudada a se libertar das próprias escravidões e sentir-se novamente amparada por aquele sentimento amoroso que o pai dedicou ao filho mais novo que errou muito longe de casa. (Cf. Lc 15).

 

Ser misericordiosos não é o mesmo que ficar sentados de braços cruzados e esperar a banda passar, mas trabalhar em favor do bem, da verdade, da justiça e da fraternidade. Ser misericordiosos é também gritar em defesa da vida, é desmascarar as mentiras travestidas em propagandas enganosas que desrespeitam o direito do povo ser religioso e ter suas manifestações de fé; é também orientar para o bem os que andam iludidos pelo mal.

 

Ser misericordiosos é colaborar com a paz e torná-la realidade no meio onde vivemos; é praticar a caridade não por meio de discursos e sim pela atitude não discriminatória nem racista; é também entender Jesus Cristo quando diz “quero a misericórdia, não o sacrifício” (Cf. Mt 9,13).

 

Que Jesus Misericordioso nos ampare nesse tempo de tantos desencontros, tornando-nos pessoas melhores hoje do que fomos ontem. Saibamos aprender a amar um amor verdadeiro a partir das “surras” que levamos aqui e acolá. Aprendamos a valorizar a vida a partir de pequenos gestos de solidariedade, que temperados pelo amor, nos tornarão ainda mais Anjos uns dos outros!

 

Nesta quarta-feira, dia 15 de abril inicia-se da 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil – a CNBB. Rezemos por nossos Bispos, especialmente, os 373 que se encontram reunidos no Santuário Nacional de Aparecida. Que se deixem conduzir pelo Espírito Santo e acariciar por Nossa Senhora Aparecida, Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo