TEREMOS UMA ELEIÇÃO CONSCIENTE OU POLARIZADA?
“A
cada discussão, a cada reunião, a cada voto consciente, a cada momento em que
um cidadão se decide a favor da honestidade, do bem comum e contra a corrupção aprimora-se,
em mútua cooperação, a democracia. A democracia deve conduzir a eleição no
próximo domingo!
Ao
nos aproximarmos das urnas, devemos ter consciência de que – embora o voto
constitua um momento privilegiado de participação cidadã numa democracia representativa
– está longe de encerrar-se a responsabilidade cristã. A decisão consciente de
votar em candidatos que representem os valores cristãos é um passo importante,
mas não é o único. É preciso que, como cristãos, continuemos a contribuir para
que haja diálogo que aponte às mudanças necessárias na consolidação de uma
cidadania inclusiva, de modo a garantir que a sociedade possa participar e
exercer democraticamente o poder político.
O
eleitor consciente deve conhecer o passado de seu candidato e averiguar se o
discurso e a prática por ele apresentados se conformam aos valores da ética e
do bem comum. É preciso também exercer a missão profética de todo cristão e
manter uma atitude de fiscalização e vigilância. Diante de irregularidades, é
necessário denunciar. “O silêncio e a omissão também são responsáveis pela
deterioração da democracia” (cf. Dom Moacir Silva).
Há um
desencanto muito sensível na população, em relação à política atual. Candidatos
que mais pensam em “degolarem-se” uns aos outros, do que apresentar projetos e
soluções que promovam a dignidade de seus eleitores. É uma pena que o “nós contra eles” prevaleça
em nosso País. Ouço muitas pessoas dizendo que nem irão às Urnas ou que
anularão seus votos. Parece-me urgente repensar o Congressos Nacional. Seja
qual for o próximo Presidente da República, desde há muito já está sequestrado
pelos Deputados e Senadores. Então não estaria na hora de renovar ao máximo a
Câmara dos Deputados e o Senado? Vamos reeleger as “raposas” que só falam em
bilhões para seus benefícios próprios? Quem tem acesso ao Deputado ou Senador
que elegeu, depois das eleições, a não ser depois de quatro anos? Eles trocam
de celulares e somem de suas bases, com raríssimas exceções, é claro!
É
necessário estar atento aos discursos e às promessas que nunca são cumpridas.
Não é possível votarmos em candidatos que não apresentem “Projetos que visem o Bem de TODOS!”,
e não apenas de grupos, principalmente os patrocinadores das campanhas. Esses
não dão nada de graça. Quem financia campanhas, geralmente espera algum retorno
pessoal e não comum. Muitos prometem o óbvio que na verdade, não cumprirão:
saúde de qualidade; educação de excelência, segurança e tantos outros, que
devem ser o retorno dos impostos mais elevados pagos no mundo, para manter
vilões e agiotas institucionalizados. Ninguém deve ser eleito só porque promete
aplicar com justiça e ética, os recursos provenientes dos próprios cidadãos,
que, depois de elegerem seus representantes, lhes devem reverência. Devemos
eleger aqueles que vivem para servir, e não os que se rogam o direito de
sentirem-se “donos de seus eleitores”. Os brasileiros passam muitas
dificuldades, que precisam urgentemente da atenção dos que serão eleitos
secreta e livremente no próximo dia 4 de outubro!
Vamos todos votar e deixar com que a democracia conduza a
eleição. Durante os próximos quatro anos colheremos aquilo que plantarmos nas
urnas nas eleições já à nossa porta. Vamos ouvir nossa consciência, que será
nossa melhor conselheira diante das urnas, para elegermos pessoas que realmente
promovam a dignidade de nosso povo! Teremos uma eleição consciente ou
polarizada? Deus abençoe as próximas eleições! Nossa Senhora Aparecida, Mãe,
Rainha e Padroeira do Brasil nos proteja ainda mais nas eleições já tão
próximas!
Pe. Gilberto Kasper
Teólogo
