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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

UM NOVO APELO AOS MOTOCICLISTAS!

 

UM NOVO APELO AOS MOTOCICLISTAS!

        

         Posso parecer repetitivo. Não tem outro jeito. Preciso voltar a escrever o que já divulguei em meus modestos artigos inúmeras vezes. É como decorar a tabuada. Se sei a tabuada de cor, é porque a repeti tantas vezes quantas foram necessárias. Não é por falta de assunto. É por convicção e temor. Estou com muito medo do trânsito em nossa amada cidade e região.

 

          No artigo desta edição faço um novo apelo aos Motociclistas. Me perdoem os bons, carinhosamente chamados de “Motoqueiros”. Mas nesses últimos meses tem sido um desafio imenso dirigir em nossa cidade!

 

          É de arrepiar ver o quanto os sinais de trânsito são desrespeitados pelos Motociclistas, em todos os horários do dia, da noite e da madrugada. Quando os semáforos abrem para os automóveis passarem, surgem Motociclistas passando, como se nem houvessem esses sinais, colocando-se a eles próprios e aos que avançam o sinal verde, em risco de morte. Costumo dizer que os Motociclistas surgem de todos os lados: pela esquerda, direita, do alto, por trás e até “do purgatório”!

 

          A Imprensa vem divulgando o aumento de acidentes, especialmente envolvendo Motociclistas. As Ortopedias dos Hospitais estão sempre lotados com Motociclistas, na maioria jovens, fraturados. Muitos deles também vem ocupando os jazigos de nossos Cemitérios. Mas essa constatação é visível não somente pelos telejornais. Os que respeitam as sinalizações do trânsito não poucas vezes são assustados com buzinações e xingamentos.

 

          Essa Revolução Cultural que se impôs entre nós, alimentada por uma “Cultura de Sobrevivência”, faz com que as pessoas não vivam mais, normalmente, mas sobrevivam numa corrida contra o tempo, em busca do suado dinheirinho, para arcar com as despesas de uma vida cara.

 

          As pessoas entram nos supermercados com esperança de conseguirem comprar seus alimentos e saem com duas ou três sacolinhas e os carrinhos vazios. O custo de vida, especialmente, de alimentos e medicamentos, está “pela hora da morte”! Isso desencanta a sociedade e aos que têm condições, recorrem a compras de alimentos ou medicamentos aos Motociclistas de Aplicativos. Já esses, correm desvairadamente, para entregarem o máximo em tempo, o mínimo possível. A rapidez das entregas lhes garante um valor um pouco maior. Assim a pressa é que provoca a imprudência, promovendo uma habitual desobediência às leis de trânsito.

 

          Aliás, a desobediência em nossa sociedade, tem sido a “máxima” em tantos movimentos, desde a infância até as autoridades de nossa Nação, que traz inscrito em nossa Bandeira, “Ordem e Progresso”! Muitos são os que incentivam a desobediência de todos os lados. Todos falam ao mesmo tempo; ninguém sabe mais escutar o que o outro tem a dizer; cada um quer ter razão e a última palavra, o que só causa confusão. Que pena que seja assim”!

 

O trânsito continua matando! O trânsito continua violento. Minha súplica se estende aos queridos leitores, e hoje especialmente aos Motociclistas, de que sejamos mais humanos – Anjos de Guarda uns dos outros – porque infelizmente o trânsito continua violento, fraturando e também ceifando muitas vidas, por vezes ainda tão jovens!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O MÊS DA BÍBLIA DE 2026!

 

O MÊS DA BÍBLIA DE 2026!

 


 

Embora todo mês de setembro seja dedicado à Bíblia, o Dia da Bíblia é celebrado na memória de São Jerônimo a 30 de setembro, que além de presbítero e doutor da Igreja, é o Patrono dos Biblistas, os que se debruçam sobre o aprofundamento do estudo da Bíblia. O século IV depois de Cristo, que teve o seu momento culminante no ano de 380 com o edito do imperador Teodósio no qual se estabelecia que a fé cristã devesse ser adotada por todas as populações do império, está repleto de grandes figuras de santos: Atanásio, Hilário, Ambrósio, Agostinho, João Crisóstomo, Basílio e Jerônimo, dálmata, nascido entre 340 e 350 na cidadezinha de Strido. Romano de formação, Jerônimo é um espírito enciclopédico. Sua obra literária nos revela a cada instante o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, em grego, em hebraico, escritor de estilo rico, puro e robusto ao mesmo tempo. A ele devemos a tradução em latim do Antigo e Novo Testamentos, que se tornou, com o título de Vulgata, a Bíblia oficial do cristianismo.

          Jerônimo é uma personalidade fortíssima: em toda parte por onde vai suscita entusiasmos ou polêmicas. Em Roma ataca os vícios e hipocrisias e preconiza também novas formas de vida religiosa, atraindo para elas algumas influentes damas patrícias (de Roma), que o seguiram depois na vida eremítica de Belém. A fuga da sociedade deste exilado voluntário era um gesto ditado por um sincero desejo de paz interior, não sempre duradouro, uma vez que, para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando com algum novo livro. Os "rugidos deste leão no deserto" eram ouvidos tanto no Ocidente como no Oriente. Suas violências verbais não perdoavam ninguém.

          Este homem extraordinário estava consciente de suas próprias culpas e de seus limites (batia-se no peito com pedras por causa dos seus pecados), mas estava consciente também dos seus merecimentos. No livro Homens Ilustres, onde apresenta um perfil biográfico dos homens ilustres, conclui com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu aos 72 anos, em 420, em Belém, como Patrono dos Biblistas “O mundo atual apresenta inúmeras características novas, que desafiam o sacerdote em sua missão de anunciar a Palavra de Deus” (Cf. Subsídios Doutrinais da CNBB nº 5).

          Todos os anos a CNBB escolhe um dos livros da Bíblia a ser aprofundado. “Em 2026 o destaque é o Livro de Daniel, tendo como lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14)”. Neste ano de 2026 a reflexão ganha, ainda mais força por estar em sintonia com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032), bem como a 16ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

          O Profº Dr. Pe. Pedro Luís Schiavinato, Mestre em Sagrada Escritura pelo Instituto Bíblico de Jerusalém e Doutor em Bíblia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, oferece inúmeras Escolas Bíblicas em nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, enriquecendo nossas Diretrizes da Ação Evangelizadora Arquidiocesana, auxiliado por inúmeros sacerdotes zelosamente dedicados aos estudos da Sagrada Escritura!

A Palavra de Deus Revelada, precisa ser amada mais e vivida melhor. Procuramos, em nossas comunidades, aprimorar “A Ação Querigmática em seu conteúdo: ‘Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo’, e em sua forma: ‘oração, acolhida, diálogo assertivo e anúncio’ com o esforço da conversão” (Cf. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, Assessor da CNBB na Dimensão Bíblico-Catequética).  

 Que a Palavra de Deus encontre acolhida em nossos corações e sirva de bússola orientadora para nossa vida cotidiana!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

PODER E CARGOS NA VIDA PÚBLICA!

 

PODER E CARGOS NA VIDA PÚBLICA!

 

Nosso primeiro Bispo Diocesano, Dom Alberto José Gonçalves, foi Deputado Estadual do Paraná, Deputado Federal e Senador. Diremos que isso foi no século passado. Ouve-se de bons lábios cristãos católicos, que Religião e Política não se misturam. Não obstante no século XXI e Terceiro Milênio da Era Cristã, muitos de nossos bons Cristãos Católicos ainda são da opinião de que o lugar do Padre é na Sacristia e que não deve se “meter na política”.

          Antes do Concílio Ecumênico Vaticano II, havia três autoridades nas cidades de nosso imenso País, especialmente no Interior: O Vigário, o Prefeito e o Juiz, não necessariamente nessa ordem. A partir do mesmo Concílio a Igreja Católica vem incentivando seus fiéis, através do Magistério, das Conferências Episcopais, especialmente “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sempre se manifestou sobre questões políticas”. Como Mãe e Mestra, a Igreja não tem medido esforços na formação de consciência política, consciência cidadã e consciência crítica, resgatando através do diálogo respeitoso a dignidade do povo, buscando à luz do Evangelho, o resgate do Reino de Deus, que é um reino de justiça.

          É bem verdade que não devemos confundir Homilias com Discursos Políticos e muito menos sermos partidários políticos. Mas nossa Igreja se declina sobre a afirmação do Documento de Aparecida, n. 395: “A Igreja se sente chamada a ser ‘advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu’. Para cumprir essa missão, a Igreja incentiva os fiéis a interagir com a política”.

          Já o Papa Francisco na Evangelii Gaudium, n. 183 afirma que não podemos ficar indiferentes diante dos desafios que se nos impõem os Poderes Constituídos, e que “Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – (passiva ou intimista, mera cumpridora de preceitos, sem que a fé seja confrontada com obras e compromisso de mudança daquilo que não vai bem) comporta sempre um desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela”.

          São inevitáveis determinadas expressões como poder e cargos, embora confesse tais denominações inconvenientes seja na política, como na sociedade, uma vez que qualquer detenção de poder, ou deferimento de qualquer cargo, tanto na política, e mais ainda em nossas atividades pastorais, se não for convertido em serviço, certamente será de dimensões desastrosas tanto para quem os detém, quanto para quem deles deveria ser beneficiado. Aqui prevalece o mandamento dado pelo próprio Cristo naquela noite em que instituiu a Eucaristia, a alma da Igreja: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Deixei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13,14). “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,34-35). “Quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos” (Mc 10,43-44).

          Me parece vergonhoso o que temos assistido em nosso Congresso Nacional – Câmara de Deputados e Senado: leis que anistiam os partidos e congressistas que cometeram crimes eleitorais, ignorando a Lei da Ficha Limpa; o inconformismo com a exigência de mínima transparência em relação às emendas parlamentares, especialmente as tais “Emendas PIX”; leis que visam somente a “zona de conforto dos legisladores” em detrimento de quem os elegeu; a infiltração de milícias, Comando Vermelho e PCCs nos partidos antes sérios e nem por último a ganância da impunidade parlamentar, deixando os congressistas à vontade de crimes, desde os mais medíocres aos mais graves. Há quem diga: “Quer roubar, matar, cometer os mais diversos delitos, sem ser condenado, seja deputado”! Nem todos são assim, mas poucos escapam de sê-lo lamentavelmente. Por isso, precisamos estar sempre muito atentos em quem votaremos nas próximas eleições para Deputados Estaduais e Federais, Senadores, Governador e Presidente! São cinco votos que definem nossa consciência política, e, sobretudo o exercício de nossa cidadania!

          Poder e cargos na vida pública, se não convertidos em serviço desinteressado, adoece nossas Instituições e impõem pesados fardos sobre o povo de uma Nação!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo