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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SOLENIDADE JUBILAR DE NOSSA SENHORA APARECIDA!

Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.


Os católicos brasileiros têm uma grande relação religiosa com Maria, a mãe de Jesus. Essa relação de piedade e devoção pode ser mais aprofundada e adquirir um sentido evangélico bem mais intenso pela solenidade que vamos celebrar amanhã, pois todos nós que aderimos ao projeto de Jesus somos chamados a realizar sempre a sua vontade, mantendo a nossa esperança em suas intervenções na história, transformando, por nossas ações, as realidades de morte em vida, de trevas em luz, de miséria e pobreza em abundância.

            A imagem de Nossa Senhora que há 300 anos apareceu no rio Paraíba do Sul é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Festa que remete à figura de Maria como plenificação e destino da Igreja, imagem da Igreja triunfante. Uma Igreja que, como mãe e esposa peregrina, é chamada a fazer a vontade do seu esposo, Cristo, o Messias.

            O aparecimento da pequena imagem foi o grande sinal do alto, sinal de Deus e de sua intervenção em favor das súplicas dos simples e pobres. A festa aconteceu, e a abundância foi readquirida.

            Neste dia, no Brasil, também se comemora o dia das crianças. Elas aguardam de todos nós um sinal de um país mais justo, humano, solidário e que saiba cuidar do seu povo com carinho e proteção. Aguardam sinais de vida, que devem ser cultivados e promovidos já agora, para que o seu futuro seja de abundância e paz. Que a honestidade espane do cenário de nossa rica Nação a tão sistêmica corrupção.

            Gosto sempre de imaginar a cena daquele casamento em Caná da Galileia. Deve ter sido um casamento de pessoas simples, pobres, como humilde e pobre era Maria. Para que Maria, Jesus e seus Discípulos fossem convidados, o casal nubente só poderia ser pobre, já que a disparidade entre as pessoas era tamanha, que ricos e pobres jamais se misturavam, especialmente em festas. Hoje não é muito diferente, embora tenhamos os chamados “ricos emergentes” ou ainda, aqueles que mesmo não sendo economicamente privilegiados, tenham “panca de ricos”, se juntem aos verdadeiramente ricos!

            Maria, que é mãe, perspicaz e atenta, percebe que seu filho, Jesus e seus companheiros, os Discípulos (que eram bons de copo), estavam exagerando, e os noivos pobres poderiam passar vergonha, já que o vinho começava a faltar. A mãe chama o filho e o adverte que já não tem mais vinho, pedindo que avise aos amigos “maneirarem no copo”. Jesus parece dar uma resposta ríspida, chamando sua mãe de “Mulher”. Em outras palavras, poderia pensar que não era problema seu. Maria, entretanto vai aos serventes e lhes diz: “Fazei o que ele vos disser!” A confiança no filho é maior que sua preocupação. O milagre acontece justamente pela fé de Maria em Jesus. Da Solenidade Jubilar de Nossa Senhora Aparecida, também nós, todos nós, podemos aprender do povo simples, de Sul a Norte de nosso Brasil, tamanha confiança na Mãe Aparecida. Ela não nos deixa esperando, não nos faz passar vergonha, mas intercede por nós. Porém é preciso seguir seu pedido feito aos serventes e também a nós hoje: Fazer o que Jesus nos pede! E o que Jesus nos pede? Que nos amemos uns aos outros, sempre! Se nos amarmos, o mundo será muito mais bonito, do jeito como Deus o criou e pensou para nós!

           






quarta-feira, 4 de outubro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

MÊS MISSIONÁRIO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Eu vos escolhi foi do meio do mundo,
a fim de que deis um fruto que dure” (Jo 15,16).

            No Vigésimo-Sétimo Domingo do Tempo Comum somos convidados a celebrar a páscoa de Jesus. Ela se realiza nas comunidades e grupos dispostos a colaborar para que o reino de Deus produza frutos para o bem de todo o povo, a vinha amada do Senhor.
            Somos a vinha do Senhor, cuidada com carinho pelo Pai e regada pelo sangue de Cristo para que produza os frutos de paz e de vida que Deus deseja e espera de nós.
            A comunidade é a vinha do Senhor, da qual ele cuida com carinho e espera frutos de amor e justiça. Todos somos trabalhadores do reino de Deus e também responsáveis pelo seu crescimento. A celebração é o momento privilegiado para aprendermos a ser ternos, apesar dos conflitos.
Neste mês das missões, com o tema “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”, “juntos na missão permanente” somos convidados a rever nossa vida em família, eclesial, social e política. Somos missionários ousados e corajosos, ou meros espectadores dos abusos que acontecem ao nosso redor, decepcionando nosso povo amado, por não exercermos nossa vocação também profética em nossas Comunidades e na Sociedade?
            Jesus retoma o texto de Isaías, mas não coloca a culpa na vinha por sua falta de bons frutos, e sim nos meeiros que deviam cuidar dela. Além de impedir que os bons frutos cheguem ao dono da vinha, ainda são violentos com seus enviados. É uma crítica muito séria que faz aos que se consideram donos da religião e senhores da fé do povo. Apropriam-se da relação entre Deus e seu povo, desorientam aquilo que permite o povo ligar-se a seu Senhor.
            Muitas vezes, certas lideranças religiosas impedem que o povo seja Povo de Deus para ser povo dos anciãos, dos escribas, dos sacerdotes, de fulano, de tal movimento... O povo vira joguete nas mãos dos chefes religiosos que buscam seus interesses e não o Reino de Deus. É isso que Jesus critica, mesmo que sua denúncia profética lhe cause a morte.  Sempre costumo pensar que Jesus foi condenado à morte de cruz por pura inveja clerical. Não bastando puxar-lhe o tapete, mandaram matá-lo, a fim de que deixasse livre o caminho aos “maus pastores”: interesseiros, exploradores da ignorância dos mais simples... Pior de tudo isso, é que Jesus continua sendo crucificado ainda em nossos dias, geralmente pelos que se consideram os “pastores mais certinhos”, os engessados em suas próprias hipocrisias!
            Que frutos se esperam da vinha plantada e cuidada com tanto carinho? O Senhor espera dela o direito e a justiça. Estabelecer o direito e a justiça é uma exigência de Deus como expressão de fidelidade à Aliança entre Deus e seu povo. Nosso Deus, que é Deus da vida e do amor, quer que, em nosso meio, reine a justiça, respeite-se o direito de todos, em especial dos mais pobres.
            Na Palavra proclamada, a opressão contra os mais pobres é considerada um homicídio. Os vinhateiros são homicidas não só porque matam os enviados, inclusive o Filho, mas também porque despojam o pobre, violam o direito, não dão os frutos da justiça que pede o Senhor. Por ser assim, o Reino de Deus vai ser entregue a outras pessoas.
            O fato de sermos cristãos não nos garante o Reino. Somos escolhidos para sermos sinal do amor, da misericórdia e da salvação de Deus. É preciso provar essa escolha com frutos e ações concretas de justiça e direito. Ser cristão é dar a vida. Se colocarmos em prática o Evangelho, o Deus da paz vai estar conosco e dessa paz seremos testemunhas no mundo em que vivemos.
            Entrando no mês dedicado às missões, peçamos a Deus a fidelidade a seu serviço, para que sejamos dignos de sua eleição.
                        Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão nosso abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 5,1-7; Sl 79(80); Fl 4,6-9 e Mt 21,33-43).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Outubro de 2017, pp. 36-39 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Outubro/2017), pp. 32-36.

MINHA PRIMEIRA EUCARISTIA!


Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.
Um dos dias mais felizes de minha vida foi o de Minha Primeira Eucaristia! Foi no dia 4 de outubro de 1964, festa de São Francisco de Assis, um lindo domingo. Eu tinha apenas 7 anos de idade. Éramos três irmãos e muito pobres. Fomos acolhidos na Escola Paroquial do Sagrado Coração de Jesus no bairro Santo Afonso em Novo Hamburgo (RS). As Irmãs da Congregação de Santa Catarina de Alexandria nos alfabetizaram e também nos prepararam para a Primeira Eucaristia.
Nossa mãe não tinha como pagar as mensalidades. As Irmãs nos propuseram uma permuta: estudaríamos sem pagar as mensalidades em troca de limparmos, todos os dias, a Escola toda, varrendo-a, tirando o pó, deixando-a em ordem para o dia seguinte. Aos sábados, minha avó, minha mãe e eu com meus irmãos fazíamos uma limpeza geral: passávamos o dia inteiro limpando, enquanto durante os dias da semana, ficávamos depois das aulas para a limpeza. Fizemos isso até terminarmos os cinco anos do então chamado Primário. Para nós, era uma festa. Além de limpar a Escola, eu me ofereci para ajudar a limpar a Igreja também uma ou duas vezes por semana. Não existia o Estatuto da Criança e do Adolescente naquela época, se é que me entendem!
Deixei de brincar de Missa com meus vizinhos na Estrebaria da casa de meus avós, para passar as tardes na Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, que sempre brilhava de limpinha e arrumada. Provava as vestes litúrgicas do Pároco, mexia nas alfaias, comia hóstias não consagradas e bebericava do vinho canônico por pura curiosidade. Logo fui admitido ao serviço de Coroinha. A Irmã Neófita fez o exame para a Primeira Eucaristia, tomando, individualmente, o Ato de Contrição. Era enorme para mim, que ainda não falava corretamente o português. Em casa nos comunicávamos com um dialeto alemão. Fui reprovado no exame e somente três dias depois de uma “segunda época” fui, finalmente, admitido à Primeira Eucaristia.
Finalmente chegou o dia 4 de outubro, um dos primeiros mais felizes de minha vida. Depois de comungarmos, a Irmã Neófita passando pelo corredor da Matriz entre mais de 200 crianças, nos ajudou naquele momento após a comunhão: “Fiquem bem quietinhos. Percebam para onde Jesus na Hóstia Santa foi; foi para o coraçãozinho de vocês ou para o estômago? Só um coração puro pode receber Jesus na Hóstia Santa!”. Estou sem saber direito até hoje para onde foi a Hóstia Santa. O que sei, é que senti meu coração como um verdadeiro Sacrário, Tabernáculo e Porta-Jóias de Jesus.
Depois de Minha Primeira Eucaristia, até minha mãe, que nasceu em berço Luterano, passou a frequentar mais a Missa e foi zeladora do Apostolado da Oração. Assim, também foi meu primeiro amor pelo Sagrado Coração de Jesus e São Francisco de Assis, que sediaram um dos primeiros dias mais felizes de minha vida, o dia de Minha Primeira Eucaristia!