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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

HOMILIA PARA O 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            “Estamos chegando ao final do Ano Litúrgico. Hoje celebramos o Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum. Jesus continua o ensinamento aos discípulos, agora, já em Jerusalém, depois de sua entrada triunfal (cf. Mc 11,1-11).

            A Liturgia da Palavra nos apresenta duas viúvas – a de Sarepta e a que colocou sua esmola no cofre do Templo de Jerusalém. Na segunda leitura, estamos em outro Templo, não no de Jerusalém, mas no Santuário que é o próprio corpo de Cristo, simbolizado em sua Igreja reunida.

            Fiquemos atentos, na celebração de hoje, a muitas ‘viúvas’ que trazem para nossas celebrações suas vidas, seus sofrimentos, suas dores, suas esperanças. Que nossa assembleia litúrgica esteja aberta a todos que a compõem. Todos os que exercerem algum ministério, nesta celebração, estejam a serviço daqueles que estão dispostos a ouvir a Boa Nova e a oferecer suas vidas ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Que possamos todos fazer de nossa vida uma oferta agradável a Deus e aos irmãos.

            ‘Deus abençoa o pobre que, com sua generosidade, sabe partilhar o pouco que possui. Jesus se doa totalmente para a expiação dos pecados da humanidade. A verdadeira generosidade se manifesta no dar além da sobra’ (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2012 da Paulus, pp.41-44).

            Diante do gesto da pobre viúva, Jesus chamou os discípulos para conversar e ensinar. Diante da sociedade utilitarista e daqueles que alicerçam suas vidas sobre os critérios da aparência e da generosidade calculada, Jesus nos chama para conversar e ensinar. Diante deste mundo no qual o dinheiro, o status, o sucesso são mais valorizados que as pessoas e seus sentimentos, Jesus nos chama para conversar e ensinar.

            Mesmo no interior da Igreja, contra toda a lógica do evangelho, há aqueles que fazem de sua vida uma corrida em busca de honrarias, prestígio e aplausos. Iludem-se, pois a fama pela fama, a aparência pela aparência, só traz um imenso vazio. No passado, Jesus alertou os discípulos: ‘Guardai-vos dos escribas’. Hoje ele avisa: ‘Não se iludam com os modelos de sucesso que existem por aí’.

            Jesus reprova nos escribas a cegueira espiritual. Eles eram os especialistas no conhecimento e na interpretação dos preceitos do Senhor. Sua prática, porém, não se conformava com seus conhecimentos e suas interpretações. Há muitos cristãos que, teoricamente, conhecem muito bem os critérios evangélicos e os preceitos da vida cristã, todavia ‘fazem o bem, pensando em si’. Na prática comunitária, não mergulham no espírito e, consequentemente, se tornam mesquinhos e intolerantes. O Mestre alerta seus discípulos para a verdadeira prática religiosa. Esta não consiste na busca de honrarias, no ocupar lugares de destaque nas comemorações públicas, no uso ostensivo de vestes e de sinais externos para chamar atenção sobre si. A verdadeira prática religiosa brota da generosidade e da humilde dedicação aos pobres e necessitados (cf. Tg 1,27). O seguimento de Jesus se caracteriza pela doação, pela solidariedade.

            Jesus contrapõe ao modo hipócrita do agir dos escribas e ricos senhores do templo a generosidade e a religiosidade sincera de uma pobre viúva. Despojada dos bens terrenos, doa tudo o que possui, demonstrando que sua confiança e segurança estão nas mãos de Deus. É a generosidade radical. Ela não doou o supérfluo, manifestou uma generosidade gratuita, no sentido da entrega total, sem esperar nada em troca. ‘Sua humilde esmola vale mais do que abundantes doações dos ricos, pois estes dão do supérfluo, enquanto que a viúva oferece a Deus o que ela necessitava para viver’.

            A Liturgia da Palavra de hoje nos faz lembrar que a grande maioria de nosso povo é muito generoso. Basta avaliar a pronta resposta diante de certas calamidades provocadas por seca ou por enchentes. Multiplicam-se as toneladas de donativos. [...] Lamentavelmente as doações nem sempre chegam ao destino. Ainda nesta semana assistimos noticiários que mostraram milhares de pares de sapatos, centenas de eletrodomésticos destinados à Região Serrana do Rio de Janeiro, desde o início do ano armazenados e apodrecendo em Nova Friburgo. Enquanto os pobres partilham de sua pobreza, os responsáveis pela justa distribuição se revestem de descaso e egoísmo insensíveis com as pessoas sofredoras. [...]

            Felizmente, existem muitas ‘viúvas de Sarepta’, como a do evangelho, que anonimamente vivem da certeza de que ‘Deus abençoa quem generosamente partilha seus próprios bens’. Vivem na gratuidade. Não porque ter bens materiais seja uma coisa ruim, mas pelo fato de eles assim cumprirem sua finalidade: serem colocados à disposição de quem deles necessita. A partilha generosa e solidária multiplica as soluções de problemas que parecem insolúveis. Enquanto a ganância provoca a fome e a miséria, a partilha solidária multiplica as possibilidades de vida digna.

            Não nos esqueçamos de que, além de nossos bens materiais, é preciso também partilhar nosso tempo e nossos dons pela causa do Reino de Deus. Às vezes, pode ser mais fácil dar em forma de dinheiro, do que mexer em nosso tempo” (cf. Roteiros Homiléticos n. 23 da CNBB, pp. 91-97).

            Finalmente a Palavra de Deus deste domingo nos coloca diante de algumas perguntas pertinentes. Neste Ano da Fé somos conclamados à coerência entre o que pensamos, rezamos, pregamos (falamos) e fazemos. Se Jesus, em pessoa, viesse conversar conosco, ficaria feliz com nosso modo de viver nosso Batismo, nosso Ministério e nossa Vida na Comunidade de Fé?

 Penso comigo: graças a Deus, entre nós, Jesus certamente não precisaria repetir o que disse aos discípulos: “Tomai cuidado com os doutores da lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”(Mc 12,38b-40).

            Caso alguém se identifique com os “escribas”, ainda é tempo de mudar. A conversão não deve esperar para amanhã. Oxalá aconteça ainda neste domingo. Do contrário, de que adiantaria celebrar, não é mesmo?

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 1Rs 17,10-16; Sl 145(146); Hb 9,24-28 e Mc 12,38-44)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Iº SIMPÓSIO TEOLOGICO SOBRE A DIGNIDADE DA VIDA

Programação:

5 de Novembro de 2012 – (Segunda-Feira) 19h30 às 21h30
Início com a Apresentação da Orquestra Filarmônica de Cravinhos
Saudação aos Convidados por Profª Dra. Valéria da Fonseca Castrequini
Apresentação do Objetivo do Simpósio por Profº Pe. Gilberto Kasper
Conferência com Profº Dr. Vicente Golfeto – “Um olhar sobre o mundo”

6 de Novembro de 2012 – (Terça-Feira) 19h30 às 21h30
Fórum de Debates: O que esperar de um teólogo para a promoção da Dignidade da
Vida em nosso tempo?

Moderador: Júlio Chiavenato
Debatedores: Dr. Régis Vianna, Profª Débora Vendrami, Rodrigo Simões e Mariana
Jábali


7 de Novembro de 2012 – (Quarta-Feira) 19h30 às 21h30
Conclusão do Fórum de Debates: Pistas concretas para a promoção da Dignidade da
Vida!

Debatedores: Miriam Herscoviá Martinez e Marcos Papa
Encerramento do Simpósio: Profº Pe. Gilberto Kasper com breve Encenação Teatral!
Local: Centro Cultural Palace
Ao lado do Theatro Pedro II, Ruas Álvares Cabral com Duque de Caxias, 322 –
Ribeirão Preto – SP

Inscrições até 30 de Outubro de 2012 pelo site: simposioteologiauniesp@uol.com.br

Entrada Franca, porém com Inscrições Limitadas!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS E SANTAS


Queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            “Celebrando a Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus, comungamos com aqueles que já se encontram na casa do Pai e vivem em plenitude as bem-aventuranças. Nós também somos proclamados felizes, porque formamos a grande família de Deus e procuramos seguir a multidão dos que nos deixaram exemplo de fidelidade e amor.

            A multidão dos fiéis seguidores de Jesus, filhos e filhas amados pelo Pai, reúne-se numa celebração celestial. Ainda em vida são proclamados felizes porque depositaram sua confiança em Deus.

            Todos os que se mantêm fiéis a Cristo serão vitoriosos. As bem-aventuranças são o caminho da santidade proposto por Jesus. Somos filhos e filhas de Deus, pois ele é nosso Pai, e seremos semelhantes a ele. 

A Eucaristia transforma-nos, lenta e progressivamente, em seres capazes de contemplar o Pai, unidos a todos os que são salvos” (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2012 da Paulus, pp. 24-27).

 

            “A celebração de Todos os Santos é a festa da santidade anônima. Da santidade entendida, em primeiro lugar, como dom de Deus e resposta fiel da criatura humana. Torna-se impossível enumerar todos os santos, tido como sinais da manifestação maravilhosa da ação de Deus. A santidade pode ser comparada a um grande mosaico que reflete a grandeza da única santidade de Deus.

            Cada santo é um exemplar único e exclusivo. Não podemos pensar a santidade como um produto em série. A comemoração de todos os santos nos abre à imprevisibilidade do Espírito Santo.

            A multiplicidade de santos faz deles um modelo perfeito para a vivência dos carismas pessoais e para a diversidade de opções no seguimento de Jesus e no serviço à Igreja e à sociedade.

            Quando veneramos ou falamos de um santo de nossa devoção, somos tentados a contemplá-lo (a) pela ótica perfeccionista. ‘Ele foi perfeito’, ‘Um super-humano’. Não! Os santos, antes de tudo, foram pessoas comuns. Eles fizeram sua caminhada de vida seguindo os passos de Jesus. Participaram da realidade do povo santo e pecador. Contudo, eles se destacaram na vivência radical do ideal proposto pelas bem-aventuranças. Foram pessoas que, por seu modo de viver a Boa-Nova, marcaram significativamente a sociedade de seu tempo e se transformaram em referenciais atualizados para a história.

            O convite evangélico à santidade é proposto a todos. Não é uma realidade impossível de alcançar. Tudo depende do vigor com que se vive o ideal das bem-aventuranças na relação com Cristo e nos compromissos inerentes à vida. Eu e você podemos ser santos. Não importa se somos pessoas de muitas qualidades ou não. O que conta é que sejamos pessoas extraordinárias pela vivência do programa de Jesus resumido nas bem-aventuranças.

            Fica mais uma vez entre nós a pergunta crucial: como ser santo? O que significa ser santo? A liturgia nos conduz para mais perto da santidade de Deus” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum In Projeto Nacional de Evangelização 18 – O Brasil na Missão Continental da CNBB, pp. 75-81).

            Ouvem-se frequentemente de bons lábios cristãos algumas frases em relação à santidade, como: “Eu não nasci para ser santo...”. “Não sirvo para ser santo...”. “Não sou santo, logo não tenho culpa...” Gosto de pensar que tais cristãos não compreendem o próprio Batismo. O Batismo torna-nos seres divinizados, ou seja, candidatos à santidade! Não creio que sejam as coisas boas que conseguimos realizar, nem as coisas más que praticamos, por vezes, involuntariamente, que nos conduzem à santidade, porém o esforço empreendido por fazer de tudo para ser bondoso, humilde, servo e anjo para os irmãos, vivendo uma relação de ternura constante. Quem sabe, fazendo uma listinha de esforços diários nos ajude a conquistar a santidade proposta a todos os filhos e filhas de Deus, nascidos do “útero da Igreja, a Pia Batismal!” Já paramos para pensar, com quantos santos convivemos ao longo de nossa vida, mesmo que não reconhecidos, oficialmente, por decretos de beatificações ou canonizações?

            “Ainda temos presente o dia de Finados, que celebramos na sexta-feira, dia 2 de Novembro, através do qual somos levados a vivenciar a comunhão dos Santos que professamos na fé.

            Perguntemo-nos: nossa prática de fé e busca de santidade consegue despertar para a vida e a santidade dos irmãos? Onde nosso compromisso com os outros consegue fazer parte de nossa oração e busca de Deus?

            No dia 28 de Outubro, último domingo, tivemos o segundo turno das eleições em algumas cidades, como na nossa amada Ribeirão Preto. A partir de agora, vivemos, no cotexto municipal, um novo momento político, perante o qual, como comunidade, somos sinal de unidade, pela qual todos são convidados a tomar consciência de que somos parte de um mesmo povo. É hora de superar e esquecer divisões que possam ter ocorrido em tempo de campanha” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 23, pp. 83-90). É hora de reivindicarmos de nossos Governantes uma urgente e ampla Reforma Política, que desde as Diretas Já vem sendo prometida de Eleição em Eleição e nunca acontece. Esta é a hora. Comecemos, desde já, preparando-nos para as próximas eleições, exigindo TODAS as Promessas até nossos dias, ainda não cumpridas!

            Não deixemos para amanhã, nem mesmo para daqui há pouco: comecemos já nosso esforço por sermos santos, sendo anjos uns dos outros. Só quem é simples e bondoso, sabe o quanto é magnífica a antessala da santidade!

                        Desejando-lhes, por intercessão de Todos os Santos, muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24); 1 Jo 3,1-3 e Mt 5,1-12)