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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS E SANTAS!



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Alegremo-nos todos no Senhor,
celebrando a festa de Todos os Santos.
Conosco alegram-se os anjos e
glorificam o Filho de Deus".

O Trigésimo-Primeiro Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade de Todos os Santos e Santas, celebrado, segundo o calendário litúrgico, no dia 1º de Novembro, porém no Brasil, no domingo seguinte.

            A Igreja militante honra a Igreja triunfante celebrando numa única solenidade todos os santos - são as palavras que o sacerdote pronuncia na oração da missa - para render cumulativamente homenagem àquela multidão de santos que povoam o Reino dos céus. A epístola repete as palavras de são João no Apocalipse: E vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as gentes e tribos e povos e línguas.

 Aquela grande multidão que está diante do Cordeiro compreende todos os servos de Deus, a qual a Igreja decretou a canonização, e todos os que - em número imensamente superior - conseguiram a salvação, com a eterna visão beatífica de Deus.

Deus prometeu de fato dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Hoje todos esses santos que tiveram fé na promessa de Cristo, a despeito das fáceis seduções do mal e das aparentes derrotas do bem, alegram-se e exultam pela grande recompensa dada por um Rei incompreensivelmente misericordioso e generoso. E a Igreja militante, unida pelo indissolúvel vínculo da caridade com os filhos que passaram à melhor vida, honra-os com particular solenidade.

A origem da festa hodierna remonta ao século IV. Em Antioquia celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do Panteon a Nossa Senhora e a todos os mártires. O monumento pagão assumiu o nome cristão de Santa Maria dos Mártires. Naquele dia, durante a missa, fazia-se chover uma chuva de rosas vermelhas. No ano de 835 esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro, provavelmente por motivos de simples comodidade, como refere João Beleth no século XII, isto é, porque após a colheita do outono era mais fácil arrecadar comida e bebida para a grande multidão de peregrinos que acorriam a Roma naquela oportunidade.

 Todos são chamados à vida e vocacionados à santidade, tendo como auxílio o testemunho de tantos que são reconhecidos pela Igreja como modelo de vida. Vivendo em plenitude as bem-aventuranças, formamos comunhão com todos os que já foram glorificados com Cristo. É grande a multidão dos que buscaram o Senhor. Eles estão vivendo a plenitude da vida feliz, convivendo face a face com o Deus da vida. As leituras de hoje apontam o caminho que devemos trilhar para também conquistar essa felicidade. São vitoriosos os que se mantêm fiéis ao projeto de Jesus. As bem-aventuranças são o caminho da santidade proposto por Jesus. Já somos filhos de Deus e seremos semelhantes a ele. A Eucaristia transforma-nos, lenta e progressivamente, em seres capazes de contemplar o Pai com todos os que já são salvos. A santidade não só é possível, mas é uma realidade.

Com frequência ouvimos de lábios católicos e cristãos: "Não sou santo... Não nasci para ser santo... Não sirvo para a santidade..." Tais pessoas não compreenderam ainda o próprio Batismo. Uma vez mergulhados no útero da Igreja e tornando-nos filhos de Deus, passamos a seres divinizados! Não divinos, mas divinizados, ou seja, candidatos à Santidade! Gosto de pensar que santo é todo aquele que morrendo, vê Deus como Deus é: tem coisa melhor? Todo ser divinizado procura esforçar-se para viver o Projeto de Vida de Jesus, que são as Bem-aventuranças! Se conseguirmos ou não viver tal proposta de vida, não importa. O importante para Deus é o esforço que empreendemos diariamente por vivê-lo, abrindo-nos à Sua graça. Gosto de comparar esse esforço com as características da criança. Jesus afirma que entra no Reino dos céus, quem for como uma criança. Tais características nós perdemos facilmente quando crescemos, e penso ser necessário reconquistá-las em nossas relações com os irmãos, conosco e com o próprio Deus:
A criança é sincera, nós ao crescermos, mentimos... E como!
A criança é espontânea, nós ao crescermos, fingimos... Por conivência ou conveniência!
A criança é pura, nós ao crescermos maliciamos... Tudo e todos!

Oxalá possamos reconquistar as características da criança, tornando-nos desde já candidatos à santidade!
           
            Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24); 1Jo 3,1-3 e Mt 5,1-12)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Novembro de 2019, pp. 27-30 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Novembro de 2019), pp. 68-72.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - TRIGÉSIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM


SÍNODO SOBRE A AMAZÔNIA
“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. 

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Quem se eleva será humilhado e
Quem se humilha será elevado” (Lc 18,14b).

            Neste Trigésimo Domingo do Tempo Comum, continuamos acompanhando Lucas, que nos fala sobre a oração. Hoje a insistência é sobre como orar.
            A parábola do fariseu e do publicano, a última das parábolas próprias de Lucas, marca a centralidade da celebração e da pregação deste domingo. Certamente o merece, mas convém procurar que a assembleia penetre no sentido da parábola e não fique na superficialidade de dizer que o fariseu é mau e o publicano é bom.
            Pode ser perigosa uma interpretação mal feita: se justificaria o pecado e se desestimularia a observância dos preceitos sagrados, que são importantes, mas não bastam. A justificação por meio do reconhecimento do próprio pecado e pela fé no amor de Deus é o tema de fundo desta parábola.
            Tanto o fariseu quanto o cobrador de impostos eram pessoas de fé. Também para nós, hoje, o problema não é tanto o contraste entre fé e falta de fé, mas entre modos diversos de colocá-la em prática. Ninguém tolera que uma pessoa religiosa viva de forma errada. Todos sentimos simpatia por uma pessoa de bem, independentemente de sua religião.
            A oração do publicano torna-se um modelo não só de oração, mas também da atitude de quem reza. Nossa oração deve partir de uma atitude fundamental de humildade, reconhecendo que não podemos nos salvar a nós mesmos. E igualmente isso que ouvimos na primeira leitura do Livro do Eclesiástico: a humildade é indispensável para que a oração possa atravessar as nuvens e obter resultado. A oração do Salmo 33 se contrapõe aos soberbos que têm o coração atribulado: o Senhor está perto de quem tem o coração ferido.
            A salvação da pessoa humana somente poderá vir de Cristo, o qual, embora sendo de natureza divina, humilhou-se a si mesmo até a morte e morte de cruz, e, por isso, foi elevado na glória. O cristão só se pode gloriar da cruz. Foi assim que São Paulo entendeu bem expresso no final de sua vida: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro (1Tm 1,15). Quando era jovem fariseu, não teria dito palavras semelhantes, porém depois ele se converteu e experimentou, em si mesmo, a obra poderosa do Senhor que o libertou do mal, ou seja, de sua orgulhosa autossuficiência.
            O centro de tudo é este: saber-se e sentir-se pecador e fraco. O farisaísmo está hoje presente no mundo cristão tanto no contexto individual quanto no comunitário. No contexto individual, devemos confessar que, muitas vezes, educamos nossos cristãos no farisaísmo: damos a eles as leis como norma fundamental de suas vidas. No contexto comunitário, o farisaísmo se manifesta em grupos da Igreja que se crêem os bons, os cumpridores, os fiéis. Estes rezam para que os que não pensam como eles se convertam, porque estão errados! Onde está radicado o mal do farisaísmo? Na nossa visão de Deus, a quem vemos como um comerciante que vende o céu em troca de obras humanas. Esta parábola prepara muito bem a teologia paulina da justificação que Deus concede a quem não pode se justificar a si mesmo. Esta justificação se obtém por meio da cruz de Cristo, e o Batismo é o seu instrumento.
            Aproximar-se de Deus consiste em abandonar o próprio egoísmo para encontrar a felicidade em Deus. Os santos sempre se consideravam pecadores: quanto mais perto da luz se está, mais se percebem as manchas do pecado em nós. Quando se toma consciência do pecado, então, e somente então, aparece Deus com a promessa da salvação.
            Deus salva os que não têm como se salvar: todos nós. Cristo, no evangelho, não louva a situação humana de pecado do publicano, nem sua indigência moral, sua escassa prática religiosa. Louva, isto sim, seu arrependimento, sua humildade, seu não julgamento dos demais. Jesus também não condena o fariseu por ser religioso, por levar uma vida moral digna, por fazer jejum e dar o dízimo. Critica sua soberba e o julgamento que faz dos outros.
            Em 2007, o Santuário Nacional de Aparecida, sediou a Vª Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, debatendo, como tema central a Missão, sob o lema: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida.” Marcado pelas palavras “missão” e “missionários”, o texto base resultante dessa conferência (presidido pelo Papa Francisco, o então Dom Jorge Mario Cardeal Bergoglio) constitui um grande entusiasmo para impulsionar a forma como nossa Igreja, na América Latina e no Caribe, propõe e incentiva a missão.
            Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Eclo 35,15-17.20-22; Sl 33(34); 2Tm 4,6-8.16-18 e Lc 18,9-14)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Outubro de 2019, pp. 92-95 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Outubro de 2019), pp. 57-63.

OUTUBRO EXTRAORDINÁRIO!

Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com


O ano caminha para seu final e promete muitas emoções e surpresas que certamente irão nos envolver e desafiar. Este outubro traz consigo o foco de grandes discussões sobre o respeito e cuidado com a natureza e meio ambiente com a realização do Sínodo para a Amazônia que se realiza no âmbito do mês missionário extraordinário, ambos convocados pelo querido Papa Francisco.
Nossa missão é a mesma que Jesus entregou aos seus apóstolos, ou seja, continuar proclamando o Reino de Deus que se estabelece já neste mundo quando vivemos a justiça, a caridade, a fraternidade, a fé e o amor de tal forma que esses valores, impregnados em nossa vida lançam a base de uma nova sociedade. Evangelizar é proclamar a “Notícia Boa” do Reino e do amor do Pai para nós, é anunciar que além das tragédias e desgraças que fazem crescer a audiência de certos programas de televisão ou aumentam a venda de revistas e jornais sanguinários que não têm consideração pelo ser humano, o cristão tem a certeza da fé e a confiança em Jesus Cristo que são maiores que as dificuldades e problemas a ser enfrentados. Nossa alegria de saber que somos amados por Deus anima e entusiasma a nossa vida para continuar a missão de fazer acontecer os sinais do Reino onde nós vivemos.
Neste contexto da “Missão” acontece o Sínodo para a Amazônia, convocado pelo Papa para nos fazer voltar o olhar para essa região vasta e tão importante para o nosso planeta. Desde o início de seu pontificado, Papa Francisco deixou clara a preocupação com o meio ambiente, publicou a encíclica “Laudato Si” trazendo à tona questões que passam despercebidas quando o mercado domina as relações entre países e governos que levam em consideração o lucro monetário desrespeitando a nossa “casa comum” que deve abrigar todos os filhos e filhas de Deus chamados a viver e crescer e manifestar as feições do nosso Pai que habita o coração do ser humano nem sempre valorizado pelos seus semelhantes.
A Amazônia, importante região que abrange diversos países, engloba nações de diversos povos, biomas, ecossistemas que correm sério risco de desaparecerem pela erosão causada pela ganância desmedida dos que só exploram a natureza, a vegetação, o subsolo causando uma grande chaga na obra criada por Deus. Mas não é só isso. A evangelização nessa área é preocupação antiga; as longas distâncias, a carência de padres, as comunidades que se esforçam para manter acesa a chama da fé e da fraternidade. Momento ímpar para todo o mundo e toda a Igreja olharem para essa região com suas fraquezas e belezas e ver que ali o Evangelho vive e entusiasma as pessoas.
Desde há muito tempo, a Igreja no Brasil tem realizado projetos e colaboração com a região amazônica no sentido de favorecer as comunidades e os povos que lá vivem. Muitos cristãos, missionários, religiosos e padres derramaram seu sangue para que o Evangelho da vida fosse semeado naquele vasto mundo na metade da terra. E muitos outros continuam evangelizando sem desânimo. Os desinformados ou mal intencionados criam intrigas entre as pessoas e, falando mal a respeito desse Sínodo fazem aparecer confusões desnecessárias. Sínodo é um grande momento para a Igreja e para os cristãos; tempo de caminhar juntos, de pensar soluções e alternativas para que a vida aconteça como Deus pensou ao criar o universo. É também tempo de conversão, de mudança de atitudes, mudança de pensamentos e, ao mesmo tempo, é oportunidade de sonhar com os novos céus e a nova terra.


(Parceria com Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu – SP).