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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O DESÂNIMO NÃO É CRISTÃO!



Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.
Ano que se inicia, esperanças e sonhos que se renovam, alegria que resolve dar as caras... tudo isso se parece com um cenário de oásis em meio ao deserto calorento como tem sido esse verão escaldante.

            Não assisto aos programas de retrospectivas que as emissoras propõem, pois sempre realçam as tragédias, as desgraças e violência que em grande parte poderiam ter sido evitadas se a responsabilidade de governantes e sociedade civil fosse realidade compartilhada e não mero protocolo. No fim de um ano conturbado como o que passou e início de outro ano novo, graças a Deus, penso ser necessário escrever os nossos sonhos, ou pelo menos pontuar o que pretendemos realizar e o faremos com os pés no chão. Algumas coisas diferentes poderemos fazer para que haja mudança no mundo que nos rodeia.

            Sempre é tempo de esperança, aquela virtude que encanta as suas irmãs mais velhas, a fé e a caridade; “a esperança é irrequieta”, nos dizia um pregador, ela fica sempre instigando a fé e o amor-caridade a agirem mais... Sem esperança, nossos sonhos e projetos se transformam em poeira, e somem, se desfazem, se perdem. Com esperança renovamos nossos sonhos, renova-se a nossa capacidade criativa, a alegria ganha novo fôlego e sepultamos o desânimo. Nossa esperança não é ilusão, nossa esperança é graça, pois seu fundamento é a ação bondosa de Deus em nossa vida.

            Esperança, fé e amor sempre estão unidos, são inseparáveis e nos provocam a buscar a alegria do viver para semear mais graça e sabor em nossa existência. Do nosso dicionário devem ser banidos alguns verbetes como desânimo, desistir, abandonar, recuar; esses não nos ajudam a olhar adiante principalmente quando a situação está difícil. Claro que não vivemos nas nuvens e muito menos nos alienamos dos problemas a enfrentar, entretanto, se não contarmos com o beneplácito vigoroso do amor manifestado em Cristo, realizaremos filantropia com prazo de validade determinado. E mesmo que o mundo circunvizinho esteja cercado de cadáveres ambulantes e insepultos, nossa alegria deve contagiar aos que nos cercam a ponto de transformarmos pensamentos, sentimentos e atitudes.

            “Não se concebe um cristão sem alegria”, afirmava o Papa Francisco; o “desânimo não é cristão”! Assim, poderemos viver todos os dias do ano novo construindo vida nova, alegria, fraternidade, distribuindo as sementes de esperança, fé e amor, pois alguns já perderam as suas. Não esperemos que novos governos façam obras mágicas. Façamos o que estiver ao nosso alcance para que o mundo seja melhor. Sejamos construtores de paz, de unidade e de comunhão. Nosso alimento é o Cristo Senhor que nos deixa de presente a sua Paz!

            Feliz, abençoado, alegre e cheio de esperança seja o novo ano para nós todos. Sejamos protagonistas da ternura de Deus revelada na simplicidade do Presépio. Seja nosso manto a humildade e nosso compromisso a proximidade!

(Parceria com Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição, de Mogi Guaçu – SP)






quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Novo Horário Missa Santo Antônio Pão dos Pobres - Ribeirão Preto


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!



         A festa da Epifania celebra a manifestação de Jesus Cristo, luz e salvação de Deus, a todos os povos e nações. Jesus é o verdadeiro Messias, o rei justo, o libertador, esperado por todas as pessoas comprometidas em construir o Reino da justiça. Os sábios do Oriente representam os que se deixam guiar pela luz, pelo projeto de Deus a serviço da vida plena. Eles experimentaram uma grande alegria ao encontrarem Jesus, o rei dos judeus, e o adoram, oferecendo-lhe os seus presentes.
            As promessas das Escrituras acerca do Messias são compreendidas à luz da fé na ressurreição. Quem se deixa iluminar pela sabedoria de Deus, acolhe e reconhece Jesus como o Messias prometido, o portador da salvação a toda a humanidade. A ambição, o poder, como os de Herodes, leva a rejeitar a presença do Salvador desde o seu nascimento. A atitude dos reis, que chegam de longe para adorar o Menino, contrasta com a dos chefes de Jerusalém que tramam sua morte.
            Somos convidados a seguir o exemplo dos magos: guiados pela estrela, caminhar ao encontro do salvador da humanidade. A páscoa de Cristo se manifesta como luz na vida de todos nós que esperamos a revelação do Senhor e ansiamos por unidade, justiça e paz.
            Contemplemos nas leituras a glória do Senhor, luz que ilumina e reúne em torno de si toda a humanidade, e acolhamos com fé a manifestação do recém-nascido, nosso salvador.
            Abandonemos o desânimo e olhemos para frente com esperança, pois a glória de Deus já se manifestou sobre a humanidade. Precisamos descobrir a estrela que nos guie de forma segura ao longo do ano. Já não há povo excluído das promessas divinas, manifestadas em Jesus. Deus se manifesta a todos os povos na pessoa frágil do menino Jesus.
            O episódio dos reis magos acentua o acolhimento de Jesus e sua mensagem pelos gentios e prefigura a missão universal dos discípulos de evangelizar “todas as nações”. É um apelo bem atual para a nossa realidade.  O itinerário percorrido pelos magos propõe o caminho para encontrar Jesus. Ao descobrir os sinais (a estrela), eles se colocam no caminho, perguntam aos que conhecem as Escrituras, procuram até encontrá-lo e o adoram, aderindo a ele com a fé e a vida.
            O encontro com o Senhor transforma a nossa vida. Sua presença e palavra nos iluminam e nos convidam a levantar, comprometendo-nos a construir um caminho novo de libertação. Em Cristo nos tornamos discípulos e discípulas, participantes da mesma herança, do mesmo corpo, da mesma promessa de salvação. A “Epifania” do Senhor nos proporciona viver a comunhão e a fraternidade com todos os povos do universo.
            Lá na periferia, longe do palácio real, “os magos viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” que indicam, respectivamente, a sua realeza, divindade e incorruptibilidade.
            A estrela que leva os cristãos a Jesus nos dias atuais, é a fé recebida, como dom gratuito no dia em que mergulhados no útero da Igreja, a Pia Batismal. Adotados da sabedoria divina, nosso horizonte aponta a “estrela” que nos conduz a Jesus. Além disso, todo cristão é convidado a ser estrela a qualquer pessoa que esteja à procura de Jesus. É interessante que os Magos procuram saber o itinerário com Herodes, porque nem de longe poderiam imaginar que aquele rei não soubesse do acontecido em Belém. Enganados pelo rei invejoso, tomam caminho adverso, depois de encontrar-se com Jesus. Mesmo assim não conseguem evitar que a inveja incontrolável de Herodes mande matar todos os meninos com menos de dois anos de idade. Seria insuportável conceber um rei em seu lugar, ou então, alguém superior a ele.
            Quantas vezes, entre nós, vestimos a inveja de Herodes, degolando (com nossa língua maldosa) e “armações diabólicas, porque mentirosas e enganadoras” nossos irmãos por pura inveja?
            Há quem engane o itinerário até Jesus. São aqueles que se rogam o direito de julgar, condenar e despistar, para não dizer, enxotar as pessoas de nossas Comunidades: seja por ignorância, seja por pura inveja, esta que cheira a Herodes!
            Como seria bom e agradável ao Senhor, que a Epifania fosse mais real, sincera, sentida e comprometida em nossas Comunidades Eclesiais, Políticas e Sociais. Ainda há tempo de conversão! Sejamos a Estrela que conduza nossos irmãos a Jesus o Salvador!
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 60,1-6; Sl 71(72); Ef 3,2-3 a.5-6 e Mt 2,1-12)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Janeiro de 2019, pp. 32-36 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo de Natal (Janeiro de 2019), pp. 42-46.