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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

ESPERANÇA E MISERICÓRDIA DE MÃOS DADAS EM 2016!

   Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Presidente do FAC – Fraterno Auxílio Cristão e Jornalista.

Aparentemente as três cidades: Mariana, Paris e Belém não têm muito em comum. Entretanto, os acontecimentos recentes nos permitem olhar a realidade e o mundo a partir da situação dramática em que elas se encontram. O desrespeito pela natureza, o descaso para com o ser humano, a ganância sem medida e a doença incurável do fanatismo fazem com que o mal surja com um efeito devastador e cruel a ponto de perturbar a serenidade e cordialidade exigidas para uma convivência respeitosa no mundo.
           
Descrito como um dragão feroz pelo autor do livro do Apocalipse, o mal e suas feições assustam, aterroriza, matam inocentes, destroem cidades, arrasam o meio ambiente e envenenam nosso recurso mais útil e santo: a água! O mal se organiza motivado por interesses egoístas e de vingança somados ao desrespeito pelos que são ou pensam diferente de tais interesses maus. Dentre os maus desejos destaco dois que considero mais mortíferos: a ganância e a intolerância que é a mãe do fanatismo.
           
Em Paris aconteceu recentemente a Conferencia sobre o clima e as discussões sobre aquecimento global, emissão de gazes e preservação de recursos naturais tocam de leve na questão da poluição do ar movida a dólares de países ricos que se sentem donos do que não lhes pertence. E poluem com gases tóxicos, economia degradante e indústria de armas, para citar alguns fatores que sujam o mundo. A mesma Paris sofreu um ataque terrorista em novembro que matou gente sem culpa; terroristas fanatizados mataram pelo simples e irracional desejo intolerante de matar os que julgam infiéis. A pessoa humana nasce livre e nada pode prejudicar essa liberdade. É inaceitável matar em nome de religião.

Em Mariana, a tragédia ambiental arrasou comunidades, natureza, ceifou vidas cheias de sonho, apagou uma parte da história e tudo isso por causa de uma barragem de resíduos de minério que se rompeu e o povo das redondezas foi inundado por um mar de lama. A companhia mineradora que devia cuidar de evitar desastres, lucra muito dinheiro com o minério que revende, mas não cuida dos que vivem em torno da barragem. Tal desastre poderia ter sido evitado se a ganância não prejudicasse a defesa e o respeito para com a vida humana. Foi um atentado terrorista contra a natureza e contra as pessoas. Quando o dinheiro fala mais alto, a vida humana perece.
           
Apesar de toda essa tragédia e desgraça, a lição de esperança vem da cidadezinha de Belém da Judéia de onde brota sem cessar a certeza que Deus caminha conosco. Da pequenina cidade de Belém surge a esperança de vida nova para a humanidade. Jesus nasce e ilumina o mundo com a Paz que Ele nos traz. A noite do seu nascimento iluminou a treva do mundo que hoje a violência, o terrorismo e o fanatismo tentam sufocar. 
           
Ainda hoje, “o povo que caminha nas trevas” do medo, da insegurança e da inimizade, verá “uma grande Luz”! O Príncipe da Paz vem ao nosso encontro no Natal que celebramos; vem reanimar nossa alegria, nossa fé e nosso amor. Jesus vem renovar em nós a esperança que nos permite sonhar, que nos leva a crer e nos provoca a amar como Ele nos ensinou. Apesar do mal e suas feições assustarem o mundo hoje, nós o venceremos praticando o bem e o amor. Não precisamos de armas e bombas para reafirmar nossa fé. O sinal da Cruz é o sinal mais forte para explicar como o amor vence o mal: entregando a vida, doando a própria vida em favor dos irmãos e irmãs, nossos semelhantes.
           
O mundo não se renovará com violência, arma, ira e ódio, mas sim com o amor, o perdão, a fraternidade e a misericórdia. Enquanto houver quem reze, ame e perdoe a esperança não se apaga. Esperança e Misericórdia de mãos dadas em 2016 é o que desejamos a todos!


Fonte: Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu (SP).

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

DIA MUNDIAL DA PAZ

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!




            Estamos vivenciando as festas natalinas, com a celebração da manifestação do Senhor em nossa vida e história. Nossa atenção se volta ao mistério da Mãe do Senhor sob o título de “Mãe de Deus”.
            Ao afirmar que o Menino, nascido de Maria, é Deus, em decorrência disso, a Igreja proclamou que Maria é Mãe de Deus. E isso não é de agora. Desde muito, nós cristãos honramos “... Maria sempre Virgem, solenemente proclamada Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso, para que Cristo fosse reconhecido, em sentido verdadeiro e próprio, Filho de Deus e Filho do homem, segundo as Escrituras” (UR, n. 15: Decreto conciliar sobre a reintegração da Unidade dos cristãos).
            Neste Dia Mundial da Paz, iniciando um novo ano, a paz é desejada, suplicada como sinal da bênção e da proteção permanente de Deus. É em nome de Jesus, a plenitude da bênção, que invocamos bênçãos de paz sobre nós e sobre os povos em conflito.
            A alegria deverá orientar nossa primeira celebração religiosa do novo ano civil.  As festas e os brindes da Passagem do Ano, geralmente, impedem as pessoas de participarem desta significante celebração. Muitos dormem sua ressaca, outros nem conhecem a profundidade de tão linda celebração, que deveria ter maior prioridade entre os cristãos, especialmente neste ANO  SANTO DA MISERICÓRDIA!  Acolhidos por Maria, Mãe de Deus e nossa, desperdiçamos a oportunidade de pedir a ela que nos acompanhe ao longo dos próximos 365 dias. Neste Dia Mundial da Paz, somos conclamados a fazer nossa a proposta do Papa Francisco: Vence a indiferença e conquista a paz”. O Deus da bênção e da paz nos congregue numa só família.
            O povo pode contar sempre com as bênçãos de Deus. A maior delas é a vinda do seu Filho, graças ao sim de Maria. A exemplo dos pastores, vamos abrir o coração e nos dispor para o encontro com Jesus.
            Deus quer nos abençoar ao longo de todo este ano. Os pastores, gente pobre e desprezada, são os primeiros a ir ao encontro de Jesus. Deus conta com a colaboração humana para realizar seus projetos. Os pastores cheiram mal, pois cuidavam de ovelhas e viviam ao relento. Poderíamos compará-los, em nossos dias, aos irmãos coletores de lixo. Imaginem que eles correm mais de trinta quilômetros por noite, em nossa metrópole rica e privilegiada, recolhendo nosso lixo depositado nas calçadas. Enquanto as autoridades eclesiásticas, políticas, civis e a nata da elite de uma sociedade economicamente privilegiada pensam anunciar o Salvador do mundo, este se revela, através da Corte Celestial dos Anjos, aos preteridos e “fedidos” entre todos: na época os Pastores; hoje, talvez, nossos Coletores de Lixo. Se não estivermos abertos ao diferente, ao simples, e não fizermos a experiência da humildade, deixando de lado nossa prepotência, arrogância, auto-suficiências, corremos o risco de desencontrar-nos com o Senhor que só nasce mesmo em manjedouras simples, humildes, puras e livres para acolhê-lo.
            A exemplo de Maria, humilde serva do Senhor e bendita entre as mulheres, cantemos um hino de ação de graças ao Pai, que nos cumulou de bens por meio de seu Filho.
            A palavra de hoje ressalta a imposição do nome de Jesus, sua inserção na sociedade humana. Como o Filho de Deus, nós também recebemos um nome ligado à nossa existência e à nossa missão. A atitude dos pastores nos ensina a acolher e anunciar a Boa Notícia da presença do Salvador em nosso meio. Com Jesus, nos tornamos herdeiros da salvação e podemos clamar: Abba, Pai, vivendo fraternalmente como irmãos e irmãs.
            Maria, a mãe de Jesus, é imagem da comunidade fiel e comprometida com o plano da salvação.
            Com o exemplo de Maria no seu sim incondicional, assumimos “de boa vontade” a proposta de Jesus de sermos promotores da paz em nossos lares e na sociedade em que vivemos.
            Invoquemos com confiança a bênção do Senhor, o Deus de bondade, sobre todos os povos e nações, neste Dia Mundial da Paz. Que ele guarde, ilumine, mostre a sua face de Pai e dê a paz a todos. Com Jesus, o Filho de Maria, a maior bênção da salvação para toda a humanidade, nos comprometemos a trabalhar alegremente na construção da paz.
            Saibamos rezar por nossos Governantes: os Prefeitos e Vereadores que iniciam o último ano de seus mandatos e os que elegeremos nas eleições de outubro, para promover, além da paz, a maior dignidade de todos os Filhos de Deus. Estejamos atentos e tenhamos a coragem e ousadia proféticas de “cobrar” melhores condições de vida em todos os setores que garantam uma vida digna a cada cidadão, sem nenhuma acepção ou discriminização.
Sejam todos muito abençoados neste Novo Ano que se inicia. Sejamos protagonistas da paz por onde passarmos, exalando o perfume da ternura em nossas relações em todos os níveis: familiar, social, eclesial e político!

Com a mesma ternura, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Nm 6,22-27; Sl 66(67); Gl 4,4-7 e Lc 2,16-21)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Janeiro de 2016, pp. 18-20 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo de Natal – Janeiro de 2016, pp. 51-55.

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! 



         A festa da Epifania celebra a manifestação de Jesus Cristo, luz e salvação de Deus, a todos os povos e nações. Jesus é o verdadeiro Messias, o rei justo, o libertador, esperado por todas as pessoas comprometidas em construir o Reino da justiça. Os sábios do Oriente representam os que se deixam guiar pela luz, pelo projeto de Deus a serviço da vida plena. Eles experimentaram uma grande alegria ao encontrarem Jesus, o rei dos judeus, e o adoram, oferecendo-lhe os seus presentes.
            As promessas das Escrituras acerca do Messias são compreendidas à luz da fé na ressurreição. Quem se deixa iluminar pela sabedoria de Deus, acolhe e reconhece Jesus como o Messias prometido, o portador da salvação a toda a humanidade. A ambição, o poder, como os de Herodes, leva a rejeitar a presença do Salvador desde o seu nascimento. A atitude dos reis, que chegam de longe para adorar o Menino, contrasta com a dos chefes de Jerusalém que tramam sua morte.
            Somos convidados a seguir o exemplo dos magos: guiados pela estrela, caminhar ao encontro do salvador da humanidade. A páscoa de Cristo se manifesta como luz na vida de todos nós que esperamos a revelação do Senhor e ansiamos por unidade, justiça e paz.
            Contemplemos nas leituras a glória do Senhor, luz que ilumina e reúne em torno de si toda a humanidade, e acolhamos com fé a manifestação do recém-nascido, nosso salvador.
            Abandonemos o desânimo e olhemos para frente com esperança, pois a glória de Deus já se manifestou sobre a humanidade. Precisamos descobrir a estrela que nos guie de forma segura ao longo do ano. Já não há povo excluído das promessas divinas, manifestadas em Jesus. Deus se manifesta a todos os povos na pessoa frágil do menino Jesus.
            O episódio dos reis magos acentua o acolhimento de Jesus e sua mensagem pelos gentios e prefigura a missão universal dos discípulos de evangelizar “todas as nações”. É um apelo bem atual para a nossa realidade.  O itinerário percorrido pelos magos propõe o caminho para encontrar Jesus. Ao descobrir os sinais (a estrela), eles se colocam no caminho, perguntam aos que conhecem as Escrituras, procuram até encontrá-lo e o adoram, aderindo a ele com a fé e a vida.
            O encontro com o Senhor transforma a nossa vida. Sua presença e palavra nos iluminam e nos convidam a levantar, comprometendo-nos a construir um caminho novo de libertação. Em Cristo nos tornamos discípulos e discípulas, participantes da mesma herança, do mesmo corpo, da mesma promessa de salvação. A “Epifania” do Senhor nos proporciona viver a comunhão e a fraternidade com todos os povos do universo.
            Lá na periferia, longe do palácio real, “os magos viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” que indicam, respectivamente, a sua realeza, divindade e incorruptibilidade.
            A estrela que leva os cristãos a Jesus nos dias atuais, é a fé recebida, como dom gratuito no dia em que mergulhados no útero da Igreja, a Pia Batismal. Adotados da sabedoria divina, nosso horizonte aponta a “estrela” que nos conduz a Jesus. Além disso, todo cristão é convidado a ser estrela a qualquer pessoa que esteja à procura de Jesus. É interessante que os Magos procuram saber o itinerário com Herodes, porque nem de longe poderiam imaginar que aquele rei não soubesse do acontecido em Belém. Enganados pelo rei invejoso, tomam caminho adverso, depois de encontrar-se com Jesus. Mesmo assim não conseguem evitar que a inveja incontrolável de Herodes mande matar todos os meninos com menos de dois anos de idade. Seria insuportável conceber um rei em seu lugar, ou então, alguém superior a ele.
            Quantas vezes, entre nós, vestimos a inveja de Herodes, degolando (com nossa língua maldosa e “armações diabólicas, porque mentirosas e enganadoras” nossos irmãos por pura inveja?
            Há quem engane o itinerário até Jesus. São aqueles que se rogam o direito de julgar, condenar e despistar, para não dizer, enxotar as pessoas de nossas Comunidades: seja por ignorância, seja por pura inveja, esta que cheira a Herodes!
            Como seria bom e agradável ao Senhor, que a Epifania fosse mais real, sincera, sentida e comprometida em nossas Comunidades Eclesiais, Políticas e Sociais. Ainda há tempo de conversão! Sejamos a Estrela que conduza nossos irmãos a Jesus o Salvador!
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 60,1-6; Sl 71(72); Ef 3,2-3 a.5-6 e Mt 2,1-12)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Janeiro de 2016, pp. 23-26 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo de Natal – Janeiro de 2016, pp. 56-61.