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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Outubro - Mês Missionário!

“Missão é servir”!

“Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 10,44).

Meus queridos Amigos e irmãos na Fé!      
“Estamos no início do mês de outubro, mês missionário, do Rosário, da Juventude, Ano da Paz, Mês que sedia a partir de hoje até o dia 25, o Sínodo Ordinário dos Bispos, convocado pelo amado Papa Francisco, e que se ocupará com a vocação e a missão da Família diante dos desafios de um mundo tão sedento de Deus e valores. 
As leituras do 27º Domingo do Tempo Comum apresentam uma temática sempre atual: a união matrimonial. Fruto do amor de um homem e uma mulher, o matrimônio aparece como projeto de Deus para o ser humano na busca da realização e da felicidade. Esse amor fiel, construído e fundamentado na doação e na entrega, será para o mundo um reflexo do amor de Deus para com o ser humano. Os textos bíblicos situam o debate em seu verdadeiro horizonte, trazendo a intenção originária do Criador. Essa forma enfatiza a fidelidade no matrimônio, proibindo explicitamente o divórcio. O adultério é a ruptura de uma relação que deve ser concebida não como um simples contrato legal, mas como uma disposição de vida, uma aliança estável, à semelhança daquela que o mesmo Deus fez com seu povo, alimentada pelo amor e não pela lei.
            O ser humano foi criado para a comunhão com os outros. A família, comunidade primeira da sociedade, é querida e abençoada por Deus. Solidário conosco e nosso irmão, Jesus nos instrui sobre o profundo sentido do matrimônio. Formamos família que vive a prática do amor fraterno e busca tornar novas as relações entre homens e mulheres, superando preconceitos e atitudes de dominação.
            Os seres humanos foram criados para viver em harmonia uns com os outros. Ao se encarnar, Jesus tornou-se solidário com a humanidade, participando da mesma sorte. O projeto inicial de Deus é homem e mulher vivendo o amor e o benquerer.
            A liturgia proposta para este domingo é uma reafirmação da vocação de todo ser humano: o amor. Sem ele a vida não deixa de ser uma experiência de solidão que condena qualquer um à triste experiência da morte. Como diz São Paulo: “sem o amor, nada sou”.
            Atualmente, a constante mudança dos valores em nossa sociedade, apresentada principalmente pelos meios de comunicação social, dificulta a fidelidade dos esposos. Em muitos casos, uma simples dificuldade já serve de motivo para a separação. Existem uniões que já começam praticamente pensadas para durarem determinado tempo: sem o sacramento, com separação de bens...
            A separação será sempre o fracasso do amor. Só o amor eterno, manifestado em um compromisso indissolúvel, está de acordo com o que o Criador nos ensinou, respeitando desta forma seu verdadeiro projeto.
            É interessante observar como o Evangelho de Marcos, em sua primeira parte trata da fidelidade, do verdadeiro matrimônio e das consequências do adultério. Deus faz aliança conosco. O matrimônio também é uma aliança, que naturalmente implica em fidelidade! Quando rompemos a fidelidade, cometemos adultério. Sou até mais ousado, em pensar, que facilmente nos “prostituímos”, traindo a aliança de Deus conosco! Isso acontece quando mentimos, fingimos e maliciamos pessoas, comportamentos, atitudes, eventos... Depois que Jesus, em casa, orienta seus discípulos sobre o tema da necessária fidelidade em toda relação humana, acolhe as crianças: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o reino de Deus é dos que são como elas”.
            Dois pensamentos merecem nossa atenção. As características da criança que perdemos, tornando-nos adultos: sinceridade, espontaneidade e pureza. Quando crescemos tornamo-nos mentirosos, fingidos e maliciosos. Eis o convite a recuperarmos as características das crianças. A outra questão a ser levada em conta, é que de cada separação, divórcio ou infidelidade, quem mais sofre as consequências do desamor, são as crianças. Os filhos de um casal que, muitas vezes, não passam de um cruel acidente, susto ou simplesmente um detalhe! Pode haver maior irresponsabilidade, egoísmo, desumanidade e insensibilidade? Depois nos perguntamos por que o mundo está tão enfermo, violento, deprimido e desencantado! Ou levamos a sério o amor com sabor divino que nos é permitido viver, ou não ousemos brincar de criaturas humanas, porque nem os animais são tão selvagens como nossa arrogância e prepotência, de queremos ser deuses sobre os outros!
            Inicia-se neste domingo até o dia 25 de outubro em Roma, o Sínodo Ordinário dos Bispos sobre A Família! Será a XIV Assembleia Geral Ordinária, que tratará sobre o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”!
            Neste domingo, levaremos os envelopes para a Coleta das Missões. Seja nossa partilha consciente e generosa. Não deixemos para colocar nossa oferta no Dia Mundial das Missões, 18 de Outubro próximo. Naquele domingo devolveremos nossos envelopes, contendo o resultado do esforço que fizermos ao longo desses dias, partilhando de nossa pobreza, com os Missionários e as Missionárias do Mundo todo, que com inúmeras dificuldades dependem de nossa oferta generosa, para poder anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Seja esta a nossa Coleta mais consciente, porque realizada no Ano da Paz!
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão o abraço amigo,

Padre Gilberto Kasper
(Ler Gn 2,18-24; Sl 127(128); Hb 2,9-11 e Mc 10,2-16)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Outubro de 2015, pp. 22-25 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo

Comum de Outubro de 2015, pp. 38-43.

MISERICORDIOSOS COMO O PAI!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Presidente do FAC – Fraterno Auxílio Cristão e Jornalista.

O Papa Francisco nos convoca a viver um “Ano Santo Extraordinário” no qual coloca em destaque a Misericórdia Divina. Ser misericordiosos como o Pai é um desafio e ao mesmo tempo é nossa vocação, pois fomos criados para ser “imagem e semelhança de Deus”. Como dizia meu falecido pai, a imagem está em nosso rosto, a semelhança está em nossas atitudes. O Ano Santo comemora também os cinquenta anos da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, um marco importantíssimo na vida da Igreja.

                        A Misericórdia é um sentimento nobre, suscita compaixão e perdão; lembra a nossa miséria (miseri) e o coração (cordis) bondoso de Deus. Contudo, no pensamento hebraico, misericórdia também significa aquele sentimento que tem origem nas entranhas maternas (rahamin), semelhante àquele amor do pai que acolhe ao filho pecador e tem carinho com o filho mais velho que não perdoa o irmão. Ser misericordiosos como o Pai é também viver a fidelidade ao seu amor quando amamos e nos preocupamos com nossos irmãos.

                        Ser misericordiosos como o Pai num mundo violento e intolerante é um desafio que nos oferece a chance de apagar as chamas de violência e desrespeito que a vida e dignidade humanas têm sofrido ultimamente. Fanatismo, terrorismo, discriminação, intolerância são sintomas de uma sociedade sem inteligência que não sabe conviver com o diferente e com quem tem opiniões diferentes das que a mídia apresenta. Ser misericordiosos significa apresentar as condições para um diálogo franco e fraterno apontando soluções mediadas pela compreensão e por uma visão abrangente do mundo e da pessoa humana.

Misericórdia não gera resignação, apatia, desmotivação. Ao contrário, suscita esperança num modo de agir que não alimenta violência. A misericórdia alimenta o sentimento da bondade, da nova oportunidade ao passo que a violência mata as possíveis soluções para uma convivência pacífica. Misericórdia é o sentimento que cresce no coração dos que têm certeza que o outro é uma pessoa que merece outra chance, que precisa ser ajudada a se libertar das próprias escravidões e sentir-se novamente amparada por aquele sentimento amoroso que o pai dedicou ao filho mais novo que errou muito longe de casa. (cf. Lc 15).

Ser misericordiosos não é o mesmo que ficar sentados de braços cruzados e esperar a banda passar, mas trabalhar em favor do bem, da verdade, da justiça e da fraternidade. Ser misericordiosos é também gritar em defesa da vida, é desmascarar as mentiras travestidas em propagandas enganosas que desrespeitam o direito do povo ser religioso e ter suas manifestações de fé; é também orientar para o bem os que andam iludidos pelo mal.

Ser misericordiosos é colaborar com a paz e torná-la realidade no meio onde vivemos; é praticar a caridade não por meio de discursos e sim pela atitude não discriminatória nem racista; é também entender Jesus Cristo quando diz “quero a misericórdia, não o sacrifício” (cf. Mt 9,13).

Tomo a liberdade de parafrasear Dostoievki, e escrevo que “a misericórdia salvará o mundo”.


(Fonte: Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu, Diocese de São João da Boa Vista)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - VIGÉSIMO SEXTO DOMINGO COMUM

DIA DA BÍBLIA!

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            Estamos celebrando o último domingo do mês de setembro. Neste dia, recordamos, de uma maneira toda especial, a Bíblia. Nenhum outro livro conseguiu ser traduzido para tantas línguas e chegar a tantos povos como a Bíblia, na qual encontramos a Palavra de Deus. Mesmo escrita há séculos, consegue ser sempre atual e importante para qualquer momento de nossa vida.
            A liturgia deste 26º Domingo do Tempo Comum se apresenta com uma série de ensinamentos, que manifestam a essência da Bíblia. Claramente, podemos ver, pelas palavras de Jesus, que ninguém pode autodenominar-se dono da verdade e muito menos se sentir como exclusivamente único na promoção do bem, em nome de Deus. Temos que ser capazes de reconhecer e aceitar a presença e a ação do Espírito de Deus, através de tantas pessoas boas não pertencentes à nossa instituição, que talvez não pratiquem os mesmos ritos e devoções por nós praticados, nem professem nossa fé, mas que também são sinais do amor de Deus neste mundo.
            O Espírito de Deus não está preso a nenhuma instituição, mas age livremente e pode se servir dos instrumentos mais inesperados. A páscoa de Jesus se manifesta nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam a favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade. Neste dia da Bíblia, acolhamos com alegria a carta que o Pai celeste deixou para cada um de nós.
            Pode haver profetismo ligado a uma instituição, mas existem outros não menos verdadeiros, fato reconhecido por Moisés e por Jesus. A palavra de Deus nos mostra que a defesa dos pequenos e a vivência da justiça transcendem instituições e crenças.
            O dom da palavra para profetizar e anunciar as maravilhas de Deus não é exclusividade de algumas pessoas ou de alguns grupos. Riqueza acumulada é sinal de morte; partilhada, sinal de vida. Venha de onde vier, o bem sempre será bem-vindo.
            A liturgia deste domingo nos coloca, mais uma vez, no contexto do ensinamento de Jesus a seus discípulos, enquanto caminham para Jerusalém. Apresenta alguns elementos importantes que precisam ser continuamente recordados. Tanto a primeira leitura quanto o evangelho, nos recordam que Deus não é propriedade de ninguém. Nenhuma igreja, instituição ou hierarquia possui o monopólio do Espírito, nem pode contratá-lo e, muito menos, acorrentá-lo. O Espírito, porém, está em todos aqueles que, pela prática dos valores ensinados por Jesus, estão abertos e dispostos a assumir o caminho que leva à verdadeira construção do Reino de Deus, que não é comida nem bebida, mas amor, paz, justiça, solidariedade, partilha.
            Nossa comunidade deve ser capaz de promover o diálogo e saber valorizar as ações boas de outros grupos.
            O verdadeiro cristão não tem inveja do bem que outros fazem, não sente ciúmes se Deus atua através de outras pessoas, mas esforça-se, cada dia, por testemunhar os valores do Reino e alegra-se com os sinais da presença de Deus em tantos irmãos que lutam por construir um mundo mais justo e fraterno.
            A postura de Jesus evitou que a comunidade se fechasse em si mesma. Hoje poderíamos até dizer que sua orientação tendeu a um discurso ecumênico. Para reafirmarmos essa postura, é interessante lembrar que, há 50 anos, o Concílio Ecumênico Vaticano II reconheceu a ação do Espírito Santo, no movimento pela unidade dos cristãos.
            O evangelho também nos coloca diante do problema do escândalo dos pequenos na comunidade. É importante entender que “os pequenos” não são necessariamente as crianças, mas os excluídos, os pobres, os doentes, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Originariamente, o sentido da palavra “escândalo” significa “pedra de tropeço”. Então, ai de quem for essa pedra e for causa de tropeço. Ela pode ter até mesmo certas atitudes que não permitem o crescimento da comunidade. Esta é uma advertência especial aos líderes que são os primeiros responsáveis pela comunidade.
            A radicalidade exigida por Jesus não deve ser considerada no âmbito físico. Usando imagens e linguagem tipicamente semitas, Jesus manda cortar e jogar fora tudo o que possa causar problemas, seja no contexto pessoal ou comunitário, mesmo se isso exigir uma atitude drástica, a fim de não sermos motivo de queda para ninguém.
            A Bíblia é a Carta de Amor de um Deus apaixonado pela Humanidade. Orienta-nos, sobretudo neste domingo, à coerência entre o que pensamos, celebramos, rezamos e vivemos em nossas relações humanas. Jesus, Moisés e Tiago são muito lúcidos em suas orientações para nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor. Devemos estar atentos: líderes eclesiais, agentes de pastoral, autoridades religiosas, mas também e, principalmente as autoridades políticas! Ai de nós, se escandalizarmos a quem quer que seja. Geralmente os maiores escândalos são promessas impossíveis de serem cumpridas, mentiras deslavadas, corrupção, desvio de enorme quantidade de verbas, falcatruas escancaradas, subestimando a capacidade de discernimento dos cidadãos. Pior, é quando os eleitores não exercem sua cidadania. Quando votam por interesses pessoais e não pelo BEM COMUM!

            Desejando-lhes bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Padre Gilberto Kasper
(Ler Nm 11,25-29; Sl 18(19); Tg 5,1-6 e Mc 9,38-43.45.47-48)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Setembro de 2015, pp. 78-80 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum – Setembro de 2015, pp. 32-37.