Pesquisar neste blog

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

EDUCAR PARA O ZELO DO AMOR



Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.
 

A Educação tem sido um dos inúmeros desafios da Cultura de Sobrevivência de nosso tempo. Educar para o zelo do Amor já não encontra mais espaço em nossa consciência, já que contra valores chegam sempre à frente. O poder, os bens de consumo, a corrupção, o falso prestígio e a infidelidade prostituem as criaturas que se tornam desumanas na medida em que comercializam o que pensam ser o Amor!

            Santo Agostinho de Hipona afirma com propriedade o que venho observando na relação entre as pessoas hodiernamente: “Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe; outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é caridade!”.

            Como Educar para o zelo do Amor uma sociedade, formada por pessoas com medo de outras pessoas? Uma sociedade que se sacia de “migalhas” e não exerce sua própria cidadania, até porque prefere a hipocrisia?

            Talvez Santo Agostinho não seja tão ultrapassado, como muitos o consideram. Não tenho dúvidas de que é nele que encontramos nova esperança, novas perspectivas, sentido e ânimo de relacionar-nos com maior humanidade:

            “Ama e faze o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”.
            Oxalá descubramos o deleite do verdadeiro amor com sabor divino. A capacidade de amar é privilégio da criatura humana, adornada pela dignidade divina, que se nos é conferida gratuitamente por nosso Criador: “Deus não será maior se o respeitas, mas tu serás maior se o servires!”. Num mundo oco de Deus, poderemos ser a seta da esperança aos outros, se conseguirmos amá-los, mesmo que isso nos custe contradições e dissabores: o amor gratuito devolverá o sabor àqueles que simplesmente amam!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

REFLEXÃO PARA O TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO


GAUDETE – DOMINGO DA ALEGRIA
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Alegrai-vos sempre no Senhor.
De novo eu vos digo: alegrai-vos!
o Senhor está perto” (Fl 4,4s).

            “Celebramos com esperança, otimismo e muita fé o Terceiro Domingo do Advento – Gaudete – DOMINGO DA ALEGRIA! A exemplo do Profeta Isaías, todos devemos nos alegrar, pois o Senhor está próximo. João Batista aparece neste domingo para preparar o caminho de Jesus até nós.
            A Palavra de Deus proclamada neste Domingo nos apresenta o tema da alegria, pois o Espírito do Senhor está sobre nós, nos leva a rezar sem cessar e nos faz reconhecer em João Batista o mensageiro da vinda de Jesus.
“O Espírito do Senhor sobre mim fez a sua unção,
enviou-me aos empobrecidos
a fazer feliz proclamação” (Is 61,1).

            A celebração é momento de exultação, pois Deus está em nosso meio (Ler Is 61,1-2.10-11). A missão de João Batista é apontar a luz para a humanidade (Ler Jo 1,6-8.19-28). O desejo de Deus é ver-nos felizes. Mas o que significa, para nós, ser feliz? (Ler 1Ts 5,16-24).
            Com nossa ação de graças, reconheçamos que se realizou para nós o anúncio da libertação. Nosso Deus nos associa à alegria da sua vida nova” (cf. Liturgia Diária de Dezembro de 2011 da Paulus, pp. 38-42).
“Dizei aos tímidos: coragem, não temais;
eis que chega o nosso Deus,
Ele mesmo vai salvar-nos” (Is 35,4).

            “Por tradição, o Terceiro Domingo do Advento é denominado ‘Domingo Gaudete’, que significa ‘Domingo da Alegria’. Isso, porque a antífona de entrada começa com esta expressão: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor’ (em latim ‘Gaudete in Domino semper’). Esta, portanto, é a chave para a compreensão dos textos bíblico-litúrgicos e eucológicos, assim como dos ritos e símbolos do Terceiro Domingo do Advento.
            A alegria de que trata a Liturgia deste domingo liga-se à proximidade da festa da Natividade do Senhor. A percepção de que já atravessamos mais da metade do caminho rumo à Noite Santa do Natal ilumina a celebração da comunidade de fé. Com razão a Oração da Igreja assim se exprime: ‘Levantai vossa cabeça, pois a vossa redenção se aproxima’. Portanto, o júbilo não se dá somente por que já se aproxima uma ‘data memorável’, mas sobretudo, porque as consequências do Mistério que nela se celebra já podem ser sentidas pela Igreja peregrina.
            O Terceiro Domingo do Advento – Gaudete – é momento de passagem ou transição para a comunidade que celebra, como o fora para os contemporâneos do Batista. Nós, como eles, somos atraídos para a ‘beira do Jordão’, a fim de permanecer de prontidão, à espera da travessia pascal que se inaugura com a revelação de Deus e se plenifica com a encarnação do Verbo.
            Nesse sentido, nosso olhar recai sobre o que se augura com a celebração Eucarística: ‘que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam’. A preparação para a celebração da natividade e manifestação do Senhor na carne exige transpor o Jordão, passando pelas águas que nos liberam da maldade, da corrupção, da morte. Dito de outro modo, ao celebrar o Terceiro Domingo do Advento, a Igreja se alegra por estar à ‘beira’ do Jordão, em poder levantar a cabeça e vislumbrar seu destino, que é a comunhão de vida com o Messias, cujas vozes proféticas de todos os tempos e lugares apontam e prenunciam, segundo a inteligência da fé.
            Dar graças, fazer eucaristia, corresponde de fato ao ‘nosso dever e salvação’, porque é no ato de buscar e reconhecer a presença de Deus, que nos percebemos salvos, mergulhados em sua vida. Damo-nos conta o quanto o Espírito Santo está sobre nós empurrando-nos para que demos testemunho da visita do Messias no mundo, alegrando os tristes, devolvendo a dignidade aos empobrecidos. A ação de graças recomendada por Paulo nos faz reconhecer que tudo quanto fora dito por Deus em promessa, cumpriu-se em seu Filho e se desdobra naqueles e naquelas que o servem e lhe são fiéis. Em suma, nossa fidelidade torna evidente aquele que nos chamou e é fiel no cumprimento de sua Palavra.
AGRADECIMENTO PELA DOAÇÃO NA COLETA PARA A EVANGELIZAÇÃO
            [É o domingo em que deveremos partilhar nossa pobreza, doando generosamente os frutos saborosos de nossos exercícios penitenciais e de abstinência propostos para o rico tempo do Advento! Não devemos dar qualquer “migalha” ou aquilo que nos sobra da compra de presentes de Natal. Recebemos um envelope destinado à Coleta para a Evangelização, que deveremos devolver, contendo o resultado daquilo que deixamos de gastar em favor dos que têm menos do que nós, bem como, para que Jesus Cristo seja conhecido e nosso povo evangelizado de sul a norte de nosso imenso País. Quem não tiver ou esquecer o envelope, coloque na coleta da esmola numa das Celebrações deste Domingo da Alegria sua doação, porque todas as Paróquias e Comunidades endereçarão o que recolherem, à Cúria Metropolitana, que por sua vez dará o destino certo à generosidade de nosso coração. Sejamos, portanto, honestos e justos, porque a Igreja no Brasil sobrevive com nossa corresponsabilidade!]
            Desde o início, a obra de evangelização e o trabalho da Igreja contaram com o apoio espiritual e material de todos os batizados. Motivados pela fé recebida e pela gratidão a Deus, todos os membros da Igreja são chamados a colaborar, de várias formas, para que o dom do Evangelho também chegue a outras pessoas.
            Além de vivenciar concretamente sua corresponsabilidade de batizado pelas obras de evangelização e do sustento de irmãos e irmãs empenhados nestas atividades, a sua participação o tornará mais disponível ao Senhor.
            Esta será a destinação de sua coleta: 45% para a sua Diocese; 20% para as 17 Subsedes da CNBB; e 35% para a CNBB Nacional.
            Deus lhe pague pela contribuição nesta importante coleta” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento In Projeto Nacional de Evangelização 19 – O Brasil na Missão Continental da CNBB, pp. 27-33).
            O grande convite deste Domingo da Alegria – GAUDETE – é transpirar a esperança de que o Natal do Senhor nos ajude a promovermos maior dignidade entre as pessoas, sendo Anjos uns para os outros. Acendo a vela rosa de nossas Coroas do Advento, possamos renovar o propósito de testemunharmos uma fé cheia de alegria, com sabor divino.
            Não esqueçamos de nosso gesto concreto, oferecendo neste ano, como presente de Natal uma Bíblia ao invés de presentes perecíveis. A Palavra de Deus semeada no coração dos que amamos e dos que ainda não a conhecem, não perecerá. Ao contrário será alimento de vida a quem a acolher com alegria!
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

CINQUENTENÁRIO DO SEMINÁRIO MARIA IMACULADA


A celebração de um cinquentenário aproxima as gerações. Nestes cinquenta anos  de  história várias  gerações  se sucederam.  Já   disse  alguém,  com  propriedade, o seminário é a casa mais bonita  da  diocese.   Não  se   trata somente de paredes e jardins, mas da beleza  da  convivência numa comunidade formativa de futuros pastores.

D. Mousinho quis que o seminário fosse dedicado à Imaculada Conceição para que a presença de Maria pudesse incentivar os seminaristas a perseverarem na escuta da Palavra de Deus e aprendessem da mãe de Jesus a servir. Os futuros anunciadores  da Palavra e servidores do povo de Deus têm muito o que aprender na escola de Maria.

A vida de um seminário é marcada por pequenos fatos que levam ao encontro com Cristo. A formação ao ministério presbiteral coloca em  evidência  a comunhão e o serviço. A  comunhão  brota do  encontro  com a pessoa de  Jesus Cristo e  é experimentada  nos  momentos de oração e convivência.  O  serviço marca a vida do presbítero,  portanto esta dimensão do processo formativo tem a sua importância. Servir é amar. É estar totalmente disponível e pronto para a causa do Reino. E estar à serviço na Igreja  significa  amar  uma comunidade concreta.  O tempo dedicado ao estudo é, de certa maneira, o retorno que o seminarista dá aos que o apóiam e sustentam a sua formação.

Todos nós somos gratos às pessoas que apoiaram e apóiam o Seminário Maria Imaculada. Sem a presença dos   formadores,  funcionários  e amigos da casa, especialmente do Movimento Serra, o    seminário   não   teria   percorrido  a sua trajetória.

Nesta  ocasião, expressamos nossa gratidão às paróquias que recebem os seminaristas,  no final  de semana,  para o  estágio  pastoral  e  as campanhas  realizadas  em favor  do  Maria Imaculada. E  com  o  salmista  podemos  dizer:  “Que poderei retribuir ao Senhor por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevarei  o  cálice  da minha salvação, invocando  o  nome  santo do Senhor.” (Sl 115,12-13)
+ Joviano de Lima Júnior,sss
Arcebispo de Ribeirão Preto

"Com alegria, celebramos neste dia 8 de dezembro, a solenidade da Imaculada Conceição. Maria se rejubila no Senhor, pois ele a revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de jóias. Maria aparece na história da salvação como aquela que resgata a imagem da humanidade infiel e colabora para que Deus realize, por meio de Jesus, a redenção universal!" (Cf. Liturgia Diária de Dezembro da Paulus, pp. 31-34).
O Dogma da Imaculada Conceição de Maria foi definido solenemente pelo Papa Pio IX em 1854 com a bula Ineffabilis Deus.
Deus quis, também, uma mãe! Viu como era bom ter uma mãe. Preservou um útero do pecado original, a fim de que se tornasse seu "porta-joias". Gosto de pensar que, quando Deus percebeu o quanto era bom ter uma mãe, também Ele quis uma para si. Uniu o útil ao agradável. Fez-se gente como nós, igual em tudo, menos no pecado e, para isso, guardou Maria Santíssima de qualquer manchinha de pecado, porque Deus não está onde está o pecado, mas se aproxima do pecador arrependido.
Esta Festa, portanto, celebrada no Tempo do Advento, que prepara a vinda de Deus feito criança, convida-nos a engravidar-nos, também, de Jesus Cristo, tornando-nos o seu porta-jóias. Cada vez que o comungamos na Eucaristia, tornamo-nos seu sacrário a ser respeitado e amado por todos com quem vivemos e convivemos. Reconhecer a presença amorosa de Deus entre as pessoas é viver o amor em nossas relações com sabor divino. Eis o segredo da Nova e Definitiva da Aliança de Deus para com a Humanidade!
O Seminário Maria Imaculada, celebra nesta solenidade seu Cinquentenário de Instalação, na cidade de Brodowski. Inaugurado no dia 12 de dezembro de 1961, por Dom Luís do Amaral Mousinho, já foi o maior Seminário do Brasil e, na década de 1990, o maior do Estado de São Paulo. Sua fundação foi em 19 de março de 1945, em Ribeirão Preto. Formou centenas de Sacerdotes para a Igreja.
Para agradecer todos que, de alguma forma, escreveram e continuam escrevendo a história do Seminário Maria Imaculada, teremos uma Missa, presidida por nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Joviano de Lima Júnior, que ao lado de inúmeros Padres, agradece o dom de sua vocação, em seu aniversário de Ordenação Presbiteral, neste dia 8 de dezembro às 10 horas, na Capela Central do mesmo.
Nunca faltem as Vocações Sacerdotais, acariciadas por Maria Imaculada!

Padre Gilberto Kasper
Igreja Santo Antoninho - Ribeirão Preto