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quarta-feira, 15 de maio de 2024

DEUS PERDOA SEMPRE, A NATUREZA JAMAIS!

 DEUS PERDOA SEMPRE, A NATUREZA JAMAIS!



Todos os dias temos assistido desastres climáticos. Uns mais assustadores do que outros. Terremotos, as já sempre esperadas enchentes de verão em nosso amado Brasil, com desabamentos de morros derrubando casas e levando não somente os imóveis, mas ceifando vidas e mais vidas, rodovias se partindo ao meio, avenidas de grandes metrópoles e cidades menores mais parecendo rios com correntezas violentas arrastando tudo que encontram pela frente, como automóveis e nem por último pessoas.


Os geólogos têm dito que tudo isso já é previsto. Que desastres naturais acontecem mesmo, de tempos em tempos, que placas subterrâneas se movem e com isso há a erupção de vulcões adormecidos e que terras tremem, marés sobem vultuosamente com tais deslocamentos.


Os ambientalistas advertem há décadas, de que o desrespeito para com a natureza surpreenderá os habitantes do Planeta com catástrofes, como as que assistimos agora. Desmatamentos, explorações e grilagens ilegais, invasões irregulares de Biomas, que deveriam ser protegidos tanto pelo Estado como por seus cidadãos, as tímidas políticas públicas, que contemplem especialmente moradias dignas para milhões de brasileiros que ainda vivem em barracos, comunidades (favelas), nas encostas de morros perigosos, criaturas humanas obrigadas a viverem como bichinhos engaiolados, por conta de uma Cultura de Sobrevivência.


A ganância de alguns que se endeusam sobre a maioria das pessoas, pode ser uma atitude que promova as catástrofes naturais, a cada ano mais frequentes. Porém, na hora em que a natureza reclama seu espaço de volta, não escolhe pobres ou economicamente privilegiados. É verdade de que os mais vulneráveis, aqueles que sobrevivem em casebres, barracos nas encostas dos morros que tantas vezes deslizam, são os que mais sofrem e até morrem nessas tragédias. Mas a natureza também engole automóveis importados, mansões, sítios e fazendas de alto nível.


Há poucos anos os desastres naturais atingiram inúmeras regiões de nosso País Tropical. No ano passado foi a vez do Rio Grande do Sul, em plena primavera com três ciclones, depois de prolongada seca. Nem bem o povo atingido, especialmente no Vale do Taquari conseguiu se reorganizar, limpando e reconstruindo suas moradias, agora no outono, um desastre natural (ou nem tão natural assim) atinge todo o Estado do Rio Grande do Sul, colocando nossos irmãos gaúchos em plena situação de vulnerabilidade. A solidariedade se faz, mais uma vez, sensível. O País inteiro se mobiliza para amenizar o sofrimento de nossos queridos irmãos gaúchos. A tragédia climática interrompe tantos sonhos de pessoas queridas e trabalhadoras, que ao longo de uma vida inteira construíram suas residências, destruídas em alguns minutos ou horas.


De quem seria a responsabilidade de tudo isso? Penso que é hora de olharmos para dentro de nós. Procurar culpados fora de nós, pode não nos responder à pergunta: De quem é a culpa? De Deus? Do Homem? Da Natureza? Ora, Deus perdoa sempre, o homem de vez em quando, a natureza jamais. A simples falta de educação básica, que faz com pessoas atravessem a rua para deixarem seus lixos nas calçadas ou portões de outros, como acontece quase que diariamente, na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, torna-se responsável ou culpada pelo desequilíbrio ambiental e ecológico.


Enquanto não tomarmos consciência da parcela de nossa responsabilidade pessoal diante do meio ambiente, da natureza tão perfeita que de graça recebemos para viver felizes e não simplesmente sobrevivermos, os desastres naturais continuarão ocorrendo, em qualquer uma das estações. Penso que a urgente atitude nossa deve ser o respeito. O respeito talvez não resolverá o estrago já feito, mas ajudará a amenizar nossas condições de vida, como seres humanos.


No próximo artigo manifestarei a gratidão a tantas pessoas lindas e queridas, que não mediram esforços nas centenas de iniciativas de mutirões de doações. Só mesmo Deus para recompensar corações por tanto!


Respeitemos com ternura e gratidão a Deus que perdoa sempre, ao homem que perdoa de vez em quando e a natureza que não perdoa jamais.


Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 8 de maio de 2024

SER MÃE!

 

SER MÃE!

 

O mês de maio começa celebrando a Festa de São José, operário, embora seja bem mais dedicado à MULHER! Comemora as Noivas, as Mães e é considerado pelos cristãos católicos, um mês dedicado à MARIA, Mãe de Jesus. O convite do Papa Francisco, especialmente para o mês de maio, é que rezemos em Família, todos os dias, o Terço. Será a Igreja Doméstica pedindo proteção a todos os filhos de nossa Mãe comum. “A Família que reza unida, permanece unida”, especialmente diante de tantos desafios e dificuldades!

Gostaria de refletir muitos temas, mas pensei em escrever algo sobre o sentido da maternidade cristã, a partir das milhares de mães que assumem seus filhos sozinhas. São as que nossa sociedade chama de “mães solteiras”! É interessante observar que nunca ouvi ninguém chamar uma mãe, casada, direitinho, ou cujo pai assume com ela os filhos, de “mãe casada”!

Continuamos com o péssimo hábito de discriminar as pessoas, vivendo, muitas vezes, às escondidas, disfarçando gravidez antecipada, aliás, nas últimas décadas, a maioria das crianças nasce aos sete meses, ou me engano? Casamentos ou contratos de estabilidade conjugal forçados, que não passam de hipocrisia, para não admitir, ou então não se sentir motivo de conversinhas de vizinhos maldosos seriam válidos? Certamente a gravidez simplesmente, sem a certeza do amor gratuito, com sabor divino, profundo e verdadeiro, não é razão suficiente para “mentir” fidelidade diante de testemunhas, de ministros assistentes a matrimônios com aparatos megalomaníacos, como fotografias, filmagens, festas em renomados espaços de elegância exacerbada. São simplesmente nulos. Não acontece então o verdadeiro sacramento, eis uma farsa.

Penso que estaria na hora de revermos o verdadeiro sentido da maternidade cristã. O que significa ser mãe, com ou sem parceiro? Ser mãe implica uma vocação específica, sublime, nobre e abençoada por Deus, o Criador. Ser mãe é gerar vida com amor. Para ser mãe de verdade, é preciso “fazer amor” e não simplesmente relação sexual por mero prazer hedonista. É, por isso possível, dissociar vocação ao matrimônio da vocação materna? Penso que não. Quem se casa sem querer constituir Família, utiliza-se de uma Instituição Sagrada: A Família, colocada de bruços nas últimas décadas, que continua sendo a célula da sociedade. Precisa urgentemente ser reerguida e reassumida por pessoas que ainda acreditam em valores humanos e promovem a pessoa na sociedade, que ao contrário, a coisifica.

Quero, neste mês de maio, prestar minha homenagem muito terna, às mães que chamam de “solteiras”: mulheres corajosas, especiais, que desempenham também o papel de pais, para educar e amar divinamente os filhos que geraram, tantas vezes com dificuldades impostas pela própria família, pelos parentes e por uma sociedade que precisa ser mais amorosa, fraterna e misericordiosa com elas. Quem julga, fala mal, condena e determina a sentença sobre qualquer pessoa e seu comportamento, ousa prepotentemente ser deus sobre o outro. Minha ternura a todas as Mães do mundo, sobre as quais invoco as bênçãos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José!



Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

TRABALHO DIGNO AO INVÉS DE EMPREGO!

 TRABALHO DIGNO AO INVÉS DE EMPREGO!


No Dia do Trabalho partilho alguns pensamentos contundentes e coincidentes aos meus, de um querido amigo no Sacerdócio, o Padre João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu, da Diocese de São João da Boa Vista. Sei que os leitores se identificarão com as reflexões que seguem e tentam enriquecer nossa cidadania e dignidade!


As pessoas já não buscam trabalho digno, que as realize, porque a Cultura da Sobrevivência as obriga a contentarem-se com qualquer emprego, que lhes garanta o mínimo para sobreviverem, alimentando assim, suas famílias! Na Alemanha vive-se para o trabalho, já no Brasil trabalha-se para viver! A mão de obra está cada dia mais deficiente. As perguntas nas entrevistas são: quanto vou ganhar, quando vou folgar e no final, o que deverei fazer por esse salário. Os direitos não dão as mãos aos deveres. Se sobrepõem a eles. Muitos ainda preferem viver das “bolsas daqui e de lá”! Por que trabalhar, se posso ganhar sem nenhum esforço? Que dó ter de ser assim!


 As notícias veiculadas em rede nacional, continuam falando diariamente de corrupção, propina, delação premiada, formação de quadrilha, cartéis... Parece um curso de bandidagem gratuito e à distância.  Quando escuto os bilhões de dinheiro ilegal, desviado ou dado em propina, as propriedades que aqueles senhores ajuntaram e a vida que levavam até serem descobertos, vejo o desrespeito com que é tratado o povo brasileiro e as empresas públicas. As pessoas querem dinheiro fácil, rápido e a qualquer custo, jogando no lixo a honestidade e a retidão moral.


O “apego ao dinheiro” é a raiz de todos os males, já ensinava São Paulo na carta que escreveu a seu discípulo Timóteo (cf. 1Tm 6,10). Tal apego se transforma em idolatria desavergonhada em que “ter” dinheiro se torna a coisa mais importante na vida; tudo depende do tamanho do saldo da conta bancária. Dinheiro também responde por uma parte da afetividade, pois alguns entendem que serão notados conforme a etiqueta da roupa, a marca do sapato, o restaurante e o perfume que mostram um certo “poder” aparecer ou acumular certas amizades influentes. O apego ao dinheiro esfria o amor e acende a idolatria que, de certa forma, mata o que é moral e correto. O desejo de ganhar muito dinheiro e sem muito esforço faz com que situações aparentemente simples, se tornem o início de grandes golpes futuros. A corrupção grande e badalada começa quando não devolvemos a moeda que recebemos “a mais” no troco; ou quando, em lugar do troco, recebemos uma balinha; a corrupção grande começa na pequena esperteza que, quando chega a golpes grandes leva os seus autores à pena de morte.


“A corrupção fede”, afirmava o Papa Francisco numa visita pastoral que fazia na Itália. O dinheiro que alimenta a corrupção é aquele que faz falta na educação, na saúde, nos hospitais; é o dinheiro que falta nos financiamentos escolares, que atrasa as pesquisas científicas e que clama aos céus por justiça. É o dinheiro que poderia ser revertido aos nossos Projetos Sociais, como os do FAC – Fraterno Auxílio Cristão, que muitas vezes, por falta de recursos necessários é remetido à UTI em coma induzido. Dinheiro de corrupção é dinheiro injusto conseguido com o sacrifício dos pobres que carregam e suportam a pesada carga de impostos do nosso País.


Acabar com a corrupção é o sonho e o desejo que invade o coração dos que alimentam a esperança na “verdade que liberta” (cf. Jo 8,32); extirpar esse mal que varre parte da vida humana é resgatar o valor do que seja “bem comum”, que é para todas as pessoas e é muito mais amplo que “bem estar pessoal”. E para que isso aconteça serão necessárias muitas batalhas em favor dos valores que fazem crescer o Reino de Deus entre nós. Não basta só constatar a corrupção e ficar indignados com ela. É preciso agir para que esse “câncer” social não destrua as boas ações em favor da restauração da sociedade. A omissão e o descaso são tão graves quanto o veneno anestésico das câmaras de gás dos campos de concentração.


Uma ação permanente e organizada no bem e nas virtudes do Evangelho servem como itinerário para a conversão pessoal e social desse mundo em que vivemos. Afinal, depois de mortos só levaremos o que couber em nossa pequena condução. E que São José, Operário, o Protetor dos Trabalhadores e Intercessor de uma “boa morte” nos inspire e ajude muito!



Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo