Pesquisar neste blog

quarta-feira, 8 de julho de 2020

PARÓQUIA SANTA TEREZA DE ÁVILA!


Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Tereza de Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

Em tempo de Pandemia a Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto realizou sua VIIIª Promoção da Pizza, a 1ª desde minha chegada àquela dinâmica e tão dedicada Comunidade Paroquial. Foi um verdadeiro sucesso. A ideia foi de um pequeno grupo de Paroquianos, animados e coordenados por Verônica, Marta, Viviane entre outros.

Minha posse como Pároco no dia 1º de março deste ano aconteceu com grande participação de paroquianos e amigos de todos os lados, não obstante com o novo Coronavírus já rondando entre nós. Conseguimos reunir 25 agentes de pastoral numa primeira reunião de mútua apresentação, no dia 5 de março, sem imaginar que em 20 dias, teríamos decretada a “Calamidade Pública” em nossa cidade. Conseguimos celebrar dois finais de semana, conhecer pouquíssimas pessoas, aguardando a indicação de agentes comprometidos com a Paróquia, com a finalidade de formarmos os Conselhos Econômico, de Pastoral e a Equipe de Eventos. Porém, seguindo as orientações de nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, já no dia 17 de março fechamos a Igreja, e passamos a celebrar sem a presença física dos fiéis, transmitindo ao vivo, as Missas e outros Momentos Celebrativos. Igualmente foram canceladas todas as reuniões previstas, evitando assim aglomeração de pessoas, para colaborarmos na contenção da proliferação do vírus. Percorri inúmeras vezes as ruas vazias da Paróquia, sem, no entanto, conhecer, a não ser um pequeno grupinho de pessoas, que auxiliam nas celebrações transmitidas pelo YOUTUBE da Paróquia e o Facebook Johny Velocímetros.

Por iniciativa desse pequeno grupo de fiéis, resolvi apoiar a VIIIª Promoção da Pizza. Foi a primeira com minha participação. Em duas semanas vendemos 520 Pizzas que foram entregues no dia 27 de junho. Foi a partir dessa promoção que pude observar e conhecer o grau de comprometimento das pessoas com a Comunidade Paroquial. Minha impressão já era das melhores, porque nesses meses de Igreja fechada, o Povo querido da Paróquia Santa Tereza de Ávila continuou mantendo as despesas paroquiais com a valiosa contribuição do Dízimo. Não seria de se estranhar que as receitas diminuíssem por não nos encontrarmos fisicamente. Pelo contrário, as receitas aumentaram, o que demonstrou o compromisso de um Povo evangelizado zelando por sua Comunidade de Fé, Oração e Amor.

Encantador foi a participação magnífica de todos, que de alguma maneira colaboraram com a Promoção da Pizza. Desde a coordenação aos amigos que, sensibilizados, adquiriram suas Pizzas e elogiaram tanto a organização nas vendas, na entrega, como também os sabores das Pizzas adquiridas.

Para quem desejar unir-se a nós, poderá entrar em contato com nossa Secretária Márcia pelos telefones: (16) 9.8196-7344/ (16) 9.9327-1147 ou realizar sua oferta, bem como dízimo: Arquidiocese de Ribeirão Preto – Paróquia Santa Tereza de Ávila – Banco 033 Santander – Agência: 3998 – Conta Corrente: 13002132-7 – CNPJ: 45.231.560/0074-40. Quem efetuar algum depósito peço por favor, que se identifique, a fim de agradecermos!

Invocando abundantes e preciosas bênçãos de Deus, por intercessão de Santa Tereza de Ávila, expresso minha mais profunda ternura e gratidão a todos. Eis um sinal de ânimo e de perspectivas da realização de grandes obras em favor do anúncio do Reino de Deus, porque será muito lindo poder contar com pessoas tão queridas e acolhedoras, sedentas de viverem a experiência da unidade, da comunhão e da fraternidade eclesial e pastoral nesta já tão amada Comunidade Paroquial. Além da manutenção hodierna, nos aguardam algumas reformas urgentes tanto no Templo como no Salão Paroquial.

“O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas” (Santa Tereza de Ávila).



quarta-feira, 1 de julho de 2020

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! 



            A Palavra de Deus do Décimo Quarto Domingo do Tempo Comum trata da vocação, do chamado recebido pelos profetas, pelos apóstolos, pelos discípulos e por todos os que se reúnem, para serem enviados na força do Espírito Santo.
            Jesus foi rejeitado porque se apresentou como um trabalhador que cresceu em Nazaré ao lado de parentes, amigos e conhecidos. Seus conterrâneos não descobriram nele nada de extraordinário que o identificasse com o Messias de Deus. Mas o extraordinário está justamente aí: no fato de não ter nada que possa diferir da condição humana comum.
            O Filho de Deus se fez como qualquer um de nós. Muitos afirmam que não creem porque não veem. Os conterrâneos de Jesus não creem justamente porque veem Jesus trabalhador, o filho de Maria, um homem do povo, que não frequentou nenhuma escola superior, um homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante. O escândalo da encarnação continua sendo um espinho atravessado na garganta de muitos cristãos de boa vontade. Isto faz pensar no desafio que é a encarnação do Evangelho na realidade do povo.
            A Palavra de Deus nos faz um apelo: não depositar nossa confiança nos grandes. Também não precisamos ter medo de nossa pequenez e fraqueza. Na trajetória de Jesus, o maior fracasso se transforma em vitória e ressurreição. Junto a Ele, há lugar para os fracos. Em Cristo, somos fortes.
            Jesus fica admirado com a falta de fé das pessoas de sua terra, as quais não acreditam que Deus possa falar através de pessoas simples. A Palavra de Deus se reveste de roupagem humana e vem a nós com o auxílio da história e de pessoas frágeis, enviadas por Ele.
                        A fraqueza humana dos enviados por Deus cria um espaço de liberdade; quem ouve pode decidir a favor ou contra. Às vezes, gostaríamos que Deus se revelasse mediante atos maravilhosos e, assim, evitaríamos o trabalho de discernir quando e por meio de quem Deus se revela.
            Jesus se fez servo e, por isso, entra em choque com os que preferem o privilégio e o poder. A encarnação continua nos questionando e nos empurrando para a missão junto aos marginalizados e enfraquecidos.
            Neste ano de tantas crises políticas, sanitárias, econômicas, éticas e morais, é preciso saber distinguir os poderosos que se revestem de aparente humildade para manipular e enganar o povo, em proveito próprio. É muito comum, também entre nós, considerar o poderoso como único capaz de realizar algo pelo povo.
            O Documento de Puebla nos fala do “potencial evangelizador dos pobres”. O que podem nos dizer os pobres, os deficientes de nosso país? Aceitamos a revelação de Deus vinda na fraqueza de nossos irmãos e irmãs, na simplicidade do dia a dia?
            A Palavra de Deus nos convida a renovar nossa adesão a Jesus, consagrando-nos mais generosamente à causa do Reino. Essa nossa profissão de fé nos leva a confirmar que seguimos aquele que foi rejeitado por ser trabalhador, filho de Maria, uma pessoa comum de seu tempo, vindo de uma aldeia e, por isso, motivo de desprezo e rejeição.
            Acima de qualquer expectativa humana, o Senhor manifesta sua grandeza na singeleza do pão e do vinho, frutos da terra e do nosso trabalho. Na simplicidade da partilha. Ele nos confirma no seu caminho. É em nossa fraqueza que Deus continua manifestando sua força.
            Todo ser humano é chamado à Vocação ao Amor! Ela é a primeira vocação e o fundamento de todas as demais, as chamadas Vocações Específicas! O cristão, tendo consciência de sua vocação ao amor, só consegue viver sua Vocação Específica, na medida em que se configura com Jesus Cristo: na sua humildade, no seu espírito de serviço, na sua simplicidade e no seu total desapego de prestígio, poder, ganância, acúmulo de bens e diplomas. Não poucas vezes nossa vontade de queremos ser melhor do que os outros, bem como a acepção e discriminação de pessoas de nossas relações, desfiguram nossa missão de discípulos verdadeiros. Somos convidados a superar a inveja, a busca de prestígio, o “querer aparecer-se diante dos outros”, o “tentar esconder nossos defeitos atrás dos defeitos dos outros”, assumindo com simplicidade nossa história e nossa vida do jeito como ela é. As falsas aparências, aquelas que enganam os outros, são abomináveis ao Reino de Deus que deve ser sempre anunciado com nossa própria vida, mesmo que nem sempre compreendidos, aceitos, reconhecidos por uma sociedade que pensa sustentar sua sobrevivência sobre a hipocrisia. Quantas pessoas conhecemos que tentam comprar o prestígio, pagam preços altos, muitas vezes pisando sobre os mais fracos, para subirem na vida, aparentemente, porque se consideram superiores. Como é feio achar que os outros são feios e nós os bonitinhos! A fome de querer ser melhor nos consome e nos apodrece, enquanto a fome de ser humilde, simples e desapegado de qualquer prepotência, é saciada pelo próprio Cristo, que se dá em alimento vital, a fim de tornar-se o refúgio dos justos!

            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler Zc 9,9-10; Sl 144; Rm 8,9.11-13 e Mt 11,25-30).
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Julho de 2020, pp. 25-32 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Julho de 2020) pp. 35-39.
           


ÓCULOS DE DEUS!


Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Tereza de Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

Ao participar de um curso para formadores de seminários, em Vitória (ES), no ano de 1996, ouvi uma estória que gostaria de partilhar com os estimados leitores. Gaston de Mezerville, psicólogo especializado na formação de formadores de seminários a contou. Livremente a traduzo para nossa reflexão, do espanhol para o português.

Numa pequena cidade, certa vez morreu um agiota. Foi para o céu. Estando diante da porta entreaberta do céu, nem ele acreditou poder estar ali. A porta do céu estava entreaberta, mas não havia ninguém para recebê-lo. Nem mesmo São Pedro, a quem costumamos atribuir a tarefa de acolher as pessoas na porta do céu. Não havia ninguém e não se ouvia nada. Nenhum barulho de anjos, santos, enfim, o céu estava vazio, embora com a porta entreaberta. O agiota entrou. Entrou e sentiu-se como nunca: leveza de alma, serenidade e harmonia indescritíveis. Foi adentrando e conhecendo cada cômodo do céu, mas não via ninguém. Um profundo silêncio pairava no céu.

Chegou diante de outra grande porta, sobre a qual havia um letreiro: Escritório de Deus! Também aquela porta estava entreaberta, mas não havia ninguém. O agiota entrou. Viu uma mesa, atrás dela uma grande cadeira, diante da mesa um banquinho e sobre a mesa os Óculos de Deus!

Imediatamente colocou os Óculos de Deus e passou a ver tudo como Deus certamente vê: o universo inteiro de uma só vez. Minuciosamente procurou sua cidadezinha. Lá viu seu sócio de agiotagem ameaçando uma pobre viúva que não tinha como lhe pagar os altos juros do empréstimo que fizera. Com os Óculos de Deus viu a injustiça que o sócio cometia. Não pensou duas vezes em fazer justiça para com a pobre viúva. Tomou o banquinho diante da mesa, mirou a testa do sócio e a jogou em sua direção. O sócio teve morte instantânea. Feito isso, ouviu barulho de anjos, santos, até de Nossa Senhora no céu. Era toda a corte retornando de um piquenique celestial. Virando-se, viu também Deus, parado na entrada do escritório. Colocou de volta os Óculos de Deus, desculpou-se e tentou justificar sua entrada no céu, porque encontrara a porta entreaberta.

Deus lhe perguntou o que acabara de fazer. O agiota, todo orgulhoso, contou a Deus o que vira com os óculos sobre a mesa e que fizera justiça com uma pobre viúva, que estava sendo ameaçada por seu sócio. E Deus começou a chorar. O agiota, comovido disse: “Por que o Senhor chora? Não agi corretamente fazendo justiça?” E Deus respondeu entre lágrimas: “Que pena, meu filho. Você fez sim justiça com os Óculos de Deus. Mas o que eu esperava mesmo, é que amasse e tivesse misericórdia com o Coração de Deus”!

Eis o que Deus espera de nós: promover a justiça com Seus olhos, mas sem deixar de amar e ser misericordiosos com o Seu coração! Espero muito que a Pandemia a que fomos submetidos tenha trazido aos porões de nossa intimidade maior espírito de fraternidade, amor desinteressando e capacidade de respeitar o “diferente”, mas principalmente de perdoar, como também nós, pedimos sermos perdoados!