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quarta-feira, 8 de junho de 2016

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO-PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

“E Jesus disse: ‘Teus pecados estão perdoados’.
Tua fé te salvou. Vai em paz!’” (cf. Lc 7,48.50).

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            Para entender a Palavra deste domingo, imaginemos ver em Jesus um ser humano perfeitamente integrado. Homem totalmente simples, humilde, transparente, livre, sem armaduras, sem couraças, sem preconceitos, sem complicações... Decididamente centrado apenas na essência de nossos corpos, para além dos nossos padrões egoicos, limitados, transitórios, perecíveis, cujas absolutizações ameaçam sempre comprometer a qualidade da vida das pessoas... Humano assim, só Deus mesmo! Jesus é divinamente humano.
            Não estranha, pois, que esse Jesus aceita tranquilamente tomar a refeição na casa de um “crítico” fariseu. Na mesma casa, tranquilamente se deixa perfumar, banhar e beijar por uma prostituta aos prantos. Por que esta mulher estigmatizada como pecadora agiu assim? Porque sentiu em Jesus o único homem capaz de “tocá-la” como ela – talvez inconscientemente – sonhava que alguém a tocasse. Tocá-la em profundidade, para além do corpo dela, em sua essência, em sua alma. No corpo de Jesus, em seu olhar, em seus gestos, ela vislumbrou aquilo que mais buscava: o verdadeiro amor, divino amor, compreensivo, acolhedor, todo perdão, fonte de paz imorredoura. De fato, neste Jesus misericordioso, que ali se deixa “tocar” pelos perfumes, pelo banho das lágrimas e beijos dela, ela mesma se encontrou: experimentou-se conectada à sua própria essência, à sua “imagem e semelhança” com o mistério que nos transcende, conectou-se “consigo” mesma e desmoronou aos prantos...
            O fariseu, fechado em seus padrões egoístas, rigidamente identificado apenas com seu “papel” religioso, portanto cego para o mistério de Deus no mistério do humano, não consegue entender a atitude da mulher. Muito menos consegue entender a de Jesus. Não percebe em Jesus o divinamente humano, a presença do amor misericordioso do próprio Deus. Por isso, no fundo, nem lhe dava muita importância, o que se traduziu no modo um tanto displicente como o acolheu em sua casa. Bem outra foi a atitude daquela prostituta, porque intuiu quem de fato era Jesus, sua atitude foi de franca, confiante e emocionante acolhida do divino amor ali presente, que não a condena, mas a perdoa totalmente e lhe resgata a verdadeira paz.
            Quantos de nós, clérigos e bons leigos, em nossas Comunidades nos revestimos do anfitrião fariseu, julgando os outros com pressa, pensando-nos “deuses” sobre aqueles que consideramos “os prostitutos e as prostitutas” de nosso tempo? Como nossa capacidade de perdoar ainda está aquém do que o Cristo espera de nós, Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia! Cheios de regras, normas, exigências complicadas, preconceituosos nos achamos os “certinhos”, só porque nossos defeitos e pecados talvez mais mal cheirosos do que os das “prostitutas” de hoje continuam anônimos. Não tenho dúvida de que isso é abominável a Jesus, cheio de amor e misericórdia, que não cansa de exalar sua ternura junto aos que se arrependem e se voltam, mesmo que aos prantos diante dele.
            A Eucaristia é o memorial do amor de Deus, que a todos estende seu perdão e a todos acolhe. Dispostos a deixar Cristo viver em nós, somos convidados a celebrar em comunhão com aqueles que são discriminados por motivos diversos e rezarmos por todos os sofredores de nossa comunidade.
            Diante do arrependimento e do amor que a pessoa demonstra, Deus mostra-se compassivo e disposto a perdoar o pecador. Animados pela fé em Jesus Cristo, acolhamos a palavra que nos salva.
            O amor de Deus supera nossos pecados. O amor e o perdão andam de mãos dadas. A fé em Cristo nos salva e nos leva a agir como ele.
            Como vemos, pois, protagonista da liturgia deste domingo é o amor de Deus que, na pessoa de Jesus, se doa como perdão para todos nós pecadores, homens e mulheres... Experimentar a misericórdia de Deus, encontrar o seu perdão, significa para o ser humano viver a alegria profunda do retorno à casa do Pai, encontrando aquela dimensão essencial de paz, de serenidade, de comunhão com Deus e de harmonia interior consigo mesmo e com as outras pessoas.
            A grande lição que hoje podemos tirar é esta: São amigos de Deus (“justos”) aqueles que reconhecem diante de Deus sua dívida de amor e dele recebem remissão. Então, abrir-se-ão em gestos de gratidão, semelhante ao gesto da pecadora.
            Feliz daquele que tem a capacidade de perdoar sempre. Mesmo que a pessoa a ser perdoada não o mereça segundo nossos critérios. Mas perdoar para que eu experimente a recompensa da paz interior. Logo, perdoar não significa esquecer, mas lembrar sem rancor, nem raiva e muito menos ódio.
            Sejam todos sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço fiel e amigo,

Pe. Gilberto Kasper
            (Ler 2Sm 12,7-10.13; Sl 31(32); Gl 2,16.19-21 e Lc 7,36-50-8,1-3).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Junho de 2016, pp. 44-47 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Junho de 2016), pp. 30-35.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

III Jornada da Comunicação - Ribeirão Preto


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!
E Jesus o entregou à sua mãe”
(cf. Lc 7,15).

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

O Décimo Domingo do Tempo Comum nos apresenta Jesus Cristo que “veio devolver a vida”, especialmente aos Brasileiros que vivem uma cruel Cultura de Morte: abandonados pelos Governantes; por uma melhor Educação Básica e Ensino Fundamental e Médio; entregues à falta de oportunidades e perspectivas; engolidos pelas drogas e balas de “acerto de contas” em tenra idade; inclinados à violência disparada e à promiscuidade de contra valores. “Mártires da Corrupção” (cf. Papa Francisco).
            Em Israel, no tempo de Jesus, a situação da mulher viúva era a pior que existia. Ela tinha que se “virar sozinha” para sustentar a si e aos filhos. Os filhos eram para ela a esperança de sua velhice. Agora imaginem a situação de uma viúva cujo filho único vem a morrer. Pois bem, a Palavra de Deus nos conta neste domingo como respectivamente Elias e Jesus ressuscitam um filho de uma viúva: Elias, com muito trabalho; Jesus, com um toque de mão. Se Elias era um homem de Deus, um profeta, Jesus é o Senhor, e o povo exclama: Um grande profeta nos visitou! Deus visitou o seu povo!
 Vivemos num País com tantos contrastes, disparidades, injustiças e maus exemplos que emanam dos próprios Poderes do Executivo, Legislativo e Judiciário, covardes pelas urgentes Reformas Política, Econômica, Judiciária e nem por último ética e moral! Um País que ignora direitos de defesa de brasileiros reféns da corrupção, e nem mesmo se envergonha disso!  Mas o que importam as pessoas e suas famílias, já que nossos governantes estão tão ocupados em “maquiar” a inflação e uma economia onde o tomate custa R$ 9,00 numa semana e R$ 1,89 noutra?...
            Deus visitou o seu povo! E como o fez? Sabemos que quando um governador ou presidente visita uma cidade, dificilmente vai parar para se ocupar com um cortejo que casualmente cruza seu caminho. Vai ver o prefeito, isso sim. Mas o Filho de Deus se torna presente à vida de uma pobre viúva que está levando seu filho – sua esperança – ao enterro. Deus visita os pobres e os pecadores: a viúva, Zaqueu, o padre que um dia escorregou e é catalogado pelos próprios irmãos como um inútil, os casais em situações chamadas irregulares e tantos outros que discriminamos como se fôssemos Anjos sem defeitos... Aqueles que são abandonados pelos outros. Em Jesus, Deus nos mostra o caminho que conduz aos marginalizados.
            A divina Palavra nos mostra que o sistema de Deus é bem diferente do nosso. Enquanto que nós gostamos de investir naqueles que já tem poder e influência, Jesus começa com aqueles que estão à margem da sociedade. O Reino de Deus começa na periferia. E revela-se um Reino de vida para os deserdados. Exatamente como nosso Papa Francisco nos pede, sejamos Igreja: irmos às periferias existenciais de nossas Paróquias e Comunidades!
            Há ainda mais outro detalhe. A visita de Deus leva o povo também a sentir uma natural responsabilidade: a responsabilidade da gratidão. O que o povo fez? Ele espalhou a fama de Jesus por toda a região. Mostrou que soube dar valor à visita que recebeu. A Igreja terá de celebrar a mesma gratidão por Deus, que fez grandes coisas aos pequenos. Muitos ainda não são capazes disso. Não sabem se alegrar com a visita de Deus aos pequenos. (É tão comum entre nós, até mesmo os padres, tal comportamento. Não conseguimos alegrar-nos com o zelo, a sensibilidade e os êxitos dos irmãos: é pura inveja clerical!) Por isso lhes escapa a grandeza da visita. Mas, afinal, quando é que sentimos Deus mais verdadeiramente próximo de nós: ao se realizar uma grande solenidade, ou quando um gesto de amor atinge uma pessoa carente?
            Somos convidados a fortalecer nossa fé no Deus da vida. Cristo vencedor da morte nos estende sua mão, animando-nos a sair da nossa prostração, indiferença e falta de fé.
            A viúva faz a experiência do Deus que promove a vida, não a morte. Em Jesus, Deus veio visitar seu povo necessitado de compaixão e vida. A missão de Paulo é a mesma dos apóstolos que conviveram com Jesus, assim como também a nossa missão é a mesma de Paulo.
 No próximo dia 13 de Junho, celebraremos o Padroeiro de nossa Reitoria, em seu 113º ano de Fundação, Santo Antônio, Pão dos Pobres! A Missa com a solene Bênção dos Pães aos Pobres e Enfermos será às 8 horas, mesmo sendo, neste ano, numa segunda-feira!

            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler 1Rs 17,17-24; Sl 29(30); Gl 1,11-19 e Lc 7,11-17).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Junho de 2016, pp. 26-28 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Junho de 2016), pp. 25-29.