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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ADVENTO É TEMPO DE ALEGRIA!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Presidente do FAC – Fraterno Auxílio Cristão e Jornalista.

A maior de todas as alegrias emana do nosso encontro com Deus. Esse é o grande tesouro que devemos procurar e ao mesmo tempo distribuir entre os outros. A Alegria do Gaudete, terceiro domingo do Advento, nos remete à manjedoura onde reclina na meiguice de uma criança o Deus em pessoa!
            Mas essa alegria sobrenatural não se opõe às alegrias cotidianas, pelas quais também devemos agradecer a Deus. Essas podem ter causas diversas: uma promoção profissional, a possibilidade de realizar a viagem dos sonhos, o gesto carinhoso da pessoa amada, o sorriso de uma criança. A alegria é sempre um bálsamo que faz bem à alma. Quando a experimentamos, devemos nos aproximar ainda mais de Deus, que faz humano como um de nós.
            Assim como as alegrias terrenas, as tristezas possuem diversas origens, desde uma simples contrariedade até uma grande decepção ou perda. Podemos nos entristecer quando sofremos uma desilusão amorosa, quando deparamos com a conduta inadequada de um amigo ou até mesmo quando ouvimos um comentário indesejado de algum familiar. Isso e muitos outros contratempos podem fazer a tristeza entrar em nossa alma.
            Embora nos faça sofrer, a tristeza tem uma característica ímpar de tornar nosso coração mais compassivo. Quando estamos tristes, mergulhados em nossos sentimentos, realizamos reflexões mais profundas. Por isso, podemos afirmar que a tristeza ensina, e muito. Ela desperta a voz do silêncio que vem e toca nosso espírito para que possamos aprender com a experiência e nos tornar melhores, crescendo em nossa fé.
            Ajustar nossa forma de lidar com os problemas equivale a encontrar a chave da alegria, aquela que abre a mente e a alma para a luz de Deus, fazendo com que encontremos as soluções mais interessantes para a nossa vida. Além disso, amplia nossa consciência para identificarmos o que realmente importa.
            A vida está cheia de possibilidades, e você pode descobrir novos sentidos, aprofundando-se no entendimento das suas inquietações, com a firme esperança de que dias melhores virão. Haja o que houver, não podemos esquecer: “Se de tarde sobrevém o pranto, de manhã vem a alegria” (Sl 30,6).
            Por isso, encha seu coração de amor e diga para si mesmo: “Eu quero ser feliz agora”. Não tenha dúvida, você é muito mais forte e poderá ser muito mais feliz do que é capaz de imaginar.

            A alegria verdadeira massageia a alma. Ela nasce dos valores de Deus e conforta nosso espírito. Esse é o estado que devemos buscar para nós e desejar para os outros. A alegria verdadeira fica impregnada em nossa alma para todo o sempre. Por isso, esteja aberto para que ela possa brotar em sua alma. Que a felicidade seja o pão nosso de cada dia. Eis o sentido do Domingo da Alegria, o Gaudete. O terceiro domingo deste rico tempo em preparação em preparação ao Natal do Senhor, antecipa tudo que celebraremos, porque o Advento é Tempo de Alegria!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! 



            Quando vier pela segunda vez, o Senhor deverá nos encontrar preparados, razão pela qual temos de nos converter, tal como o Batista pregava junto ao rio Jordão.
            Será necessário preparar o caminho do Senhor, endireitar suas veredas, aterrar os vales, rebaixar as montanhas e colinas, tornar retas as passagens tortuosas e aplainar os caminhos acidentados. A convocação é para uma mudança radical, conversão de verdade. Mudança de mentalidade e de atitudes profundas.
            Se olharmos para a nossa realidade, percebemos tantos “caminhos” que precisam ser endireitados. O Senhor virá e toda a terra verá a salvação, os frutos da justiça irão florescer.
            Ele nos dará o dom do discernimento para fazermos opções, de acordo com a proposta do seu Reino.
            Neste Segundo Domingo do Advento, renovamos nossa fé no Senhor que não nos abandona jamais.
            Por meio do testemunho de João Batista, Deus nos chama a preparar os caminhos para a chegada do Salvador e para nosso encontro com ele, em espírito de conversão. Celebrar a eucaristia é fazer memória da misericórdia do Pai celeste, que nos salva em Jesus Cristo. Somos motivados a nos deixar guiar pelo Senhor e contemplar a sua salvação.
            Somos convidados a despir a veste de luto e de aflição e trajar os adornos da glória de Deus, buscando crescer no amor e empenhando-nos para que todos possam ver a salvação que Jesus nos traz.
            É hora de levantar a cabeça e olhar para frente, pois Deus vem em socorro dos sofredores. João é a voz que clama, convocando as pessoas à conversão e anunciando a salvação para todos os povos. Os líderes da comunidade devem ser os primeiros a rezar por ela para que viva o amor, preparando-se para acolher Cristo.
            Neste Segundo Domingo do Advento o Senhor nos chama a preparar o caminho, de maneira especial, através da mensagem e do testemunho de João Batista. O apelo à conversão, “metanoia”, em grego, convida a uma mudança na forma de viver, de pensar e de agir, para seguir com radicalidade o projeto de Deus a serviço da vida. Um novo céu e uma nova terra surgem a partir da transformação do nosso coração.
            João vem do deserto, lugar do encontro com Deus, para convidar a preparar o caminho, a endireitar as veredas, para fazer a experiência da salvação. É necessária disponibilidade interior para acolher o dom gratuito do amor de Deus, revelado em Jesus. O Reino de justiça, inaugurado com a vida e a entrega de Jesus, nos compromete a trabalhar em prol de sua realização plena.
            Somos chamados a vestir o manto da Justiça e da misericórdia, a levantar e a subir ao alto, para perceber os sinais de libertação que estão chegando com o Messias Salvador. É preciso preparar o caminho para que a “Paz na Justiça” se manifeste plenamente. Os gestos de amor solidário nos mantém no caminho de Jesus, na fidelidade aos valores do Evangelho.
            Orientados pela Palavra de vida e salvação, neste Ano da Paz, renovamos nossa fé no Reino de Deus, com o coração convertido e disposto a trabalhar, para que a Boa Notícia seja anunciada a todos, como nos pede o Sínodo dos Bispos realizado em Outubro deste ano. Só seremos capazes de tal prática, auxiliados pela misericórdia do Senhor que nos dá sabedoria para discernirmos o que é melhor.
            Um exercício bem prático e que parece simples, mas não é, será não falarmos nada mal de ninguém nesta segunda semana do Advento. Se não soubermos nada de bom sobre as pessoas de nossas relações, saibamos silenciar, calar. Só falemos algo de bom que venhamos, a saber, sobre os outros, especialmente sobre os irmãos de nossas Comunidades.
            A experiência do silêncio profundo nos remete à conversão, que por sua vez nos santifica! Em nossa relação com Deus, conosco mesmos e com os outros, mergulhar as entranhas de nossa intimidade, movidos pelo silêncio, é a estética da ternura, da bondade e da misericórdia evangélicas!
            Não esqueçamos a Campanha da Evangelização, cuja coleta realizaremos no Terceiro Domingo do Advento. A partilha de nossa pobreza deverá ter sabor de solidariedade e compromisso com a Evangelização em nosso País com dimensões continentais. Ao comprarmos os presentes de Natal, abrindo mão de alguma guloseima, seja revertido o valor àqueles que dependem de nossa generosidade. Assim nossa participação na Coleta será agradável ao coração de Deus!
            No dia 13 de dezembro, às 15 horas, na Catedral Metropolitana, teremos a Concelebração Eucarística presidida por Dom Moacir Silva, nosso Arcebispo Metropolitano, para Abertura do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, cuja Porta Santa foi aberta pelo Papa Francisco no dia 8 de dezembro. É o Ano Santo da Misericórdia! Misericordiae Vultus – O rosto da misericórdia!
            No dia 10 recorda-se o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o dia Internacional dos Povos Indígenas. No dia 12 de dezembro é a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira da América Latina. Ela traz em si, os sinais da cultura indígena, e, ao mesmo tempo, o nome de Maria, grávida de Jesus.
            Em nossa Reitoria Santo Antônio, Pão dos Pobres, a Novena de Natal preparada com zelo e carinho pelo Seminário Maria Imaculada de Brodowski e pelo Serviço Arquidiocesano de Animação Litúrgica, está organizada pela Pastoral da Pessoa Idosa, e acontece nas residências de nossos irmãos assistidos, mensalmente, pelas Missionárias da PPI Dra. Zilda Arns Neumann. Quem desejar unir-se aos Grupos deverá entrar em contato com a coordenadora Maria Helena Salvi Pontan. Já as confissões são agendadas, a fim de que possamos atender o maior número possível de pessoas enfermas e idosas. No espírito da Igreja do Ir já agendamos 275 residências para o rico tempo do Advento.
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Br 5,1-9; Sl 125(126); Fl 1,4-6.8-11 e Lc 3,1-6). Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2015, pp. 28-31 e Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento - Dezembro de 2015) da CNBB, pp. 20-24).

ADVENTO: TEMPO DE ESPERANÇA!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Presidente do FAC – Fraterno Auxílio Cristão e Jornalista.

Santo Agostinho de Hipona, um dos maiores sábios do Cristianismo, afirmou que o desespero é a punição para aqueles que, voluntariamente, deixam de acreditar na verdade e no amor de Deus. E qual é a melhor reação diante de um quadro que quer nos arrastar para o abismo da tristeza e do desespero?
Devemos assumir nossas limitações e fragilidades com o coração aberto.
Não podemos mudar o que a vida nos reservou, mas temos capacidade, sim, de lidar com nossas perdas e frustrações. Quando o corpo e a alma padecem, a razão e a fé podem nos dar novas respostas.
Não por acaso, São Francisco de Assis fala da Esperança. Esperar em Deus. Esperar o novo, o bem. Esperar a vida em abundância.
Esperança tem muito a ver com perseverança. Perseverar em Deus. Não se trata de esquecer o que vivemos e seguirmos como se nada tivesse acontecido. Podemos viver calejados, com cicatrizes na alma, algumas vezes com momentos de dor, mas nunca perder a Esperança de que dias melhores virão.
A Esperança não nos ilude, mas nos faz caminhar com serenidade, acreditando que novas possibilidades surgirão, como nos fazia ver o Papa Francisco quando ainda era Arcebispo de Buenos Aires: “Caminhar, de certo modo, já é entrar numa Esperança viva. Assim como a verdade, a Esperança é um dom que nos faz seguir adiante e nos convida a acreditar que cada novo dia trará consigo o pão necessário para a nossa subsistência”.
Como alpinistas da graça divina, precisamos seguir em frente. Do meio das sombras nascerá a luz. Na hora da dor, brotará a verdadeira Esperança.
Bem por isso, iniciamos o rico tempo em preparação ao Natal do Senhor, a Luz que veio iluminar os corações aquecidos pelo Príncipe da paz, num Advento: Tempo de Esperança!