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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

AMAR OS ENFERMOS COM AMOR DE MÃE


Pe. Gilberto Kasper
 

Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente da Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. 

            No dia 11 de fevereiro a Igreja celebra, por proposição do Beato João Paulo II, o Dia Mundial do Enfermo! Recomendamos nossos amados enfermos à proteção de Nossa Senhora de Lourdes, cuja Memória celebramos nesse mesmo dia.

            A mente humana compreende duas faculdades exímias: o intelecto e a vontade. Convém, desde logo, lembrar que o intelecto não se restringe à razão, ou seja, não procede apenas por argumentos ou provas lógicas ou empíricas, mas tem também uma capacidade de intuir a verdade. A mente humana nos proporciona, pois, a capacidade de conhecer e amar. Ou, olhando por parte do objeto, coloca-nos em contato com a verdade e com a bondade por parte do objeto, coloca-se em contato com a verdade e com a bondade dos seres, respectivamente.

            Nossa época pós-moderna nos adverte contra o perigo de cairmos no objetivismo. Nosso relacionamento com o objeto envolve também sentimentos. E logo discernimos entre os objetos de nível físico, vegetativo, sensitivo e racional. Nosso relacionamento, ou seja, nosso conhecimento com os minerais, as plantas, os animais não pode ser o mesmo que temos com os homens e com Deus. No caso dos homens e de Deus, nosso relacionamento, que envolve conhecimento, vontade e sentimentos, é intersubjetivo. E essa característica envolve todo o nosso relacionamento com o universo, na medida em que o acolhemos de Deus e ele nos revela as suas maravilhas, tornando-se habitação e ambiente de vida para nós e nossos semelhantes. É o que nos ensina Saint Exupéry, no Pequeno Príncipe: a raposa, por não comer pão, não teria nenhum relacionamento com o trigal. Mas se for cativada pelo Pequeno Príncipe, lembrará as ondulações de seus cabelos e adquirirá um profundo e novo significado.

            Viver humanamente é realizar-se. É tornar-se pessoa. Isso se faz pelo relacionamento, que tem, na intersubjetividade, sua matriz. Sua atitude básica será a acolhida de cada pessoa, para que ela se sinta amada e realizada. Não é, pois, possível curar uma pessoa – de qualquer doença – sem levá-la à vivência de sua subjetividade, que resulta da intersubjetividade das pessoas que cuidam dela. Curar, no fundo, é demonstrar carinho, ir em socorro, tirar do isolamento, mostrando que ela não está a sós no combate à doença. Não conseguindo reagir com as próprias forças, há quem lhe venha em socorro. E isso deve ser feito humanamente, o que equivale a dizer, intersubjetivamente. A doença humana não se reduz a um fenômeno biológico. Envolve e afeta profundamente sua mente (cf. Fonte: GRINGS, Dadeus. Cartilha da Saúde – Um Apelo da Bioética. Presscom, Porto Alegre (RS), 2008 pp. 29-30).
            Especialmente a Igreja, através de seus Ministros Ordenados e da Pastoral da Saúde, deve priorizar nas Comunidades de Fé, Oração e Amor, os Enfermos, que fazem de seus limites físicos e leitos de dor, o verdadeiro Altar do Sacrifício do Senhor. Por isso, saibamos sempre amar os enfermos com amor de mãe!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Uma luz brilha nas trevas para o justo,

permanece para sempre o bem que fez” (Sl 111). 

            “No Quinto Domingo do Tempo Comum fazemos memória de Jesus, o bem-aventurado do Pai, que deu a vida pela humanidade. Manifesta-se como luz do mundo e presenteia-nos com o novo sabor e o suave vigor de seu Espírito.

            No contexto das bem-aventuranças, o Senhor nos renova na missão de ser sal da terra e luz do mundo. Ele nos convida a ‘provar’, como cristãos, a qualidade de nosso sal e a ver com que obstáculos ocultamos a luz do evangelho, numa Igreja e numa sociedade de tanta desigualdade, competição, discórdia, corrupção e miséria.

            Se lermos atentamente a Carta Encíclica do Sumo Pontífice FRANCISCO Lumen Fidei – sobre a fé e sua primeira Exortação Apostólica Evangelii Gaudium – Alegria do Evangelho sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, chegaremos à conclusão de que só conseguiremos experimentar ‘A doce e reconfortante alegria de evangelizar’, na medida em que nos tornarmos ‘Uma Igreja em saída’ e acolhermos com humildade a proposta de uma profunda ‘Pastoral de conversão’ (cf. Capítulo I da Evangelii Gaudium, nn. 19-49). Tanto a Igreja como a sociedade precisa, urgentemente, pensar como superar tanta desigualdade, intriga, inveja, busca de poder e prestígio. A impressão que fica, é que o melhor clérigo é o que constrói a Igreja maior e mais suntuosa. Mesmo que não encontre tempo para administrar os sacramentos da Reconciliação, da Unção dos Enfermos e não goste de ir a velórios. Como é possível falar em Alegria do Evangelho, quando em nossas relações vivemos exatamente o contrário? Como podemos falar numa ‘Igreja pobre para os pobres’, quando entre nós ministros ordenados, há os que ostentam luxo exacerbado ao lado de outros tantos passando necessidades básicas, sem dinheiro para um justo tratamento de saúde? Já ouvi de lábios sacerdotais, que os Padres pobres não são criativos e não se esforçam por angariar fundos para a manutenção de suas Comunidades, principalmente as de periferias de nossas Dioceses. Será assim? Como seríamos mais configurados com uma Igreja desejada pelo Santo Padre FRANCISCO, se fôssemos menos avarentos e mais fraternos uns com os outros. Não seria lindo que as Paróquias ricas doassem de coração aberto, uma espécie de dízimo às que são pobrezinhas? Se dessem pelo menos 1% de suas arrecadações mensais, para aliviar as dificuldades das Comunidades carentes, teriam os outros 99% para realizar suas atividades e não teríamos o que me parece vergonhoso, irmãos indigentes entre nós. Voltaríamos às Comunidades dos Apóstolos, onde todos repartiam o pão, e não havia necessitados entre eles!

            Cristo é luz do mundo! (cf. Jo 8,12) Quem o segue não andará nas trevas! Será luz também! – essa é nossa missão no mundo! Deus será reconhecido através das boas obras de seus filhos e filhas. Não posso crer que Deus seja mais feliz quanto maior forem as torres de nossos Templos. Mas se os ‘Templos Humanos’ estiverem saudáveis e viverem com dignidade com nossa promoção e nosso investimento nas pessoas, antes das obras de concreto, Deus será tão feliz conosco, que a Alegria do Evangelho transformará a vida toda de toda a Igreja e de toda a sociedade! Aí, porém, surge o perigo da vaidade, da sede de sucesso, de ofuscar a luz de Deus pelo engano de achar que temos luz própria. Uma luz boa não ofusca, mas ilumina.

            Hoje existem muito brilho e excesso das luzes do luxo e do esbanjamento, da erudição para enganar, roubar, corromper; muita esperteza para prejudicar os outros e se manter na acumulação, na riqueza e no poder social, ideológico, político, eclesial e econômico. Esses se colocam no lugar de Deus. Infelizes os que vivem olhando para esse lado. Ficarão cegos. Essa luz ofusca a visão.

            O cristão é sal. A vivência do evangelho dá ‘sabor’ à vida, ilumina tudo o que acontece, leva à ação. Com sua presença, o cristão é desafiado a impelir que a humanidade se corrompa. Num mundo onde cada qual procura o próprio interesse, o cristão é chamado a ser o sal que dá sabor e que conserva a força do evangelho.

            Jesus diz que somos sal e luz para o mundo, se seguirmos suas pegadas, se formos verdadeiros discípulos, anunciando a Alegria do Evangelho com a própria vida, diariamente!

            Ser luz do mundo significa trabalhar para que o Reino de Deus aconteça. Será que nós, cristãos, somos realmente luz do mundo? (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum de 2014 da CNBB, pp. 97-102).

            Que esta Quinta Semana do Tempo Comum nos anime a sermos luz, dando nova cor; sal, dando novo sabor ao mundo em que nos movemos e vivemos: em nossas relações pessoais com Deus, com os irmãos e com a sociedade, especialmente em nossas relações nas Comunidades Cristãs! Isso poderá queimar-nos ou até machucar-nos. Mas com São Paulo, deixemo-nos derreter como o ouro no cadinho, a fim de que o Senhor faça de nossa vida, uma vida de verdadeiros discípulos e missionários de Jesus. Não tenhamos medo de derretermos, como a vela derrete acesa no altar, desde que sejamos luz que verdadeiramente ilumine a vida de todos, por quem somos responsáveis!  Sejamos sal que tempere a vida, especialmente, dos que se sentem destemperados neste mundo que ainda opta pela “Cultura do Descartável”! Só assim seremos configurados com Jesus Cristo, luz do mundo e sal da terra!

            Sejam todos muito e sempre abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 58,7-10; Sl 111(112); 1Cor 2,1-5 e Mt 5,13-16).

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO


“Faz mais barulho uma árvore que cai,

do que uma floresta que cresce”.

 

O Papa menciona os sacerdotes que dão verdadeiro testemunho de Santidade no silêncio: “Faz mais barulho uma árvore que cai, do que uma floresta que cresce”.

 

Ontem, durante sua Missa matutina na Casa Santa Marta, o Papa Francisco recordou a Constituição Divina do Sacerdócio. Ele explicou que a Igreja não pode ser entendida simplesmente como uma organização humana: os sacerdotes não são chefes de "uma empresa", mas pessoas ungidas por Deus para levar a cabo a Sua Obra de Salvação.

 

"Os bispos não são eleitos apenas para levar avante uma organização, que se chama Igreja particular; são ungidos, eles têm a unção e o Espírito do Senhor está com eles. (...) O que faz a Igreja realmente, e o que dá unidade à Igreja, É A PESSOA DO BISPO, em nome de Jesus Cristo, PORQUE ELE É UNGIDO, não porque ele foi eleito pela maioria. PORQUE É UNGIDO. É nesta unção que uma Igreja particular tem a sua força. E por participação também os sacerdotes são ungidos."

 

Justamente por essa interferência do sobrenatural na vida da Igreja, não é possível entender nem explicar "como a Igreja vai avante somente com as forças humanas". "Esta diocese vai avante porque tem um povo santo, tantas coisas, e também um ungido que a conduz, que a ajuda a crescer. Esta paróquia vai para frente porque há muitas organizações, tantas coisas, mas também tem um sacerdote, um ungido que a leva para frente", afirmou o Pontífice.

 

O Santo Padre também ofereceu um tributo aos sacerdotes que vivem a santidade no anonimato de suas paróquias e comunidades, a todos "os párocos do interior ou da cidade, que com a sua unção deram força ao povo, transmitiram a doutrina, deram os sacramentos, isto é a santidade":

 

"Mas, padre, eu li em um jornal que um bispo fez tal coisa, ou que um padre fez tal coisa. Oh sim, também eu li, mas, me diga, os jornais dão também notícias daquilo que fazem tantos sacerdotes, tantos padres em muitas paróquias da cidade ou do interior, que fazem tanta caridade, tanto trabalho para levar avante o seu povo? Isso, não! Isso não é notícia. É sempre assim: faz mais barulho uma árvore que cai, do que uma floresta que cresce. Hoje, pensando na unção de Davi, nos faz bem pensar em nossos bispos e nos nossos sacerdotes corajosos, santos, bons, fiéis, e rezar por eles. GRAÇAS A ELES HOJE NÓS ESTAMOS AQUI."

 

Ao final da correspondência, o Papa fez um pedido especial: "É por isso que te peço, por favor, que recebas esta designação com um coração simples e humilde. E, não obstante tu devas fazê-lo com júbilo e alegria, faz com que este sentimento permaneça distante de qualquer expressão de mundanidade, de qualquer festa alheia ao Espírito Evangélico de Austeridade, Sobriedade e Pobreza.
 

Papa Francisco 27,01,2014