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terça-feira, 10 de julho de 2012

A Religião em nosso País – Pesquisa Censo 2010

De acordo com o Censo, os resultados divulgados semana passada, mostram que a população evangélica no Brasil evoluiu de 15,4% para 22,2% dos brasileiros, (crescimento de 6,8% em 10 anos); representando 42,3 milhões de pessoas (segunda religião com o maior número de adeptos no país). O catolicismo é atualmente a religião predominante no país (cerca de 123 milhões de pessoas ou 64,6% da população brasileira; até 2000 eram 73,6%). O Brasil é considerado o maior país do mundo em números de católicos nominais.

De acordo com o IBGE, o aumento no número de evangélicos é proporcional ao crescente declínio da religião católica, que perdeu 9,4% de fiéis em relação ao Censo do ano de 1991.
Ainda conforme o Censo de 2010, a população espírita é de 3,8 milhões, e as pessoas que se declararam sem religião representam aproximadamente 15 milhões de pessoas.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Silência de Dom Joviano Ecoando sua Ternura pelo Reino


Aparentemente desligado, Dom Joviano viveu seu ministério episcopal entre nós, mais do que se possa imaginar, “antenado”. Levou, armazenado em seu coração inchado de bondade e serenidade, segredos insondáveis e a vida de cada um que lhe foi confiado, ao colo misericordioso do Pai, no dia 21 de Junho, Memória de São Luís Gonzaga, dia dedicado à Eucaristia, logo ele, amante da Liturgia.  Quis Deus acolhê-lo naquele horário em que o próprio Cristo fez igual experiência, percorrendo pela “irmã morte”, deixando que seu nome ecoasse na eternidade! Bem podemos imaginar a alegria da Corte Celeste abrindo espaço para um homem simples, descomplicado, prático e embora de poucas palavras, contundente e justo. Um homem de visão ampla, capaz de adentrar a intimidade de cada pessoa que amou a seu modo, transpirando delicadeza, respeito pelo diferente e amando profundamente nossa Igreja.

            Zelava pela humildade e abominava a busca de prestígio. Dispensava elogios e era objetivamente, por tudo, sempre agradecido. Convidava a quem quisesse ser com ele missionário e discípulo do SIM – Ser Igreja em Missão, sem, entretanto, impor ou cobrar àqueles que se sentiam dispensados desse ou dos demais projetos de seu pastoreio. Sabia ser presente, mesmo que fisicamente ausente, por conta de sua dor e enfermidade, porque se fazia oferenda viva que só poderia santificar e promover comunhão, mesmo que invisível, mas profundamente sensível a quem teve a oportunidade de passar algum momentinho junto dele.

            Não poucas vezes deixou escapar sua Ternura pelo Reino confiando-nos tarefas aparentemente simples, porém desafiadoras, as quais nos realizam em nosso ministério e pelas quais seremos sempre profundamente agradecidos, porque nos fazem feliz como pessoa, presbítero, professor e jornalista. Pediu-nos que transformássemos a Santo Antoninho num Espaço Cultural de Espiritualidade, onde as pessoas possam encontrar-se com Cristo na Liturgia bem celebrada, num Ambiente de Formação com Atendimento Espiritual Acolhedor. Dignou-se a celebrar conosco e sempre que passava pela Avenida Saudade, pedia para parar e olhando para nossa Reitoria repetia compassivo: “Eu não teria a paciência e perseverança para as reformas necessárias a este tão rico espaço que nos foi doado. Sempre que algum Padre me pede algum trabalho, peço que venha perguntar ao Padre Gilberto, como se faz, para estar sempre tão ocupado...”. Fez questão de conferir a implantação da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), celebrando com as queridas Missionárias Liderene, Carmela e Stela, assessoras do Santuário Nossa Senhora do Rosário, que prepararam nossas Agentes da PPI na Santo Antoninho.  Ao provisionar as Ministras Extraordinárias da Sagrada Comunhão, Dom Joviano nos disse que nunca deixássemos de acompanhá-las, porque a visita aos Enfermos santifica o nosso Ministério. Ao consultá-lo se deveríamos aceitar o convite para sermos Conselheiro Espiritual da Equipe Nossa Senhora da Esperança, respondeu-nos que ele sempre que pode, acompanhou alguma Equipe de Nossa Senhora. Disse-nos que as Equipes de nossa Senhora sempre edificam e enriquecem a vida do Padre.  Na véspera da festa de Santo Antonio, ao visitá-lo em seu leito hospitalar, disse-nos: “Lembrei-me de você nesta manhã em minhas orações. Já espera mais de quatro anos pela aprovação das obras, e amanhã celebrará mais uma Festa de Santo Antônio sem banheiros...” Antes de despedir-nos, pediu que lhe concedêssemos uma bênção forte contra a dor. Ao saber que enviara um cesto de pães bentos na Missa de Santo Antoninho ao Palácio, fez questão de agradecer por telefone desde o Hospital. Era estampada sua expectativa por ver nossa Igrejinha restaurada e um “primor” de espaço a serviço da acolhida. Oxalá interceda por nosso projeto desde a eternidade, já que agora está na companhia de Santo Antoninho.

            Confiou-nos a Assistência Eclesiástica do Centro do Professorado Católico da Arquidiocese de Ribeirão Preto, pedindo que não medíssemos esforços para oferecer formação e permanente assistência espiritual aos Professores Católicos ou não, levando para eles nosso Estudo Bíblico que denominou a “pupila dos olhos da Santo Antoninho”.

            Encorajou-nos e posteriormente parabenizou-nos por assumirmos o Curso de Bacharel em Teologia na Faculdade Ribeirão Preto do Grupo da UNIESP. Animou-nos a formar um grande laboratório teológico para o Diálogo Inter-Religioso. Disse ser excelente nosso Projeto Pedagógico!

            Finalmente, escreveu-nos um último email: “Caríssimo Pe. Gilberto! Agradeço as orações por mim. É uma alegria tê-lo como amigo e irmão. Deus o abençoe sempre. Abraços! + Joviano”. Mais do que antes, sentimo-nos robustecidos em nosso ministério e animados a viver O Silêncio de Dom Joviano ecoando sua Ternura pelo Reino!”.
Padre Gilberto Kasper

quinta-feira, 5 de julho de 2012

HOMILIA PARA O DÉCIMO QUARTO DOMINGO DO TEMPO LITÚRGICO DE 2012


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            “A Palavra de Deus do Décimo Quarto Domingo Comum do Tempo Litúrgico de 2012 toca na vocação, no chamado recebido pelos profetas, pelos apóstolos, pelos discípulos e por todos os que se reúnem, para serem enviados na força do Espírito Santo.

            Jesus foi rejeitado porque se apresentou como um trabalhador que cresceu em Nazaré ao lado de parentes, amigos e conhecidos. Seus conterrâneos não descobriram nele nada de extraordinário que o identificasse com o Messias de Deus. Mas o extraordinário está justamente aí: no fato de não ter nada que possa diferir da condição humana comum.

            O Filho de Deus se fez como qualquer um de nós. Muitos afirmam que não creem porque não veem. Os conterrâneos de Jesus não creem justamente porque veem Jesus trabalhador, o filho de Maria, um homem do povo, que não frequentou nenhuma escola superior, um homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante. O escândalo da encarnação continua sendo um espinho atravessado na garganta de muitos cristãos de boa vontade. Isto faz pensar no desafio que é a encarnação do Evangelho na realidade do povo.

            A Palavra de Deus nos faz um apelo: não depositar nossa confiança nos grandes. Também não precisamos ter medo de nossa pequenez e fraqueza. Na trajetória de Jesus, o maior fracasso se transforma em vitória e ressurreição. Junto a Ele, há lugar para os fracos. Em Cristo, somos fortes.

            Jesus fica admirado com a falta de fé das pessoas de sua terra, as quais não acreditam que Deus possa falar através de pessoas simples. A Palavra de Deus se reveste de roupagem humana e vem a nós com o auxílio da história e de pessoas frágeis, enviadas por Ele.

                        A fraqueza humana dos enviados por Deus cria um espaço de liberdade; quem ouve pode decidir a favor ou contra. Às vezes, gostaríamos que Deus se revelasse mediante atos maravilhosos e, assim, evitaríamos o trabalho de discernir quando e por meio de quem Deus se revela.

            Jesus se fez servo e, por isso, entra em choque com os que preferem o privilégio e o poder. A encarnação continua nos questionando e nos empurrando para a missão junto aos marginalizados e enfraquecidos.

            Neste ano de eleições municipais, é preciso saber distinguir os poderosos que se revestem de aparente humildade para manipular enganar o povo, em proveito próprio. É muito comum, também entre nós, considerar o poderoso como único capaz de realizar algo pelo povo.

            O Documento de Puebla nos fala do ‘potencial evangelizador dos pobres’. O que podem nos dizer os pobres, os deficientes de nosso país? Aceitamos a revelação de Deus vinda na fraqueza de nossos irmãos e irmãs, na simplicidade do dia a dia?

            A Palavra de Deus nos convida a renovar nossa adesão a Jesus, consagrando-nos mais generosamente à causa do Reino. Essa nossa profissão de fé nos leva a confirmar que seguimos aquele que foi rejeitado por ser trabalhador, filho de Maria, uma pessoa comum de seu tempo, vindo de uma aldeia e, por isso, motivo de desprezo e rejeição.

            Acima de qualquer expectativa humana, o Senhor manifesta sua grandeza na singeleza do pão e do vinho, frutos da terra e do nosso trabalho. Na simplicidade da partilha. Ele nos confirma no seu caminho. É em nossa fraqueza que Deus continua manifestando sua força” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB, n. 22, pp. 58-63).

            Todo ser humano é chamado à Vocação ao Amor! Ela é a primeira vocação e o fundamento de todas as demais, as chamadas Vocações Específicas! O cristão, tendo consciência de sua vocação ao amor, só consegue viver sua Vocação Específica, na medida em se configura com Jesus Cristo: na sua humildade, no seu espírito de serviço, na sua simplicidade e no seu total desapego de prestígio, poder, ganância, acúmulo de bens e diplomas. Não poucas vezes nossa vontade de queremos ser melhor do que os outros, bem como a acepção e discriminação de pessoas de nossas relações, desfiguram nossa missão de discípulos verdadeiros. Somos convidados a superar a inveja, a busca de prestígio, o “querer aparecer-se diante dos outros”, o “tentar esconder nossos defeitos atrás dos defeitos dos outros”, assumindo com simplicidade nossa história e nossa vida do jeito como ela é. As falsas aparências, aquelas que enganam os outros, são abomináveis ao Reino de Deus que deve ser sempre anunciado com nossa própria vida, mesmo que nem sempre compreendidos, aceitos, reconhecidos por uma sociedade que pensa sustentar sua sobrevivência sobre a hipocrisia. Quantas pessoas conhecemos que tentam comprar o prestígio, pagam preços altos, muitas vezes pisando sobre os mais fracos, para subirem na vida, aparentemente, porque se consideram superiores. Como é feio achar que os outros são feios e nós os bonitinhos! A fome de querer ser melhor nos consome e nos apodrece, enquanto a fome de ser humilde, simples e desapegado de qualquer prepotência, é saciada pelo próprio Cristo, que se dá em alimento vital, a fim de tornar-se o refúgio dos justos!

            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Padre Gilberto Kasper

(Ler Ez 2,2-5; Sl 122(123); 2Cor 12,7-10 e Mc 6,1-6)