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terça-feira, 22 de maio de 2012

Quando a comunicação ganha valor e significado

Já estamos no 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais. O tema deste ano nos surpreende: “Silêncio e Palavra: caminho de evangelização”. Acostumados ao uso constante de palavras na comunicação, nem nos damos conta da importância do silêncio. No entanto, é o silêncio que cria o espaço necessário para que a palavra possa ser bem recebida. Diz Bento XVI: “Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando porém  se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.”

Valorizemos o silêncio para que possamos chegar à plenitude da comunicação.



+ Joviano de Lima Júnior,sss

Arcebispo de Ribeirão Preto




quinta-feira, 17 de maio de 2012

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR DE 2012


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


"Homens da Galileia, porque estais admirados,

olhando para o céu?

Este Jesus há de voltar do mesmo modo

que o vistes subir, aleluia!" (At 1,11).


Em comunhão com todos os cristãos, celebramos a Ascensão de Jesus, plenitude da Páscoa, que atualizamos na Eucaristia. A Igreja comemora neste domingo da Ascensão do Senhor, o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema: “Silêncio e Palavra: Caminho de Evangelização”(Papa Bento XVI). Ao longo da semana, preparamo-nos para a Solenidade de Pentecostes, rezando pela Unidade dos Cristãos à luz do tema: “Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio do Senhor nosso Jesus Cristo” (1 Cor 15,57).

“Jesus despede-se dos seus; antes, porém, conclama-os para que dêem continuidade à missão por ele iniciada e derrama sobre eles a bênção, sinal de sua presença contínua.

Jesus, ao despedir-se, deixa aos discípulos a tarefa de continuar a missão que ele iniciou. A Ascensão revela nova presença de Jesus, em sinais visíveis de transformação e libertação. Elevado ao céu, Cristo é a cabeça da Igreja e o Senhor da humanidade” (cf. Liturgia Diária de Maio de 2012 da Paulus, São Paulo, p. 66).


"Ide ao mundo, ensinai aos povos todos;

convosco estarei, todos os dias, até o fim dos tempos,

diz Jesus" (Mt 28,19s). 

"As palavras de Jesus e sua presença viva, que estará sempre em nosso meio, nos colocam a caminho e nos incentivam a sermos fieis à missão. Elas nos impelem a sair de nós mesmos para abrir-nos a um novo horizonte, que possibilita a todos os seres humanos a alegria de sentirem-se filhos de Deus e irmãos entre si.

O Ressuscitado nos confia o anúncio da Boa Nova da salvação, libertando-nos da estagnação para nos empenhar na promoção da vida. Toda a comunidade recebe a ordem de fazer discípulos, batizando-os e ensinando-os a observar os ensinamentos deixados por Jesus. Da comunhão de amor, pelo batismo, deve surgir uma humanidade nova, alicerçada na filiação divina e na fraternidade.

'Uma vez que todo o Povo de Deus é um povo enviado, a missão de anunciar a Palavra de Deus é dever de todos os discípulos de Jesus Cristo, em consequência do seu batismo. Nenhuma pessoa que crê em Cristo pode sentir-se alheia a esta responsabilidade que deriva do fato de ela pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo. Esta consciência deve ser despertada em cada família, paróquia, comunidade, associação e movimento eclesial. Portanto, toda a Igreja, enquanto mistério de comunhão, é missionária, e cada um no seu próprio estado de vida, é chamado a dar uma contribuição incisiva para o anúncio cristão' (Exortação apostólica pós-sinodal, Verbum Domini, Brasília: Edições CNBB, 2010, p. 125). 

Nesta semana de oração pela unidade das Igrejas cristãs, invoquemos o Espírito de Deus para que habite em nós e seja nosso sustento na missão que recebemos do próprio Ressuscitado" (cf. Roteiros Homiléticos Continental da CNBB N. 16). 

"Eis que estou convosco todos os dias,

até o fim dos tempos, aleluia!" (Mt 28,20). 

A Solenidade da Ascensão do Senhor, remete-nos às Metas do Projeto de Ação Missionária da Arquidiocese de Ribeirão Preto, propostas por nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Joviano de Lima Júnior,sss: 

1. Proclamar a Palavra nas visitas missionárias, em todos os encontros pastorais, nas reuniões, nos grupos de estudo e de oração. Como os discípulos de Emaús, ouvir a Palavra e anunciar o Querigma da salvação, para que a chama da missão se acenda nos corações.

2) Convocar à ação missionária permanente os movimentos e pastorais, despertando em seus integrantes o ardor missionário.

3) Descobrir e formar novas lideranças, entre os leigos e leigas, para que atendam ao convite de Jesus à missão, para que a nossa Igreja particular de Ribeirão Preto seja cada vez mais servidora e missionária.

4) Atualizar a missão que Jesus confiou aos seus discípulos, através de uma evangelização inculturada, com novos métodos, expressões e ardor missionário.

5) Evangelizar as famílias, indo ao encontro de suas necessidades e acolher os casais de segunda união.

6) Despertar os jovens para a missão, incentivando-os a evangelizar os ambientes onde se encontram com simplicidade e alegria" (Plano de Ação Pastoral - Arquidiocese de Ribeirão Preto (2011-2015), SIM - Projeto de Ação Missionária - Ser Igreja em Missão, p. 32). 

Sintamo-nos cada vez mais missionários por todos os lugares, junto a todos com quem convivemos o hodierno de nossa vida cristã. Não tenhamos vergonha e nem guardemos nosso amor a Jesus Cristo somente para nós. Anunciemo-lo com a vida e, de acordo com São Francisco de Assis, se necessário, usemos também, da Palavra! Nosso testemunho é fundamental. O ditado popular: "Religião não se discute..." se desatualiza diante da conclamação à nossa missionariedade e discipulado em todos os ambientes! (cf. Conclamação das DGAE da CNBB, repetidas na 50ª Assembleia em Aparecida em abril de 2012). 

Rezaremos, especialmente pelos Comunicadores também em nossas Celebrações deste Domingo, 8 e 10 horas, a quem somos profundamente agradecidos por divulgarem nossa modesta colaboração na Evangelização Virtual. Sejam sempre muito abençoados:

·         Márcio Smiguel Pimenta da PASCOM: www.arquidioceserp.org.br

·         Rodrigo Simões do GRUPO EVIDÊNCIA Top: www.rodrigosimoes.com.br

·         Demétrio Pedro Bom Júnior do SISTEMA CLUBE DE COMUNICAÇÃO: www.demetriolpbjr.blogspot.com e www.tollelege-rp.blogspot.com

·         CMN 750 – AM – A RÁDIO DA FAMÍLIA – Sebastião Xavier

·         Welgima: www.tudoporjesusemaria.webnode.com.br de Belo Horizonte, MG.

·         Jornal TRIBUNA de Ribeirão Preto: José Paulo e Hilton.

·         AMIR CALIL DIB – JORNAL GAZETA RIBEIRÃO (Coluna Social)


            Desejando-lhes bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,


Padre Gilberto Kasper 

(Ler At 1,1-11; Sl 46(47); Ef 1,17-23 e Mc 16,15-20)

terça-feira, 15 de maio de 2012

SERIA CRUEL, NÃO FOSSE DIABÓLICO

             Quando falamos de Pessoa Humana, pensamos naquela pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, e não na pessoa que criou Deus à sua imagem e semelhança. Não cabe a nenhuma autoridade, nem mesmo ao Supremo Tribunal Federal, julgar pautado em silogismos, a dignidade que é atribuída à criatura predileta do Criador, a pessoa. Descrever o útero de uma mãe que carrega dentro de si um feto anencefálico de “caixão”, seria cruel, não fosse diabólico.

Sabemos que “silogismo” é a dedução formal em que, postas duas proposições, as premissas, delas se tira uma terceira, a conclusão. No Brasil, o aborto não é considerado crime quando há risco para a vida da mãe ou quando a gravidez é resultado de estupro. Agora a Suprema Corte em quem toda a nação deposita sua confiança, decide que também não é mais considerado crime abortar fetos anencefálicos: criancinhas gestadas sem cérebro. Garantem que só nestes casos, e em nenhum outro mais, é permitido o aborto, sem ser considerado crime.

            Os Ministros da Suprema Corte levaram 7 anos, 9 meses e 26 dias para chegar à cruel decisão do último dia 12 de abril de 2012. Daqui há alguns anos, o Supremo Tribunal Federal será formado por outros Ministros, que poderá usufruir das decisões do atual com ainda maior ousadia, a não ser que se considerem imortais, colocando-se no lugar do Criador, esquecendo suas condições de meras criaturas, que esperávamos, garantissem a dignidade da vida humana aos Brasileiros. Isso, se não forem “abortados” de suas cadeiras no STF por desrespeito à vida humana ou por conta de algum escândalo, desses que estamos acostumados a assistir no Congresso Nacional. Não estaríamos caminhando para uma situação de eugenia, de total desrespeito aos direitos humanos?

            Daqui há pouco determinar-se-á que abortar um feto sem o dedo menor, sem uma das mãozinhas ou alguma outra anomalia também não será considerado crime. Sim, porque não cansamos de ouvir de nossos Governantes, de que a saúde da mulher, também da abortiza, deve ser uma questão de “Saúde Pública”. Sabemos que a Saúde Pública de nosso País não consegue nem curar a dor de barriga de seus cidadãos. Teria o SUS condições de amparar, zelar e assumir a saúde das mães pobres e grávidas, especialmente em pré-natal? Nem as pessoas conveniadas conseguem agendar exames mais sofisticados, como ultrassom ou outros? Quantas mães grávidas morrerão nas filas de mais de dez horas, quando não dias de espera por um atendimento realmente digno?

            Algum dos seletos leitores conhece alguém que tenha cometido  aborto, julgado, condenado e preso? Pois lhes garanto que conheço centenas de mulheres presas ao próprio remorso e arrependimento e, nos procuram 50 ou 60 anos mais tarde para afirmarem que não conseguem perdoar-se de jeito nenhum. Tais traumas psicológicos são diferentes dos de uma mãe que descobre gerar uma vida, mesmo que anencefálica?

            A Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB sobre o assunto de Nº 0340/12 é de profundo lamento: “Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja”.

            Também em nome dos alunos do Curso de Bacharel em Teologia da UNIESP, que coordeno; da Reitoria Santo Antônio, Pão dos Pobres; do Centro do Professorado Católico da Arquidiocese de Ribeirão Preto e de todas as Mães que atendo em direções espirituais, independente de suas crenças e profissões religiosas, registro a mais profunda decepção em relação ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54. Sentir-se “criador” e perder a noção de que somos meras criaturas, seria cruel, não fosse diabólico! Continuamos convictos de que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.

Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.