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quarta-feira, 29 de julho de 2026

"TU VAIS SER PADRE!"

 "TU VAIS SER PADRE!"



 No próximo domingo a Igreja celebra a Vocação Sacerdotal, embora o Dia do Padre seja a 4 de agosto, Memória de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, Patrono dos Padres. Eis porque agosto, no Brasil, é o Mês Vocacional!


Aos sete anos de idade, quando cursava o primeiro ano do Ensino Fundamental, nem bem falava o português, já que em casa falávamos o dialeto alemão Hünsrick. A Escola Sagrado Coração de Jesus da Congregação alemã das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria me alfabetizou utilizando-se desse dialeto para aprender o português, bem como me preparou naquele mesmo ano de 1964 para minha Primeira Comunhão, há 62 anos, no dia 4 de outubro. Minha primeira professora, coincidentemente minha prima, Irmã Fátima Kasper e a Irmã Neófita foram minhas primeiras catequistas. Sou profundamente agradecido, também, ao Padre Urbano José Hansen que fez de meu coração, pela primeira vez, o sacrário de Jesus Eucarístico. Jamais esqueci aquele dia, um dos primeiros mais lindos de minha vida. Já sentia muita vontade de ser padre. Prestava atenção no Pároco e dizia a mim mesmo, que um dia seria como ele. Maior ainda foi minha alegria, porque depois da Primeira Comunhão, pude também, ser instituído Coroinha, com apenas 7 anos de idade.. Quanta gratidão!

Reconheço que desde a infância fui um moleque muito arteiro, curioso e questionador. Sempre queria saber o “por que” das coisas. Quis entender como a Irmã Fátima conseguia desenhar em trinta folhas brancas, frutinhas, florezinhas, animais, casas e árvores, todas iguais. Éramos trinta alunos. Imaginei mil maneiras de como ela fazia aquilo. Devia passar a noite desenhando as trinta folhas, a fim de que no dia seguinte nós pudéssemos pintar aquelas figurinhas todas. Assim começávamos a conhecer e distinguir pedagogicamente formas, cores, nomes etc.

Certo dia fiquei escondido na sala de aula, durante o intervalo sem ser percebido. Fui à mesa da Irmã Fátima e abri um estojo de carimbos e almofada. Experimentei todos eles na capa e nas primeiras páginas da Cartilha do Mestre que se encontrava também sobre a mesa da professora. Foi quando entendi porque os desenhos de todas as folhas eram iguais. Senti grande alegria de curiosidade satisfeita.

Na volta do intervalo, os alunos todos em suas carteiras, a Irmã Fátima entrou na sala e quase desmaiou ao ver sua cartilha. Em voz severa e forte perguntou: Quem sujou minha cartilha de mestre? Um silêncio profundo se impôs e ninguém nem imaginava que teria sido eu, a experimentar os carimbos na cartilha da Professora. Ela pegou uma régua de mais de um metro, daquelas de aço que fazem um ruído e causam um ventinho ao ouvido, quando balançada, e foi de carteira em carteira perguntando se havia sido aquela ou aquele aluno. Alguns levaram uma boa “bordoada”. Ainda não existia o Código de Defesa da Criança e do Adolescente! Eu sentia a dor de cada colega que apanhava por minha culpa, mas não tive a coragem de dizer que havia sido eu. Ao chegar próxima de mim, me fitou e disse: “Tu não podes ter feito isso, porque tu vais ser padre!” Eu senti um alívio meio estranho, não tanto por não apanhar, mas pela profecia da minha primeira professora, que eu seria padre! Passadas algumas semanas, arrependido pedi desculpas à professora e aos meus colegas. E me confessei, é claro!

É na pessoa de minha primeira professora, a Irmã Fátima Kasper, que agradeço e presto minha mais sincera homenagem a todos os meus professores. Lembro-me de todos com profunda gratidão! Sintam-se acariciados todos os Professores. Abençoada a vocação de ensinar e educar, mas também por despertarem tantas vocações ao serviço gratuito na Igreja de Jesus Cristo que vive, e de quem somos testemunhas através de nosso ministério! Pois foram as Irmãs da Congregação de Santa Catarina de Alexandria, que mais me incentivaram a entrar para o Seminário, preparando até mesmo meu primeiro enxoval. Meu número de 122 seminaristas menores foi o 119.

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 22 de julho de 2026

DIA DO MOTORISTA!

 DIA DO MOTORISTA!


No dia 25 de julho, a Igreja celebra a Memória de São Tiago Maior, Apóstolo e Evangelizador. Filho de Zebedeu e irmão de João, recebeu de Jesus o chamado para fazer parte do grupo dos doze. Foi testemunha privilegiada de alguns acontecimentos importantes da vida de Jesus e o primeiro apóstolo a conhecer o martírio. É tido como o primeiro evangelizador da Espanha.

 É, também, a Festa de São Cristóvão, Protetor dos Motoristas, o que nos motiva a benzer todos os Motoristas. As obras de Mobilidade Urbana, que incluíram a Avenida Saudade não nos permitem que procedamos a bênção, como fora antes da Pandemia, ao longo de 2008 até 2019 diante da Igreja Santo Antoninho, na Avenida Saudade, 202 entre as Ruas Minas e Rio de Janeiro nos Campos Elíseos em Ribeirão Preto, ao longo de toda a manhã entre 8 e 15 horas.

 Por ser num sábado neste ano, o trânsito é intenso e perigoso. Por isso daremos a bênção aos motoristas e não aos veículos, logo após a Santa Missa das 9 horas no domingo, dia 26 de julho, no interior e no átrio da Igreja Santo Antoninho! Para receber a bênção será necessário participar da Missa também! 

 Este gesto da Bênção dos Motoristas nos remete a pedir maior zelo, cuidado e proteção para o trânsito de nossa cidade, um dos mais violentos do Interior de São Paulo. É um grito por maior civilidade, educação e cavalheirismo entre os transeuntes de nossa malha viária. Não cansamos de afirmar com muitos sociólogos, que o trânsito de uma cidade demonstra o grau de educação de seus cidadãos. Perguntemo-nos: somos um povo educado ou violento, estressado e egoísta, enquanto disputamos espaço em nossas avenidas e ruas? Não passamos um único dia, sem sabermos a notícia de um número razoável de acidentes, provenientes de imprudência, pressa, falando ao celular, falta de respeito para com os outros. A disputa entre motociclistas, transporte coletivo e demais conduções torna-se um terror psicológico a pedestres que, tampouco utilizam das faixas a eles reservadas. Transitam entre conduções que nem sempre os avistam. Se contarmos os que desrespeitam os semáforos ou as vias preferenciais, levantamos as mãos para o alto, por não termos ainda mais acidentes fatais!

Todos se sintam convidados a humanizar mais nosso trânsito, cada um de acordo com sua parcela de responsabilidade. Na Memória de São Cristóvão, Protetor dos Motoristas, recebendo a bênção na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, saibamos renovar de verdade este bom propósito!

Venham participar da Santa Missa e receber além da bênção, a oração a São Cristóvão: Domingo – dia 26 de julho de 2026 – às 9 horas, na Avenida Saudade, 202, Campos Elíseos em Ribeirão Preto! E os motoristas que participarem da Missa na Igreja Santa Teresa D’Ávila, na Praça das Rosas no Jardim Recreio, sábado, dia 25 de julho, às 18 horas, também poderão receber a bênção. São Cristóvão, projetei os Motoristas de nossa Cidade, Amém!

Já no dia 26 de julho, a partir das 16 horas, teremos a 3ª Missa Arquidiocesana no Santuário Arquidiocesano do Senhor Bom Jesus da Lapa em Jardinópolis, motivo pelo qual não haverá nenhuma Missa Vespertina nas Paróquia de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto. A Missa Arquidiocesana será uma demonstração de nossa Comunhão, Unidade, ressaltando a Sinodalidade, o “Caminhar Juntos” como Igreja de Jesus Cristo, da qual todos somos membros!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PADRES E O RETIRO ESPIRITUAL ANUAL!

 

 PADRES E O RETIRO ESPIRITUAL ANUAL!

 


 

De 13 a 17 de julho, no Seminário dos Frades Capuchinhos Santo Antônio, Alto da Serra, em São Pedro (SP), os Padres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, juntamente com o Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, se encontram no Retiro Anual Espiritual, que neste ano é orientado pelo Pe. Carlos Alberto Contieri, SJ, Diretor do Pateo do Collegio em São Paulo.

Durante o retiro, neste dia 16 de julho Dom Moacir Silva, nosso Arcebispo Metropolitano completa 72 anos de vida. O Retiro Espiritual, além de invocar o Espírito Santo sobre seus participantes, é uma ação de graças muito especial pelo precioso dom da vida de nosso tão querido, dedicado e zeloso Pastor. Que Deus o conserve com muita saúde para continuar sua missão diante dos desafios da Igreja particular de Ribeirão Preto que lhe foi confiada, bem como as tantas outras atividades junto à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Dom Moacir é, atualmente, o Presidente da CNBB do Regional Sul 1, que abrange o Estado de São Paulo com suas 7 Arquidioceses e 38 Dioceses! Tem uma vitalidade juvenil para tanto trabalho, graças a Deus!

O Retiro Espiritual Anual dos Padres é um dos eventos mais fortes e marcantes na vida da Igreja particular. São dias de recolhimento, deserto, reflexão e revisão da vida espiritual dos Padres que, em torno de seu Arcebispo, avaliam sua vida ministerial e buscam novo ânimo e novas perspectivas para o ministério pastoral. Ser cada vez mais pastor configurado com Cristo, o Bom Pastor! É também, uma obrigação canônica.

Vivemos tempos em que se exige muito dos padres. Os avanços tecnológicos tomam demasiado tempo deles e se espera por respostas imediatas. Daí correr o risco de os padres serem engolidos pelo ativismo, por tarefas intermináveis, exigências pastorais que se avolumam, mas nem sempre se aprofundam. Os dias de retiro sugerem que os padres descansem, desliguem seus aparelhos e se distanciem, fisicamente, de suas Redes Sociais e Comunidades. Já as Comunidades confiadas aos Padres têm a obrigação de rezarem pelo êxito do retiro espiritual de todos os Padres e do Arcebispo da Arquidiocese. A reciprocidade na proximidade da oração faz milagres!

Ao longo dos meus trinta e seis anos e sete meses de ministério preguei 97 retiros espirituais. No mês de agosto pregarei o 98º e em setembro o 99º. Poderia dar-me por satisfeito. Não basta pregar retiros. Chega o momento em que também o pregador sente a sede de abastecer-se, desde os porões de sua intimidade, da companhia mais profunda de Jesus Cristo, que não poucas vezes fazia seus próprios retiros: algumas vezes sozinho, outras vezes com os seus discípulos. É um “deserto” salutar, que renova a alma!

Para que o retiro alcance seus objetivos, de renovar a espiritualidade presbiteral de cada padre, não bastam um magnífico pregador, nem um tema promissor. O retiro é pessoal. Será o coração de cada padre que acolherá, a seu modo, tudo o que lhe é proposto durante o retiro: o ambiente afastado dos afazeres hodiernos, as pregações e celebrações geralmente muito bem preparadas e criativas, só terão ressonância, se os ouvidos dos padres forem dóceis ao essencial no retiro: a voz de Deus, o apelo de Jesus Cristo, a ação do Espírito Santo na vida de cada um e a espiadinha de Nossa Senhora!

Não por último, o retiro proporciona aos padres de um mesmo Presbitério com seu Arcebispo, momentos fortes de encontro, perdão, superação de diferenças, reconciliação e a renovação de grande fraternidade sacerdotal, sinodalidade (caminhar juntos) e a caridade pastoral. O retiro tem o objetivo de libertar os padres das relações mal resolvidas, como a inveja clerical, a busca de prestígio, o personalismo, a ganância por cargos e poder sobre os outros. Convidados a despirem-se de quaisquer pretensões, o retiro espiritual robustece os padres em sua missão na Igreja para o mundo, dependendo sobremaneira da intensa oração das Comunidades que merecem padres cada dia mais santos: vazios de si próprios e encharcados dos dons do Espírito Santo. Rezemos uns pelos outros!  Sejamos verdadeiros Anjos uns dos outros!

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

NUNCA COMO HOJE SÓ SE FALA EM BILHÕES!

 

NUNCA COMO HOJE SÓ SE FALA EM BILHÕES!




 

          Me pediram, inúmeros queridos leitores, que refletisse novamente a questão da corrupção no Brasil. Corrupção essa, que não inicia no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas, mas no seio das próprias famílias. Quando pais “barganham” com seus filhos, prometendo premiá-los caso passem de ano na escola, ou obedeçam às ordens dos mais velhos. Passar de ano na escola, colaborar nos afazeres do lar e obedecer aos mais velhos, não é nenhum favor, porém obrigação dos filhos, desde tenra idade. É isso que chamamos de “educação de berço”. Mas nunca como hoje só se fala em bilhões, quando a questão é de corrupção, de enriquecimento rápido e ilícito

 

Todos os dias acompanhamos pelos diversos veículos de comunicação, que a Corrupção no Brasil continua em pauta! São criativas formas de corrupção aqui e acolá. Na verdade, sempre são os brasileiros que devem sacrificar-se hoje por um Brasil fortalecido e melhor de amanhã? Não me compete julgar pessoas, mas me enfurece a afirmação de integrantes dos Governos, não só do Brasil, mas também do mundo globalizado, de que somos todos responsáveis por um futuro melhor, enquanto quem paga os rombos desviados de todos os lados, é na verdade o trabalhador e a trabalhadora honestos; aqueles que pagam suas contas em dia, como também os mais altos impostos do mundo inteiro.

 

Por acaso foi o povo brasileiro que “roubou descaradamente” a Nação? Os escândalos da corrupção e da ladroeira já não se escondem mais atrás dos ternos de figuras, eleitas sim, pelo povo brasileiro, mas que a cada dia mais aparecem como traidores de seus eleitores. Não entendo nada de economia. Apenas sei que não se pode “dar o passo maior do que é a perna”! Não consigo entender como o dinheiro comprovadamente roubado de inúmeras Estatais demora tanto para ser ressarcido. Não deveria ser este dinheiro a retornar aos seus devidos lugares? Por que sempre o povo é obrigado a pagar a conta? Por que não acontecem verdadeiras contenções de despesas no Governo Federal, Estadual e Municipal? Para grandes e megalomaníacos projetos sempre há verba disponível. Mas para Projetos Sociais, Educação, Saúde e Segurança faltam verbas. Já sei: “Quando se encurta uma calça, corta-se nas barras das pernas e nunca na cintura...”.

 

Pior de tudo isso, é devolver as fortunas antes julgadas desviadas dos cofres públicos, aos ex-condenados e de repente, no entendimento de alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, intitulá-los inocentes pelos mesmos Ministros que os julgaram e até mesmo lhes negaram inúmeras vezes os tais Habeas Corpus! Me perdoem os que pensam diferente, mas eu não tenho mais dúvidas de que o Supremo já não é mais tão supremo assim. E tenho muito cuidado, porque estou convicto de quem não é de Deus cai. Um dia cai e feio!

 

A disparidade entre salários mínimos e salários aos aposentados em relação aos salários de nossos nobres políticos, é gritante e impõem uma injustiça que clama aos céus. Eles, os políticos em sua grande maioria, falam de bilhões de reais com tamanha naturalidade, sem nenhum escrúpulo, mesmo que tais verbas sejam provenientes da corrupção generalizada, as custas de um povo trabalhador honesto que sobrevive com migalhas

 

            A corrupção está nas grandes fortunas”! Sejamos mais conscientes e pensemos não na Política Personalista, mas no Bem Comum de cada Brasileiro! Não é justo que os pobres paguem a conta. A crise não é só econômica e política. Antes, a Crise é Moral! Ao invés de exigir sacrifícios dos pobres, devolvam-se os vultosos desvios de verbas dos cofres públicos. Quem rouba um pobre, merece “uma pedra de moinho no pescoço e fundo do mar”!

 

Não podemos reeleger pessoas que não nos representam no Congresso. Políticos que só pensam no próprio metro quadrado, sem escrúpulos e que enriquecem ilicitamente da noite para o dia. Frequentemente ouvimos de lábios de nossos Legisladores afirmações como: “O Congresso não é obrigado a ouvir o povo. Isto aqui não é como cartório onde a gente carimba o que o povo está pedindo”. A questão nem é “carimbar o que o povo está pedindo”, mas urgentemente legislar sobre o que o Povo está precisando: de maior dignidade e respeito por parte dos homens e mulheres que vivem uma vida privilegiada em detrimento dos que os elegeram. “Quem não vive para servir, não serve para viver” tantas mordomias!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O DIA DO PAPA!

 

O DIA DO PAPA!



 

No último domingo, dia 28 de junho celebramos a Solenidade de São Pedro, o Primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. Foi o Dia do Papa! Desde então, a Igreja nunca ficou órfã de Papa. O Pedro de nossos dias, eleito dia 8 de maio de 2025 é Leão XIV, o Papa da Paz! É no dia do Papa, 29 de junho, que os novos Arcebispos, nomeados desde o ano anterior, recebem sobre os ombros o Pálio, um colar de lã que o próprio Sucessor de Pedro entrega aos demais sucessores dos Apóstolos, que têm confiado uma Província Eclesiástica, uma Arquidiocese, como é a de Ribeirão Preto. Atualmente nossa Província é formada por quatro Dioceses, onde cada Bispo é autônomo. Além da Sé Metropolitana de Ribeirão Preto, constituem nossa Província as Dioceses de Franca, Jaboticabal e São João da Boa Vista. O serviço do Arcebispo é de confirmar as Dioceses Sufragâneas na Unidade, Comunhão e certa Pastoral de Conjunto.

No dia 22 de maio do ano passado, o Papa Leão XIV decretou a divisão da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, elevando a Diocese de São José do Rio Preto a Arquidiocese e nomeando seu Bispo como primeiro Arcebispo Metropolitano, Dom Antônio Emídio Vilar, SDB. Totalmente desmembrada da Província de Ribeirão Preto, a nova Arquidiocese tem como Dioceses Sufragâneas Barretos, Catanduva, Jales e Votuporanga.

No dia 4 de junho de 2025, durante a 87ª Assembleia das Igrejas do Regional Sul 1 da CNBB, que compreende as 8 Arquidioceses e 35 Dioceses do Estado de São Paulo, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, foi eleito o Presidente desse Regional, com a belíssima missão de garantir a Sinodalidade entre todos nós, que consiste num “caminhar juntos na comunhão, participação e missão”!

Na verdade, o que celebramos na Solenidade de São Pedro e São Paulo não são os méritos destes apóstolos. O que celebramos é o Senhor mesmo que escolheu e enviou estes apóstolos, para serem seus principais parceiros no grande mutirão em favor da vida, inaugurado pelo mistério pascal de Cristo e assistido pelo dom do Espírito Santo.

São Pedro e São Paulo, ao lado de São João Batista e Santo Antônio, são santos muito estimados pelo nosso povo brasileiro; são alegremente festejados pela religiosidade popular deste país, compondo assim nossas tradicionais festas juninas. A tradição dos Santos Juninos é portuguesa e foi assumida pelos Índios e Escravos do Brasil, tornando-se uma das principais festas, especialmente no Nordeste e no Sul. Lá são celebrados por um mês inteiro.

No Dia do Papa que neste ano solenizamos no último domingo de junho, fizemos a Coleta do Óbolo de São Pedro. São as Comunidades Católicas Apostólicas Romanas do mundo inteiro que partilham de sua pobreza, sendo generosas e oferecem, livremente, parte do que lhes pertence a quem tem menos. O Papa, por meio de sua assessoria, utiliza o resultado desta Coleta para socorrer, em nome da Igreja do mundo inteiro, nossos irmãos que sofrem dificuldades: as vítimas da fome (continuam passando fome diariamente no mundo, segundo a ONU mais de 1 bilhão de pessoas); as vítimas de enchentes, tornados e guerras, essas sempre tão estúpidas. Enquanto o Vaticano envia auxílio aos nossos irmãos em situações de risco e vulnerabilidade, é justamente nossa oferta que alivia as dores de tantos sofredores, pois o faz em nome de cada um e de todos que se sentem Católicos Apostólicos Romanos e vivem inseridos e comprometidos como tal. Agradecemos a generosidade de todos que pensam naqueles que têm menos do que nós. Quem não conseguiu fazer sua oferta, poderá oferece-la numa das celebrações do próximo final de semana. Ainda há tempo! As Comunidades enviarão toda a coleta à Cúria Metropolitana, que fará chegar ao destino certo nossa participação consciente, com sabor de amor divino!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 


 

“Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João.

Ele veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor

Um povo bem-disposto” (Jo 1,6-7; Lc 1,17).

 

 

 

Além de Jesus Cristo e Maria Santíssima, João Batista é o único santo que tem celebrado no Calendário Litúrgico, seu nascimento, enquanto os demais são lembrados no dia de sua páscoa natural ou na data de seu martírio! A Igreja celebra também sua Vigília, preparando-se para celebrar o precursor, a luz que haverá de preparar os caminhos e abrir as cortinas para a estreia do verdadeiro Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo, Jesus, o Messias! Com João, o que batiza um Batismo de Conversão, nos deparamos com o encontro do Antigo com o Novo Testamento. Com João Batista, o último e principal dos Profetas acontece o enlace da Antiga com a Nova Aliança; a maior compreensão do pacto de Fidelidade de Deus para com a Humanidade! Ressalta a “teimosia” de Deus em amar, apaixonadamente, sua Criatura predileta: a Pessoa!

          São João Batista é importante para os cristãos. Santo muito querido e estimado pelo povo brasileiro. Em todas as regiões, principalmente do norte, nordeste e sul, existem as festas tradicionais de São João, celebradas com alegria, muita comida e bebida, danças e trajes típicos, à luz da tradicional fogueira de São João. Estas festas ocupam lugar de destaque no calendário popular.

          A Igreja, já no século VI, reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de São João Batista. Santo Agostinho escreve: “A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação... João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor diz: ‘A lei e os profetas até João Batista’ (Lc 16,16). (...) Antes mesmo de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele” (Ofício das Leituras, in Liturgia das Horas).

          Jesus o declara o maior de todos os profetas. Homem simples, austero, corajoso, apontou o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29-36). Deu testemunho da luz, aplainou os caminhos e preparou o povo para acolher o Salvador. Antes que Jesus chegasse, pregou um batismo de conversão.

          A celebração do seu nascimento nos associa à alegria de Isabel, de Zacarias e dos vizinhos, porque Deus se lembra de nós, indica os caminhos da salvação e aponta os horizontes da liberdade.

          A Palavra anunciada nos conduz para dentro da verdadeira Luz de todos os povos, o Salvador, do qual nem merecemos desamarrar as sandálias. Celebramos, acima de tudo, o mistério daquele que se fez o menor no reino de Deus, e, por isso, é o maior: Jesus.

          Como seria lindo, se a humanidade, a começar de mim, se revestisse   da identidade de São João Batista, a humildade. Porque a humildade é uma das mais lindas virtudes de uma criatura humana. Como é bom ser humilde!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!

 

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!



É difícil escrever um artigo sobre como celebrar o 170º aniversário da Cidade em tempos de tanta insegurança e violência. Os cidadãos estão reféns e sentem medo uns dos outros. A maioria dos bairros estão feios e perigosos.  Mas também é evidente que os investimentos na saúde nem sempre são prioridade, ou pelo menos, nem sempre são levados a sério tanto em nossa macro-região, como em nosso País Continental, não obstante ainda tenhamos a Saúde de melhor qualidade tanto em nossa aniversariante cidade, como em São Paulo, o mais rico Estado do Brasil. Já as crises econômicas, políticas e morais, aparentemente fogem ao controle dos Municípios. Elas, as crises, se nos são impostas desde a esfera Federal e também Estadual. O que não se pode negar, é que crises em geral, a priori, angustiam todos os cidadãos. 
A magnífica Professora e Escritora Maria Helena Silva Dutra de Oliveira, de saudosa memória, um dia enviou-me uma mensagem de George Carlin, que me ajuda a escrever este artigo, porque provoca uma reflexão e nos convida a encontrar um jeito de como celebrar o aniversário da Cidade de Ribeirão Preto. O aniversário é de todos, é nosso, é de cada cidadão ribeirãopretano. 
O paradoxo de nosso tempo na história é que nós temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais curtos, estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Nós gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências, mas menos tempo. Temos mais diplomas, mas menos sabedoria, mais conhecimento, mas menos espírito crítico, mais especialistas e mais problemas, mais remédios e menos bem estar.
Nós bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem cuidado, rimos muito pouco, guiamos muito depressa, ficamos muito bravos, dormimos muito tarde, levantamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos muita televisão, rezamos muito raramente. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos muito, amamos muito raramente, e temos raiva frequentemente.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não uma vida.  Acrescentamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos. Vamos até a lua e voltamos, mas temos problemas para atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior.
  Nossa cidade aniversariante antes feia e descuidada, agora já demonstra novamente zelo e beleza, porque seu povo continua lindo e cheio de novas esperanças. Já é novamente possível “cortar o bolo de aniversário”, porque “não levamos o bolo de novo” e a cada dia que amanhece não esqueçamos, de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade: Exercendo a cidadania, cumprindo com nossa parte, e pedindo a quem nos governa, executivo e legislativo seja servidor do povo, garantindo-lhe sua dignidade!
  Desejo muito que o distanciamento social, e outras novas posturas que precisamos tomar para superar a Cultura da Sobrevivência, que continua nos surpreendendo a todos, nos ajudem a sermos pessoas melhores. Não cesse nossa capacidade de sermos solidários e olharmos para nossos concidadãos com olhos de um coração sempre mais generoso e sempre menos egoísta. Não deixemos que a desigualdade social cicatrize ainda mais nossa rica e tão acolhedora cidade aniversariante de Ribeirão Preto!
Pe. Gilberto Kasper
          Teólogo


quarta-feira, 10 de junho de 2026

A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!

 

A SANTO ANTONINHO E SEUS 123 ANOS!

 

 

No dia 13 de junho de 2026, a Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, carinhosamente conhecida como Igreja Santo Antoninho, situada na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, celebra os 123 anos de fundação. A pedra fundamental, segundo informações da Cúria da Arquidiocese de São Paulo, foi implantada em 1892. O templo é o mais antigo, em pé, da cidade de Ribeirão Preto. Foi Capela da Vila Emília, depois da Família Proença da Fonseca e em 1989, através de inventário assinado pela então última herdeira viva, Hilma Proença da Fonseca Mamede, foi doada à Arquidiocese de Ribeirão Preto “para cultivar a fé católica da Família Proença da Fonseca”. Adjudicada do complexo do imóvel que compreendia a Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, incendiada no dia 7 de setembro de 2019 e demolido, o que sobrara da antiga residência da Família em 2022, bem como do Mosteirinho onde viveram os Padres Scalabrinianos e os Monges Beneditinos Olivetanos no início do século XX, a Arquidiocese de Ribeirão Preto obteve a escritura do imóvel, que em 2009 foi tombado provisoriamente pelo CONPPAC – Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto.

Depois que os Monges Beneditinos Olivetanos passaram a residir em seu Mosteiro próprio, a Igreja Santo Antoninho passou a ser atendida por sacerdotes diocesanos (há 82 anos portanto), como Padre Euclides Gomes Carneiro, que celebrou a primeira Missa na Capelinha, de portas abertas para o povo no dia 10 de maio de 1903, Monsenhor João Lauriano, Cônego Arnaldo Álvaro Padovani, este último, ao longo de quatro décadas, por inúmeros padres mais jovens e zelosos, como o Pe. Márcio Luiz de Souza, o Pe. Josirlei Aparecido da Silva e o Pe. Giovanni Augusto, que o auxiliaram quando já sentia o peso da idade, pelos Missionários Claretianos, como o saudoso Pe. Lauro Edgar de Araújo Franco, CMF, que me acolheu para minha primeira Missa como reitor daquele Espaço Cultural Ecumênico de Espiritualidade, vontade expressa por Dom Joviano de Lima Júnior, o então Arcebispo, que me enviou para esse fim àquela simpática e acolhedora Igrejinha no dia 20 de abril de 2008, com a provisão de reitor assinada no dia 17 de abril do mesmo ano. Dom Joviano faleceu sonhando com a Santo Antoninho e o Mosteirinho atrás dela, restaurados, bem como a Casa da Amizade ao lado, desenvolvendo sua verdadeira função, se tornando um Centro Social ou Cultural a serviço dos mais pobres da cidade, como consta no próprio inventário. As queridas irmãs portuguesas desejavam que se continuassem suas obras de caridade: a distribuição dos pães aos pobres e a hospitalidade às parturientes vindas do interior, que não tivessem como se hospedar enquanto aguardassem atendimento na Santa Casa situada no mesmo bairro dos Campos Elíseos.

Desde o tombamento provisório em 2009, da Igreja conjuntamente com a Academia que já não existe mais e o Mosteirinho anexo, fizemos um árduo caminho de tentativas para restaurar a Santo Antoninho, sem êxito. Levamos 5 anos, 5 meses e 35 dias para obter a autorização da construção de 2 banheiros e a instalação de água e esgoto. Essa realidade mudou desde 2018, quando formamos o Grupo dos Amigos da Igreja Santo Antoninho. No início éramos mais de 120 pessoas. Mesmo assim o CONPPAC nos fez esperar 15 anos, com idas e vindas, projetos e mais projetos negados para, finalmente podermos iniciar as obras de restauro de nossa Santo Antoninho. Já o terreno ao lado da Igreja, está abandonado, um verdadeiro “criadouro” de insetos como mosquitos da Dengue, escorpiões, além de servir para acampamento de pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Logo estará “invadido” e lá nascerá mais uma “favela”? Já acionamos inúmeras autoridades municipais, sem êxito: desde a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores até Deputados Federais. Simplesmente não nos retornam, ou quando retornam “prometem”, mas não nos ajudam. Temos quem faria um estacionamento sem fins lucrativos naquele terreno, a fim de que as pessoas pudessem guardar seus veículos enquanto participassem das celebrações e atividades na Igreja. Uma vez que não é mais permitido estacionar na Avenida Saudade. E nosso grito por socorro continua!

Celebraremos a Missa de ação de graças pelos 123 anos da Santo Antoninho, no próximo dia 13 de junho, sábado, às 8 horas. Desejamos que acolham nossa mais profunda gratidão e a renovação de nossa fidelidade na busca da restauração desse pedacinho da história e tão importante patrimônio de nossa Arquidiocese e Cidade de Ribeirão Preto!

 

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

terça-feira, 2 de junho de 2026

A FESTA DE CORPUS CHRITI!

 

A FESTA DE CORPUS CHRITI!

 

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas; em
que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa vida.

          O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, informado do milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o Padre Pedro de Praga, da Boêmia, Itália, teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais", (onde tive a graça de celebrar a Eucaristia em 1997). Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e mais tarde, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

          Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.

É uma ocasião ímpar de testemunhar nossa fé, de que a Eucaristia é a alma da Igreja. Não existe Igreja sem Eucaristia. É, também, oportunidade de invocar bênçãos sobre as famílias, os enfermos, os surrados pela vida de nossa rica cidade. Que a Festa de Corpus Christi deste ano tenha um sabor de menos violência, menos mentiras maquiadas de verdades, menos corrupção, menos inveja, menos competição na busca de poder e prestígio. Que nossa sincera homenagem à Santíssima Eucaristia nos ajude a caminhar juntos no espírito da sinodalidade, superando de uma vez por todas as pandemias e viroses da insensibilidade, do confronto, da agressividade e dos contravalores que nos animalizam ao invés de nos humanizar.

A Festa de Corpus Christi, na Forania Santa Maria Goretti, será celebrada no Colégio Vita et Pax, nesta quinta-feira, dia 04 de junho, na Avenida Abade Constantino, 174 no Bairro Jardim Recreio de Ribeirão Preto, às 09 horas, presidida por nosso Vigário Forâneo, Padre Márcio Luiz de Souza e concelebrada pelos Padres da Forania, como testemunho de Unidade e Comunhão. Logo a seguir haverá uma pequena procissão até a Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila, na Praça das Rosa, onde será dada a Bênção do Santíssimo Sacramento.  Sintam-se todos convidados!

Que a Festa de Corpus Christi impulsione todos os cristãos e demais cidadãos de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, bem como do mundo inteiro, a melhorarem sua qualidade de vida, sendo Anjos uns dos outros!

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

quarta-feira, 27 de maio de 2026

AGRADECENDO A QUERMESSE!

 

AGRADECENDO A QUERMESSE!


 

O Dicionário Aurélio define a Quermesse como “feira beneficente, com barraquinha (tendas), leilão (sorteio) de prendas, etc.” Infelizmente o Dízimo ainda não mantém o culto de nossas Comunidades Paroquiais, como suas pastorais, manutenção dos templos e tantas outras despesas que implicam na administração de uma Paróquia instalada. Por isso gostaria de manifestar minha gratidão pelas quermesses, que também são fontes de recursos para a manutenção de nossas Paroquias.

Gosto de pensar, que se cada cristão católico que, mais ou menos, participa de nossas atividades paroquias, oferecesse mensalmente, um porcento de seus rendimentos à sua Comunidade, em forma de dízimo livre e consciente, não precisaríamos nos preocupar tanto com promoções que visem arrecadar fundos para sua manutenção. As Quermesses ou eventos afins teriam maior motivação de confraternização, de encontro de irmãos que professam a mesma fé, enriquecendo, assim, a sinodalidade de nossa Igreja, promovendo também por meio de eventos sociais, a comunhão, participação e missão, especialmente no testemunho de que somos todos irmãos, filhos de uma Igreja que é mãe e mestra e que ama muito todos os seus filhos e filhas!

É muito lindo perceber o comprometimento de nossos agentes de pastoral na preparação de uma Quermesse. Não obstante as inúmeras dificuldades, especialmente financeiras, dos que colaboram com nossas Comunidades, todos se revestem de entusiasmo, ânimo e grande disponibilidade na busca de recursos para a realização da melhor Quermesse a cada ano. Há uma competitividade saudável entre as equipes de trabalho, porque cada uma quer organizar da melhor maneira sua tarefa, sua tenda, seu compromisso para com o evento em preparação.

 As pessoas tem participado como nunca antes das Quermesses realizadas pelas inúmeras Paróquias por todos os lados. Milhares de pessoas surpreenderam positivamente com sua presença e efetiva participação. Isso também é percebido nos grandes shows ao ar livre e nas festas comemorativas de cunho social. Eu ficaria muito feliz se o mesmo acontecesse com nossas celebrações de Missas, que em comparação, se percebe bem mais devagar e tímido, pelo menos na Paróquia Santa Tereza de Ávila, no Jardim Recreio, em Ribeirão Preto. Há Paróquias com linda e imensa participação de fiéis. Quermesses e barzinhos, bem como tantos outros eventos sociais contam com multidões, quando para a participação nas Missas de nossa Igreja ainda se ouve inúmeras desculpas. Quantas vezes ouço a desculpa de que não foi possível participar da celebração na Comunidade porque precisava ir a um aniversário! “Tempo é uma questão de Prioridade”!

Mas também os encontros de pessoas que sentem saudades umas das outras, participando de nossas Quermesses, podem servir de testemunho de que nos amamos e desejamos formar uma grande e linda Família de Deus! Por isso venho a público para agradecer a todos que, de alguma maneira prepararam e participaram da Quermesse na Paróquia Santa Teresa D’Ávila nos dias 15 e 16 de maio passado. Sou testemunha da dedicação exemplar de uma linda e querida equipe de Eventos coordenada pelo Sr. Daniel Dandun e sua linda Família, que ao longo de meses preparou com profundo amor à Igreja, essa Quermesse, cuja renda será destinada às necessárias reformas e melhorias de nossa Paróquia, que o Dízimo ainda não consegue cobrir e contemplar. Nem por último, quero agradecer, de coração, aos veículos de Comunicação: Emissoras de Televisão, Rádio, Internet, Jornal Tribuna Ribeirão e à querida Thaís Portella, pela divulgação! Ouvi de centenas de lábios, que foram prestigiar nossa Quermesse, por terem sido informados pelos meios de comunicação, o que muito me alegrou! Encontrei pessoas lindas, que há nos não via. Foi um encontro de verdadeiros amigos e irmãos!

Invoco a bênção sob a intercessão de Santa Tereza de Ávila sobre todos, que contribuíram, participaram, trabalharam e divulgaram nossa tradicional Quermesse. Deus os recompense e abençoe grandemente por tudo sempre, com Sua divina ternura!

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ENXERGAR BEM É UM DOM!

 

ENXERGAR BEM É UM DOM!


 

A maior fragilidade humana não está na complexidade de seu organismo, mas se revela quando entra em crise. Os antônimos nos esclarecem melhor a natureza das coisas ou, pelo menos, nos dão maior apreço pelos valores positivos. Assim se aprecia melhor a luz quando se vê seu contraste com a escuridão; o dia fica mais significativo quando comparado com a noite. A saúde fica melhor ressaltada em comparação com a doença. Ou como se costuma dizer: só conhece o valor da saúde quem ficou doente.

          Há hoje um consenso em não restringir a saúde a uma questão biológica. Ela envolve valores psicológicos, sociais, espirituais, econômicos e religiosos. Pode ser definida como bem-estar físico, psicológico, social, econômico, espiritual e religioso. A ausência de algumas dessas dimensões constitui crise e deve ser considerada doença.

          Pela constituição unitária da pessoa humana, todos estes fatores se influenciam mutuamente. Uma disfunção orgânica no ser humano não tem o mesmo significado que num animal ou numa planta. Por isso não pode ser tratado do mesmo modo. É exatamente o que deveria distinguir o médico do veterinário e do ambientalista. Nós somatizamos nossos problemas psíquicos, sociais, econômicos e religiosos.

          No dia 29 de abril me submeti a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. Consultando com o magnífico professor aposentado da USP, Dr. Harley Bicas, que atende às quartas-feiras no Instituto da Visão de Ribeirão Preto, à Av. Independência, 2509, fui diagnosticado com catarata nos dois olhos, sendo que o esquerdo estava mais comprometido. Feitos os exames sob a orientação da Dra. Maria Cristina Zanatto, fui operado com sucesso pelo renomado e querido Dr. Roberto P. Coelho, Proprietário do Instituto da Visão.

          “A cirurgia de catarata é um procedimento seguro e rápido, geralmente durando entre 10 e 30 minutos, que remove o cristalino opaco e o substitui por uma lente artificial (lente intraocular) para restaurar a visão. Realizada com anestesia local e alta no mesmo dia, a técnica mais comum é a faco- emulsificação, utilizando ultrassom ou laser para fragmentar e aspirar o cristalino” (Dr. Roberto P. Coelho).

          Ainda há escrúpulos e resistências em relação à cirurgia de Catarata, por centenas de pessoas que enxergam pouco, por possuírem essa enfermidade. Os tempos mudaram e a medicina, também oftalmológica, evoluiu muito. Dr. Roberto Coelho faz a cirurgia por laser e não demora mais do que sete minutos. Pelo menos foi o que aconteceu no meu caso.

          O pós-operatório pede alguns cuidados muito simples de serem adotados, sem que alterem nossas atividades hodiernas. Também isso evoluiu. O que importa, é a beleza de enxergar sem óculos; tudo que antes se via embaçado, agora se vê mais nítido do que nunca. A sensação de enxergar bem longe e perto, é um verdadeiro dom!

          Costumo “brincar” com pessoas amigas, que passando dos 60 anos de idade, começamos a “trocar os órgãos de nosso corpo humano”. Já me perguntaram se não seria pecado? Claro que não, desde que recupere a saúde fragilizada com o passar dos anos. Não se trata de mera vaidade, mas de zelo pela saúde, a fim de que possamos continuar servindo, cada um, à luz de sua vocação específica.

          Desde a recepção até ao Centro Cirúrgico e os retornos médicos com o Dr. Roberto P. Coelho e a Dra. Maria Cristina Zanatto, fui tratado como um “príncipe” de que nem digno sou. Minha experiência foi das melhores e recomendo que busquemos enxergar bem, porque enxergar bem é um dom. Minha próxima cirurgia de catarata no olho direito está agendada para o dia 26 de maio próximo.

          Assim agradeço, de coração, pelas orações de tantas pessoas queridas e amadas. Também expresso minha gratidão aos médicos do Instituto da Visão: seu proprietário, Dr. Roberto P. Coelho, a Dra. Maria Cristina Zanatto, toda a Equipe do Centro Cirúrgico na pessoa da Enfermeira-Chefe Ana Paula, as Meninas, verdadeiros Anjos Bons, da Recepção, e por fim, o Dr. Harley Bicas, que fez questão de acompanhar a primeira cirurgia, acolhendo-me e depois, despedindo-me na porta de entrada do Instituto da Visão. Deus os recompense e abençoe grandemente por tudo sempre! Não esqueçamos que enxergar bem é um dom!

         

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 13 de maio de 2026

DEVOLVER O ROUBADO!

 

DEVOLVER O ROUBADO!



 Quanto mais medito a “Ambiguidade humana e graça de Deus – A origem do mal” no terceiro capítulo do Livro de Gênesis, especialmente o diálogo do Criador com o Homem (Gn 3, 8-13), concluo que até nossos dias a história se repete, no que diz respeito à transferência de responsabilidades! O homem remete sua culpa à mulher e esta à serpente no cenário do Éden. “Fiz, mas não tenho culpa, porque foi ela que me tentou!”

No atual cenário político não parece ser diferente. Os que vão sendo descobertos em suas falcatruas, roubalheiras, desvios de verbas públicas, corrupção sistêmica e irresponsabilidade fiscal remetem a terceiros seus atos, mesmo que tenham tido conhecimento ou não disso ou daquilo. Perdeu-se totalmente a consciência do ridículo. Nossos Governantes, especialmente alguns Deputados e Senadores reeleitos, que mais parecem com raposas de campanha (não são todos), subestimam seus eleitores decepcionados com as inúmeras revelações do que costumo chamar de diabólico, porque enganoso, mentiroso, cruel e nem por último criminoso.

Não me refiro aos bilhões de reais que escorrem pelos bolsos de tantos homens públicos, utilizados para o bem pessoal ou de coleções de sapatos de suas esposas. Segundo o Magistério da Igreja Católica, a Teologia Moral nos ensina que alguém arrependido de ter roubado algo de maior ou menor valor, e tendo a coragem de confessá-lo, será orientado a devolver o roubado, a fim de que reencontre a paz que tal pecado lhe roubou. Se os bilhões desviados dos cofres públicos fossem devolvidos a quem de direito, já teríamos uma boa solução para a crise que se instalou em nosso rico Brasil: crise política, econômica e principalmente ética. Porque não acredito que os “Corruptos poderosos” condenados a alguns anos de prisão, se convertam. Gosto de pensar que quando se encurta uma calça, é na barra da mesma que se corta e nunca na cintura. Os subservientes que paguem pelos verdadeiros mandantes.

 Devemos ser misericordiosos como o Pai é misericordioso. Mas se lermos o texto de Gênesis 3, 14-24, veremos que a atitude de Deus foi a imposição de uma penitência corretiva. Não basta arrepender-se, pedir perdão e não corrigir os estragos que nossa atitude causou. Ao invés disso, um remete a culpa ao outro. Se cada um assumir sua parcela de responsabilidade, chegaremos ao consenso de que é necessária uma imediata conversão ou radical mudança, que devolva não só o dinheiro desviado e gasto indevidamente, como a dignidade do Povo tão pacífico, trabalhador e sofrido, porque subestimado em sua capacidade de discernir o certo do errado e o verdadeiro culpado do inocente. Para que isso aconteça, será necessário rever o equilíbrio, a educação básica sem gritos histéricos e ameaçadores, as manifestações que depredam bens públicos e privados, o diálogo e respeito com o diferente!

A transferência de responsabilidades não leva a lugar nenhum, a não ser a um poço de areia movediça. Já passou da hora de colocar a mão na consciência, ter um pouquinho de vergonha na cara e uma dose de humildade, a fim de redesenharmos o Brasil que todos merecem! Mas isso só será possível, se realmente conhecermos bem os homens e as mulheres que elegeremos, neste ano, para compor um Congresso Nacional comprometido, de verdade com o bem comum, e não com o bem próprio, com corporações interesseiras e amiguinhos de “mão boba”, que sem nenhum escrúpulo, roubam o dinheiro público que cada brasileiro produz com seu suor e árduo trabalho, e depois é obrigado a sustentar até mesmo luxúrias, fundos partidários, verbas para propagandas eleitorais, na maioria das vezes, mentirosas, com os impostos, os mais altos do mundo. Não esqueçamos, que quem não é de Deus cai; um dia cai; e quanto mais alto subir às custas dos outros, os mais simples, maior será o tombo. Já quem promove a dignidade e a justiça de todos os cidadãos, permanecerá de pé diante de Deus, que sempre aguarda que devolvamos o que roubamos!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 6 de maio de 2026

SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!

 

 SER MÃE É UMA VOCAÇÃO!


 

O mês de maio começa celebrando a Festa de São José, operário, embora seja bem mais dedicado à MULHER! Comemora as Mães, as Noivas e é considerado pelos cristãos católicos, um mês dedicado à MARIA, Mãe de Jesus. O convite do Papa Francisco, para o mês de maio, sempre foi que rezássemos em Família, todos os dias, o Terço. Somos a Igreja Doméstica pedindo proteção a todos os filhos de nossa Mãe comum. “A Família que reza unida, permanece unida”, especialmente diante de tantos desafios e dificuldades!

A intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de maio, neste ano, é “Por uma alimentação para todos”! O Papa pede que rezemos para que todos, desde os grandes produtores até os pequenos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício de alimentos e para que todos tenham acesso a uma alimentação de qualidade. Quantas mães conhecemos, que deixam de se alimentar adequadamente, para que seus filhos tenham o que comer? Muitas vão dormir com muita fome, porém satisfeitas porque deixaram comida para matar a fome dos filhinhos, principalmente em nossas Comunidade, as mais vulneráveis, que atendemos pelo Fraterno Auxílio Cristão (FAC), diariamente. Por isso, sabemos do que escrevemos!

Gostaria de refletir muitos temas, mas pensei em escrever algo sobre o sentido da maternidade cristã, a partir das milhares de mães que assumem seus filhos sozinhas. São as que nossa sociedade chama de “mães solteiras”! É interessante observar que nunca ouvi ninguém chamar uma mãe, casada, direitinho, ou cujo pai assume com ela os filhos, de “mãe casada”!

Continuamos com o péssimo hábito de discriminar as pessoas, vivendo, muitas vezes, às escondidas, disfarçando gravidez antecipada, aliás, nas últimas décadas, a maioria das crianças nasce aos sete meses, ou me engano? Casamentos ou contratos de estabilidade conjugal forçados, que não passam de hipocrisia, para não admitir, ou então não se sentir motivo de conversinhas de vizinhos maldosos seriam válidos? Certamente a gravidez simplesmente, sem a certeza do amor gratuito, com sabor divino, profundo e verdadeiro, não é razão suficiente para “mentir” fidelidade diante de testemunhas, de ministros assistentes a matrimônios com aparatos megalomaníacos, como fotografias, filmagens, festas em renomados espaços de elegância exacerbada. São simplesmente nulos. Não acontece então o verdadeiro sacramento, eis uma farsa.

Penso que estaria na hora de revermos o verdadeiro sentido da maternidade cristã. O que significa ser mãe, com ou sem parceiro? Ser mãe implica uma vocação específica, sublime, nobre e abençoada por Deus, o Criador. Ser mãe é gerar vida com amor. Para ser mãe de verdade, é preciso “fazer amor” e não simplesmente relação sexual por mero prazer hedonista. É, por isso possível, dissociar vocação ao matrimônio da vocação materna? Penso que não. Quem se casa sem querer constituir Família, utiliza-se de uma Instituição Sagrada: A Família, colocada de bruços nas últimas décadas, que continua sendo a célula da sociedade. Precisa urgentemente ser reerguida e reassumida por pessoas que ainda acreditam em valores humanos e promovem a pessoa na sociedade, que ao contrário, a coisifica.

Quero, neste mês de maio, prestar minha homenagem muito terna, às mães que chamam de “solteiras”: mulheres corajosas, especiais, que desempenham também o papel de pais, para educar e amar divinamente os filhos que geraram, tantas vezes com dificuldades impostas pela própria família, pelos parentes e por uma sociedade que precisa ser mais amorosa, fraterna e misericordiosa com elas. Quem julga, fala mal, condena e determina a sentença sobre qualquer pessoa e seu comportamento, ousa prepotentemente ser deus sobre o outro. Minha ternura a todas as Mães do mundo, sobre as quais invoco as bênçãos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo