Pesquisar neste blog

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

UM NOVO APELO AOS MOTOCICLISTAS!

 

UM NOVO APELO AOS MOTOCICLISTAS!

        

         Posso parecer repetitivo. Não tem outro jeito. Preciso voltar a escrever o que já divulguei em meus modestos artigos inúmeras vezes. É como decorar a tabuada. Se sei a tabuada de cor, é porque a repeti tantas vezes quantas foram necessárias. Não é por falta de assunto. É por convicção e temor. Estou com muito medo do trânsito em nossa amada cidade e região.

 

          No artigo desta edição faço um novo apelo aos Motociclistas. Me perdoem os bons, carinhosamente chamados de “Motoqueiros”. Mas nesses últimos meses tem sido um desafio imenso dirigir em nossa cidade!

 

          É de arrepiar ver o quanto os sinais de trânsito são desrespeitados pelos Motociclistas, em todos os horários do dia, da noite e da madrugada. Quando os semáforos abrem para os automóveis passarem, surgem Motociclistas passando, como se nem houvessem esses sinais, colocando-se a eles próprios e aos que avançam o sinal verde, em risco de morte. Costumo dizer que os Motociclistas surgem de todos os lados: pela esquerda, direita, do alto, por trás e até “do purgatório”!

 

          A Imprensa vem divulgando o aumento de acidentes, especialmente envolvendo Motociclistas. As Ortopedias dos Hospitais estão sempre lotados com Motociclistas, na maioria jovens, fraturados. Muitos deles também vem ocupando os jazigos de nossos Cemitérios. Mas essa constatação é visível não somente pelos telejornais. Os que respeitam as sinalizações do trânsito não poucas vezes são assustados com buzinações e xingamentos.

 

          Essa Revolução Cultural que se impôs entre nós, alimentada por uma “Cultura de Sobrevivência”, faz com que as pessoas não vivam mais, normalmente, mas sobrevivam numa corrida contra o tempo, em busca do suado dinheirinho, para arcar com as despesas de uma vida cara.

 

          As pessoas entram nos supermercados com esperança de conseguirem comprar seus alimentos e saem com duas ou três sacolinhas e os carrinhos vazios. O custo de vida, especialmente, de alimentos e medicamentos, está “pela hora da morte”! Isso desencanta a sociedade e aos que têm condições, recorrem a compras de alimentos ou medicamentos aos Motociclistas de Aplicativos. Já esses, correm desvairadamente, para entregarem o máximo em tempo, o mínimo possível. A rapidez das entregas lhes garante um valor um pouco maior. Assim a pressa é que provoca a imprudência, promovendo uma habitual desobediência às leis de trânsito.

 

          Aliás, a desobediência em nossa sociedade, tem sido a “máxima” em tantos movimentos, desde a infância até as autoridades de nossa Nação, que traz inscrito em nossa Bandeira, “Ordem e Progresso”! Muitos são os que incentivam a desobediência de todos os lados. Todos falam ao mesmo tempo; ninguém sabe mais escutar o que o outro tem a dizer; cada um quer ter razão e a última palavra, o que só causa confusão. Que pena que seja assim”!

 

O trânsito continua matando! O trânsito continua violento. Minha súplica se estende aos queridos leitores, e hoje especialmente aos Motociclistas, de que sejamos mais humanos – Anjos de Guarda uns dos outros – porque infelizmente o trânsito continua violento, fraturando e também ceifando muitas vidas, por vezes ainda tão jovens!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O MÊS DA BÍBLIA DE 2026!

 

O MÊS DA BÍBLIA DE 2026!

 


 

Embora todo mês de setembro seja dedicado à Bíblia, o Dia da Bíblia é celebrado na memória de São Jerônimo a 30 de setembro, que além de presbítero e doutor da Igreja, é o Patrono dos Biblistas, os que se debruçam sobre o aprofundamento do estudo da Bíblia. O século IV depois de Cristo, que teve o seu momento culminante no ano de 380 com o edito do imperador Teodósio no qual se estabelecia que a fé cristã devesse ser adotada por todas as populações do império, está repleto de grandes figuras de santos: Atanásio, Hilário, Ambrósio, Agostinho, João Crisóstomo, Basílio e Jerônimo, dálmata, nascido entre 340 e 350 na cidadezinha de Strido. Romano de formação, Jerônimo é um espírito enciclopédico. Sua obra literária nos revela a cada instante o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, em grego, em hebraico, escritor de estilo rico, puro e robusto ao mesmo tempo. A ele devemos a tradução em latim do Antigo e Novo Testamentos, que se tornou, com o título de Vulgata, a Bíblia oficial do cristianismo.

          Jerônimo é uma personalidade fortíssima: em toda parte por onde vai suscita entusiasmos ou polêmicas. Em Roma ataca os vícios e hipocrisias e preconiza também novas formas de vida religiosa, atraindo para elas algumas influentes damas patrícias (de Roma), que o seguiram depois na vida eremítica de Belém. A fuga da sociedade deste exilado voluntário era um gesto ditado por um sincero desejo de paz interior, não sempre duradouro, uma vez que, para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando com algum novo livro. Os "rugidos deste leão no deserto" eram ouvidos tanto no Ocidente como no Oriente. Suas violências verbais não perdoavam ninguém.

          Este homem extraordinário estava consciente de suas próprias culpas e de seus limites (batia-se no peito com pedras por causa dos seus pecados), mas estava consciente também dos seus merecimentos. No livro Homens Ilustres, onde apresenta um perfil biográfico dos homens ilustres, conclui com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu aos 72 anos, em 420, em Belém, como Patrono dos Biblistas “O mundo atual apresenta inúmeras características novas, que desafiam o sacerdote em sua missão de anunciar a Palavra de Deus” (Cf. Subsídios Doutrinais da CNBB nº 5).

          Todos os anos a CNBB escolhe um dos livros da Bíblia a ser aprofundado. “Em 2026 o destaque é o Livro de Daniel, tendo como lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14)”. Neste ano de 2026 a reflexão ganha, ainda mais força por estar em sintonia com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032), bem como a 16ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

          O Profº Dr. Pe. Pedro Luís Schiavinato, Mestre em Sagrada Escritura pelo Instituto Bíblico de Jerusalém e Doutor em Bíblia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, oferece inúmeras Escolas Bíblicas em nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, enriquecendo nossas Diretrizes da Ação Evangelizadora Arquidiocesana, auxiliado por inúmeros sacerdotes zelosamente dedicados aos estudos da Sagrada Escritura!

A Palavra de Deus Revelada, precisa ser amada mais e vivida melhor. Procuramos, em nossas comunidades, aprimorar “A Ação Querigmática em seu conteúdo: ‘Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo’, e em sua forma: ‘oração, acolhida, diálogo assertivo e anúncio’ com o esforço da conversão” (Cf. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, Assessor da CNBB na Dimensão Bíblico-Catequética).  

 Que a Palavra de Deus encontre acolhida em nossos corações e sirva de bússola orientadora para nossa vida cotidiana!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

PODER E CARGOS NA VIDA PÚBLICA!

 

PODER E CARGOS NA VIDA PÚBLICA!

 

Nosso primeiro Bispo Diocesano, Dom Alberto José Gonçalves, foi Deputado Estadual do Paraná, Deputado Federal e Senador. Diremos que isso foi no século passado. Ouve-se de bons lábios cristãos católicos, que Religião e Política não se misturam. Não obstante no século XXI e Terceiro Milênio da Era Cristã, muitos de nossos bons Cristãos Católicos ainda são da opinião de que o lugar do Padre é na Sacristia e que não deve se “meter na política”.

          Antes do Concílio Ecumênico Vaticano II, havia três autoridades nas cidades de nosso imenso País, especialmente no Interior: O Vigário, o Prefeito e o Juiz, não necessariamente nessa ordem. A partir do mesmo Concílio a Igreja Católica vem incentivando seus fiéis, através do Magistério, das Conferências Episcopais, especialmente “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sempre se manifestou sobre questões políticas”. Como Mãe e Mestra, a Igreja não tem medido esforços na formação de consciência política, consciência cidadã e consciência crítica, resgatando através do diálogo respeitoso a dignidade do povo, buscando à luz do Evangelho, o resgate do Reino de Deus, que é um reino de justiça.

          É bem verdade que não devemos confundir Homilias com Discursos Políticos e muito menos sermos partidários políticos. Mas nossa Igreja se declina sobre a afirmação do Documento de Aparecida, n. 395: “A Igreja se sente chamada a ser ‘advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu’. Para cumprir essa missão, a Igreja incentiva os fiéis a interagir com a política”.

          Já o Papa Francisco na Evangelii Gaudium, n. 183 afirma que não podemos ficar indiferentes diante dos desafios que se nos impõem os Poderes Constituídos, e que “Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – (passiva ou intimista, mera cumpridora de preceitos, sem que a fé seja confrontada com obras e compromisso de mudança daquilo que não vai bem) comporta sempre um desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela”.

          São inevitáveis determinadas expressões como poder e cargos, embora confesse tais denominações inconvenientes seja na política, como na sociedade, uma vez que qualquer detenção de poder, ou deferimento de qualquer cargo, tanto na política, e mais ainda em nossas atividades pastorais, se não for convertido em serviço, certamente será de dimensões desastrosas tanto para quem os detém, quanto para quem deles deveria ser beneficiado. Aqui prevalece o mandamento dado pelo próprio Cristo naquela noite em que instituiu a Eucaristia, a alma da Igreja: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Deixei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13,14). “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,34-35). “Quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos” (Mc 10,43-44).

          Me parece vergonhoso o que temos assistido em nosso Congresso Nacional – Câmara de Deputados e Senado: leis que anistiam os partidos e congressistas que cometeram crimes eleitorais, ignorando a Lei da Ficha Limpa; o inconformismo com a exigência de mínima transparência em relação às emendas parlamentares, especialmente as tais “Emendas PIX”; leis que visam somente a “zona de conforto dos legisladores” em detrimento de quem os elegeu; a infiltração de milícias, Comando Vermelho e PCCs nos partidos antes sérios e nem por último a ganância da impunidade parlamentar, deixando os congressistas à vontade de crimes, desde os mais medíocres aos mais graves. Há quem diga: “Quer roubar, matar, cometer os mais diversos delitos, sem ser condenado, seja deputado”! Nem todos são assim, mas poucos escapam de sê-lo lamentavelmente. Por isso, precisamos estar sempre muito atentos em quem votaremos nas próximas eleições para Deputados Estaduais e Federais, Senadores, Governador e Presidente! São cinco votos que definem nossa consciência política, e, sobretudo o exercício de nossa cidadania!

          Poder e cargos na vida pública, se não convertidos em serviço desinteressado, adoece nossas Instituições e impõem pesados fardos sobre o povo de uma Nação!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A CRISE É MORAL!

 A CRISE É MORAL!




Todos os dias acompanhamos pelos diversos veículos de comunicação, que a Corrupção no Brasil continua em pauta! São criativas formas de corrupção aqui e acolá. Na verdade, sempre são os brasileiros que devem sacrificar-se hoje por um Brasil fortalecido e melhor de amanhã? Não me compete julgar pessoas, mas me enfurece a afirmação de integrantes dos Governos, não só do Brasil, mas também do mundo globalizado, de que somos todos responsáveis por um futuro melhor, enquanto quem paga os rombos desviados de todos os lados, é na verdade o trabalhador e a trabalhadora honestos; aqueles que pagam suas contas em dia, como também os mais altos impostos do mundo inteiro. A Crise é Moral!


Por acaso foi o povo brasileiro que “roubou descaradamente” a Nação? Os escândalos da corrupção e da ladroeira se escondem atrás dos ternos de figuras, eleitas sim, pelo povo brasileiro, mas que a cada dia mais aparecem como traidores de seus eleitores. Não entendo nada de economia. Apenas sei que não se pode “dar o passo maior do que é a perna”! Não consigo entender como o dinheiro comprovadamente roubado de inúmeras Estatais demora tanto para ser ressarcido. Não deveria ser este dinheiro a retornar aos seus devidos lugares? Por que sempre o povo é obrigado a pagar a conta? Por que não acontecem verdadeiras contenções de despesas no Governo Federal, Estadual e Municipal? Para grandes e megalomaníacos projetos sempre há verba disponível. Mas para Projetos Sociais, Educação, Saúde e Segurança faltam verbas. Já sei: “Quando se encurta uma calça, corta-se nas barras das pernas e nunca na cintura...”.


Pior de tudo isso, é devolver as fortunas antes julgadas desviadas dos cofres públicos, aos ex-condenados e de repente, no entendimento de alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, intitulá-los inocentes pelos mesmos Ministros que os julgaram e até mesmo lhes negaram inúmeras vezes os tais Habeas Corpus! Me perdoem os que pensam diferente, mas eu não tenho mais dúvidas de que o Supremo já não é mais tão supremo assim. E tenho muito cuidado, porque estou convicto de quem não é de Deus cai. Um dia cai e feio!


A disparidade entre salários mínimos e salários aos aposentados em relação aos salários de nossos nobres políticos, é gritante e impõem uma injustiça que clama aos céus. Eles, os políticos em sua grande maioria, falam de bilhões de reais com tamanha naturalidade, sem nenhum escrúpulo, mesmo que tais verbas sejam provenientes da corrupção generalizada, as custas de um povo trabalhador honesto que sobrevive com migalhas 


   A corrupção está nas grandes fortunas! Sejamos mais conscientes e pensemos não na Política Personalista, mas no Bem Comum de cada Brasileiro! Não é justo que os pobres paguem a conta. A crise não é só econômica e política. Antes, a Crise é Moral! Ao invés de exigir sacrifícios dos pobres, devolvam-se os vultosos desvios de verbas dos cofres públicos. Quem rouba um pobre, merece uma pedra de moinho no pescoço e fundo do mar!


Não podemos reeleger pessoas que não nos representam no Congresso. Políticos que só pensam no próprio metro quadrado, sem escrúpulos e que enriquecem ilicitamente da noite para o dia. Frequentemente ouvimos de lábios de nossos Legisladores afirmações como: “O Congresso não é obrigado a ouvir o povo. Isto aqui não é como cartório onde a gente carimba o que o povo está pedindo”. A questão nem é “carimbar o que o povo está pedindo”, mas urgentemente legislar sobre o que o Povo está precisando: de maior dignidade e respeito por parte dos homens e mulheres que vivem uma vida privilegiada em detrimento dos que os elegeram. “Quem não vive para servir, não serve para viver” tantas mordomias!


Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O MÍNIMO DE EDUCAÇÃO!

 

O MÍNIMO DE EDUCAÇÃO!


 
Já não consigo mais assistir às sessões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados da República sem provocar nos porões de minha intimidade um sentimento de vergonha, temperado com raiva e indignação. Quanta falta de Mínimo de Educação!

Já perguntei a centenas de pessoas em qual Senadora ou Senador, Deputada ou Deputado Federal votaram. Para meu espanto, de cada cem pessoas apenas três lembram. Logo colhemos os frutos (votos) que plantamos (votamos) nas últimas eleições. Alguns ainda insistem em votar em políticos de ficha suja, desde que lhes sejam simpáticos, “bons de lábia”, mesmo que não pensem no País e muito menos no Povo, o mais surrado tanto pelos altíssimos impostos que paga todos os dias, seja pela indigência à qual é obrigado a sobreviver. Eis a primeira falta de Educação de Berço! Enquanto não exercermos nossa cidadania, enquanto não formos verdadeiros políticos (não penso em politiqueiros) que pensem no Bem Comum e não individual, assistiremos aos embates que envergonham profundamente nosso Congresso Nacional. Lá estão Mulheres e Homens que só sabem gritar, não sabem perder, que só pensam no próprio “metro quadrado” no qual se movem, ou seja, seu partido, sua demagogia e porque não dizer teimosia em continuar “colado” numa cadeira que lhes garanta impunidade, prestígio e que não servem para representar e muito menos servir aqueles que os elegeram.

A incoerência da maioria dos Congressistas é o que os move para garantirem os votos necessários nas próximas eleições. A maioria é promíscua ao querer perpetuar-se no poder, nem que para isso tenham de vender a própria honra, a palavra empenhada e o respeito pelo diferente, desrespeitando escancaradamente o Povo, especialmente, ingênuo e que vota por ser obrigado a votar simplesmente. Algumas sessões em meio à crise política, ética e moral, são movidas de tamanho desrespeito, que mais parecem “bandidos engravatados” querendo dar lições de moral, quando eles próprios são tão corruptos quanto aos que acusam.

A falta de Mínimo de Educação de nossos Deputados Federais e Senadores mostra exatamente ao que vieram: enriquecer com propinas, barganhas, cargos e corrupção sistêmica e institucionalizada. Nossa Classe Política carece de voltar às origens para readquirirem a verdadeira Educação de Berço, recebida ou não desde a infância. Já cada um de nós, eleitores, deveríamos discernir o “joio do trigo” e varrer do Congresso Nacional todos envolvidos em algum comportamento ilícito, desde o mais simples deslize ao mais grave crime cometido. Estejamos atentos ao que afirmam juristas e cientistas políticos sérios e que pensam num Brasil mais justo e fraterno, excluindo através do voto, o que chamam de “Organização Criminosa”. Através do voto, do diálogo e do respeito pelos que pensam diferente de nós. Sejam as manifestações civilizadas e não mentirosas, violentas e criminosas, como temos assistido em tempos recentes.  Quem grita e ofende o próximo, não é menos “bandido” dos que os motivam às manifestações violentas e não pacíficas. É possível dialogar em paz. Para isso, basta O Mínimo de Educação!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A FAMÍLIA É OBRA DE AMOR DO CRIADOR!

 

A FAMÍLIA É OBRA DE AMOR DO CRIADOR!


 

             

 Aproxima-se o Dia dos Pais, que abre, no mês vocacional, a SEMANA DA FAMÍLIA. A Igreja nos conclama a revermos os valores de nossa Família, colocada de bruços nas últimas décadas. Precisamos salvar nossa Família, engolida pelo tripé de contra-valores do consumismo, hedonismo e individualismo, devolvendo-lhe a dignidade e atribuindo-lhe a responsabilidade confiada pelo próprio Criador, que a constituiu célula da sociedade. Deus viu que era bom pertencer a uma Família, tanto que quis uma para si. O Povo de Deus, a Igreja de Jesus Cristo identifica-se em torno de um espaço sagrado, o Templo; em torno de uma mesa, a Eucaristia. A Família precisa retomar os valores que a identifiquem como tal e deixar de ser uma simples "pensão melhorada", onde ninguém se compromete com ninguém. À luz da Sagrada Família, somos convidados a promover nossas famílias, principalmente as que passam por problemas e dificuldades. Na Família pensada por Deus para nós, um é Anjo da Guarda do outro, porque Deus criou a família por puro amor!

               No Dia dos Pais seria bom refletirmos a Vocação à Paternidade, que tem sido desfigurada com a ausência paterna no seio de tantas Famílias. Quantos Pais que não assumem a Paternidade, outros abandonam suas Famílias e outros ainda remetem a responsabilidade paterna às mães abandonadas à própria sorte. Outros, ainda, sentem-se engolidos pela Cultura da Sobrevivência e acabam entregues à sorte de inúmeros tipos de dependências: químicas, alcoólicas, falta de trabalho e oportunidades dignas, perdendo o que Deus lhes deu de mais precioso: a própria Família.

               A Festa da Epifania do Senhor é uma de quatro grandes manifestações que tratam de Deus feito Pessoa. As três outras manifestações acontecem na visita dos pastores ao recém-nascido na manjedoura em Belém, no batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão, e na Sua Transfiguração no Monte Tabor diante de alguns discípulos. Na segunda manifestação, os Reis Magos visitam o Menino recém-nascido, ainda na gruta de Belém: Baltazar, árabe, levando incenso que representa a divindade do Menino; Belchior, indiano, levando ouro, que representa a sua realeza e Gaspar, etíope, levando mirra, mostrando a humanidade de Deus respirando vida naquele indefeso menino junto de seus pais!

                Somos convidados a ser manifestação de esperança em nosso mundo turbulento, perdido em si mesmo, sem rumo, sem perspectivas, e tantas vezes sem sentido. Uma estrela que conduza as pessoas desesperadas e carentes à Jesus que salva e renova a esperança de que nossas Famílias voltem a reencontrar os verdadeiros alicerces que as sustentem.

 “Que nenhuma Família comece em qualquer de repente. Que nenhuma Família termine por falta de amor. Que a mãe seja um céu de aconchego e ternura, e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a Família comece e termine sabendo aonde vai” (cf. Oração da Família do Pe. Zezinho). Somente assim poderemos acolher o mistério, de que Deus pensou e criou a Família por puro amor!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 29 de julho de 2026

"TU VAIS SER PADRE!"

 "TU VAIS SER PADRE!"



 No próximo domingo a Igreja celebra a Vocação Sacerdotal, embora o Dia do Padre seja a 4 de agosto, Memória de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, Patrono dos Padres. Eis porque agosto, no Brasil, é o Mês Vocacional!


Aos sete anos de idade, quando cursava o primeiro ano do Ensino Fundamental, nem bem falava o português, já que em casa falávamos o dialeto alemão Hünsrick. A Escola Sagrado Coração de Jesus da Congregação alemã das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria me alfabetizou utilizando-se desse dialeto para aprender o português, bem como me preparou naquele mesmo ano de 1964 para minha Primeira Comunhão, há 62 anos, no dia 4 de outubro. Minha primeira professora, coincidentemente minha prima, Irmã Fátima Kasper e a Irmã Neófita foram minhas primeiras catequistas. Sou profundamente agradecido, também, ao Padre Urbano José Hansen que fez de meu coração, pela primeira vez, o sacrário de Jesus Eucarístico. Jamais esqueci aquele dia, um dos primeiros mais lindos de minha vida. Já sentia muita vontade de ser padre. Prestava atenção no Pároco e dizia a mim mesmo, que um dia seria como ele. Maior ainda foi minha alegria, porque depois da Primeira Comunhão, pude também, ser instituído Coroinha, com apenas 7 anos de idade.. Quanta gratidão!

Reconheço que desde a infância fui um moleque muito arteiro, curioso e questionador. Sempre queria saber o “por que” das coisas. Quis entender como a Irmã Fátima conseguia desenhar em trinta folhas brancas, frutinhas, florezinhas, animais, casas e árvores, todas iguais. Éramos trinta alunos. Imaginei mil maneiras de como ela fazia aquilo. Devia passar a noite desenhando as trinta folhas, a fim de que no dia seguinte nós pudéssemos pintar aquelas figurinhas todas. Assim começávamos a conhecer e distinguir pedagogicamente formas, cores, nomes etc.

Certo dia fiquei escondido na sala de aula, durante o intervalo sem ser percebido. Fui à mesa da Irmã Fátima e abri um estojo de carimbos e almofada. Experimentei todos eles na capa e nas primeiras páginas da Cartilha do Mestre que se encontrava também sobre a mesa da professora. Foi quando entendi porque os desenhos de todas as folhas eram iguais. Senti grande alegria de curiosidade satisfeita.

Na volta do intervalo, os alunos todos em suas carteiras, a Irmã Fátima entrou na sala e quase desmaiou ao ver sua cartilha. Em voz severa e forte perguntou: Quem sujou minha cartilha de mestre? Um silêncio profundo se impôs e ninguém nem imaginava que teria sido eu, a experimentar os carimbos na cartilha da Professora. Ela pegou uma régua de mais de um metro, daquelas de aço que fazem um ruído e causam um ventinho ao ouvido, quando balançada, e foi de carteira em carteira perguntando se havia sido aquela ou aquele aluno. Alguns levaram uma boa “bordoada”. Ainda não existia o Código de Defesa da Criança e do Adolescente! Eu sentia a dor de cada colega que apanhava por minha culpa, mas não tive a coragem de dizer que havia sido eu. Ao chegar próxima de mim, me fitou e disse: “Tu não podes ter feito isso, porque tu vais ser padre!” Eu senti um alívio meio estranho, não tanto por não apanhar, mas pela profecia da minha primeira professora, que eu seria padre! Passadas algumas semanas, arrependido pedi desculpas à professora e aos meus colegas. E me confessei, é claro!

É na pessoa de minha primeira professora, a Irmã Fátima Kasper, que agradeço e presto minha mais sincera homenagem a todos os meus professores. Lembro-me de todos com profunda gratidão! Sintam-se acariciados todos os Professores. Abençoada a vocação de ensinar e educar, mas também por despertarem tantas vocações ao serviço gratuito na Igreja de Jesus Cristo que vive, e de quem somos testemunhas através de nosso ministério! Pois foram as Irmãs da Congregação de Santa Catarina de Alexandria, que mais me incentivaram a entrar para o Seminário, preparando até mesmo meu primeiro enxoval. Meu número de 122 seminaristas menores foi o 119.

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 22 de julho de 2026

DIA DO MOTORISTA!

 DIA DO MOTORISTA!


No dia 25 de julho, a Igreja celebra a Memória de São Tiago Maior, Apóstolo e Evangelizador. Filho de Zebedeu e irmão de João, recebeu de Jesus o chamado para fazer parte do grupo dos doze. Foi testemunha privilegiada de alguns acontecimentos importantes da vida de Jesus e o primeiro apóstolo a conhecer o martírio. É tido como o primeiro evangelizador da Espanha.

 É, também, a Festa de São Cristóvão, Protetor dos Motoristas, o que nos motiva a benzer todos os Motoristas. As obras de Mobilidade Urbana, que incluíram a Avenida Saudade não nos permitem que procedamos a bênção, como fora antes da Pandemia, ao longo de 2008 até 2019 diante da Igreja Santo Antoninho, na Avenida Saudade, 202 entre as Ruas Minas e Rio de Janeiro nos Campos Elíseos em Ribeirão Preto, ao longo de toda a manhã entre 8 e 15 horas.

 Por ser num sábado neste ano, o trânsito é intenso e perigoso. Por isso daremos a bênção aos motoristas e não aos veículos, logo após a Santa Missa das 9 horas no domingo, dia 26 de julho, no interior e no átrio da Igreja Santo Antoninho! Para receber a bênção será necessário participar da Missa também! 

 Este gesto da Bênção dos Motoristas nos remete a pedir maior zelo, cuidado e proteção para o trânsito de nossa cidade, um dos mais violentos do Interior de São Paulo. É um grito por maior civilidade, educação e cavalheirismo entre os transeuntes de nossa malha viária. Não cansamos de afirmar com muitos sociólogos, que o trânsito de uma cidade demonstra o grau de educação de seus cidadãos. Perguntemo-nos: somos um povo educado ou violento, estressado e egoísta, enquanto disputamos espaço em nossas avenidas e ruas? Não passamos um único dia, sem sabermos a notícia de um número razoável de acidentes, provenientes de imprudência, pressa, falando ao celular, falta de respeito para com os outros. A disputa entre motociclistas, transporte coletivo e demais conduções torna-se um terror psicológico a pedestres que, tampouco utilizam das faixas a eles reservadas. Transitam entre conduções que nem sempre os avistam. Se contarmos os que desrespeitam os semáforos ou as vias preferenciais, levantamos as mãos para o alto, por não termos ainda mais acidentes fatais!

Todos se sintam convidados a humanizar mais nosso trânsito, cada um de acordo com sua parcela de responsabilidade. Na Memória de São Cristóvão, Protetor dos Motoristas, recebendo a bênção na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, saibamos renovar de verdade este bom propósito!

Venham participar da Santa Missa e receber além da bênção, a oração a São Cristóvão: Domingo – dia 26 de julho de 2026 – às 9 horas, na Avenida Saudade, 202, Campos Elíseos em Ribeirão Preto! E os motoristas que participarem da Missa na Igreja Santa Teresa D’Ávila, na Praça das Rosas no Jardim Recreio, sábado, dia 25 de julho, às 18 horas, também poderão receber a bênção. São Cristóvão, projetei os Motoristas de nossa Cidade, Amém!

Já no dia 26 de julho, a partir das 16 horas, teremos a 3ª Missa Arquidiocesana no Santuário Arquidiocesano do Senhor Bom Jesus da Lapa em Jardinópolis, motivo pelo qual não haverá nenhuma Missa Vespertina nas Paróquia de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto. A Missa Arquidiocesana será uma demonstração de nossa Comunhão, Unidade, ressaltando a Sinodalidade, o “Caminhar Juntos” como Igreja de Jesus Cristo, da qual todos somos membros!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PADRES E O RETIRO ESPIRITUAL ANUAL!

 

 PADRES E O RETIRO ESPIRITUAL ANUAL!

 


 

De 13 a 17 de julho, no Seminário dos Frades Capuchinhos Santo Antônio, Alto da Serra, em São Pedro (SP), os Padres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, juntamente com o Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, se encontram no Retiro Anual Espiritual, que neste ano é orientado pelo Pe. Carlos Alberto Contieri, SJ, Diretor do Pateo do Collegio em São Paulo.

Durante o retiro, neste dia 16 de julho Dom Moacir Silva, nosso Arcebispo Metropolitano completa 72 anos de vida. O Retiro Espiritual, além de invocar o Espírito Santo sobre seus participantes, é uma ação de graças muito especial pelo precioso dom da vida de nosso tão querido, dedicado e zeloso Pastor. Que Deus o conserve com muita saúde para continuar sua missão diante dos desafios da Igreja particular de Ribeirão Preto que lhe foi confiada, bem como as tantas outras atividades junto à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Dom Moacir é, atualmente, o Presidente da CNBB do Regional Sul 1, que abrange o Estado de São Paulo com suas 7 Arquidioceses e 38 Dioceses! Tem uma vitalidade juvenil para tanto trabalho, graças a Deus!

O Retiro Espiritual Anual dos Padres é um dos eventos mais fortes e marcantes na vida da Igreja particular. São dias de recolhimento, deserto, reflexão e revisão da vida espiritual dos Padres que, em torno de seu Arcebispo, avaliam sua vida ministerial e buscam novo ânimo e novas perspectivas para o ministério pastoral. Ser cada vez mais pastor configurado com Cristo, o Bom Pastor! É também, uma obrigação canônica.

Vivemos tempos em que se exige muito dos padres. Os avanços tecnológicos tomam demasiado tempo deles e se espera por respostas imediatas. Daí correr o risco de os padres serem engolidos pelo ativismo, por tarefas intermináveis, exigências pastorais que se avolumam, mas nem sempre se aprofundam. Os dias de retiro sugerem que os padres descansem, desliguem seus aparelhos e se distanciem, fisicamente, de suas Redes Sociais e Comunidades. Já as Comunidades confiadas aos Padres têm a obrigação de rezarem pelo êxito do retiro espiritual de todos os Padres e do Arcebispo da Arquidiocese. A reciprocidade na proximidade da oração faz milagres!

Ao longo dos meus trinta e seis anos e sete meses de ministério preguei 97 retiros espirituais. No mês de agosto pregarei o 98º e em setembro o 99º. Poderia dar-me por satisfeito. Não basta pregar retiros. Chega o momento em que também o pregador sente a sede de abastecer-se, desde os porões de sua intimidade, da companhia mais profunda de Jesus Cristo, que não poucas vezes fazia seus próprios retiros: algumas vezes sozinho, outras vezes com os seus discípulos. É um “deserto” salutar, que renova a alma!

Para que o retiro alcance seus objetivos, de renovar a espiritualidade presbiteral de cada padre, não bastam um magnífico pregador, nem um tema promissor. O retiro é pessoal. Será o coração de cada padre que acolherá, a seu modo, tudo o que lhe é proposto durante o retiro: o ambiente afastado dos afazeres hodiernos, as pregações e celebrações geralmente muito bem preparadas e criativas, só terão ressonância, se os ouvidos dos padres forem dóceis ao essencial no retiro: a voz de Deus, o apelo de Jesus Cristo, a ação do Espírito Santo na vida de cada um e a espiadinha de Nossa Senhora!

Não por último, o retiro proporciona aos padres de um mesmo Presbitério com seu Arcebispo, momentos fortes de encontro, perdão, superação de diferenças, reconciliação e a renovação de grande fraternidade sacerdotal, sinodalidade (caminhar juntos) e a caridade pastoral. O retiro tem o objetivo de libertar os padres das relações mal resolvidas, como a inveja clerical, a busca de prestígio, o personalismo, a ganância por cargos e poder sobre os outros. Convidados a despirem-se de quaisquer pretensões, o retiro espiritual robustece os padres em sua missão na Igreja para o mundo, dependendo sobremaneira da intensa oração das Comunidades que merecem padres cada dia mais santos: vazios de si próprios e encharcados dos dons do Espírito Santo. Rezemos uns pelos outros!  Sejamos verdadeiros Anjos uns dos outros!

Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

NUNCA COMO HOJE SÓ SE FALA EM BILHÕES!

 

NUNCA COMO HOJE SÓ SE FALA EM BILHÕES!




 

          Me pediram, inúmeros queridos leitores, que refletisse novamente a questão da corrupção no Brasil. Corrupção essa, que não inicia no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas, mas no seio das próprias famílias. Quando pais “barganham” com seus filhos, prometendo premiá-los caso passem de ano na escola, ou obedeçam às ordens dos mais velhos. Passar de ano na escola, colaborar nos afazeres do lar e obedecer aos mais velhos, não é nenhum favor, porém obrigação dos filhos, desde tenra idade. É isso que chamamos de “educação de berço”. Mas nunca como hoje só se fala em bilhões, quando a questão é de corrupção, de enriquecimento rápido e ilícito

 

Todos os dias acompanhamos pelos diversos veículos de comunicação, que a Corrupção no Brasil continua em pauta! São criativas formas de corrupção aqui e acolá. Na verdade, sempre são os brasileiros que devem sacrificar-se hoje por um Brasil fortalecido e melhor de amanhã? Não me compete julgar pessoas, mas me enfurece a afirmação de integrantes dos Governos, não só do Brasil, mas também do mundo globalizado, de que somos todos responsáveis por um futuro melhor, enquanto quem paga os rombos desviados de todos os lados, é na verdade o trabalhador e a trabalhadora honestos; aqueles que pagam suas contas em dia, como também os mais altos impostos do mundo inteiro.

 

Por acaso foi o povo brasileiro que “roubou descaradamente” a Nação? Os escândalos da corrupção e da ladroeira já não se escondem mais atrás dos ternos de figuras, eleitas sim, pelo povo brasileiro, mas que a cada dia mais aparecem como traidores de seus eleitores. Não entendo nada de economia. Apenas sei que não se pode “dar o passo maior do que é a perna”! Não consigo entender como o dinheiro comprovadamente roubado de inúmeras Estatais demora tanto para ser ressarcido. Não deveria ser este dinheiro a retornar aos seus devidos lugares? Por que sempre o povo é obrigado a pagar a conta? Por que não acontecem verdadeiras contenções de despesas no Governo Federal, Estadual e Municipal? Para grandes e megalomaníacos projetos sempre há verba disponível. Mas para Projetos Sociais, Educação, Saúde e Segurança faltam verbas. Já sei: “Quando se encurta uma calça, corta-se nas barras das pernas e nunca na cintura...”.

 

Pior de tudo isso, é devolver as fortunas antes julgadas desviadas dos cofres públicos, aos ex-condenados e de repente, no entendimento de alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, intitulá-los inocentes pelos mesmos Ministros que os julgaram e até mesmo lhes negaram inúmeras vezes os tais Habeas Corpus! Me perdoem os que pensam diferente, mas eu não tenho mais dúvidas de que o Supremo já não é mais tão supremo assim. E tenho muito cuidado, porque estou convicto de quem não é de Deus cai. Um dia cai e feio!

 

A disparidade entre salários mínimos e salários aos aposentados em relação aos salários de nossos nobres políticos, é gritante e impõem uma injustiça que clama aos céus. Eles, os políticos em sua grande maioria, falam de bilhões de reais com tamanha naturalidade, sem nenhum escrúpulo, mesmo que tais verbas sejam provenientes da corrupção generalizada, as custas de um povo trabalhador honesto que sobrevive com migalhas

 

            A corrupção está nas grandes fortunas”! Sejamos mais conscientes e pensemos não na Política Personalista, mas no Bem Comum de cada Brasileiro! Não é justo que os pobres paguem a conta. A crise não é só econômica e política. Antes, a Crise é Moral! Ao invés de exigir sacrifícios dos pobres, devolvam-se os vultosos desvios de verbas dos cofres públicos. Quem rouba um pobre, merece “uma pedra de moinho no pescoço e fundo do mar”!

 

Não podemos reeleger pessoas que não nos representam no Congresso. Políticos que só pensam no próprio metro quadrado, sem escrúpulos e que enriquecem ilicitamente da noite para o dia. Frequentemente ouvimos de lábios de nossos Legisladores afirmações como: “O Congresso não é obrigado a ouvir o povo. Isto aqui não é como cartório onde a gente carimba o que o povo está pedindo”. A questão nem é “carimbar o que o povo está pedindo”, mas urgentemente legislar sobre o que o Povo está precisando: de maior dignidade e respeito por parte dos homens e mulheres que vivem uma vida privilegiada em detrimento dos que os elegeram. “Quem não vive para servir, não serve para viver” tantas mordomias!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O DIA DO PAPA!

 

O DIA DO PAPA!



 

No último domingo, dia 28 de junho celebramos a Solenidade de São Pedro, o Primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. Foi o Dia do Papa! Desde então, a Igreja nunca ficou órfã de Papa. O Pedro de nossos dias, eleito dia 8 de maio de 2025 é Leão XIV, o Papa da Paz! É no dia do Papa, 29 de junho, que os novos Arcebispos, nomeados desde o ano anterior, recebem sobre os ombros o Pálio, um colar de lã que o próprio Sucessor de Pedro entrega aos demais sucessores dos Apóstolos, que têm confiado uma Província Eclesiástica, uma Arquidiocese, como é a de Ribeirão Preto. Atualmente nossa Província é formada por quatro Dioceses, onde cada Bispo é autônomo. Além da Sé Metropolitana de Ribeirão Preto, constituem nossa Província as Dioceses de Franca, Jaboticabal e São João da Boa Vista. O serviço do Arcebispo é de confirmar as Dioceses Sufragâneas na Unidade, Comunhão e certa Pastoral de Conjunto.

No dia 22 de maio do ano passado, o Papa Leão XIV decretou a divisão da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, elevando a Diocese de São José do Rio Preto a Arquidiocese e nomeando seu Bispo como primeiro Arcebispo Metropolitano, Dom Antônio Emídio Vilar, SDB. Totalmente desmembrada da Província de Ribeirão Preto, a nova Arquidiocese tem como Dioceses Sufragâneas Barretos, Catanduva, Jales e Votuporanga.

No dia 4 de junho de 2025, durante a 87ª Assembleia das Igrejas do Regional Sul 1 da CNBB, que compreende as 8 Arquidioceses e 35 Dioceses do Estado de São Paulo, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, foi eleito o Presidente desse Regional, com a belíssima missão de garantir a Sinodalidade entre todos nós, que consiste num “caminhar juntos na comunhão, participação e missão”!

Na verdade, o que celebramos na Solenidade de São Pedro e São Paulo não são os méritos destes apóstolos. O que celebramos é o Senhor mesmo que escolheu e enviou estes apóstolos, para serem seus principais parceiros no grande mutirão em favor da vida, inaugurado pelo mistério pascal de Cristo e assistido pelo dom do Espírito Santo.

São Pedro e São Paulo, ao lado de São João Batista e Santo Antônio, são santos muito estimados pelo nosso povo brasileiro; são alegremente festejados pela religiosidade popular deste país, compondo assim nossas tradicionais festas juninas. A tradição dos Santos Juninos é portuguesa e foi assumida pelos Índios e Escravos do Brasil, tornando-se uma das principais festas, especialmente no Nordeste e no Sul. Lá são celebrados por um mês inteiro.

No Dia do Papa que neste ano solenizamos no último domingo de junho, fizemos a Coleta do Óbolo de São Pedro. São as Comunidades Católicas Apostólicas Romanas do mundo inteiro que partilham de sua pobreza, sendo generosas e oferecem, livremente, parte do que lhes pertence a quem tem menos. O Papa, por meio de sua assessoria, utiliza o resultado desta Coleta para socorrer, em nome da Igreja do mundo inteiro, nossos irmãos que sofrem dificuldades: as vítimas da fome (continuam passando fome diariamente no mundo, segundo a ONU mais de 1 bilhão de pessoas); as vítimas de enchentes, tornados e guerras, essas sempre tão estúpidas. Enquanto o Vaticano envia auxílio aos nossos irmãos em situações de risco e vulnerabilidade, é justamente nossa oferta que alivia as dores de tantos sofredores, pois o faz em nome de cada um e de todos que se sentem Católicos Apostólicos Romanos e vivem inseridos e comprometidos como tal. Agradecemos a generosidade de todos que pensam naqueles que têm menos do que nós. Quem não conseguiu fazer sua oferta, poderá oferece-la numa das celebrações do próximo final de semana. Ainda há tempo! As Comunidades enviarão toda a coleta à Cúria Metropolitana, que fará chegar ao destino certo nossa participação consciente, com sabor de amor divino!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 

A IDENTIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA!

 


 

“Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João.

Ele veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor

Um povo bem-disposto” (Jo 1,6-7; Lc 1,17).

 

 

 

Além de Jesus Cristo e Maria Santíssima, João Batista é o único santo que tem celebrado no Calendário Litúrgico, seu nascimento, enquanto os demais são lembrados no dia de sua páscoa natural ou na data de seu martírio! A Igreja celebra também sua Vigília, preparando-se para celebrar o precursor, a luz que haverá de preparar os caminhos e abrir as cortinas para a estreia do verdadeiro Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo, Jesus, o Messias! Com João, o que batiza um Batismo de Conversão, nos deparamos com o encontro do Antigo com o Novo Testamento. Com João Batista, o último e principal dos Profetas acontece o enlace da Antiga com a Nova Aliança; a maior compreensão do pacto de Fidelidade de Deus para com a Humanidade! Ressalta a “teimosia” de Deus em amar, apaixonadamente, sua Criatura predileta: a Pessoa!

          São João Batista é importante para os cristãos. Santo muito querido e estimado pelo povo brasileiro. Em todas as regiões, principalmente do norte, nordeste e sul, existem as festas tradicionais de São João, celebradas com alegria, muita comida e bebida, danças e trajes típicos, à luz da tradicional fogueira de São João. Estas festas ocupam lugar de destaque no calendário popular.

          A Igreja, já no século VI, reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de São João Batista. Santo Agostinho escreve: “A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação... João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor diz: ‘A lei e os profetas até João Batista’ (Lc 16,16). (...) Antes mesmo de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele” (Ofício das Leituras, in Liturgia das Horas).

          Jesus o declara o maior de todos os profetas. Homem simples, austero, corajoso, apontou o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29-36). Deu testemunho da luz, aplainou os caminhos e preparou o povo para acolher o Salvador. Antes que Jesus chegasse, pregou um batismo de conversão.

          A celebração do seu nascimento nos associa à alegria de Isabel, de Zacarias e dos vizinhos, porque Deus se lembra de nós, indica os caminhos da salvação e aponta os horizontes da liberdade.

          A Palavra anunciada nos conduz para dentro da verdadeira Luz de todos os povos, o Salvador, do qual nem merecemos desamarrar as sandálias. Celebramos, acima de tudo, o mistério daquele que se fez o menor no reino de Deus, e, por isso, é o maior: Jesus.

          Como seria lindo, se a humanidade, a começar de mim, se revestisse   da identidade de São João Batista, a humildade. Porque a humildade é uma das mais lindas virtudes de uma criatura humana. Como é bom ser humilde!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!

 

O 170º ANIVERSÁRIO DE RIBEIRÃO PRETO!



É difícil escrever um artigo sobre como celebrar o 170º aniversário da Cidade em tempos de tanta insegurança e violência. Os cidadãos estão reféns e sentem medo uns dos outros. A maioria dos bairros estão feios e perigosos.  Mas também é evidente que os investimentos na saúde nem sempre são prioridade, ou pelo menos, nem sempre são levados a sério tanto em nossa macro-região, como em nosso País Continental, não obstante ainda tenhamos a Saúde de melhor qualidade tanto em nossa aniversariante cidade, como em São Paulo, o mais rico Estado do Brasil. Já as crises econômicas, políticas e morais, aparentemente fogem ao controle dos Municípios. Elas, as crises, se nos são impostas desde a esfera Federal e também Estadual. O que não se pode negar, é que crises em geral, a priori, angustiam todos os cidadãos. 
A magnífica Professora e Escritora Maria Helena Silva Dutra de Oliveira, de saudosa memória, um dia enviou-me uma mensagem de George Carlin, que me ajuda a escrever este artigo, porque provoca uma reflexão e nos convida a encontrar um jeito de como celebrar o aniversário da Cidade de Ribeirão Preto. O aniversário é de todos, é nosso, é de cada cidadão ribeirãopretano. 
O paradoxo de nosso tempo na história é que nós temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais curtos, estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Nós gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências, mas menos tempo. Temos mais diplomas, mas menos sabedoria, mais conhecimento, mas menos espírito crítico, mais especialistas e mais problemas, mais remédios e menos bem estar.
Nós bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem cuidado, rimos muito pouco, guiamos muito depressa, ficamos muito bravos, dormimos muito tarde, levantamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos muita televisão, rezamos muito raramente. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos muito, amamos muito raramente, e temos raiva frequentemente.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não uma vida.  Acrescentamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos. Vamos até a lua e voltamos, mas temos problemas para atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior.
  Nossa cidade aniversariante antes feia e descuidada, agora já demonstra novamente zelo e beleza, porque seu povo continua lindo e cheio de novas esperanças. Já é novamente possível “cortar o bolo de aniversário”, porque “não levamos o bolo de novo” e a cada dia que amanhece não esqueçamos, de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade: Exercendo a cidadania, cumprindo com nossa parte, e pedindo a quem nos governa, executivo e legislativo seja servidor do povo, garantindo-lhe sua dignidade!
  Desejo muito que o distanciamento social, e outras novas posturas que precisamos tomar para superar a Cultura da Sobrevivência, que continua nos surpreendendo a todos, nos ajudem a sermos pessoas melhores. Não cesse nossa capacidade de sermos solidários e olharmos para nossos concidadãos com olhos de um coração sempre mais generoso e sempre menos egoísta. Não deixemos que a desigualdade social cicatrize ainda mais nossa rica e tão acolhedora cidade aniversariante de Ribeirão Preto!
Pe. Gilberto Kasper
          Teólogo