Pesquisar neste blog

quarta-feira, 31 de março de 2021

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SOLENIDADE DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

 


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

 

A Vigília Pascal é a celebração da Ressurreição por excelência. Seu caráter de vigília não se refere à preparação da festa, mas tem raízes na celebração da vigília dominical, presente na origem do culto cristão, em que se começa a celebrar o Dia do Senhor ainda no sábado, desembocando no amanhecer do Domingo. A Vigília Pascal, portanto, não é vigília à espera de uma festa, mas a própria festividade; a mais importante que ocorre no Domingo de Páscoa. A solenidade do terceiro dia do Tríduo Pascal.

            A celebração da Vigília Pascal consta de quatro momentos que costumamos designar como: Liturgia da Luz, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística.

            É verdade que, de modo bem semelhante ao que ocorreu às mulheres diante do sepulcro vazio, os acontecimentos da vida nem sempre nos parecem fáceis de interpretar, de modo que através deles reconheçamos a Páscoa de Cristo nos envolvendo. Ao nos depararmos com a crueza da violência urbana, a rapidez com que as pessoas são destruídas pelo uso do crack nas grandes cidades, a luta interminável dos povos indígenas de nosso país em conseguir seu pedaço de chão para sobreviver, a perseguição daqueles que se põem ao seu lado, a corrupção institucionalizada no setor político-financeiro... Tudo o que contemplamos com nossos olhos não parece testemunhar a vitória de Cristo sobre a morte. Parece que estamos a procurar entre os mortos aquele que está vivo.

            Cristo Ressuscitou. Vida nova se inicia: tristeza e desânimo pertencem ao passado; esperança e otimismo contagiam nossa existência. Jesus venceu a morte e vive para sempre junto à nossa comunidade e a cada um de nós.

            Acompanhemos Maria Madalena ao túmulo e ouçamos dela a alegre notícia: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram” (cf. Jo 20,2).

            Enquanto a humanidade destrói e mata, Deus ressuscita e dá vida. O amor nos faz acelerar o passo na busca dos objetivos. A presença do Ressuscitado provoca vida nova na comunidade.

            O texto de João que proclamamos, na celebração da Páscoa, conjuga o primeiro e o terceiro dia. O Domingo – Dia do Senhor – é ocasião concreta, experimentável para que os cristãos possam descobrir que Cristo Ressuscitou, segundo o testemunho das Escrituras. O Domingo, para os cristãos de todos os tempos, se mostra como uma submissão do tempo a Deus. Mas, na verdade, é uma maneira de designar a submissão do ser humano e todas as demais criaturas a seu criador, uma vez que o tempo não existe em si mesmo, mas se dá nas percepções e inteligência do ser humano. O Dia é uma imagem do ser humano. Portanto, dizer Dia do Senhor é falar do ser humano (e da criação inteira da qual ele é símbolo) como pertença a Deus. Em especial, por causa da Páscoa de Jesus, é uma maneira de colocar no centro das atenções a importância – e urgência – do ser humano redimido. O Dia é uma imagem do ser humano que vive de processos, ritmos e ritos. Do ser humano que se vai construindo. Melhor dizendo, do ser humano que se vai revestindo de glória nas palavras da carta de Paulo aos Colossenses.

            Esta experiência precisa encontrar lugar real e concreto em nossa época. O domingo, como um dia no calendário, não mais responde por aquela ocasião em que as pessoas podem obter o descanso, exercitar a convivialidade com a família e os amigos. É mais um dia de consumo, de produção, de lucratividade. Para a tradição ocidental da qual fazemos parte – por influência da fé cristã – o domingo era um dia para recordar a permanente necessidade de humanização. Mas, dia após dia, tudo é igual e as urgências humanas dão lugar a urgências econômicas.

            Neste sentido, é fundamental reunir-se para celebrar, de modo que os gestos humanos revelem a Escritura e a Escritura lhes confira sentido, reorientando nossa existência. Nesta direção, é muito significativo o convite feito na aclamação ao Evangelho, reiterado, como antífona no canto de comunhão: Celebremos, assim, esta festa, na sinceridade e na verdade. A Páscoa celebrada tende sempre a fazer-se verdade sincera em nossos dias, quer dizer, em nossa vida e em sua trama cotidiana. Sabemos que o cotidiano em si não existe – é algo sem forma. Mas o que lhe poderá dar cor, sabor, contorno, veracidade senão a experiência profunda do encontro com o Ressuscitado que continua a passar fazendo o bem como outrora Pedro afirmou? Assim, o tempo pascal se estende diante de nossos olhos como um único dia, o Dia do Senhor, no qual a pessoa humana se redescobre e redefine como criatura de Deus, enriquecida com o seu Amor que a faz reconhecer-se filha bem-quista e com pleno direito à felicidade num mundo mais justo e mais cheio de paz.

            A Páscoa nos remete ao túmulo vazio de onde exalam os perfumes do Ressuscitado! É desse sepulcro vazio que emana o conteúdo de nossa acolhida, compreendida, celebrada e vivida na relação com Deus, que nos oferece o único Cordeiro Imolado necessário para nossa felicidade plena, seus Filhos, Jesus Cristo, agora vive presente entre nós, por força e obra do Espírito Santo!

            Como discípulos missionários do Senhor, a exemplo de Maria Madalena e dos apóstolos Pedro e João diante do túmulo vazio, nos tornemos testemunhas da ressurreição e experimentemos sua presença de Ressuscitado na pessoa de cada irmão, na comunidade reunida na fé, na Palavra de Deus proclamada e no Pão e Vinho partilhados.

             Celebrando o oitavo aniversário da renúncia do Papa Emérito Bento XVI e a eleição do Papa Francisco, O Papa da Ternura nossa Páscoa nos convida à ressurreição imediata na relação com Deus, com a Comunidade de Fé, Oração e Amor e com os porões de nossa intimidade. Deixemo-nos envolver pelos aromas da ressurreição no esforço hodierno de configurarmo-nos cada dia mais com o centro de nossa vida, apaixonando-nos por Aquele que nos move a ser melhores do que somos, Jesus Cristo vivo e ressuscitado no meio de nós!

            Feliz e santa Páscoa a todos! Cheio de ternura, o abraço amigo e sempre fiel,

Padre Gilberto Kasper

(Ler At 10,34.37-43; Sl 117(118); Cl 3,1-4 e Jo 20,1-9 ou nas Missas Vespertinas: Lc 24,13-35. Na Missa do Dia pode-se também proclamar o Evangelho da Vigília Pascal: Lc 24,13-35.

 

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Abril de 2021, pp. 46-52 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo da Páscoa - Abril de 2021, pp. 31-36.

TRÍDUO PASCAL – OS TRÊS DIAS SANTOS

 

Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Tereza de Ávila, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

Os três dias, que vão da tarde da quinta feira à tarde do domingo (Calendário Romano 19) constituem o tríduo “da morte, da sepultura e da ressurreição” do Senhor. Na origem, a sexta e o sábado foram caracterizados pelo jejum, o domingo pela alegria, sem que houvesse qualquer celebração a não ser a vigília. Desse ponto de vista, não se pode dizer que o tríduo seja uma extensão da vigília. Ele constitui uma realidade essencial e pressuposta para que a noite pascal se revista plenamente de seu sentido: com efeito, ela é a passagem do jejum à festa, como foi, para o Cristo, a passagem da morte à vida.

A celebração da quinta-feira santa encontra seu ápice na Instituição da Eucaristia. As celebrações vespertinas serão transmitidas ao vivo pelo Youtube da Paróquia Santa Tereza de Ávila do Jardim Recreio de Ribeirão Preto.

A celebração não eucarística da sexta feira santa (Palavra, Oração Universal, Veneração da Cruz e Comunhão) tem por fim introduzir mais profundamente no mistério pascal e preparar a comunidade para a Vigília Pascal.

            No centro, acha-se a Vigília Pascal, que celebra toda a história da salvação, culminando na morte e ressurreição do Cristo. Ela comporta uma Celebração com o Rito da Bênção do Fogo Novo, a Preparação do Círio Pascal (omitidos neste ano), a Proclamação da Páscoa, a Liturgia da Palavra e Batismal (com a renovação das Promessas Batismais) e a Liturgia Eucarística. É “a mãe de todas as Vigílias e Celebrações”!

            Na quinta feira santa, às 9 horas, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, costumamos concelebrar a Missa da Unidade com a Bênção dos Santos Óleos, presidida por nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva. É também nesta ocasião que os Presbíteros renovam diante do Arcebispo e do Povo de Deus reunido, suas promessas sacerdotais. Neste ano, por conta do agravamento do Coronavírus da Covid-19 esta importante celebração foi cancelada e será celebrada quando houver melhores condições.

 Já em nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor, celebraremos o Tríduo Pascal, neste ano mais uma vez, segundo as recomendações das Autoridades da Saúde, evitando aglomerações, sem a presença de nossos amados fiéis. Seguiremos zelosamente as Orientações de nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, para as Celebrações da Semana Santa. As Celebrações do Tríduo Pascal serão celebradas na Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto. A Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, permanece fechada durante a Fase Emergencial decretada pelo Estado de São Paulo e o Governo Municipal, que “proíbe Atividades Religiosas com a presença de fiéis”.

Iniciando na quinta feira santa às 18 horas, devido ao “Toque de Recolher”. Celebraremos as Instituições dos Sacramentos da Eucaristia, da Ordem e da Humildade (o Lava-Pés) às 18 horas, sem o Rito do Lava Pés e a Vigília Eucarística. A celebração da Paixão e Morte do Senhor será na sexta feira santa (Dia de Jejum e Abstinência) na parte da tarde às 15 horas. A Vigília Pascal no sábado santo será à noite às 18 horas. No domingo da Ressurreição do Senhor, celebraremos a Missa Solene às 18 horas na Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio, sempre de acordo com a disponibilidade de cada realidade: Sejamos próximos uns dos outros na oração, abraçando-nos espiritualmente, enquanto aguardamos passar esse período crítico de isolamento social. Aproveitemos essa pós-graduação do abraço fraternal! Abençoada e Feliz Páscoa!

quarta-feira, 24 de março de 2021

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DOMINGO DE RAMOS - COLETA DA SOLIDARIEDADE DA CFE-2021

 

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

 


Com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão, entramos na Semana Santa. O que é a Semana Santa? Por que ela é tão importante na dinâmica do ano litúrgico?

            Na Semana Santa celebramos a História da Salvação de um Deus que se humilhou e tornou-se homem para caminhar conosco, conhecer a nossa história e nos apontar caminhos de vida. Mas não é só isso. No Getsêmani, Jesus experimenta uma grande tristeza e sente a dor da angústia. Suspenso entre o céu e a terra numa cruz, ele vive o doloroso abandono por parte do Pai. Enfrenta a traição de Judas que, com um beijo, o entrega aos seus inimigos. Pedro não o reconhece na presença de uma empregada. Os discípulos, seus amigos prediletos, fogem e o deixam sozinho nas mãos dos soldados. A condenação forjada é tramada para eliminar sua pessoa e os desígnios de Deus nele manifestos. Jesus, o Servo Sofredor, despido de toda dignidade é reduzido a um farrapo humano. Ele assume e faz seus todos os sofrimentos. Em sua morte e ressurreição, estão presentes todos os sofrimentos humanos.

            Façamos um minutinho de silêncio, olhemos para dentro de nós, até as entranhas de nossa intimidade, de nossa consciência. Depois olhemos ao nosso redor. Existem situações parecidas com as de Jesus em nossas relações humanas: sociais, eclesiais, políticas, familiares? Por acaso não sou também eu responsável por determinadas traições, exclusões, condenações injustas, que gritam fortemente em algumas pessoas de minhas relações e, que me remetem a situações de nudez, constrangimento, flagelo, dor, solidão e farrapo humano, a exemplo do Mestre? Um bom exame de consciência, com toda a honestidade e transparência talvez nos surpreenda... Mas ainda há tempo de mudar!

            A Semana Santa, tempo de comunhão e solidariedade com e em Jesus, é um tempo santo e precioso para entrarmos na História da Salvação e da Libertação. Somos convidados a tomar parte nesta história como agentes, como discípulos missionários, não permitindo que o pecado, que levou Jesus à morte e ainda destrói tantas vidas, invada o nosso ser e o nosso agir.

            Nesta Semana, meditamos o Evangelho de Jesus, contemplamos sua prática, acolhemos sua proposta de doação e partilha, entramos em sua atitude de obediência ao Pai e de serviço à humanidade.

            A Palavra que ouvimos na celebração deste Domingo de Ramos e da Paixão é muito forte. Ela nos confronta com nossa própria fé, com o modo como a vivemos e testemunhamos. No Evangelho que segue a bênção dos ramos, vemos Jesus a caminho de Jerusalém. Em que ponto deste caminho nós estamos? Estamos à frente, atrás ou nos mantemos a beira da estrada? Exultamos convictos: “bendito o que vem em nome do Senhor” ou o fazemos superficialmente, levados pelo “embalo da multidão”?

            Não basta clamar “bendito o que vem em nome do Senhor”. Urge agir e ser para que efetivamente haja espaço para ele se tornar presente em nossa sociedade. Há várias formas de buscar que isto se realize, uma delas é nos fazermos portadores da paz, que é fruto da justiça. É assumir, apesar de todas as pedras no caminho, o chamado que nos é feito e, a exemplo do servo sofredor, poder dizer: “não lhe resisti nem voltei atrás... sei que não sairei humilhado”.

            Esta certeza nos é reforçada pelo próprio Cristo que se esvaziou, se humilhou e depois foi por Deus Pai exaltado. Participar da Eucaristia significa viver o mistério de Jesus Cristo em sua totalidade. Neste Domingo de Ramos, porém, somos chamados a viver mais intensamente sua paixão e morte e, com a Campanha da Fraternidade Ecumênica, reafirmar “Cristo é a nossa paz! Do que era dividido, fez uma Unidade” (Ef 2,14a).

            O evangelho da Paixão nos conduz à contemplação. O sofrimento intenso de Jesus nos faz ver o quanto o projeto de amor e paz que ele trouxe entra em choque com o contexto mundano. A grande lição da Paixão é a paciência em meio às provações. Dedução muito fácil de fazer, mas difícil de pôr em prática. Somos convidados à firmeza de Jesus em meio às contrariedades, na Fraternidade e Diálogo: compromisso de Amor!

            É preciso fazer o mesmo que fez Paulo, que não hesitou em recomendar a contemplação do próprio mistério da kénosis para animar a vida quotidiana dos cristãos. A humildade, à imagem do Cristo, contribui para a qualidade de vida entre os membros da comunidade. “Tende um mesmo amor, numa só alma, num só pensamento; nada façais por competição e vanglória, mas com humildade, julgando os outros como superiores a si mesmo, não visando ao próprio interesse, mas ao dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus” (Fl 2,2-5).

            Unidos com toda a Igreja no Brasil, concluímos neste domingo a primeira etapa da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, FRATERNIDADE E DIÁLOGO: Compromisso de Amor. “Cristo é a nossa paz! Do que era dividido, fez uma Unidade” (Ef 2,14a). Além da nossa conscientização sobre o problema, os desafios e as perspectivas de uma sociedade violenta, dividida, intolerante religiosamente, injusta e corrupta em nosso país, é o dia de realizarmos o gesto concreto, pois a CFE se expressa concretamente pela oferta de doações em dinheiro, na Coleta da Solidariedade. Trata-se de um gesto concreto de fraternidade, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses. A Coleta da Solidariedade é parte integrante da Campanha da Fraternidade Ecumênica. O gesto fraterno da oferta tem um caráter de conversão quaresmal, condição para que advenha um novo tempo marcado pelo amor e pela valorização da vida.

            Possamos viver intensamente, a começar das celebrações do Domingo de Ramos e da Paixão as riquezas de toda a Semana Santa, especialmente do Tríduo Pascal! A Coleta da Solidariedade, os frutos saborosos de nossos exercícios quaresmais de penitência, como o jejum e a abstinência nos leva a pensar naqueles que têm menos do que nós. Sejamos generosos e honestos diante de nossa consciência, de Deus e da Comunidade! Aguardamos orientações de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, por estarmos impedidos de celebrar, pelo segundo ano consecutivo, a Missa de Ramos com a presença de fiéis. A Pandemia se agravou e estamos em Estado de Emergência no Estado de São Paulo, que se nos impõem medidas ainda mais restritivas, para evitarmos aglomerações, respeitando o máximo possível o distanciamento social. Esperamos tanto que tudo isso passe logo, poupando tantas vidas preciosas para todos nós!

Desejando-lhes abençoada Semana Santa, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Mc 11,1-10; Is 50,4-7; Sl 21(22); Fl 2,6-11 e Mc 15,1-39).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Março de 2021, pp. 95-102 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo da Quaresma de 2021, pp. 66-75.