Para um Mundo mais Fraterno! “Tolle, lege!” é uma frase em latim que significa “Pegue, leia!”, referência de Santo Agostinho.
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quarta-feira, 25 de abril de 2018
COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - QUINTO DOMINGO DO TEMPO PASCAL
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé
A Liturgia da Palavra deste Quinto Domingo do Tempo
Pascal sublinha a união vital dos discípulos com o Ressuscitado, do batizado com sua comunidade de fé. Esta união vital Jesus a
explica através da alegoria da videira. Ele mesmo se apresenta como a “videira verdadeira” e nós, seus discípulos, os ramos, vitalmente unidos a ele. No
primeiro Testamento, a videira era considerada o símbolo do povo eleito de Deus.
Mas esta videira não correspondeu às expectativas do “agricultor”.
O Pai (o agricultor) desejou que o
Filho fosse o tronco da videira e nós os ramos. Se estivermos unidos à videira,
que é Jesus, também daremos os frutos que Jesus deu e então poderemos ser
Cristo para os nossos irmãos; sendo instrumentos de transformação em suas
vidas. Não existe vida para o ramo, se ele estiver separado do tronco. O ramo
que se separa da cepa, seca e morre sem produzir frutos, vira lenha e é lançado
ao fogo. Portanto, sem Jesus não há vida, não há frutos. Os frutos aqui
evocados são a santidade de uma vida fecunda pela união a Cristo (cf. Catecismo da Igreja
Católica, n. 2074).
Jesus ressuscitado é a Videira e nós somos os ramos dessa Videira. São Paulo ensina que, pelo Batismo, nos tornamos Corpo de Cristo, membros do seu corpo (cf. Ef 5,30). Então no Batismo, o Espírito Santo nos enxerta como ramo na Videira, que é Jesus Cristo, e,
consequentemente, “pelo poder do Espírito
santo, participamos da Paixão de Cristo, morrendo para o pecado, e da
Ressurreição, nascendo para uma vida nova; somos os membros de seu Corpo, que é
a Igreja, os sarmentos enxertados na Videira, que é ele mesmo” (Catecismo da Igreja
Católica, n. 1988). Os ramos que não se alimentam da
seiva do tronco murcham, secam e são jogados fora. Assim também nós, se não nos
nutrirmos do Espírito de Deus, definhará a vida, gerada em nós pelo Batismo. Os
ramos que se mantém unidos ao tronco recebem a seiva da vida que os torna
fortes, vigorosos e férteis. Produzem muitos frutos e de excelente qualidade,
como os de Jesus: perfeitos e comestíveis. Como ramos da videira, precisamos
nos deixar impregnar por sua seiva, que é Jesus Cristo, assim “estareis capacitados a entender, com todos
os santos, qual a largura, o cumprimento, a altura, a profundidade” (Ef 3,18) do amor de Deus. A nova
comunidade, que Jesus ressuscitado inaugura, resulta da união vital entre ele e
seus seguidores.
Jesus repete por oito vezes a
palavra “permanecer”. Para nós (os
ramos) é vital permanecer no amor. Permanecer em Deus. O amor tem um rosto: no
rosto de Cristo crucificado vemos Deus. “Quem
me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). Como a planta
precisa de água, nós também precisamos da “Água Viva”, o Espírito de Deus, para nos
encharcar desse amor. Ao permanecer nesse amor, a nossa alegria é completa,
nada nos falta. Nossa vida cristã depende dessa união: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), isto é, os frutos que produzimos
vêm da união a Cristo. Quem não permanecer unido, secará e perderá a vida. Esta
união é fonte de energia, é graça de Deus. Estar unido é produzir frutos.
Quem ama sofre, pois o amor exige
renúncia. Por isso, Jesus revela que, estar unido a ele é ter que suportar as
podas para produzir mais frutos. Mesmo que a poda seja sofrida tanto para o
agricultor, como para a videira e os ramos, ela se faz necessária. Sem ela, os
ramos acabam prejudicando toda a videira, a qual não produzirá os frutos
esperados. Muitas vezes, as podas do “Agricultor” (Deus) podem ser dolorosas
e não entendermos como acontecem. Podem ser uma doença, um acidente,
determinada provocação ou sofrimento que, no curso do tempo, se transformam em
graça e melhor qualidade de vida. São podas que fazem parte do plano de
salvação de Deus, para cada pessoa ou comunidade. A correção de Deus é de um
Pai amoroso, que deseja ver seus filhos realizados e felizes.
A Palavra de Deus deste Quinto Domingo do Tempo
Pascal é um profundo convite a cada um e à Igreja
toda, diante de um mundo sedento da seiva do amor de Deus, o amor gratuito entre as pessoas. A Comunhão e Participação expressa pelos
Bispos reunidos em Puebla em 1979, e o Discipulado junto à Missionariedade tão desejada pelos Bispos reunidos em Aparecida em 2007, somados
ao Plano de Ação Pastoral de nossa
Arquidiocese de Ribeirão Preto nos identificam com os ramos “grudadinhos” na Videira, Jesus Cristo, o centro de
toda nossa Pastoral, do sentido de nossa Eclesialidade. Queremos, unidos a
Cristo, produzir frutos saborosos e que alimentem nossas Comunidades de Fé.
Quem se omite ou se sente dispensado do compromisso de promover o amor gratuito de sua Comunidade, desliga-se da Videira (Jesus Cristo) e seca, deixando muitas vezes, uma videira
incompleta e frágil, ao invés de robusta e viril! Por vezes, determinadas podas ou surras que a vida nos dá, bem administradas, nos tornam ainda mais
robustos e férteis no serviço à Comunidade que nos tem como ramos preciosos, alimentados pela Videira, Jesus Cristo, o centro da Igreja que formamos!
Saibamos alimentar nossa fé,
esperança, sentido cristão, novo ânimo, novas perspectivas e horizontes,
bebendo da seiva do amor da verdadeira Videira, tornando-nos uma Igreja linda, vistosa e saborosa a alimentar um
mundo vazio de sentido, oprimido, porque oco de Deus!
Com ternura e gratidão, desejando-lhes
bênçãos, meu abraço amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler At
9,26-31; Sl 21(22); 1 Jo 3,18-24 e Jo 15,1-8)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus
de Abril de 2018, pp. 96-99 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo Pascal
(Abril/2018), pp. 46-50.
quarta-feira, 18 de abril de 2018
COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - QUARTO DOMINGO DO TEMPO PASCAL
DOMINGO
DO BOM PASTOR
Meus
queridos Amigos e Irmãos na Fé!
O Quarto Domingo do Tempo
Pascal, é o domingo do Bom Pastor e o Dia Mundial de Oração pelas Vocações!
A mística pascal continua e, neste
domingo, a comunidade sente-se especialmente enriquecida e animada com a
presença viva de Jesus como Bom Pastor. Jesus ressuscitado é o Bom Pastor que doa sua vida pelas ovelhas. Ele as conhece pelo nome e elas
reconhecem a voz de seu pastor. Boa Nova que revela ternura e cuidado para com seu
povo, em especial, com os doentes e sofredores.
Vivemos uma cultura da coisificação
da pessoa. Se lhe atribuímos códigos e senhas. Não existe, porém, som mais
deleitoso, do que ouvir alguém nos chamar pelo nome. Pessoalmente tenho grande
dificuldade de guardar o nome das pessoas, embora não esqueça suas fisionomias.
É algo que me entristece, porque é bom demais ser reconhecido pelo nome ao
invés de identificado por códigos, apelidos pejorativos ou senhas. O que não
suporto é o fingimento que muitas vezes disfarça nossa incapacidade de guardar
na memória nomes de pessoas com quem nos relacionamos. Irrita-me profundamente
quando alguém, seja ao telefone, seja pessoalmente, me peça que adivinhe quem
é! Peço que se identifique de uma vez. Mas a questão de conhecer o rebanho, as
ovelhas pelo nome e essas reconhecerem nossa voz é bem mais profundo e
transcendente do que simplesmente lembrar o nome deste ou daquele colaborador
em nossas Comunidades Eclesiais, Sociais, Políticas ou Profissionais.
A sociedade atual, sobretudo os jovens e adolescentes, se move
pela busca de figuras referenciais para sua vida. Os padrões editados pela
mídia projetam modelos que condicionam as pessoas a assumi-los, por vezes com
consequências nefastas. Cantores e artistas famosos, atletas bem sucedidos
etc., alimentam o sonho de autorrealização, de fama e de ser um herói para
milhões de indivíduos. Estes “ídolos” mexem com o universo imaginário e
simbólico das pessoas, sobretudo dos mais jovens.
Jesus é o Bom Pastor,
não simplesmente em oposição à figura dos pastores mercenários, mas porque
valoriza e conhece suas ovelhas e é reconhecido por elas. Ele dá a vida por
elas por uma opção de amor. Portanto, Jesus se apresenta à comunidade como Bom Pastor,
movido pela lógica do amor e não por interesses e favores pessoais, a exemplo
dos mercenários. Quem não ama sua comunidade (seu povo) até a doação de sua
vida, não pode ser considerado pastor exemplar.
O Dia Mundial de
Oração pelas Vocações nos convida a rezarmos ao Senhor que envie
pastores
configurados com Cristo, o Bom Pastor! A começar dos Ministros Ordenados aos Agentes de nossas
Pastorais, somos também convidados à conversão, à coerência e ao bom senso em
nossas atividades, que devem estar sempre pautadas sobre o Projeto Evangelizador e Missionário de Jesus Cristo, o
Bom Pastor! Quem não gasta sua vida
pela Comunidade (o rebanho) corre o risco de compreender sua vocação como “meio de vida”, o que se torna geralmente um
desastre. Por isso é fundamental conhecer Jesus Cristo ressuscitado e
identificá-lo como o Bom Pastor a ser seguido.
Conhecer Jesus e tê-lo como modelo de vida implica
conhecer seu amor e aderir ao estilo de seu agir. A mútua relação entre Jesus e
os seus gera e nutre a relação de intimidade, de confiança, de diálogo, de
pertença, de segurança. Não é em vão que a palavra pastoral evoca: zelo,
sensibilidade, cuidado, carinho, misericórdia, compaixão, amor, dedicação,
ternura, atenção às pessoas e às suas
necessidades.
O agir do Bom Pastor
torna-se referencial da ação eclesial e dos diferentes serviços pastorais da
Igreja em favor do povo. Por isso, falar de Pastoral na Igreja é ter
presente Jesus Cristo, o Bom Pastor, enviado
pelo Pai, que dá a vida pelas suas
ovelhas (cf. Jo 10,11.15) e à sua missão de pastoreio
confiada à Igreja, colocando pastores à sua frente. Fazer pastoral é exercer a
missão de Jesus, e em nome de Jesus Bom Pastor, lembra a generosidade e a
disponibilidade de um número incontável de batizados, engajados nos serviços da
ação evangelizadora e pastoral da Igreja. A nossa atuação pastoral é
relacional, de amizade, é oblativa em união com a caridade do Bom Pastor, é transformante, porque faz de nós um sinal claro do próprio
Jesus.
Pela atuação da pessoa do Papa,
Bispos, Presbíteros, Religiosos, Religiosas e das Lideranças Leigas, Jesus, o Bom Pastor, continua doando sua vida, manifestando seu carinho e sua atenção
por nós, pelas comunidades, em especial, por doentes e sofredores. Estes são os
privilegiados da ternura e do cuidado do Bom Pastor.
Nossas Comunidades, com razão, são
cada vez mais exigentes. Sejamos Bons Pastores para elas.
Sejam elas, Queridas Ovelhas para nós. Essa
relação só será possível se rezarmos com o coração configurado com Jesus Cristo
ressuscitado e vivo entre nós, como o modelo de Bom Pastor:
Desejando-lhes
abundantes bênçãos, com ternura e gratidão o abraço sempre fiel e amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler At
4,8-12; Sl 117(118); 1 Jo 3,1-2 e Jo 10,11-18)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus
de Abril de 2018, pp. 76-79 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo Pascal
(Abril de 2018), pp. 42-45.
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