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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações!
E, na alegria do vosso coração,
soará majestosa a sua voz” (Is 30,19.30).


            A palavrinha que poderia sintetizar a Liturgia do Segundo Domingo do Advento é CONVERSÃO, sendo seus protagonistas os Profetas Isaías e João Batista.
            Somos responsáveis pela vinda do Senhor, que nos traz sua proposta de paz e salvação. O profeta Isaías e João Batista nos convidam a preparar os caminhos por onde Jesus deve passar, pois ele vai nos ajudar a construir o novo céu e a nova terra que todos almejamos. Da alegria do nosso coração brilhará a luz de Deus.
            Todos somos responsáveis pela preparação dos caminhos da nova humanidade redimida pela graça de Jesus.
            É necessário preparar o caminho para o Messias. João Batista é o precursor que anuncia e apresenta o Salvador. Deus tem tempo e dá tempo para a conversão.
            Animados a preparar o caminho do Senhor, agradeçamos a Deus porque fomos escolhidos para anunciar, na eucaristia, a salvação já presente e em ação.
            Os batizados em Cristo são novíssimas criaturas. Trazem consigo o seu Espírito, o que significa compartilhar de seu modo de vida, de sua palavra, de seus ensinamentos e ações. Como discípulos e discípulas que são, têm os ouvidos abertos e os olhos atentos. Captam toda palavra de paz dita por Deus fazendo-a reverberar nos confins da terra de modo que ela produza frutos que possam ser colhidos e degustados (cf. o Salmo 84). São também filhos e filhas da glória de Deus, visibilidade de seu esplendor. Sentem-se manifestação do Cristo na fidelidade a seu Evangelho.
            O Tempo do Advento, da expectativa pelo Dia de Deus, nos faz assumir um itinerário de conversão, de modo que “nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro” do seu Filho (cf. Oração do Dia). No mundo em que vivemos, o trabalho dos cristãos se insere no contexto de consolidação de ambientes capazes de acolher e manifestar a presença do Senhor. Toda obra que coopera para a paz e para a justiça, portanto, se enquadra como manifestação da bondade de Deus aos olhos fiéis ao Evangelho. São ecos da Palavra do Senhor, vozes que se encontram em sinfonia no cumprimento das promessas messiânicas de “novos céus e nova terra”.
            O tema da Palavra de Deus que irrompe na história humana pela boca de homens e mulheres em todos os tempos é central no cristianismo. Diz respeito ao coração da nossa profissão de fé.
            A teologia conhece uma expressão muito feliz recuperada pelo Papa Emérito Bento XVI em sua última Encíclica, Verbum Domini: a Vox Verbi, a voz do Verbo. Muitas são as vozes da Palavra de Deus, é uma verdadeira sinfonia (cf. VD, n. 7). Participa, então, da mesma Palavra de Deus toda uma variedade de vozes. São como “harmônicos” do mesmo som que sai da boca do próprio Deus. Vibrações várias da única Palavra que os cristãos reconhecem encarnada em Jesus de Nazaré, confessado como Senhor e Messias.
            No tempo de João Batista, precursor do Messias, as pessoas souberam reconhecê-lo em sua relação com a Palavra de Deus, a ponto de o identificarem com ela. Na verdade, João Batista é uma das “vozes” do Verbo de Deus. Quando o povo de Deus celebra reunido em assembleia, é educado na percepção destas “variantes” da voz divina, enraizada, porém, na única Palavra de Salvação. Em tudo e todos se escuta a voz de Cristo. Tudo quanto colabora para preparar um ambiente propício à sua manifestação é bem vindo e bem quisto. Seja de dentro da Igreja ou de fora dela. Não importa, pois o mais importante é “o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar”.
            Esta Segunda Semana do Advento nos propõe, enfim, a arrumação, a faxina, a limpeza interior. Uma das riquezas deste rico tempo de alegre esperança são os Mutirões de Confissões que acontecem em nossas Comunidades. O Sacramento da Reconciliação tem sido valorizado a cada ano mais, tanto no Advento como na Quaresma! A Confissão que nos prepara melhor para celebrarmos o Natal do Senhor nos devolve, nesse processo de conversão, a PAZ que o pecado nos rouba. Possa o Senhor encontrar em nossos corações, aconchegantes manjedouras que não cheirem mal, mas exalem os perfumes angelicais de pessoas que se esforçam por um mundo mais digno e menos oco de Deus.
            Ainda, possam nossos Presépios montados em residências, igrejas e em todos os lugares, ressaltar a protagonista central do Natal de Jesus: a Família! Se tirarmos a Família de nossos Presépios, sobram tão somente animais e cheiro de feno. Não caiamos na tentação de subtrair a Família do Presépio do Mundo. Deus gostou e achou tão bonita a Família, que também Ele quis uma para si. “Que a Família comece e termine sabendo aonde vai...” (Pe. Zezinho, Oração da Família).

            Desejando-lhes abundantes bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 40,1-5.9-11; Sl 84(85); 2 Pd 3,8-14 e Mc 1,1-8).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2017, pp. 40-43 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2017), pp. 11-13.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“O que vos digo, digo a todos; vigiai!” (Mc 13,37).


            Com o Primeiro Domingo do Advento iniciamos o Novo Ano Litúrgico, e nossa preparação para o Natal do Senhor! A liturgia nos faz forte apelo à vigilância, para estarmos acordados e atentos, pois o Senhor vem vindo e nos visitará. Abramos mente e coração para acolher a graça e a paz que vêm da parte de Deus.
            Deus se revela nosso Pai e redentor e nos restitui a dignidade perdida. Também nos convida a estar atentos e vigilantes para que, ao visitar-nos, nos encontre preparados. A exemplo de Paulo, louvamos a Deus pela graça que nos concede em Jesus Cristo.
            O povo reconhece estar distante dos caminhos do Senhor e deseja a sua vinda. Fiquemos sempre atentos e preparados, pois Deus quer nos visitar. Todos somos chamados à comunhão plena com Cristo.
                        O início do ano litúrgico nos convoca a exercitar uma das grandes virtudes cristãs: a esperança. Mas embora estejamos no seu começo, a liturgia, qual uma bússula, nos faz olhar para as realidades do fim, como que nos ensinando a direção, apontando a meta e orientando a nossa existência para Deus. Os cristãos são o povo da esperança, a confiança e o otimismo em relação ao reinado de Deus e sua definitiva instauração com a segunda vinda de Jesus tem, para nós, sabor de realização, plenitude e salvação. Jesus, convocando à vigilância, nos alerta para que, por desatenção, não sejamos surpreendidos enquanto dormimos. O sono, imagem da morte e da noite do pecado, conota falta de comunhão com o Senhor, o Vigilante por excelência, que não foi tragado pelo sono da morte.
            Mas realizar coisas, boas ações ou orações, não diz tudo a respeito da vida cristã. Existem tantas pessoas que oram e realizam boas coisas e talvez sejam até melhores do que nós naquilo que fazem... Nossa experiência de fé é pautada na vida em Jesus Cristo. Mais do que esperar Jesus, nós esperamos nele! As boas ações e a oração que fazemos são frutos de uma comunhão com ele, índice de nosso vínculo batismal com o Senhor, antecipação da vida futura que ele nos garante e nos reserva. É por isso que somos povo da esperança, pois o fato de estarmos tão intimamente ligados a ele, não só prolonga a sua ação salvadora no mundo, mas antecipa aquilo que para nós está reservado na vinda do Filho de Deus. Na aurora de um novo dia, como porteiro, nos postamos no limiar desse novo tempo que Jesus inaugurou. Vigiar é esperar com alegria e confiança as realidades futuras que já vivemos, permitindo que chegue ao mundo pela porta do nosso agir e da nossa oração o Desejado das nações.
            Embora os tempos continuem difíceis e desafiadores, quiçá mais complexos, não estão nos faltando a atenção aos crucificados de hoje, às perseguições e injustiças, mas também à vida que insiste e resiste, bem como aos sinais que nos anunciam a chegada do Filho de Deus? O mandato do Senhor continua válido: “o que vos digo, digo a todos: Vigiai!. Entendemos isso a partir da nossa comunhão com ele, sempre perseverantes na oração e no bem que devemos fazer por causa dessa comunhão, sem perder a alegria e a confiança que marcam nossas vidas e a nossa missão.
            Mas como fazemos o exercício da espera? Como a esperança acontece em nós e por quê? A quem aguardamos? Todas essas questões nos ajudam a compreender a comunidade e a nossa própria vida, como existência pautada pela expectativa. A vigilância é a couraça da esperança. Vigia quem espera confiante e alegre, pela vinda do Senhor, quem trabalha pela construção de um mundo melhor, quem exercita o amor pelo próximo, sobretudo o mais desvalido, quem “sintoniza” sua vida na frequência do Evangelho e do Espírito de Deus, quem promove a paz e a justiça e quem não descura da vida de oração e de busca pelo Senhor. Desde a sua origem a Igreja repete a súplica pela vinda dele – Maranatha! – e pelo Reino, na oração do Pai Nosso. A Igreja nasceu suplicando e desejando o Reino porque experimentou e vive da Páscoa de Jesus, penhor das realidades definitivas.
            É preciso dispor-se a ser evangelizado. Quem está em processo de Evangelização se torna evangelizador. O encontro com o Verbo encarnado impulsiona a anunciar a outros a feliz experiência.
            A corresponsabilidade na obra evangelizadora deve suscitar nos batizados a percepção das necessidades na sustentação dessas atividades, levando-os à solidariedade através da contribuição para que a Igreja tenha recursos para evangelizar e manter seus organismos e pastorais nos níveis: paroquial, diocesano e nacional (CNBB e suas subsedes Regionais – 17). A solidariedade de todos contribuirá para que a evangelização possa atingir as regiões mais desprovidas de recursos financeiros, como a Amazônia ou as periferias das grandes cidades.
Sendo o Advento uma especial preparação para a Solenidade do Natal do Senhor, o convite é de alegre vigilância e profunda esperança nele! Um dos exercícios muito proveitosos e práticos para o Advento parece simples, mas não é: Não falar mal de ninguém neste rico tempo! Pode parecer simples, mas trata-se de um exercício muito difícil, embora santificador. Mesmo sabendo ou constatando erros nos outros, guardar para si, no silêncio do coração, em segredo, sem espalhar a ninguém o erro cometido. Tentemos todos os dias, até o Natal, Não falar nadinha de mal sobre ninguém!
O outro exercício está ligado à Coleta para a Evangelização realizada no Terceiro Domingo do Advento GAUDETE, O Domingo Rosa Domingo da Alegria! Neste primeiro domingo receberemos um pequeno envelope a ser devolvido no domingo da Coleta. Que valor colocaremos neste envelope? Eis o segundo exercício do Advento: pensando nos irmãos em dificuldades, dispor-nos a partilharmos da nossa pobreza em favor de uma Evangelização mais eficaz. Portanto, no envelope, deveremos depositar nossos exercícios penitenciais deste rico tempo de vigilância e conversão! Deixar de consumir e o resultado de tal renúncia será o resultado de nossa doação. Não consumir algum refrigerante, guloseimas, outros prazeres somados, deveriam se converter em frutos saborosos de nossa participação consciente nesta Coleta!
            Finalmente, possamos pensar em ser mais presença do que dar presentes neste Natal. E, se quisermos dar algum presente, evitemos a “cultura do consumo”, pensando em quem precisa mais do que nós. Um belo gesto concreto seria tornar-nos, quem sabe, colaboradores do FAC – Fraterno Auxílio Cristão, destinando uma pequena parcela de nossos presentes natalinos aos mais surrados pela vida: nossas Famílias em situação vulnerável do Núcleo Dom Hélder Câmara, nossas crianças, adolescentes e jovens em situação de risco do Núcleo Dom Bosco. Ligue já para o FAC e seja um sócio colaborador, oferecendo seu presente de Natal ao verdadeiro aniversariante estampado no rosto de nossos pobrezinhos assistitos: (16) 3237-0941/3237-0941. Ou então faça-nos uma visita, de segunda a sexta-feira entre 8 e 17 horas: Rua Barão do Amazonas, 881 – Centro de Ribeirão Preto!

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 63,16-17.19; 64,2-7; Sl 79(80); 1Cor 1,3-9 e Mc 13,33-37).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2017, pp. 21-24 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2017), pp. 7-10.

ADVENTO, MEMORIAL DA ESPERANÇA!

Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.


Se no último final de semana, Festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, iniciamos o ANO NACIONAL DO LAICATO, em torno de nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, numa belíssima Concelebração Eucarística, que testemunha nossa comunhão e unidade com a Igreja do Brasil, no próximo, iniciaremos um novo ANO LITÚRGICO. Reunindo desejos, sonhos e utopias da humanidade por profundas transformações e dias melhores, manifestadas em veementes clamores em nossos dias, iniciamos o tempo do Advento, o memorial da esperança, que alarga nossa vida para acolher o grande mistério da encarnação. Na perspectiva do Natal e Epifania do Senhor, como acontecimentos sempre novos e atuais, vislumbramos vigilantes e esperançosos, a lenta e paciente chegada de seu Reino e sua manifestação em nossa vida e na história. O Senhor nos garante que, nesta espera, não seremos desiludidos.
A coroa do Advento, feita com ramos verdes, fita vermelha, com quatro velas que progressivamente se acendem, com um rito apropriado, nos quatro domingos do Advento, retoma o costume judaico de celebrar a vinda da luz à humanidade dispersa pelos quatro pontos cardeais, expressa nossa prontidão e abertura ao Senhor que vem e quer nos encontrar acordados e com nossas lâmpadas acesas.
A Novena de Natal, preparada carinhosamente pelo nosso Seminário Maria Imaculada, pela Comissão para a Liturgia da Arquidiocese de Ribeirão Preto (CAL) e alguns padres colaboradores, é um instrumento muito importante para ajudar-nos viver, em família e em comunidade, este tempo de piedosa e alegre expectativa, este tempo de preparação para o Natal do Senhor.
Advento é também tempo especial de escuta e atenção à Palavra de Deus. Tempo de nos engravidar da Palavra, gestando em nós e entre nós o Verbo, como Maria, figura que tem especial destaque neste tempo.
Esperança tem muito a ver com perseverança. Perseverar em Deus. Não se trata de esquecer o que vivemos e seguirmos como se nada tivesse acontecido. Podemos viver calejados, com cicatrizes na alma, algumas vezes com momentos de dor, mas nunca perder a Esperança de que dias melhores virão.
A Esperança não nos ilude, mas nos faz caminhar com serenidade, acreditando que novas possibilidades surgirão, como nos fazia ver o Papa Francisco quando ainda era Arcebispo de Buenos Aires: “Caminhar, de certo modo, já é entrar numa Esperança viva. Assim como a verdade, a Esperança é um dom que nos faz seguir adiante e nos convida a acreditar que cada novo dia trará consigo o pão necessário para a nossa subsistência”.
            Como alpinistas da graça divina, precisamos seguir em frente. Do meio das sombras nascerá a luz. Na hora da dor, brotará a verdadeira Esperança.

            Bem por isso, iniciamos o rico tempo em preparação ao Natal do Senhor, a Luz que veio iluminar os corações aquecidos pelo Príncipe da paz, num Advento, O Memorial da Esperança!