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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - VIGÉSIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

MÊS MISSIONÁRIO
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão, que são eternas!
Não recordeis os meus pecados quando jovem
nem vos lembreis de minhas faltas e delitos!
De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia
e sois sem limites, Senhor!” (Cf. Sl 24).

            A Palavra de Deus, proclamada, acolhida e celebrada no Vigésimo-Sexto Domingo do Tempo Comum nos convida a reconhecer que não basta só falar, o nosso agir é que demonstra se cumprimos ou não a vontade do Pai. Outubro, mês em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem da Virgem Conceição Aparecida, mês do Rosário e mês das Missões. Por isso, em outubro, somos convidados a assumir concretamente a missão da Igreja, colocar em prática o que Jesus nos ensinou. Esta proposta está expressa no tema desse Mês Missionário: “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”, “juntos na missão permanente”.
            A Palavra de Deus nos fala da responsabilidade que temos sobre nossos atos e suas consequências e salienta a importância da coerência entre o falar e o agir.
            Não podemos culpar Deus pelos nossos erros. Não basta apenas dizer sim (formalismo); é preciso trilhar o caminho da justiça. Imitar a Cristo na humildade e no desprendimento.
            A Eucaristia é a ação pela qual nos identificamos com a morte e ressurreição de Cristo, dispondo-nos a ir com ele até a cruz para que os outros vivam.
            Somos daqueles que pensam que basta dizer: “Senhor, Senhor” para entrar no reino de Deus? Daqueles que se acomodam com formalidades e com títulos religiosos e não se esforçam na prática da justiça? Seguir Jesus repercute em nossa prática. É ela que decide o destino diante de Deus. O fazer comprova ou desmente o dizer. A pergunta de Jesus exige discernimento: qual fez a vontade de Deus?
            A intenção de Jesus não é convencer seus adversários, mas dizer-se porque são rejeitados. Ouvimos, neste contexto, uma das frases mais duras de Jesus: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”. Aqueles que pretendem ser perfeitos, bons observadores da lei serão antecipados no Reino por aqueles que eles julgam e condenam como os maiores violadores da lei, os pecadores públicos. Pecadores públicos de nossos dias, são aqueles homens e mulheres públicos que escandalizam a Nação que representam, traindo a confiança de seus eleitores, legislando leis em benefício próprio, desviando verbas públicas destinadas à Saúde, Educação, Segurança Pública, Moradia, etc aos próprios bolsos. Somos também, nós, quando não somos honestos em relação às coletas, dízimo e demais contribuições destinadas aos mais pobres ou outras finalidades maiores, utilizando-nos dos bens da Comunidade em benefício de determinadas mordomias pessoais. A lei que Jesus exige é colocar em prática a vontade do Pai que ama toda pessoa e, em especial, os mais necessitados e desprezados.
            Jesus nos ensina a reconhecer a justiça das pessoas que não têm boa fama, mas praticam a justiça. Ensina-nos a denunciar, para o bem delas e de todos que sofrem sua influência, as que têm boa fama, os considerados santos, mas que não praticam a justiça, conforme o projeto do Pai. Jesus é o Filho que diz “sim” e faz o que o Pai decidiu. Todas as pessoas que acolhem e seguem concretamente Jesus cumprem a vontade do Pai.
            Ezequiel nos fala em praticar o direito e a justiça e a nos convertermos constantemente. Essa atitude julga a nossa vida. Julgar que somos “justos” é uma cegueira pessoal que faz semear dúvidas sobre a conduta e as crenças de quem é diferente de nós. Para fazermos a vontade do Pai, a Carta aos Filipenses nos mostra o caminho assumido por Jesus: “Esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo”. Jesus deixou de lado todo privilégio. O fato de sermos cristãos, de exercermos um ministério na Igreja, não deve ser motivo de elogios, de prepotência, de nos sentirmos mais e melhores que outras pessoas. É motivo sim de solidariedade, de espírito de comunhão e serviço; de um permanente processo de encarnação no mundo dos excluídos.
            Neste Dia do Senhor, celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se revela nas pessoas que procuram viver o discipulado, obedientes à Palavra de Deus. Além da Liturgia da Palavra, parte integrante da liturgia cristã e constituindo com o rito eucarístico um só ato de culto (cf. Sacrosanctum Concilium, n.56), toda a celebração como memorial do mistério pascal de Jesus, no hoje de nossa vida, está inserida no conjunto da História da Salvação, da qual somos testemunhas como missionários e missionárias!
            Em cada celebração, colocamos em nossos lábios muitos cantos e palavras, repetimos orações e fazemos tantos gestos. Tudo isso terá sentido e agradará a Deus como oferta bendita se for expressão de um coração orante e comprometido com a vontade de Deus.
            A Palavra de Deus nos faz mergulhar em nossa fragilidade humana e nos leva a experimentar a bondade sempre fiel do Senhor que nos propõe mudança de vida e acredita em nossa conversão. Ele, porém, não se contenta que apenas o invoquemos, repetidamente: “Senhor, Senhor!”.
            Penso que devemos “Fazer amor com Deus”. Amá-lo e deixar-nos amar profundamente por Ele. Quando amamos, fazemos de tudo para agradar o amado. Mudamos até nossos hábitos e gostos. Porém, para “fazer amor”, é preciso sentir-se atraído pela outra pessoa e a ela entregar-se totalmente, sendo-lhe infinitamente fiel! Portanto, quem diz amar a Deus, mas não conhece Sua Palavra, Sua Vontade e não sente Seu amor, ao invés de “fazer amor com Deus”, prostitui-se.  Porque fazer amor com quem não se conhece, é prostituição, ou não?

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Ez 18,25-28; Sl 24(25); Fl 2,1-11 e Mt 21,28-32).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Outubro de 2017, pp. 16-19 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Outubro/2017), pp. 27-31.

TARDE FRATERNA DO FAC!

Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.
O FAC – Fraterno Auxílio Cristão da cidade de Ribeirão Preto necessita da ajuda generosa de mais parceiros e amigos, que queiram ajudar-nos a cuidar dos pobres de nossa cidade. Você poderá ser um sócio mensal ou benfeitor ocasional! Partilhando de sua pobreza, enriquecerá nossa vontade de mantermos nossos projetos que precisam da ajuda de todos!
O FAC desenvolve suas atividades por intermédio de dois projetos: o Núcleo de Solidariedade Dom Helder Câmara, instalado na sede do mesmo, na Rua Barão do Amazonas, 881, Centro de Ribeirão Preto, classificado como Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, atendendo jovens, adultos e idosos, de ambos os sexos, em situação de vulnerabilidade social, conforme Resolução CNAS nº 13, de 13 de Maio de 2014.
O Núcleo de Solidariedade Dom Bosco, instalado na Rua Imigrantes Japoneses, 1065, Parque Ribeirão Preto, classificado como serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, atendendo crianças e adolescentes dos 6 aos 15 anos, assegurando espaços de referência para o convívio grupal, comunitário e social, além do desenvolvimento de relações de afetividade, solidariedade e respeito mútuo, desenvolvendo sua convivência familiar e comunitária. Contribui para a ampliação do universo informacional, artístico e cultural de 80 crianças e adolescentes, diariamente, no contra-turno escolar.
O FAC procura responder, na medida do possível, aos anseios do Papa Francisco, que deseja “Uma Igreja pobre para os Pobres!”. Contamos com a generosidade de quem desejar unir-se a nós, para juntos cuidarmos dos pobres de nossa cidade. Neste dia 27 de setembro, a partir das 13h30, no Salão Paroquial da Igreja São Batista, na Rua Humaitá, 853 no Bairro Santa Cruz do José Jacques, teremos uma Tarde Beneficente de Confraternização com muitos e excelentes prêmios! Participando, nos ajudará a manter o FAC funcionando e acolhendo os mais pobres de nossa cidade. Basta telefonar (16) 3237-0941/3237-0942 ou acessar: solidariedadefraterna@yahoo.com.br!

Quem não puder participar da Tarde de Confraternização, mas deseja mesmo assim colaborar, poderá depositar qualquer quantia na Conta Corrente do FRATERNO AUXÍLIO CRISTÃO no Banco do Brasil – Agência 4242-0 e C/C 20029-8. Deus certamente recompensará a generosidade de nosso povo! 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - VIGÉSIMO QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

DIA DA BÍBLIA


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor.
se clamar por mim em qualquer provação,
eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.

            O Senhor é nossa salvação e está sempre pronto a ouvir e atender nossos clamores. Ele nos convida a participar da construção do reino de Deus e nos oferece a possibilidade de receber seus dons, ouvir sua palavra e experimentar seu amor para com toda a humanidade.
            Nossos pensamentos estão, às vezes, muito longe dos pensamentos de Deus. As parábolas de Jesus nos deixam inquietos precisamente porque mostram que a bondade e a justiça divinas superam nossos cálculos mesquinhos.
            Sempre é tempo de conversão, de buscar o Senhor. O cristão deve surpreender pela sua bondade com os mais fracos. A preocupação principal do evangelizador é dedicar-se à comunidade para que ela viva conforme o evangelho.
            A eucaristia nos dá ocasião de agradecer a Deus pelos dons recebidos e apresentar os frutos que a semente da palavra produziu em nós.
            A Palavra de Deus do Vigésimo Quinto Domingo do Tempo Comum nos faz uma pergunta muito pertinente: “Você está com ciúme porque estou sendo generoso?” As situações de ciúme e de inveja são muito percebidas e sentidas em nossas relações, as mais diversas: pessoais, familiares, eclesiais, sociais, políticas e de mercado de consumo...
            O Evangelho deste domingo nos leva a pensar no trabalho, na oportunidade de emprego, no sustento da família e na vida digna para todos. Angustia ao coração humano e sensível, muito mais à consciência dos cristãos, a multidão de desempregados, as pessoas que passam fome, a falta de moradias dignas, as injustiças políticas e sociais e do outro lado, o número privilegiado de pessoas ricas e poderosas que pouco se importam com os que não têm pão, casa e emprego. É uma divisão complicada e fere profundamente o coração humano.
            A liturgia deste Vigésimo Quinto Domingo do Tempo Comum – no Dia da Bíblia - nos ajuda a fazer uma reflexão sobre essa situação e nos aponta caminhos na perspectiva do patrão que saiu a contratar operários, desde a primeira hora, para trabalhar na sua vinha. Porém a liturgia corre o risco de ser lida e entendida de uma maneira espiritualista. Mas ela tem sérias implicações econômicas, políticas e sociais. A vinha, símbolo do povo de Israel, tem a missão de garantir vida e segurança para todos. O Senhor cerca e cuida dela para que produza frutos.
            Mas que frutos e para quem? A história da Igreja e dos cristãos é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Vinha são os espaços dignos e alimentos necessários para os filhos e filhas de Deus. A Igreja e a comunidade têm a missão de cuidar dessa vinha para que produza justiça, liberdade e pão para todos.
            Recordamos o apóstolo e evangelista São Mateus que apresenta Jesus como o Mestre da Justiça. Lemos seu Evangelho neste ano do calendário litúrgico.
            Para uma melhor compreensão da parábola do patrão justo, é bom ler Mateus de 19,30 até 20,16. Existe uma moldura para essa parábola: “Muitos primeiros serão últimos e últimos serão primeiros”. O versículo inicial anuncia a inversão de valores, e o final explica a relação correta entre Deus e a humanidade. É no trabalho cotidiano que Deus se revela e nós demonstramos nosso empenho pela justiça.
            Deus não é injusto ao ser generoso. A bondade de Deus ultrapassa os critérios humanos. Lembro-me ao meditar a Palavra deste domingo, de uma frase que marcou muito minha vida, proferida sempre por minha saudosa mãe: “Meu Filho, o combinado não sai caro!...”, querendo ensinar-me que devo sempre cumprir com o prometido, e fazer até mesmo mais do que prometi, quando estiver ao meu alcance. Isso não nos parece claro no Evangelho? O que importa não é o quanto fazemos, mas o como fazemos.
            Deus ultrapassa todas as nossas limitações e o nosso jeito de entender a vida.  Tanto quanto as nuvens estão longe de nosso chão, assim são nossos planos de Deus com relação à nossa estreiteza de visão e de projetos. Mas Deus se deixa encontrar, está em nossos caminhos para transformá-los em caminhos de Deus. Isaías nos revela que Deus nos convida a abandonar nossas maquinações e assumir a generosidade de Deus. Assumindo o projeto de Jesus, nossos caminhos se aproximarão do caminho do único “Patrão” que devemos ter. “Patrão” que é o Pai de Jesus, Pai Nosso!
            Ciúme e Inveja atrapalham relações harmoniosas entre as pessoas. Um bom exercício para nós, nesta Vigésima Quinta Semana do Tempo Comum, poderia ser uma profunda revisão, desde as entranhas de nossa intimidade, o quanto temos sido generosos com os outros e o quanto temos prejudicado os outros em suas atividades pessoais, familiares, sociais, eclesiais (principalmente em nossas Comunidades e, sobretudo entre nós clérigos, já que não conheço pior dano do que a Inveja Clerical), políticas (quantos horrores ouvimos entre nossos políticos!..., dos interesseiros, que somam lamentavelmente a maioria, já que honestos dificilmente sobrevivem ao sistema corrupto e diabólico de nossa falsa democracia), profissionais e tantas outras atividades, até mesmo na esfera do voluntariado?
            Concluo minha reflexão com Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas, lindas, a raiva e a coragem. Raiva do estado das coisas e coragem para mudá-las!”. Não nos falte a Esperança de que podemos mudar as coisas, se quisermos e usar da coragem que o Senhor nos confere!

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 55,6-9; Sl 144(145); Fl 1,20-24.27 e Mt 20,1-16).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Setembro de 2017, pp. 72-75 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Setembro/2017), pp. 21-26.