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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


"Preparai o caminho do Senhor,
Endireitai suas veredas!
Toda a pessoa há de ver a salvação de nosso Deus" (cf. Lc 3,4.6).

No Segundo Domingo do Advento, em preparação à vinda do Senhor, mais uma vela acende-se na Coroa do Advento. A luz fica mais forte, podemos visualizar o caminho a percorrer rumo à celebração do Natal de Jesus.
O profeta Isaías anuncia a chegada de um rei que vai restabelecer a paz e a harmonia. É Jesus que vem trazer a salvação para seu povo e mostrar o verdadeiro caminho que conduz ao reino. É necessário converter-se à prática da justiça para reconquistar a harmonia. A conversão é a condição para acolher o reino dos céus. Sabemos acolher-nos mutuamente, como Cristo acolhe a cada um? Neste domingo somos convidados ao sincero esforço de conversão contínua. O Espírito Santo nos torne acolhedores uns dos outros e faça de nós um corpo unido na caridade.
Se no Primeiro Domingo do Advento refletíamos sobre a Vigilância, o Segundo nos propõe uma profunda, sincera, radical e persistente Conversão. São cinco os personagens proclamados na Palavra deste domingo, que nos incentivam à profunda e verdadeira Conversão: O Profeta Isaías, João Batista, o próprio Cristo cujo Natal preparamos, abrindo-lhe caminho em direção à manjedoura de nosso coração, o Espírito Santo, que derrama seus dons até as entranhas de nossa intimidade e a Igreja: o corpo do qual Cristo é a cabeça e nós, seus membros.
Conversão implica em perseverança, em esforço por tornarmo-nos melhores hoje do que ontem, superando o que nos dificulta abertura ao projeto de amor de Deus revelado em Jesus Cristo para cada ser humano. Enquanto preparamos as Festas Natalinas, seria tão salutar pensar qual dificuldade, defeito e por que não dizer, pecado ou hábito ruim que temos a superar! A conversão não acontece num toque de mágica. É como decorar a tabuada: todos os dias devemos repetir, esforçar-nos por sermos melhores hoje do que ontem. Não adianta querermos mudar tudo num só momento. Somos humanos e cheios de defeitos. Façamos uma listinha deles, e a cada dia, tentemos superar um. Se conseguirmos ou não, não é a questão. Importante mesmo é o esforço que empreendermos por jogar fora nossos pecados e acolher os preciosos dons do Espírito Santo que nos devolverão a dignidade de pessoas queridas e amadas por Deus. Assim seremos mais capazes de amar-nos uns aos outros!
Pensar na Coleta da Campanha Nacional da Evangelização nos ajudará nesse exercício de conversão, na medida em que abrirmos mão de algum valor que gastaríamos para presentes, ceias e enfeites de Natal, depositando o mesmo valor no envelope e entregá-lo com o coração orante e feliz no próximo domingo, Gaudete: Domingo Rosa, Domingo da Alegria!
O que significa hoje esse “endireitar a estrada humana”? A estrada humana somos nós mesmos, são nossas atitudes, a nossa vida, o nosso dia a dia. Olhando para dentro de nós e para o mundo que nos cerca, descobrimos uma infinidade de coisas que não andam direito. O que não anda direito hoje? O que anda enchendo de desvios e, até mesmo, “esburacando” a estrada de nossa vida? Se o Senhor viesse hoje para passar por ela, Ele encontraria a estrada de nossa vida preparada, endireitada? Ou há razão para desconfiar que Ele escolheria um outro caminho, porque o nosso está impedido e intransitável? Está na hora de limpar o leito de nossa estrada do egoísmo, do amor próprio, da vontade de humilhar os outros e de progredir na vida à custa dos que não tem voz e nem vez.
Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler: Is 11,1-10; Sl 71(72); Rm 15,4-9 e Mt 3,1-12).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2016, pp. 23-26 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2016), pp. 18-22.

ADVENTO: TEMPO DE ESPERANÇA!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico,  Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Santo Agostinho de Hipona, um dos maiores sábios do Cristianismo, afirmou que o desespero é a punição para aqueles que, voluntariamente, deixam de acreditar na verdade e no amor de Deus. E qual é a melhor reação diante de um quadro que quer nos arrastar para o abismo da tristeza e do desespero?
            Devemos assumir nossas limitações e fragilidades com o coração aberto. Fizemos tantas experiências lindas nesse sentido, durante o Ano Santo Extraordinário do Jubileu da Misericórdia!
            Não podemos mudar o que a vida nos reservou, mas temos capacidade, sim, de lidar com nossas perdas e frustrações. Quando o corpo e a alma padecem, a razão e a fé podem nos dar novas respostas.
            Não por acaso, São Francisco de Assis fala da Esperança. Esperar em Deus. Esperar o novo, o bem. Esperar a vida em abundância.
            Esperança tem muito a ver com perseverança. Perseverar em Deus. Não se trata de esquecer o que vivemos e seguirmos como se nada tivesse acontecido. Podemos viver calejados, com cicatrizes na alma, algumas vezes com momentos de dor, mas nunca perder a Esperança de que dias melhores virão. Isso depende de nós! De nossa abertura à Misericórdia de Deus!
            A Esperança não nos ilude, mas nos faz caminhar com serenidade, acreditando que novas possibilidades surgirão, como nos fazia ver o Papa Francisco quando ainda era Arcebispo de Buenos Aires: “Caminhar, de certo modo, já é entrar numa Esperança viva. Assim como a verdade, a Esperança é um dom que nos faz seguir adiante e nos convida a acreditar que cada novo dia trará consigo o pão necessário para a nossa subsistência”.
            Como alpinistas da graça divina, precisamos seguir em frente. Do meio das sombras nascerá a luz. Na hora da dor, brotará a verdadeira Esperança.
            Bem por isso, iniciamos o rico tempo em preparação ao Natal do Senhor, a Luz que veio iluminar os corações aquecidos pelo Príncipe da paz, num Advento: Tempo de Esperança!

            João Batista, no Segundo Domingo do Advento nos conclama a “prepararmos o caminho do Senhor”, começando com nossa conversão pessoal e interior!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Bendito sejais, Deus da Esperança,
Pela luz de Cristo, sol de nossa vida,
A quem esperamos com toda a ternura do coração.”
(Antífona para o acendimento da 1ª vela da Coroa do Advento).

            Iniciando o ano litúrgico, as leituras já nos apontam para o final: a vinda do Filho do Homem e nos dão uma luz orientadora para nossa caminhada até sua chegada. O salmo nos ajuda a compreender quem é o Senhor que nos mantém na caminhada: “Que Ele não deixe teu pé vacilar, que teu vigia não cochile! Não! Ele não cochila nem dorme, o vigia de Israel.” Nesta confiança, vamos permanecer vigilantes à espera do Senhor que vem, a cada dia, ao nosso encontro e de toda a comunidade. “Acorramos com nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem”, conforme rezamos neste domingo na oração do dia.
            A visão de Isaías nos enche de esperança de vermos a humanidade toda vivendo sob a orientação do Senhor, andando em seus caminhos e Ele mesmo nos ensinando seu projeto. A sua Palavra julgará as nações e os povos, e todos, ouvindo sua voz transformarão suas armas de guerra em instrumentos de trabalho. Não mais haverá combates uns contra os outros. Toda a humanidade sairá das trevas do ódio, da injustiça, da competição e será guiada pela luz do Senhor. Para que esse final chegue, é urgente começar agora.
            Nosso pedido ardente neste tempo é: Vem, Senhor Jesus! Ele já veio, vem e virá mostrar que é possível viver o projeto definitivo do Pai. Projeto comunitário, sociedade igualitária, de irmãos que vivem na justiça e na fraternidade. A nós cabe mudar a história da humanidade no momento atual para que “venha a nós” o Reino de Deus. É com a globalização da solidariedade, do cooperativismo, da corresponsabilidade, conforme a convocação feita pelo Papa Francisco em Lampedusa, que poderemos “estar preparados para a hora que vem o Filho do Homem”:
            “A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!”
            Que o Senhor nos encontre atentos, abertos e solidários ao sofrimento dos irmãos!
            Hoje existem catástrofes provocadas por uns poucos que se sentem donos do mundo e do restante da humanidade. É preciso acordar para a questão ecológica, para o direito das águas, das plantas e dos animais. Mais ainda, acordar para os direitos dos pobres, das crianças, das mulheres, dos indígenas, dos sem água, sem terra e sem teto.
            Como peregrinos em travessia, seres inacabados em processo permanente de crescimento e maturação e, vivendo num mundo ainda não totalmente redimido, marcado por tantas discórdias, exclusões, guerras e desrespeito à vida, recebemos do Senhor, neste domingo, o dom do seu Espírito. Ele nos mantém vigilantes, firmes, confiantes, insistentes, despojando-nos das atitudes e ações das trevas para vestirmos as armas da luz.
            É necessário continuar suplicando e nos comprometendo incansavelmente com a vinda do Reino de amor, de justiça, de inclusão, de igualdade, de solidariedade e de paz em nosso tempo.
            A Palavra de Deus do Primeiro Domingo do Advento que deverá enriquecer nossa semana nos sugere duas atitudes: Vigilância e Confiança em Deus, que será capaz de humanizar nossas relações, tornando-nos sinal de Esperança a todos os desesperançados!
            Iniciamos, certamente, os preparativos para o Natal. Músicas natalinas e luzes piscando nas Lojas, nas Praças e nas fachadas das casas, nos fazem balbuciar inconscientemente os aromas do Natal. Há uma corrida desenfreada para as compras de presentes. A figura do Papai Noel, bem maior do que a pequenina Imagem do Menino Jesus na manjedoura rouba a cena por todos os lugares, mesmo que o aniversariante seja o Menino indefeso e minúsculo reclinado entre as palhas e o feno da estrebaria de animais. Pensemos, então, na Campanha da Evangelização que a Igreja no Brasil propõe para este tempo, e que neste ano tem como lema: “JESUS ESTÁ NO MEIO DE NÓS”. A coleta da partilha de nossa pobreza será no Terceiro Domingo do Advento. Não levemos restos, sobras e migalhas para essa coleta. A cada presente, decoração, guloseimas que formos comprando com o 13º salário e com demais gastos, seria justo separarmos pelo menos 1% para a Coleta, que garante o êxito da Evangelização em nosso Brasil, tão pobre e carente de recursos, para anunciar essa grande alegria: Que Jesus nasceu para nós, mesmo que nem sempre o reconheçamos entre nós ou não tenhamos preparado para Ele a manjedoura de nosso coração.
            Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 2,1-5; Sl 121(122); Rm 13,11-14 e Mt 24,37-44).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Novembro de 2016, pp. 91-94 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Novembro de 2016), pp. 13-17.