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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! 

“Neste Oitavo Domingo do Tempo Comum, que neste ano antecede o início da Quaresma, ainda no contexto das bem aventuranças, o Senhor nos propõe romper com o culto ao dinheiro, que é uma idolatria, e ter confiança em Deus Pai, sempre solícito amorosamente às nossas necessidades e preocupações, para que, disponíveis, concentremos todas as energias na busca de seu Reino.

            Em quase todas as regiões do Brasil, acontecem, nestes dias, as festas de carnaval que revela a carência de festa que existe nas pessoas. Para nós, um convite a dar às nossas celebrações um sabor pascal, um clima de festa, de convívio alegre de irmãos que, na liberdade de filhos e filhas entram na intimidade amorosa do Pai.

            Neste domingo, Jesus nos pede para escolhermos entre os bens econômicos, o dinheiro e Deus. A nossa resposta fundamental ao chamado de Deus é a confiança total no Pai. Viver a justiça do reinado de Deus é deixar-se guiar pela palavra de Jesus. Ele não ensina uma vida de ‘sombra e água fresca’, mas a luta pela justiça, que é o bem para toda a humanidade e toda a criação.

            A palavra de Jesus é muito atual para esse tempo de desrespeito às matas, às águas, à natureza. Viver em concordância com as regas naturais está mais de acordo com o projeto de Deus. O que a ganância humana criou não se compara com a sabedoria da natureza, criada e mantida por Deus.

            Como mãe que jamais abandona seus filhos, Deus acompanha, abençoa e ama seu povo que sofre debaixo da ganância dos opressores. Sempre haverá uma saída, esperança de que a justiça reinará. A construção de um mundo novo, de uma sociedade na qual existam menos desigualdades é possível e o dia de amanhã não custará preocupações, mas haverá possibilidades e alternativas de a humanidade se aproximar da vida sábia das aves e dos lírios, mantendo confiança ilimitada em nosso Deus e Pai. A justiça torna-se sinônimo de amor misericordioso, de solidariedade fraterna, de perdão reconciliador, de igualdade respeitosa.

            Quem vive calculando como ganhar e enriquecer mais não pode viver confiante na generosidade e cuidado de Deus. A confiança na providência divina não é alienante, mas libertadora e formadora de uma solidariedade comprometida especialmente com os mais necessitados. Quanto maior a confiança, maior a responsabilidade e o engajamento na luta contra o consumismo, a submissão ao mercado e o endeusamento das coisas materiais.

            O que sustenta nossa confiança é a certeza da fidelidade de Deus à sua aliança.

            Na próxima quarta-feira, iniciamos, com a celebração de bênção e a imposição das cinzas, o santo tempo da Quaresma, preparando-nos, mais intensamente, pela escuta da Palavra e prática da oração para a celebração festiva da Páscoa (cf. SC, n. 109). A Campanha da Fraternidade, que realizamos neste período, ilumina de modo particular os gestos fundamentais desse tempo litúrgico: a oração, o jejum e a misericórdia. Neste ano, o tema da Campanha é: ‘Fraternidade e Tráfico Humano’ e o lema: É para a liberdade que Cristo nos libertou’(cf. Gl 5,1).

            Experimentamos a presença viva do Senhor na reunião de irmãos e na Palavra proclamada, saciando nossa fome e sede de justiça.

            Nossa participação na Eucaristia manifesta nossa confiança em estabelecer com o Pai uma aliança de amor e compromisso, fazendo uma escolha irrestrita por seu Reino. A Eucaristia nos impõe a opção radical por ele” (cf. Roteiros Homiléticos de Março de 2014 da CNBB, pp. 114-118).

            O Evangelho deste domingo é belíssimo pelas duas comparações que o Senhor faz com a pessoa: os pássaros que não semeiam, nem colhem nem ajuntam em armazéns. Mesmo assim o Pai os alimenta, gratuitamente; os lírios que crescem no campo: não trabalham nem fiam, no entanto Deus os veste, mais suntuosamente do que o rei Salomão, também gratuitamente. Assim nos convida a renovarmos nossa maior confiança em Deus para nossas necessidades. Mas essa confiança implica num exercício: buscar em primeiro lugar o Reino de Deus! Todo resto Deus proverá!

            O Reino de Deus é um Reino de Justiça, perdão, partilha e misericórdia! Muitas pessoas, mesmo confiando em Deus, são privadas do necessário para uma vida digna! Alguém os vitima a isso: o desemprego, a falta de moradia, a saúde em crise, a economia avassaladora de impostos absurdos, a insensibilidade com os mais pobres, que não poucas vezes são tratados como “coisinhas difíceis e feias de serem ajudadas”.

            O Papa Francisco, conforme José Marins vem insistindo: ‘Temos que sair às periferias. Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e manchada por sair à rua, que uma Igreja doente por se fechar e pela comodidade de se agarrar às suas próprias seguranças’. Uma Igreja assim não confia em Deus, mas em si mesma apenas! “Não quero uma Igreja preocupada por ser o centro e que acaba enclausurada num emaranhado de obsessões e procedimentos... Não podemos ficar tranqüilos na espera dos nossos templos. Os Evangelhos convidam-nos sempre a correr o risco do encontro com o rosto do outro”.

            O Papa quer introduzir na Igreja o que ele chama “a cultura do encontro” e “da proximidade”. Está convencido de que “o que necessita hoje a Igreja é a capacidade de curar as feridas e dar calor aos corações para ajudar-se reciprocamente”. A meta da evangelização é o Reino, a vida plena de todos e para todos!

            Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 49,14-15; Sl 61(62); 1 Cor 4,1-5 e Mt 6,24-34).

FRATERNO AUXÍLIO CRISTÃO


Pe. Gilberto Kasper
 

Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. 

Com um evento simples e singelo, a nova Diretoria do FAC – Fraterno Auxílio Cristão da cidade de Ribeirão Preto, eleita em Assembleia Geral no dia 21 de janeiro foi apresentada às Autoridades, Imprensa e Voluntários na tarde do dia 18 de fevereiro de 2014.

O Fraterno Auxílio Cristão da Cidade de Ribeirão Preto, também designado pela sigla “FAC”, fundado em 15 de janeiro de 1957, é uma associação civil de direito privado, sem fins econômicos, com duração por tempo indeterminado e sede na Rua Barão do Amazonas, 881, nesta cidade. “Tem por finalidade promover a pessoa humana e abrir a possibilidade de recuperação da sua dignidade, independentemente de cultura ou religião, por meio de ações de solidariedade, de fraternidade, de enfrentamento e superação da miséria e da fome, de recuperação e preservação do vínculo familiar, de recuperação de dependentes químicos e entorpecentes”.

Na ocasião o presidente eleito para o período de 2014-2016, Pe. Gilberto Kasper, agradeceu seu antecessor na presidência, Pe. Clésio Lúcio Boeniares, atual 1º tesoureiro, pelos nove anos de dedicação ao FAC, juntamente com sua empenhada diretoria, zelosos funcionários, benfeitores generosos nas esferas de Utilidade Pública Municipal, Estadual e Federal, bem como o numeroso grupo de Voluntários e Associados, Parceiros que desenharam o verdadeiro rosto de Cristo a partir dos beneficiados em seus projetos: rostos sofridos e surrados pela vida, sacramentos de lixo humano!

O FAC desenvolve suas atividades por intermédio de três projetos: o Núcleo de Solidariedade Dom Helder Câmara, instalado na sede do mesmo, classificado como serviço especializado de média complexidade, atendendo jovens, adultos e idosos, de ambos os sexos, moradores de rua ou em situação de rua. O Núcleo de Solidariedade Dom Bosco, instalado na Rua Imigrantes Japoneses, 1065, Parque Ribeirão Preto, classificado como serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, atendendo crianças dos 6 aos 12 anos e adolescentes dos 13 aos 18 anos. A Unidade de Acolhimento para Adultos Irmã Cristina Benedini, instalada na Rua Florinda Bordizan Sampaio, 430, Jardim José Sampaio, em Ribeirão Preto, classificado pelo Plano Integrado de Enfrentamento ao CRACK e outras Drogas, sendo uma Unidade de Acolhimento para pessoas com necessidades decorrentes de uso de crack, álcool e outras drogas; homens de 18 a 59 anos, ainda em construção.

O FAC procura responder, na medida do possível, aos anseios do Papa Francisco, que deseja “Uma Igreja pobre para os Pobres!”. Contamos com a generosidade de quem desejar unir-se a nós, para juntos cuidarmos dos pobres de nossa cidade. Basta fazer-nos uma visita na sede central, ou telefonar (16) 3237-0941/3237-0942 ou acessar nosso e-mail: solidariedadefraterna@yahoo.com.br. Nossa ternura e gratidão sempre!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM!

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! 

            “Em Jesus, o Pai nos oferece sua compaixão, dando-nos seu perdão, a força da reconciliação que nos leva ao amor incondicional e guia-nos no caminho da concórdia e da justiça.

            Neste Sétimo Domingo do Tempo Comum, a primeira leitura ajuda a iluminar o evangelho proclamado. O Levítico nos fala da necessidade de sermos santos, porque Deus á santo. A santidade que Deus exige de nós, não se reduz a práticas externas da religião, mas ao amor sem limites. Pela Aliança, os israelitas são de Deus. Pelo Batismo, os cristãos são de Deus. Aqueles que formam o ‘povo de Deus’ não podem desonrar esse nome, mas assemelhar-se a ele que é amor e perdão, como nos diz o livro do Êxodo 34,6-7: ‘O Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações e perdoa culpas, rebeldias e pecados...’ Por isso, é necessário que sejamos irrepreensíveis.

            Jesus, como filho amado do Pai, compreendendo e vivendo a pertença plena de Deus, explica e exige a santidade de seus seguidores. Portanto, não se trata de ser pretensioso querer ser santo. Antes se trata de uma exigência interna de todo batizado. O batismo nos torna seres divinizados, ou seja, candidatos à santidade. E santo é todo aquele que morrendo vê Deus como Deus é, e pronto!

            A caridade fraterna, o amor aos inimigos devem ser as características de quem segue Jesus, o Cristo. No seguimento do Senhor, não cabem ódio, vingança, egoísmo, injustiças, violências, guerras, comércio de armas, competições, incompreensões, divisões. Entretanto, no mundo, vemos acontecer tudo isso entre nações, grupos, pessoas. Até entre igrejas e dentro das igrejas existem diversos tipos de inimizades, competições, exploração de pobres e pequenos. Muitos de nós agimos como se fôssemos deuses diante de nosso próximo. Rezamos ingenuamente sem pensar nas conseqüências: ‘perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todo aquele que nos deve’ (Lc 11,4). Coitados de nós, se Deus ouvisse esse pedido da Oração do Pai Nosso que tanto rezamos com os lábios, mas não com o coração! Rezar o que não se deseja realmente é mera hipocrisia!

            O sinal de que somos seguidores de Cristo crucificado e ressuscitado é o amor sem medidas.

            ‘Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’ (Jo 13,34-35).

            A medida de nosso amor para com o próximo é, pois, o amor que Cristo tem por nós, a ponto de entregar sua vida. Mais ainda, a medida é o amor que o Pai tem por Cristo: ‘Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo’ (Jo 15,9). O amor ao próximo está indissoluvelmente ligado ao preceito do amor a Deus.

            Realizamos nossa vocação de sermos semelhantes ao nosso Deus, quando amamos todas as pessoas com o amor gratuito de Deus, sem busca de retribuição. Por esta razão, nosso empenho maior é amar os pobres, os estranhos, os diferentes e, o mais difícil, amar os inimigos.

            Como santuário de Deus, habitação do Espírito, rompendo com ressentimentos, diferenças e preconceitos, a assembléia litúrgica torna-se sacramento do amor de Deus entre nós.

            Num mundo de discriminação, ódio e violência, a mesa da ceia eucarística sinaliza profeticamente a reconciliação e a comunhão universal. Nela recebemos o Espírito de santidade que, com Cristo, nos faz perfeita oferenda ao Pai, vida doada incondicionalmente para a salvação do mundo, cujo penhor recebemos neste sacramento’.

            O pão partido e partilhado, participando na igualdade de irmãos, nos mantém no caminho da santidade e cultiva, em nós, a atitude fundamental de discípulos daquele que, na cruz, chegou à radicalidade do amor sem limites” (cf. Roteiros Homiléticos  de Fevereiro de 2014 da CNBB, pp. 109-113).

            Depois de comungarmos a Palavra deste Sétimo Domingo do Tempo Comum é impossível guardar no coração alguma forma de rancor, ingratidão, incapacidade de perdão em relação a quem quer que seja. Não percamos tempo. Se tivermos guardado nos porões de nossa intimidade qualquer sentimento que não coincida com o amor gratuito, corramos ao encontro de quem “desamamos” e celebremos a reconciliação. Só assim teremos de volta a paz que o pecado nos rouba. Só assim poderemos dizer que realmente somos cristãos e dignos deste nome. Mágoa, insensibilidade com as fraquezas dos outros e indiferença com quem sofre, não combinam com um cristão que se alimenta do Cristo Sacramentado. Ou nos tornamos o sacrário do Senhor, ou estaremos vazios dele, o que seria desastroso. Não canso de dizer, que o mais nobre e lindo no cristão é esforçar-se que sejamos Anjos uns para os outros!

            Sejam sempre e muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Lv 19,1-2.17-18; Sl 102(103); 1 Cor 3,16-23 e Mt 5,38-48).