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quarta-feira, 7 de maio de 2025

FRANCISCO, O PAPA DA MISERICÓRDIA E TERNURA!

 

 FRANCISCO, O PAPA DA MISERICÓRDIA E TERNURA!

 

          No dia em que se inicia “o septuagésimo sexto Conclave da história da Igreja, 7 de maio de 2025, o vigésimo sexto realizado sob os auspícios do Juízo Final de Michelangelo, estabelecido por Gregório X em 1274” que tem por missão eleger o 267º Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana, lembramos, de coração agradecido, de mais duas características do amado Papa Francisco, o Papa da Misericórdia e Ternura!

 

Em sua primeira alocução na janelinha do Palácio Pontifício, no Vaticano, durante o Ângelus, o então recente papa eleito, demonstrou ser Francisco, o Papa da Misericórdia e Ternura. Abordou o tema da misericórdia a partir do livrinho, lançado naqueles dias, que teria lido durante a preparação para o Conclave, de autoria do Cardeal Walter Kasper, Deus é Misericórdia!

 

Logo, de início, afirmou querer uma “Igreja pobre para os pobres”, uma “Igreja em saída”, com os “pés lambuzados” de tanto ir ao encontro das periferias do mundo levando a “Alegria do Evangelho” a “todos, todos, todos” os povos, independente de suas feições culturais, convicções políticas, condições econômicas e sociais. Quis uma Igreja de Inclusão, que promovesse a “Cultura do Encontro”, superando a igrejinha do descartável daqueles que não se enquadravam nas estruturas rígidas de uma igreja que desfigurava a verdadeira Igreja pensada e inaugurada por Jesus de Nazaré: toda ela missionária e discípula. Uma Igreja que promovesse o perdão, a justiça, a verdade, a liberdade e a paz. Francisco, o Papa da Misericórdia e Ternura, deixou este mundo suplicando pela paz entre os povos. Ofereceu suas enfermidades e limites físicos pela paz num mundo tão oco de Deus, tão cheio de polarizações, ódio, desencontros e corações inchados de soberba, arrogância e prepotência. Mesmo assim tais corações buscam o Cristo Sacramentado na Eucaristia e o comungam. Então me atrevo a perguntar-me a mim mesmo, o que a Irmã Neófita, minha primeira Catequista dizia no dia de minha Primeira Comunhão: “Crianças queridas, fechem os olhos, façam silêncio, e procurem sentir para onde foi a hóstia consagrada? Foi para o coraçãozinho ou para o estômago de vocês? Se não foi para o coraçãozinho, é porque comungaram em pecado!” Até hoje procuro a resposta e não a encontrei ainda. Mas confesso que espero que Jesus tenha feito de meu coração seu sacrário, seu tabernáculo, sua casinha! Até porque Francisco costumava dizer que “a Eucaristia não é prêmio destinado aos certinhos, mas remédio aos enfermos de alma”!

 

Francisco, o Papa da Misericórdia nos presenteou com um Ano Santo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016. Quanta riqueza pudemos redescobrir sobre a Misericórdia de Deus para conosco! O que seria de nós sem a Misericórdia de Deus? Ao se deparar com um menino aos prantos, numa de suas Viagens Apostólicas, que correu para seus braços perguntando se seu pai teria ido para o inferno, porque se suicidara, o Papa Francisco lhe perguntou se acreditava que Deus é nosso Pai, o Pai de todas as criaturas. O menino respondeu que acreditava ser Deus nosso Pai. Francisco, o Papa da Misericórdia e Ternura, respondeu com outra pergunta aos prantos do menino: “E você acredita que um pai vai abandonar qualquer um de seus filhos?”

 

Francisco, o Papa da Ternura não se cansava de abraçar e beijar as pessoas portadoras de deficiências, que encontrava pela frente. Além do sorriso tão cheio de ternura, sempre distribuía uma palavra bem humorada de esperança, perspectiva e sentido de vida nova para cada uma delas.

 

Valorizou a presença feminina na Igreja, como nunca antes visto, a não ser como o próprio Cristo valorizava as mulheres que o seguiam. Nossas Comunidades mundo a fora são formadas, em sua grande maioria, por mulheres e crianças. Oxalá aprendamos de Francisco, escutá-las mais, respeitá-las mais, valorizá-las como merecem.

 

Ao invés de especularmos, tentarmos espiar pela fechadura da Capela Sistina, sobre o perfil, nome, nacionalidade, se conservador ou progressista, coloquemo-nos de joelhos e rezemos para que o Espírito Santo presida o Conclave que nos dará um novo Papa, o Sucessor de Pedro! Desde já amemos o Papa que está por vir, para continuar a missão que lhe será conferida pela Comunidade Perfeita, a Santíssima Trindade!  

 

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 30 de abril de 2025

FRANCISCO, O PAPA DA HUMILDADE!

 FRANCISCO, O PAPA DA HUMILDADE!

Desde sua primeira aparição no balcão da Basílica de São Pedro, no Vaticano, na chuvosa e fria noite do dia 13 de março de 2013, o então recente papa eleito, demonstrou ser Francisco, o Papa da Humildade. Ele não apenas escreveu ou pronunciou sua doce humildade, mas a traduziu em gestos e atitudes muito concretos, e para alguns do séquito papal, gestos tão simples, que chegaram a escandaliza-los. Deixou, como todo papa eleito, no interior da Capela Sistina, suas vestes vermelhas de cardeal, vestindo a batina branca de papa. Também deixou para trás seu nome de batismo, Jorge Mário Bergoglio. Doravante seria o Papa Francisco. Ao seu lado sentava o saudoso amigo pessoal, Dom Cláudio, Cardeal Hummes, de saudosa memória, que o acalmava enquanto no último escrutínio o nome Jorge Mario Bergoglio ecoava entre os afrescos de Michelangelo, na magnífica Capela Sistina. Dom Cláudio lhe dizia ao pé do ouvido: “Estamos elegendo você. Aceite, por favor, e não se esqueça dos pobres”! O Cardeal Bergoglio suava e tremia como uma vara verde. Balbuciava silenciosamente: “O Senhor não pode estar fazendo isso comigo, meu amigo”! De suas vestes cardinalícias, só levou na mão o solidéu vermelho, e quando chegou à porta de saída da Capela Sistina, colocou-o na cabeça do então Secretário do Conclave, o Arcebispo que fora Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, dizendo-lhe com uma gargalhada: “Agora este é seu”! No primeiro Consistório do Papa Francisco, Dom Lorenzo Baldisseri foi feito Cardeal e Dom Ilson de Jesus Montanari, então Oficial do Dicastério para os Bispos, sucedeu ao novo Cardeal nesse importante serviço, ainda em 2013, sendo sagrado Bispo, como Arcebispo titular de Capocilla, no dia 7 de novembro de 2013, em sua cidade natal de Sertãozinho (SP).


Alguns detalhes demonstram a humildade e o desapago do Papa Francisco. Ao chegar ao balcão da Basílica de São Pedro, o cerimoniário (mestre de cerimônias) quis colocar a suntuosa e belíssima estola vermelha, bordada com linhas douradas e cravejada com pedras preciosas, sobre os ombros do Papa, que se recusou a utilizá-la, a não ser na hora de sua primeira bênção Urbi et Orbi (Sobre Roma e o Mundo). Seu olhar sobre a multidão que lotava a Praça de São Pedro e suas primeiras palavras foram tão simples, tão cheias de ternura e humildade, que de pronto encantou o mundo inteiro. Não houve discurso teológico, não houve sermão, não houve promessas. Apenas dois pedidos: “caminhemos juntos”, que ao longo de seu pontificado revelou seu desejo de uma Igreja sinodal, e “rezem por mim”, pedido esse que fez até sua última aparição pública.


Durante o jantar na Casa Santa Marta com todos os Cardeais, após sua apresentação ao mundo, Francisco teria dito ao brindarem sua eleição: “Deus nos perdoe o que acabamos de fazer”, referindo-se à sua própria eleição. A maioria dos Cardeais deu longas gargalhadas. Não me perguntem, se todos riram. Mas isso é humano. Desde o início de seu Pontificado, Francisco buscou humanizar tanto seu ministério, como tudo o que se passa entre os muros que cercam o Vaticano. Por isso logo o Papa sugeriu uma “Igreja em Saída” e a exemplo de São João XXIII, começou abrindo as portas e janelas de ambientes mal cheirosos, mofados, esclerosados, enfim. Não existe nada mais autêntico, do que a transparência para superar qualquer tipo de hipocrisia


Já Papa eleito, dirigiu-se à Portaria da Casa Santa Marta para pagar sua hospedagem, o que deixou os administradores da Casa de Acolhida estarrecidos. Nos ensinou a honestidade: nada de abuso de poder, como tantos chefes de estados e políticos agem. Fez questão de ir e vir, até a Celebração do Início de seu Ministério Petrino, juntamente com os irmãos Cardeais na Van, ao invés de uma Limosine reservada ao Papa. Numa dessas curtas viagens da Casa Santa Marta ao Palácio Apostólico, sentou-se ao lado de Dom Raymundo Damasceno de Assis. Ao lhe apresentarem o andar em que deveria residir no mesmo Palácio Apostólico, imediatamente se recusou a viver lá. Disse que ficaria muito isolado e distante do povo. Que “o pastor deve sentir o cheiro de suas ovelhas” e gostaria de ficar entre pessoas, lá onde as pessoas estivessem. E assim passou a residir na Casa Santa Marta, por onde passam, diariamente, clérigos e leigos do mundo inteiro. Preferiu lavar os pés de detentos e detentas em Presídios, ao invés de pessoas perfumadas, como muitos de nós fazemos em cada Quinta-Feira Santa, premiando, desse modo, nossos bajuladores ou as pessoas que consideramos “certinhas”! É bem verdade que o Papa Francisco deu bastante trabalho à sua Segurança, mas foi assim que nos permitiu chama-lo Francisco, o Papa da Humildade!


Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 23 de abril de 2025

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA!

 DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA!

 Ser misericordiosos como o Pai é um desafio e ao mesmo tempo é nossa vocação, pois fomos criados para ser “imagem e semelhança de Deus”. Celebraremos no Segundo Domingo da Páscoa, que encerra a Oitava da Páscoa, O Domingo da Divina Misericórdia!


 A Misericórdia é um sentimento nobre, suscita compaixão e perdão; lembra a nossa miséria (miseri) e o coração (cordis) bondoso de Deus. Contudo, no pensamento hebraico, misericórdia também significa aquele sentimento que tem origem nas entranhas maternas (rahamin), semelhante àquele amor do pai que acolhe ao filho pecador e tem carinho com o filho mais velho que não perdoa o irmão. Ser misericordiosos como o Pai é também viver a fidelidade ao seu amor quando amamos e nos preocupamos com nossos irmãos.


 Ser misericordiosos como o Pai num mundo violento e intolerante é um desafio que nos oferece a chance de apagar as chamas de violência e desrespeito que a vida e dignidade humanas têm sofrido ultimamente: fanatismo, terrorismo, discriminação, intolerância são sintomas de uma sociedade sem inteligência que não sabe conviver com o diferente e com quem tem opiniões diferentes das que a mídia apresenta. Ser misericordiosos significa apresentar as condições para um diálogo franco e fraterno apontando soluções mediadas pela compreensão e por uma visão abrangente do mundo e da pessoa humana.

 

Misericórdia não gera resignação, apatia, desmotivação. Ao contrário, suscita esperança num modo de agir que não alimenta violência. A misericórdia alimenta o sentimento da bondade, da nova oportunidade ao passo que a violência mata as possíveis soluções para uma convivência pacífica. Misericórdia é o sentimento que cresce no coração dos que têm certeza que o outro é uma pessoa que merece outra chance, que precisa ser ajudada a se libertar das próprias escravidões e sentir-se novamente amparada por aquele sentimento amoroso que o pai dedicou ao filho mais novo que errou muito longe de casa. (Cf. Lc 15).

 

Ser misericordiosos não é o mesmo que ficar sentados de braços cruzados e esperar a banda passar, mas trabalhar em favor do bem, da verdade, da justiça e da fraternidade. Ser misericordiosos é também gritar em defesa da vida, é desmascarar as mentiras travestidas em propagandas enganosas que desrespeitam o direito do povo ser religioso e ter suas manifestações de fé; é também orientar para o bem os que andam iludidos pelo mal.


Ser misericordiosos é colaborar com a paz e torná-la realidade no meio onde vivemos; é praticar a caridade não por meio de discursos e sim pela atitude não discriminatória nem racista; é também entender Jesus Cristo quando diz “quero a misericórdia, não o sacrifício” (Cf. Mt 9,13).


Que Jesus Misericordioso nos ampare nesse tempo de tantos desencontros, tornando-nos pessoas melhores hoje do que fomos ontem. Saibamos aprender a amar um amor verdadeiro a partir das “surras” que levamos aqui e acolá. Aprendamos a valorizar a vida a partir de pequenos gestos de solidariedade, que temperados pelo amor, nos tornarão ainda mais Anjos uns dos outros!


Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo