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quarta-feira, 5 de junho de 2024

OS 121 ANOS DA SANTO ANTONINHO!

 OS 121 ANOS DA SANTO ANTONINHO!




No dia 13 de junho de 2024, a Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, carinhosamente conhecida como Igreja Santo Antoninho, situada na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, celebra os 121 anos de fundação. A pedra fundamental, segundo informações da Cúria da Arquidiocese de São Paulo, foi implantada em 1892. O templo é o mais antigo, em pé, da cidade de Ribeirão Preto. Foi Capela da Vila Emília, depois da Família Proença da Fonseca e em 1989, através de inventário assinado pela então última herdeira viva, Hilma Proença da Fonseca Mamede, foi doada à Arquidiocese de Ribeirão Preto “para cultivar a fé católica da Família Proença da Fonseca”. Adjudicada do complexo do imóvel que compreendia a Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, incendiada no dia 7 de setembro de 2019 e demolido, o que sobrara da antiga residência da Família em 2021, bem como do Mosteirinho onde viveram os Padres Scalabrinianos e os Monges Beneditinos Olivetanos no início do século XX, a Arquidiocese de Ribeirão Preto obteve a escritura do imóvel, que em 2009 foi tombado provisoriamente pelo CONPPAC – Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto. 

Depois que os Monges Beneditinos Olivetanos passaram a residir em seu Mosteiro próprio, a Igreja Santo Antoninho passou a ser atendida por sacerdotes diocesanos (há 81 anos portanto), como Padre Euclides Gomes Carneiro, que celebrou a primeira Missa na Capelinha, de portas abertas para o povo no dia 10 de maio de 1903, Monsenhor João Lauriano, então Vigário Geral da Diocese, Cônego Arnaldo Álvaro Padovani, este último, ao longo de décadas, por inúmeros padres mais jovens e zelosos, como o Pe. Márcio Luiz de Souza, o Pe. Josirlei Aparecido da Silva e o Pe. Giovanni Augusto, que o auxiliaram quando já sentia o peso da idade, pelos Missionários Claretianos, como o saudoso Pe. Lauro Edgar de Araújo Franco, CMF, que me acolheu para minha primeira Missa como reitor daquele Espaço Cultural Ecumênico de Espiritualidade, vontade expressa por Dom Joviano de Lima Júnior, o então Arcebispo, que me enviou para esse fim àquela simpática e acolhedora Igrejinha no dia 20 de abril de 2008, com a provisão de reitor assinada no dia 17 de abril do mesmo ano. Dom Joviano faleceu sonhando com a Santo Antoninho e o Mosteirinho atrás dela, restaurados, bem como a Casa da Amizade ao lado, desenvolvendo sua verdadeira função, se tornando um Centro Social ou Cultural a serviço dos mais pobres da cidade, como consta no próprio inventário. As queridas irmãs portuguesas desejavam que se continuassem suas obras de caridade: a distribuição dos pães aos pobres e a hospitalidade às parturientes vindas do interior, que não tivessem como se hospedar enquanto aguardassem atendimento na Santa Casa situada no mesmo bairro dos Campos Elíseos.

Desde o tombamento em 2009, da Igreja conjuntamente com a Academia que já não existe mais, fizemos um árduo caminho de tentativas para restaurar a Santo Antoninho, sem êxito. Levamos 5 anos, 5 meses e 35 dias para obter a autorização da construção de 2 banheiros e a instalação de água e esgoto. Essa realidade mudou desde 2018, quando por iniciativa do Engº José Roberto Romero e seus tantos amigos, formamos o Grupo dos Amigos da Igreja Santo Antoninho. No início éramos mais de 200 pessoas. Com a Pandemia o Grupo diminuiu consideravelmente, mas continua vivo! Além disso, contamos atualmente com Membros do CONPPAC, presidido pelo Dr. Lucas Gabriel Pereira, bem mais atentos, solícitos e dispostos a nos ajudar a preservar e posteriormente restaurar nossa Santo Antoninho. Somos profundamente agradecidos pela atenção que tanto os já citados, como também o Secretário da Cultura, Pedro Leão, o Arquiteto Anderson Abe, o Amir Kalil Dib, o Rodrigo Simões e tantos outros, dispensam à Santo Antoninho que clama por restauro!

Celebraremos a Missa de ação de graças pelos 121 anos da Santo Antoninho, no próximo dia 13 de junho, às 8 horas. Desejamos que acolham nossa mais profunda gratidão e a renovação de nossa fidelidade na busca da restauração desse pedacinho da história e tão importante patrimônio de nossa Arquidiocese e Cidade de Ribeirão Preto!



Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

quarta-feira, 29 de maio de 2024

CORPUS CHRISTI – A FESTA DA EUCARISTIA!

 

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas; em que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa vida.

Neste ano comemoramos o 168º Aniversário de Fundação e o 153º de Emancipação Político-administrativa de nossa amada Cidade de Ribeirão Preto, no próximo dia 19 de junho, igualmente, motivo de ação de graças por tudo de bom que somos e temos, bem como refletir sobre o exercício da cidadania de nosso povo e o que lhe impede a promoção de sua verdadeira dignidade humana.

            O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, informado do milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o Padre Pedro de Praga, da Boêmia, Itália, teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais", (onde tive a graça de celebrar a Eucaristia em 1997). Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e mais tarde, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

            Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.


É uma ocasião ímpar de testemunhar nossa fé, de que a Eucaristia é a alma da Igreja. Não existe Igreja sem Eucaristia. É, também, oportunidade de invocar bênçãos sobre as famílias, os enfermos, os surrados pela vida de nossa rica cidade. Que a Festa de Corpus Christi deste ano tenha um sabor de menos violência, menos mentiras maquiadas de verdades, menos corrupção, menos inveja, menos competição na busca de poder e prestígio. Que nossa sincera homenagem à Santíssima Eucaristia nos ajude a caminhar juntos no espírito da sinodalidade, superando de uma vez por todas as pandemias e viroses da insensibilidade, do confronto, da agressividade e dos contravalores que nos animalizam ao invés de nos humanizar. Que a Festa de Corpus Christi impulsione todos os cristãos e cidadãos da aniversariante cidade de Ribeirão Preto a melhorarem sua qualidade de vida, sendo Anjos uns dos outros!



Pe. Gilberto Kasper

         Teólogo

quarta-feira, 22 de maio de 2024

GRATIDÃO INFINITA!

 

GRATIDÃO INFINITA!

 

 

 

Lembro-me que em 1965, quando eu tinha 8 anos de idade, um de nossos passeios dominicais foi andar 8 Km entre Novo Hamburgo e São Leopoldo no Rio Grande do Sul, seguindo pela BR 116 interditada, porque tomada de água suja em ambos os lados, tamanha a enchente que tomava conta das duas cidades. Uma multidão transitava a pé, pela Rodovia, ainda de pista dupla, com expressões, as mais diversas, vendo aquela enchente que cobria as casas até seus telhados. O Rio dos Sinos, que percorre por todo o Vale dos Sinos onde estão situadas as duas cidades: Novo Hamburgo e São Leopoldo numa distância de 8 Km, transbordara como nunca antes. Outras enchentes ocorriam anualmente, porém aquela, diziam os mais velhos, teria sido a maior desde o ano de 1941. Andávamos perplexos entre a multidão olhando para os dois lados da Estrada. Era, diga-se de passagem, um passeio mais do que estranho. Mas nossos avós e nossa mãe nos levavam para suscitar em nós a sensibilidade e o espírito de solidariedade para com as milhares de pessoas na época chamadas de “flagelados”. Pessoas que perderam tudo para as águas violentas que invadiam e cobriam suas casas.

 

Em nossas orações, pedíamos pelos desabrigados e que jamais nós passássemos por situações semelhantes. Na medida em que crescemos, as enchentes foram ficando mais intensas, violentas e agressivas, não obstante as promessas dos que governavam o Estado, prometiam repetidamente, que aquilo jamais voltaria a acontecer. Gastaram bilhões incontáveis na construção de Diques, Proteções e Contenções de enchentes, as mais diversas.

 

Estarrecidos assistimos a devastação do Vale do Taquari em setembro do ano passado. O que não imaginávamos, é que na madrugada do dia 3 de maio passado, meus dois irmãos, Querino e Elário Kasper, também se tornariam vítimas da enchente que assombrou não apenas um dos Vales, mas o Estado inteiro do Rio Grande do Sul. Precisaram sair às 3h50 do apartamento onde residiam no Condomínio Princeza Isabel no Bairro Santo Afonso, há 2 Km do Rio dos Sinos. O apartamento deles fica no Térreo e as águas invadiram o Condomínio onde residem 1.500 pessoas até o andar superior. Saíram com a roupa do corpo e tudo que havia no apartamento se perdeu. Também meus primos que residem na cidade de Três Corôas (minha cidade natal), aos pés de Gramado perderam tudo; tiveram suas casas invadidas pelo Rio Paranhana e o imenso barro dos deslizamentos das montanhas que desceram de Gramado. Meus irmãos e meus primos perderam tudo, mas não perderam a fé e a esperança. Até eu escrever este artigo não tiveram condições de limpar o apartamento invadido. Se encontram alojados numa sala de um prédio misto (comercial e residencial) no Centro de Novo Hamburgo, onde meu irmão mais novo trabalhava. Quem os salvou foi o Síndico do Condomínio, Sr. Lara e quem zela para que o apartamento não seja invadido, mesmo tão cheio de lama, é o Zelador, Sr. Roberto.

 

Eu procurei não somatizar, mas fiquei muito apreensivo com tudo que se via pela televisão. Mesmo falando com meus irmãos diariamente, a apreensão é tão grande quanto a distância de mais de mil quilômetros de distância entre Ribeirão Preto e Novo Hamburgo. Mais uma vez a solidariedade de nosso povo brasileiro tão querido se manifestou grandemente. Milhares de voluntários e doações intermináveis revelaram mais uma vez a verdadeira identidade de nossa Nação.

 

Já eu não precisei pedir e nem recorrer a ninguém para ajudar meus irmãos a se alojaram com o mínimo de dignidade naquela pequena sala comercial. Em menos de um dia, tantos amigos e amigas queridos e lindos, dispuseram de valores significativos para que meus irmãos pudessem adquirir o mínimo necessário para viverem salvos da maior enchente já registrada naquele amado Estado do Rio Grande do Sul. Muitas coisas começaram a faltar: água potável, combustível, alimentos e utensílios. Com a ajuda de tantas pessoas generosas, eles conseguiram atravessar os primeiros dias, ainda traumatizados, com serenidade e uma gratidão infinita. As pessoas que por meu intermédio ajudaram meus irmãos a se instalarem, não querem seus nomes divulgados. Porém, tenho certeza de que estão inscritos no coração do Criador. Não encontro palavras para expressar, especialmente em nome dos meus irmãos, a gratidão infinita a cada um, cada uma e a todos que de alguma maneira os socorreram nesta tragédia: a gratidão infinita é pelas orações, pelas palavras de conforto, pelo carinho manifestado e nem por último pela partilha dos valores em dinheiro necessário para a aquisição do necessário. Deus recompense e abençoe grandemente a todos. Nossa Gratidão Infinita!

 


 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo