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quarta-feira, 12 de maio de 2021

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR

 

Dia Mundial das Comunicações Sociais

  


 

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

 

 

"Homens da Galileia, porque estais admirados,

olhando para o céu?

Este Jesus há de voltar do mesmo modo

que o vistes subir, aleluia!"(At 1,11).

 

 

Em comunhão com todos os cristãos, celebramos a Ascensão de Jesus, plenitude da Páscoa, que atualizamos na Eucaristia. A Igreja comemora neste domingo da Ascensão do Senhor, o 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema: “Vem e verás. Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são” (Papa Francisco). Em sua mensagem para este dia o Papa Francisco retoma ensinamentos muito simples e práticos que tratam das mudanças culturais e a família. Ao longo da semana, preparamo-nos para a Solenidade de Pentecostes, rezando pela Unidade dos Cristãos, começando por cada um de nós em sua Comunidade de Fé!

 

Jesus despede-se dos seus; antes, porém, conclama-os para que dêem continuidade à missão por ele iniciada e derrama sobre eles a bênção, sinal de sua presença contínua.

 

Jesus, ao despedir-se, deixa aos discípulos a tarefa de continuar a missão que ele iniciou. A Ascensão revela nova presença de Jesus, em sinais visíveis de transformação e libertação. Elevado ao céu, Cristo é a cabeça da Igreja e o Senhor da humanidade.

 

"Ide ao mundo, ensinai aos povos todos;

convosco estarei, todos os dias, até o fim dos tempos,

diz Jesus" (Mt 28,19s).

 

As palavras de Jesus e sua presença viva, que estará sempre em nosso meio, nos colocam a caminho e nos incentivam a sermos fieis à missão. Elas nos impelem a sair de nós mesmos para abrir-nos a um novo horizonte, que possibilita a todos os seres humanos a alegria de sentirem-se filhos de Deus e irmãos entre si.

 

O Ressuscitado nos confia o anúncio da Boa Nova da salvação, libertando-nos da estagnação para nos empenhar na promoção da vida. Toda a comunidade recebe a ordem de fazer discípulos, batizando-os e ensinando-os a observar os ensinamentos deixados por Jesus. Da comunhão de amor, pelo batismo, deve surgir uma humanidade nova, alicerçada na filiação divina e na fraternidade.

 

“Uma vez que todo o Povo de Deus é um povo enviado, a missão de anunciar a Palavra de Deus é dever de todos os discípulos de Jesus Cristo, em consequência do seu batismo. Nenhuma pessoa que crê em Cristo pode sentir-se alheia a esta responsabilidade que deriva do fato de ela pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo. Esta consciência deve ser despertada em cada família, paróquia, comunidade, associação e movimento eclesial. Portanto, toda a Igreja, enquanto mistério de comunhão, é missionária, e cada um no seu próprio estado de vida, é chamado a dar uma contribuição incisiva para o anúncio cristão” (Exortação apostólica pós-sinodal, Verbum Domini, Brasília: Edições CNBB, 2010, p. 125).

 

Nesta semana de oração pela unidade das Igrejas cristãs, invoquemos o Espírito de Deus para que habite em nós e seja nosso sustento na missão que recebemos do próprio Ressuscitado.

 

"Eis que estou convosco todos os dias,

até o fim dos tempos, aleluia!"(Mt 28,20).

 

Sintamo-nos cada vez mais missionários por todos os lugares, junto a todos com quem convivemos o hodierno de nossa vida cristã. Não tenhamos vergonha e nem guardemos nosso amor a Jesus Cristo somente para nós. Anunciemo-lo com a vida e, de acordo com São Francisco de Assis, se necessário, usemos também, da Palavra! Nosso testemunho é fundamental. O ditado popular: "Religião não se discute..." se desatualiza diante da conclamação à nossa missionariedade e discipulado em todos os ambientes!

 

Rezaremos, especialmente pelos Comunicadores também em nossas Celebrações deste Domingo, a quem somos profundamente agradecidos por divulgarem nossa modesta colaboração na Evangelização Virtual. Sejam todos sempre muito abençoados:

 

 

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

 

Padre Gilberto Kasper

 

(Ler At 1,1-11; Sl 46(47); Ef 1,17-23 e Mc 16,15-20)

 

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Maio de 2021, pp. 57-63 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo da Páscoa - Maio de 2021, pp. 67-74.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SEXTO DOMINGO DO TEMPO PASCAL - DIAS DAS MÃES

 

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


 

            O Sexto Domingo do Tempo Pascal tem um sabor de despedida, mas também de grande esperança a partir do convite que o Senhor Ressuscitado nos faz: amar-nos como Ele nos ama!

            Jesus se apresenta neste domingo como o amigo que nos ama até a doação da própria vida. Agindo assim conosco, ele nos convida a amar-nos uns aos outros com amor igual ao seu. Unimos a este domingo também a vida das Mães, que encontram em Maria modelo de oblação, de presença silenciosa e amorosa na vida da Família.

            Deus revela seu amor a todos; derrama seu Espírito sobre a comunidade, ajudando-a a superar os preconceitos e produzir abundantes frutos de amor e de vida no meio do mundo.

            A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, é convidada a ir a todas as culturas e realidades. Quem ama consegue chegar a Deus, pois ele é amor. Gastar a vida em favor de alguém é o maior gesto de amor que uma pessoa pode realizar.

            Em nossas celebrações e corações deste domingo, Dia das Mães, queremos apresentá-las a Deus: as que estarão presentes e por perto e as que estão longe e também as que já se encontram no colo de Deus, acariciadas por Nossa Senhora, a Mãe das Mães! Todas possam desfrutar a alegria da salvação pela vida que geraram e por seu amor incondicional.



            Aproximamo-nos da despedida visível de Jesus entre os seus, para entrarmos num período de presença sensível do Ressuscitado entre nós até os dias de hoje. Só quem ama o amor com sabor divino consegue fazer esta experiência de sentir Jesus presente em sua vida, na vida do outro, mesmo tão diferente de nós, bem como nos Sacramentos, Sinais que viabilizam o cheiro da presença de Jesus Ressuscitado em Sua Igreja e em cada um que n’Ele se acendeu na Vigília Pascal! Paira um pressentimento que cada despedida traz consigo, no coração dos que viam Jesus Ressuscitado em Seu corpo glorioso. Parece que está por vir um “vazio e sensação de saudade profunda”. Mas Ele vai preparando-os para que sejam sinais concretos de Sua presença entre nós, e lhes confere a Missão do Querigma, isto é, anunciar até os confins da terra a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo!

            Dóceis aos apelos de nossos Bispos se nos é renovado o convite a sermos as testemunhas e os discípulos do Mestre renovando num mundo onde a Cultura da Morte tenta sobressair-se, a Cultura da Esperança e da Vida!

            Parece-me oportuno lembrar a pequena estória que alguns já conhecem certamente: QUANTO CUSTA O SEU MILAGRE?

 

                        QUANTO CUSTA O SEU MILAGRE?

 Uma garotinha foi para o quarto e pegou um vidro de geléia que estava escondido no armário e derramou todas as moedas no chão.

Contou uma por uma, com muito cuidado, três vezes. O total precisava estar exatamente correto. Não havia chance para erros.

Colocando as moedas de volta no vidro e tampando-o bem, saiu pela porta dos fundos em direção à farmácia Rexall, cuja placa acima da porta tinha o rosto de um índio.

Esperou com paciência o farmacêutico lhe dirigir a palavra, mas ele estava ocupado demais. A garotinha ficou arrastando os pés para chamar atenção, mas nada. Pigarreou, fazendo o som mais enojante possível, mas não adiantou nada. Por fim tirou uma moeda de 25 centavos do frasco e bateu com ela no vidro do balcão. E funcionou!

- O que você quer? - perguntou o farmacêutico irritado. - Estou conversando com o meu irmão de Chicago que não vejo há anos -, explicou ele sem esperar uma resposta.

- Bem, eu queria falar com o senhor sobre o meu irmão -, respondeu Tess no mesmo tom irritado. - Ele está muito, muito doente mesmo, e eu quero comprar um milagre.

- Desculpe, não entendi. - disse o farmacêutico.

- O nome dele é Andrew. Tem um caroço muito ruim crescendo dentro da cabeça dele e o meu pai diz que ele precisa de um milagre. Então eu queria saber quanto custa um milagre.

- Garotinha, aqui nós não vendemos milagres. Sinto muito, mas não posso ajudá-la. - explicou o farmacêutico num tom mais compreensivo.

- Eu tenho dinheiro. Se não for suficiente vou buscar o resto. O senhor só precisa me dizer quanto custa.

O irmão do farmacêutico, um senhor bem aparentado, abaixou-se um pouco para perguntar à menininha de que tipo de milagre o irmão dela precisava.

- Não sei. Só sei que ele está muito doente e a minha mãe disse que ele precisa de uma operação, mas o meu pai não tem condições de pagar, então eu queria usar o meu dinheiro.

- Quanto você tem? - perguntou o senhor da cidade grande.

- Um dólar e onze cêntimos -, respondeu a garotinha bem baixinho. - E não tenho mais nada. Mas posso arranjar mais se for preciso.

- Mas que coincidência! - disse o homem sorrindo. - Um dólar e onze cêntimos! O preço exato de um milagre para irmãozinhos!

Pegando o dinheiro com uma das mãos e segurando com a outra a mão da menininha, ele disse:

- Mostre-me onde você mora, porque quero ver o seu irmão e conhecer os seus pais. Vamos ver se tenho o tipo de milagre que você precisa...

Aquele senhor elegante era o Dr. Carlton Armstrong, um neurocirurgião. A cirurgia foi feita sem ônus para a família, e depois de pouco tempo Andrew teve alta e voltou para casa.

Os pais estavam conversando alegremente sobre todos os acontecimentos que os levaram àquele ponto, quando a mãe disse em voz baixa:

- Aquela operação foi um milagre. Quanto será que custaria?

A garotinha sorriu, pois sabia exatamente o preço: um dólar e onze cêntimos! - Mais a fé de uma criancinha.

Em nossas vidas, nunca sabemos quantos milagres precisaremos.

Um milagre não é o adiamento de uma lei natural, mas a operação de uma lei superior. Sei que você vai passar esta bola pra frente!”

 

O PREÇO DO SEU MILAGRE É A SUA FÉ!

 



            Quantos milagres de Amor poderemos intermediar entre nossos irmãos, especialmente os menos favorecidos!?! Gosto sempre de repetir que Justiça e Misericórdia somam Amor com sabor divino! Procuremos zelar por nossas relações: não cometamos injustiças nem por acepção e muito menos por discriminação de pessoas! Somos todos iguais em dignidade diante do Criador! Ninguém é melhor do que ninguém! Mas podemos ser melhor uns para com os outros, SEMPRE!

            Desejando-lhes muitas bênçãos, unidos, especialmente com as Comunidades colocadas sob o patrocínio de Nossa Senhora de Fátima, com ternura e gratidão o abraço amigo,



Padre Gilberto Kasper

(Ler At 10,25-26.34-35.44-48; Sl 97(98); 1 Jo 4,7-10 e Jo 15,9-17)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Maio de 2021, pp. 38-42 e Roteiros Homiléticos  da CNBB para o Tempo da Páscoa – Maio de 2021, pp. 61-66.

ÓCULOS DE DEUS!

  

Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

 

Ao participar de um curso para formadores de seminários, em Vitória (ES), no ano de 1996, ouvi uma estória que gostaria de partilhar com os estimados leitores. Gaston de Mezerville, psicólogo especializado na formação de formadores de seminários a contou. Livremente a traduzo para nossa reflexão, do espanhol para o português.

Numa pequena cidade, certa vez morreu um agiota. Foi para o céu. Estando diante da porta entreaberta do céu, nem ele acreditou poder estar ali. A porta do céu estava entreaberta, mas não havia ninguém para recebê-lo. Nem mesmo São Pedro, a quem costumamos atribuir a tarefa de acolher as pessoas na porta do céu. Não havia ninguém e não se ouvia nada. Nenhum barulho de anjos, santos, enfim, o céu estava vazio, embora com a porta entreaberta. O agiota entrou. Entrou e sentiu-se como nunca: leveza de alma, serenidade e harmonia indescritíveis. Foi adentrando e conhecendo cada cômodo do céu, mas não via ninguém. Um profundo silêncio pairava no céu.

Chegou diante de outra grande porta, sobre a qual havia um letreiro: Escritório de Deus! Também aquela porta estava entreaberta, mas não havia ninguém. O agiota entrou. Viu uma mesa, atrás dela uma grande cadeira, diante da mesa um banquinho e sobre a mesa os Óculos de Deus!

Imediatamente colocou os Óculos de Deus e passou a ver tudo como Deus certamente vê: o universo inteiro de uma só vez. Minuciosamente procurou sua cidadezinha. Lá viu seu sócio de agiotagem ameaçando uma pobre viúva que não tinha como lhe pagar os altos juros do empréstimo que fizera. Com os Óculos de Deus viu a injustiça que o sócio cometia. Não pensou duas vezes em fazer justiça para com a pobre viúva. Tomou o banquinho diante da mesa, mirou a testa do sócio e a jogou em sua direção. O sócio teve morte instantânea. Feito isso, ouviu barulho de anjos, santos, até de Nossa Senhora no céu. Era toda a corte retornando de um piquenique celestial. Virando-se, viu também Deus, parado na entrada do escritório. Colocou de volta os Óculos de Deus, desculpou-se e tentou justificar sua entrada no céu, porque encontrara a porta entreaberta.

Deus lhe perguntou o que acabara de fazer. O agiota, todo orgulhoso, contou a Deus o que vira com os óculos sobre a mesa e que fizera justiça com uma pobre viúva, que estava sendo ameaçada por seu sócio. E Deus começou a chorar. O agiota, comovido disse: “Por que o Senhor chora? Não agi corretamente fazendo justiça?” E Deus respondeu entre lágrimas: “Que pena, meu filho. Você fez sim justiça com os Óculos de Deus. Mas o que eu esperava mesmo, é que amasse e tivesse misericórdia com o Coração de Deus”!

Eis o que Deus espera de nós: promover a justiça com Seus olhos, mas sem deixar de amar e ser misericordiosos com o Seu coração!