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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Bendito sejais, Deus da Esperança,
Pela luz de Cristo, sol de nossa vida,
A quem esperamos com toda a ternura do coração.”
(Antífona para o acendimento da 1ª vela da Coroa do Advento).

            Iniciando o ano litúrgico, as leituras já nos apontam para o final: a vinda do Filho do Homem e nos dão uma luz orientadora para nossa caminhada até sua chegada. O salmo nos ajuda a compreender quem é o Senhor que nos mantém na caminhada: “Que Ele não deixe teu pé vacilar, que teu vigia não cochile! Não! Ele não cochila nem dorme, o vigia de Israel.” Nesta confiança, vamos permanecer vigilantes à espera do Senhor que vem, a cada dia, ao nosso encontro e de toda a comunidade. “Acorramos com nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem”, conforme rezamos neste domingo na oração do dia.
            A visão de Isaías nos enche de esperança de vermos a humanidade toda vivendo sob a orientação do Senhor, andando em seus caminhos e Ele mesmo nos ensinando seu projeto. A sua Palavra julgará as nações e os povos, e todos, ouvindo sua voz transformarão suas armas de guerra em instrumentos de trabalho. Não mais haverá combates uns contra os outros. Toda a humanidade sairá das trevas do ódio, da injustiça, da competição e será guiada pela luz do Senhor. Para que esse final chegue, é urgente começar agora.
            Nosso pedido ardente neste tempo é: Vem, Senhor Jesus! Ele já veio, vem e virá mostrar que é possível viver o projeto definitivo do Pai. Projeto comunitário, sociedade igualitária, de irmãos que vivem na justiça e na fraternidade. A nós cabe mudar a história da humanidade no momento atual para que “venha a nós” o Reino de Deus. É com a globalização da solidariedade, do cooperativismo, da corresponsabilidade, conforme a convocação feita pelo Papa Francisco em Lampedusa, que poderemos “estar preparados para a hora que vem o Filho do Homem”:
            “A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!”
            Que o Senhor nos encontre atentos, abertos e solidários ao sofrimento dos irmãos!
            Hoje existem catástrofes provocadas por uns poucos que se sentem donos do mundo e do restante da humanidade. É preciso acordar para a questão ecológica, para o direito das águas, das plantas e dos animais. Mais ainda, acordar para os direitos dos pobres, das crianças, das mulheres, dos indígenas, dos sem água, sem terra e sem teto.
            Como peregrinos em travessia, seres inacabados em processo permanente de crescimento e maturação e, vivendo num mundo ainda não totalmente redimido, marcado por tantas discórdias, exclusões, guerras e desrespeito à vida, recebemos do Senhor, neste domingo, o dom do seu Espírito. Ele nos mantém vigilantes, firmes, confiantes, insistentes, despojando-nos das atitudes e ações das trevas para vestirmos as armas da luz.
            É necessário continuar suplicando e nos comprometendo incansavelmente com a vinda do Reino de amor, de justiça, de inclusão, de igualdade, de solidariedade e de paz em nosso tempo.
            A Palavra de Deus do Primeiro Domingo do Advento que deverá enriquecer nossa semana nos sugere duas atitudes: Vigilância e Confiança em Deus, que será capaz de humanizar nossas relações, tornando-nos sinal de Esperança a todos os desesperançados!
            Iniciamos, certamente, os preparativos para o Natal. Músicas natalinas e luzes piscando nas Lojas, nas Praças e nas fachadas das casas, nos fazem balbuciar inconscientemente os aromas do Natal. Há uma corrida desenfreada para as compras de presentes. A figura do Papai Noel, bem maior do que a pequenina Imagem do Menino Jesus na manjedoura rouba a cena por todos os lugares, mesmo que o aniversariante seja o Menino indefeso e minúsculo reclinado entre as palhas e o feno da estrebaria de animais. Pensemos, então, na Campanha da Evangelização que a Igreja no Brasil propõe para este tempo, e que neste ano tem como lema: “CUIDA DELE” (Lc 10,35). A coleta da partilha de nossa pobreza será no Terceiro Domingo do Advento. Não levemos restos, sobras e migalhas para essa coleta. A cada presente, decoração, guloseimas que formos comprando com o 13º salário e com demais gastos, seria justo separarmos pelo menos 1% para a Coleta, que garante o êxito da Evangelização em nosso Brasil, tão pobre e carente de recursos, para anunciar essa grande alegria: Que Jesus nasceu para nós, mesmo que nem sempre o reconheçamos entre nós ou não tenhamos preparado para Ele a manjedoura de nosso coração.
            Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 2,1-5; Sl 121(122); Rm 13,11-14 e Mt 24,37-44).
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2019, pp. 18-21 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2019), pp. 7-10.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo


XVª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral da
Arquidiocese de Ribeirão Preto 



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder,
a divindade, a sabedoria, a força e a honra.
A ele glória e poder através dos séculos" (Ap 5,12; 1,6).

Na festa de Cristo Rei do Universo, conclusão do ano litúrgico, celebrando a XVª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto, também comemoramos o dia nacional do leigo e da leiga. Homens e Mulheres que, pelo batismo, são plenamente Igreja e vivem sua missão nas pastorais, nos movimentos e no tecido humano da sociedade, sobretudo na família. Na festa de Cristo Rei, reflitamos sobre quem é esse rei para o mundo de hoje. Os hebreus pedem que Davi seja seu rei, pois crêem que ele os fará felizes. Séculos depois, um grupo dentre eles zomba do rei do universo - o princípio da criação, a palavra que gerou o universo e gera continuamente a vida. As leituras de hoje nos fazem pensar sobre o reinado de Deus no mundo. Davi é ungido rei e reconhecido por todas as tribos de Israel: como acontece a escolha das nossas lideranças políticas (eclesiais e sociais)? Jesus é rei que morre para nossa salvação e ouve o clamor dos excluídos. A humanidade de Jesus tornou visível o rosto do Deus invisível.

Gosto de pensar que desde o início da História da Salvação, Deus dribla a humanidade. Não é um rei convencional aos parâmetros de nossa sociedade. Onde já se viu um rei que escolhe um berço de madeira com palhas de feno para nascer; barcos de madeira, como cátedra para ensinar, e uma cruz de madeira, como trono definitivo de Sua realeza? Cruz que para os judeus significava vergonha e escândalo; para os romanos, loucura, mas para nós, tornou-se sinal de Salvação!

Somos convidados na Festa de Cristo Rei, a revermos nosso modo de sermos: pessoas, irmãos, sacerdotes, leigos e leigas coordenadores e líderes em nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor. Corremos tanto atrás de poder, cargos, funções, ambientes luxuosos (confundimos bom gosto com luxo exacerbado) e prestígio a todo custo, mesmo que para isso tenhamos de deixar nossa inveja destruir a reputação de outros. Sim, porque a inveja foi o "derramar da garrafinha" da condenação do Rei do Universo à morte mais cruel e escandalosa de sua época: a morte de Cruz! Ou convertemos o poder em serviço, os bens temporais em partilha e o prestígio em humildade, ou não nos identificamos com Jesus Cristo, Rei do Universo!

O Documento de Aparecida, no número 174, referindo-se aos leigos, assim diz: “É importante recordar que o campo específico da atividade evangelizadora leiga é o complexo mundo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia, assim como das esferas da família, da educação, da vida profissional, sobretudo nos contextos onde a igreja se faz presente somente por eles”.

            Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 2Sm 5,1-3; Sl 121(122); Cl 1,12-20 e Lc 23,35-43).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Novembro de 2019, pp. 89-92 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Novembro de 2019), pp. 82-87.



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - TRIGÉSIMO-TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Meus pensamentos são de paz e não de aflição,
diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos,
e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes" (Jr 29,11s.14).

O Trigésimo-Terceiro Domingo do Tempo Comum é o penúltimo do Ano Litúrgico, e traz consigo, na Palavra proclamada, acolhida, refletida, rezada e vivida um sabor de despedida, mas também de um maior compromisso de re-ligare = religião, nossa vida com a vida do mundo em que vivemos e onde somos ou formamos um corpo do qual somos os membros e Cristo é a cabeça. Quando faltamos ao corpo, por menor ou mais insignificantes que possamos parecer, mutilamos o mesmo. O corpo, que a Igreja não nossa, mas de Jesus Cristo, torna-se aleijada, com necessidades especiais...

O evangelho deste domingo parece descrever cenas da vida atual: fala de violência, destruição, tragédias naturais e sociais. Tudo isso não significa o fim do mundo nem é castigo de Deus; antes, é um alerta sobre o nosso comportamento violento em relação aos outros e à natureza. Diante desse quadro sombrio, a eucaristia torna-se fonte de esperança para todos nós na luta pela vida.

Com a palavra de Deus aprendemos que nossos esforços não são inúteis, pois, permanecendo firmes, transformaremos a realidade violenta em realidade de paz, na qual nascerá e brilhará o sol da justiça.

A primeira leitura nos garante que um dia a impunidade acabará. O que não é de Deus cai. Mais cedo ou mais tarde cai: a mentira é descoberta, a inveja e a maldade sobre os outros recairá sobre nós mesmos; morreremos engolindo nosso próprio veneno preparado para prejudicar e puxar o tapete do outro, a ganância, prepotência e arrogância de querer ser mais do que os outros nos darão um belo tombo no tempo em que menos esperarmos. O fim de instituições não significa o fim do mundo. Só Deus não decepciona. As pessoas nos decepcionam porque não são perfeitas, tem seus limites. Daí a necessidade de aprendermos a compreender, acolher o pecador, sem sermos coniventes com seus pecados, mas capazes de perdoar sempre, como nós somos perdoados por Deus.

 Perguntava a uma moça nesta semana, se ela acreditava em Deus, ao que me respondeu Sim, Senhor! Quando perguntei a qual religião pertencia, respondeu: A nenhuma não, Senhor! Só acredito em Deus e não nas religiões que não me dizem nada! O número de pessoas que dizem acreditar em Deus, porém declarando-se sem religião cresce sempre mais e isso me preocupa. Porém não concordo quando a mídia diz que a Igreja Católica perde a cada ano mais fiéis. Para mim, quem deixa a Igreja Católica não é fiel, mas infiel e de infiéis a Igreja não precisa. A pessoa que diz não precisar de religião é individualista, egoísta e descomprometida, acomodada... Certamente não é tão especialista na ação de re-ligare a humanidade a Deus através dos outros. Mutila isso sim, o Corpo, que é a Igreja de Jesus Cristo, independentemente da profissão religiosa. Mas esse tipo de comportamento individualista começa na Família, colocada de bruços, e dos demais Alicerces em Crise de nossos tempos, a Educação, O Governo e a Religião. O povo quer trabalho, não simples emprego, e justiça social, que lhe devolva a dignidade roubada por um capitalismo selvagem que necessita de indigentes para sua própria sobrevivência cruel e desumana.

Reunidos pelo Espírito, formamos a assembléia de irmãos e irmãs que desejam se alimentar do Corpo de Cristo, que nos fortalece nos desafios da vivência cristã. Do contrário, além de mutilarmos o Corpo que formamos com nossa ausência, tornar-nos-emos anêmicos espiritualmente, sem o alimento que nos fortalece para enfrentarmos os desafios que o mundo se nos impõem.

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ml 3,19-20; Sl 97(98); 2Ts 3,7-12 e Lc 21,5-19).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Novembro de 2019, pp. 67-70 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Novembro de 2019), pp. 76-81.