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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

FALAI A VERDADE!


Padre Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com

O falecido pai do Pe. João Paulo, Sr. Roque Ielo, costumava dizer um provérbio interessante quando as noticias traziam alguma informação de algum desvio, corrupção, abuso de poder ou de autoridade. Dizia o antigo mestre que “mentiroso é ladrão”; e ele afirmava que ouviu tal ditado de seu pai que, através de gerações se mantém presente e atual.

            Quando lemos a Bíblia Sagrada e nos encontramos com a Lei de Deus transmitida a Moisés e que este deveria ensinar a todo o povo, vemos que após ensinar que não se deve furtar imediatamente se proclama que não se deve mentir, não levantar “falso testemunho”, ou seja, furto e mentira são atitudes que acabam por quebrar a amizade do ser humano com Deus e com seus irmãos. Aprendemos de Jesus que a “verdade é libertadora” (cf. Jo 8,32) e assim os que andam por esse caminho carregam a “lâmpada para seus pés” (cf. Sl 119,105) que evita todo tipo de queda. Mas, a mentira é própria dos que temem a Luz, agem às escondidas e se especializam em trapacear e prejudicar seus semelhantes.

            Uma das carências de nosso tempo, e que já enfrenta uma situação crônica, é a vida na verdade. Ao longo dos anos parece que as maquiagens foram tentando encobrir as rugas da história, por vezes duras e profundas; as pinturas nos cabelos disfarçaram as cãs reveladoras de maldades intensas, a aparência se destacando mais que o mundo real e os mais espertos construindo e vendendo um “país de maravilhas” que só existe na ficção. Os fraudadores da verdade levam atrás de si inocentes úteis que acreditam cegamente nesses mentirosos que outra coisa não fazem senão enganar, abusar, extorquir e destruir os seus fanáticos seguidores. Acho que precisamos criar um esquema de comportamento na base do “mentira zero”, algo que nos lembre sempre que “verdade e amor se encontrarão; justiça e paz se abraçarão.”! (Sl 85,11)

            “A verdade vos libertará”, ensinava com firmeza Jesus Cristo, e tal palavra serve como um critério importante para nós todos nestes tempos de campanha eleitoral. A Palavra de Deus nos mostra e revela a coerência de nosso Pai; a sua Palavra é sempre verdade, seus filhos vivem iluminados por sua Sabedoria e por isso constroem fraternidade e solidariedade, ao passo que a mentira e os mentirosos, os que tramam às escondidas vivem de enganar as pessoas e se engordam a custas dos golpes e safadezas a que se acostumaram. Assim hoje, mais do que nunca, é urgente que tudo o que se referir a vida, à política e propagandas - eleitorais ou não - tenha passado pelo crivo da verdade. Há muitas propagandas enganando de propósito, cobrando por produto que não entregam e por efeito que não causam. A gente compra um litro de óleo que não tem um litro, o quilo de farinha que não tem um quilo... E ainda temos de ouvir propaganda de candidatos maquiados com óleo de peroba, que dizem o que não acreditam e esquecem o que já escreveram...

            A vida na verdade revela a sinceridade em cada atitude; revela também simplicidade de quem não faz adeptos, mas sabe ser e se fazer irmão. Quem vive na sinceridade não teme a chuva porque não usa maquiagem que pode mostrar a falsidade que a pintura escondia. Quem vive a verdade pratica a caridade, testemunha a fraternidade, realiza a solidariedade e seu coração é repleto de amizade, de entusiasmo e de uma fé viva e radiante. É uma verdadeira pérola, daquele tipo que só a muito custo se encontra.

(Parceria com Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu, SP)
                                                                      


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM


SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! 
           


Estamos no Vigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum. Com o intuito de uma interação sempre maior entre a Palavra e a Eucaristia, as duas mesas que constituem um só ato de culto, é que propomos a reflexão da liturgia deste final de semana. Neste Ano B, em que acompanhamos o Evangelho de Marcos, a Palavra nos propõe um encontro com aquele que anunciou e mostrou presente o Reino de Deus, por suas ações e ensinamentos: Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem.
            O refrão: “Ide pelo mundo, e proclamai a Boa Nova a toda criatura!”, que sintetiza a tarefa principal do missionário e discípulo descrito em Marcos, acompanhado do Salmo 145(146), foi o escolhido para a Celebração de minha Ordenação Presbiteral há 28 anos e seis meses.  Canta-lo neste domingo, remete minha profunda saudade àquela manhã, em que fui ordenado Presbítero para sempre. Tenho procurado viver com fidelidade, não obstante meus incontáveis limites, a missionariedade e o discipulado, sob meu lema sacerdotal: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5,7).”
            Sabendo que a liturgia “não esgota toda a ação da Igreja” (SC, n.9), mas é seu cume e fonte (SC, n.10), importa também, que, especialmente neste Mês da Bíblia, nos empenhemos, pessoal e comunitariamente, para um encontro com Cristo na Palavra. Como nos dizem os bispos reunidos em Aparecida: “A Palavra de Deus não são meras palavras. A Palavra é uma pessoa que fala e fala a outra pessoa. E, por ser pessoa, busca estabelecer uma relação...” (Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja, Documentos da CNBB, n. 97, introdução).
            A atividade de Jesus em território pagão realça a universalidade da sua missão. Marcos assim destaca que Jesus veio para comunicar a vida a todas as pessoas, abolindo a distinção entre povos impuros e povo puro.
            O gesto da imposição das mãos, solicitado pelos que trouxeram o homem surdo, era um gesto familiar a Cristo e de uso tradicional para a transmissão de poder e autoridade, para a transmissão de bênçãos. Os que trouxeram o enfermo pensavam, pois, que esse gesto fosse essencial para a cura. Jesus, apartando-se da multidão com o surdo-mudo, queria muito provavelmente evitar qualquer mal-entendido de cunho messiânico. Jesus colocou os dedos em seus ouvidos, como que indicando que ia abri-los, e, cuspindo, com a saliva tocou a língua dele. Vale lembrar que, na antiguidade, a saliva era considerada remédio medicinal. Os gestos e os toques de Jesus vão despertando, excitando a fé daquele homem, preparando-o para o que vai realizar (ver Is 50,4-5). Antes da palavra de ordem para a cura, Jesus, olhando para o céu suspirou, assim indicando que a cura que haveria de seguir era obra do Pai, a fonte de todo o bem. Depois de sua oração silenciosa, ordenou a cura: abre-te (efatá)! “Imediatamente seus ouvidos se abriram e sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade”. Uma vez que Marcos não se refere nem à possessão, nem a algum espírito, como faz em tantos outros casos, é bem provável que se tratasse de um defeito natural. Cristo, consciente de que realizava o plano do Pai e não buscava “atrair os holofotes” sobre si mesmo, além de afastar-se da multidão para realizar a cura, recomenda insistentemente que não o digam a ninguém. Marcos evoca Isaías, lembrando que Jesus havia feito os surdos ouvirem e os mudos falarem. Foi Jesus mesmo que, interrogado pelos mensageiros do Batista se ele era o Messias, deu exatamente essa resposta (cf. Mt 11,1-6; Lc 7,18-23).
            Quando os israelitas exilados encontravam-se desanimados e abatidos, o profeta oferece-lhes um oráculo de esperanças e de reconforto: “Coragem! Não temais! O vosso Deus vem para vos salvar!” (v.4). Segundo o profeta, Deus está para entrar em ação em favor deles. Com Jesus tem início o cumprimento dessas promessas messiânicas. Num tempo em que a falta de sentido, a desesperança, a depressão campeiam inexoravelmente, cada cristão em particular, nossas comunidades em uníssono devem oferecer uma mensagem de alento, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados; testemunhando ao mundo que Deus, nosso Pai, cuida de todos como seus filhos e filhas.
            As injustiças e desigualdades que verificamos constantemente em nossa sociedade, as quais, muitas vezes, são banalizadas, jamais poderão ser aceitáveis no seio das comunidades cristãs (2ª leitura). Os preconceitos discriminatórios, praticados dentro das comunidades cristãs, constituem pecados graves que precisam ser extirpados, uma vez que estas foram constituídas justamente para ser um sinal de esperança para os empobrecidos e marginalizados.
            Redimidos e adotados como filhos e filhas, esperamos pela fé em Jesus Cristo, de nosso bondoso Pai, a verdadeira liberdade e a herança eterna. Jesus Cristo em sua atividade provoca a admiração das pessoas, porque faz bem todas as coisas.
            Alimentados e fortalecidos pela Palavra e pelo Pão, dons de Jesus Cristo, esperamos viver com ele para sempre. Esperamos ainda que a nossa participação na Eucaristia reforce entre nós os laços da amizade.
            Vejamos o que mais, em nossa comunidade, podemos fomentar em termos de estudo e celebração em torno da Palavra de Deus.
            Não basta celebrarmos uma liturgia bem preparada. Não basta contarmos com uma multidão de fiéis em nossas celebrações, que saem das mesmas tão vazias como nelas entraram. Há até mesmo quem se satisfaz em ver seu Templo lotado de fiéis em busca de gestos espetaculosos, como curas emocionais, geralmente equivocadas, quando não enganosas. A surdes e a mudes continuarão reinando em nosso mundo tão oco de Deus. É necessário e urgente, anunciar o espetacular, e este se chama ninguém, a não ser Jesus Cristo, Deus de Amor no meio de nós! O grande e único milagre do “efatá” já aconteceu a todo aquele que se digna chamar-se cristão: é aberto ao anúncio do Reino de Deus, que é um Reino de Amor, Verdade, Justiça, Liberdade e de Paz! Só quem acolhe Jesus na pessoa do outro, mesmo surdo, mudo, cego, coxo, pobre e marginalizado, porque diferente das convenções de uma sociedade consumista e hipócrita e de comunidades que se desfiguram do verdadeiro cristianismo, compreende sua missão e seu discipulado nos dias atuais!

            Sejam todos sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Padre Gilberto Kasper
(Ler Is 35,4-7; Sl 145(146); Tg 2,1-5 e Mc 7,31-37)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Setembro de 2018, pp. 40-42 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum de Setembro de 2018, pp. 32-36.


HORA DE RECONHECER E AGRADECER!


Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Muitas são as pessoas que ao longo dos 61 anos e oito meses colaboram com as atividades do FAC – Fraterno Auxílio Cristão da Cidade de Ribeirão Preto. Precisaríamos de inúmeros artigos para elencar todos que de alguma maneira já ajudaram na manutenção dos Projetos dos Núcleos de Solidariedade Dom Bosco que atende diariamente 80 crianças e adolescentes com suas famílias e Dom Hélder que acolhe pessoas desde a adolescência à idade adulta através de parcerias indispensáveis. Mas hoje fui incumbido de fazer menção especial, porque parece ser Hora de Reconhecer e Agradecer!

No ano passado, durante o exercício do então Presidente do FAC, Pe. José Alceu de Souza Júnior, o Vereador Bertinho Scandiuzzi, por acreditar nos projetos do FAC, mediou um encontro com o Sr. Manoel Jorge Pereira, Assessor do Deputado Roberto Engler de Franca (SP), que conhecendo o FAC também por ele se encantou e, graças ao seu esforço conseguiu que a Deputada Mara Gabrilli e seu Assessor Lennon destinassem uma valorosa colaboração de 200 mil reais para “custeio” desta sofrida Instituição.

Durante a cerimônia da apresentação da nova Diretoria, dia 4 de abril deste ano, afirmei que só acreditaria na doação, depois de depositada na conta do FAC, já que nos últimos anos muitas das promessas de “verbas parlamentares” ficaram apenas na boa intenção de quem prometeu. O Sr. Manoel me garantiu, com certa tristeza, de que eu estava enganado e que a verba da Deputada Mara Gabrilli chegaria a tempo hábil, antes das consolidações eleitorais, conforme dita a lei.

Agora é, pois, Hora de Reconhecer e Agradecer à Deputada Mara Gabrilli, Integrante de um Comitê da ONU, Parlamentar que pautou seus dois mandatos sob a ética e transparência, trabalhando incansavelmente pela “Redução das Desigualdades Sociais”. Com a intercessão do Prefeito Municipal de Ribeirão Preto, Antônio Duarte Nogueira Filho e sua Esposa Samanta Duarte Nogueira, depois de cumpridas as normas da Secretaria Municipal da Assistência Social, a verba foi depositada na Conta do FAC graças à lisura e zelo do Dr. Carlos Cesar Barbosa, Vice-Prefeito e Secretário da SEMAS.

É também mérito do então Contador e hoje Presidente do Conselho Diretor do FAC, Sr. Jedaías do Amaral Costa e de seu Conselheiro, Diácono Pérsio Luiz Dugaich e nem por último da Coordenadora Geral do FAC. Sra. Ana Cláudia Abe, que esta verba alivia as preocupações financeiras para a manutenção qualificada dos dois Projetos do FAC. É Hora de Reconhecer e Agradecer às verbas municipais, vindas por meio da SEMAS e do CONDECA que além das inúmeras promoções realizadas ao longo do ano com a benevolência e generosidade de tantas pessoas com boa vontade não permitem que o FAC paralise suas atividades. Todos sabemos o quanto é desafiador manter uma Entidade em nossos tempos difíceis.

Quem ainda puder e desejar colaborar, poderá adotar uma de nossas Crianças do Núcleo Dom Bosco, que custa para o FAC, mensalmente, R$ 370,00. Se for muito, qualquer quantia mensal poderá integrar mais pessoas como Sócios-Voluntários. Basta ligar de segunda a sexta-feira entre 8 e 17 horas: (16) 3237-0942 ou visitar a Sede do FAC na Rua Barão do Amazonas, 881, bem no centro de Ribeirão Preto. A partilha de sua pobreza enriquecerá a nossa, sempre agradando o Coração Bondoso de nosso Criador!