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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - QUARTO DOMINGO DO ADVENTO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Céus, deixai cair o orvalho;
nuvens, chovei o justo;
abra-se a terra e brote o Salvador!”(Is 45,8).

            Já no Quarto Domingo do Advento e às portas da Solenidade do Natal do Senhor, a liturgia dirige o nosso olhar para o anúncio do Anjo feito a Maria e para sua própria pessoa enquanto imagem da Igreja que aguarda a chegada do Natal. Para sublinhar em que ponto a celebração nos situa, recordemos nosso trajeto realizado: nos dois primeiros domingos do Advento escatológico, nossa expectativa foi reacendida em vista das realidades futuras e dos últimos tempos que Jesus inaugurou a partir de sua vinda histórica e sua glorificação. A acolhida do anúncio da Palavra de Deus nos preparou na direção desse evento derradeiro, que o povo da Primeira Aliança viu realizar na Igreja, como já participante das realidades futuras.
No terceiro domingo do Advento, com o olhar mais voltado para a vinda histórica, a Igreja se alegrou, como que antecipando aquilo a que se prepara e no canto de Maria, proclamou as maravilhas que Deus realizou por seu povo e continua a realizar por meio de Jesus e de seu Espírito. Nesse mesmo período iniciamos a novena do Natal do Senhor, intensificando a nossa espera e vigilância, enchendo nossas lâmpadas com o azeite da oração, adentrando no festim do noivo que veio ao nosso encontro. Cada domingo, como luz a iluminar nossos passos, nos conduziu a este momento, onde contemplamos a Virgem como a um espelho, onde podemos ver a imagem daquilo que a Igreja é chamada a ser: casa preparada por Deus, arca da Aliança e receptáculo do Mistério outrora escondido e que Deus, por imensa bondade, revelou a todos.
Graças ao sim de Maria, Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus. Todos devemos estar disponíveis para a ação do Espírito de Deus, acolhendo no coração o mistério da encarnação. A páscoa de Jesus se manifesta nas pessoas e grupos que se dispõem a receber a boa-nova trazida pelo anjo Gabriel.
De coração alegre e agradecido, acolhamos a Palavra de Deus. Ela nos mostra o plano divino de salvação e em Maria realiza a prometida encarnação do Salvador.
Deus quer caminhar com seu povo, e não ficar trancado no templo. Maria aceita a proposta de ser a mãe de Jesus. O mistério de Deus se revela à humanidade em Jesus encarnado.
Respondendo nosso amém à oração eucarística, aceitamos com gratidão o plano de Deus; acolhendo a palavra feita carne, deixamo-nos transformar, pelo Espírito, em novas criaturas.
A celebração do quarto domingo, como último Domingo do Advento histórico, na mesma dinâmica do terceiro domingo, antecipa a realidade festiva que se desabrocha no Natal. Nesta celebração a Igreja é a receptora do anúncio do Anjo, participando da encarnação do Verbo ao acolher a Palavra proclamada, exercendo seu discipulado na escuta e na obediência e deixando realizar em seu seio a salvação esperada. Contudo, a chave messiânica da compreensão dos textos nos convida a perceber que a salvação principiou neste mistério e se completa na páscoa do Senhor, para a qual rumamos. Nós, que também já desfrutamos da vida divina em Cristo pela participação em sua páscoa, não devemos fazer o seu caminho de encontro com as realidades carentes de vida nova? Prolongar o anúncio do Anjo ao mundo, descobrindo a semente do Verbo nas realidades mais sofridas, não seria nossa resposta obediente, discipular e atenta à vontade do Pai? O Natal do Senhor se orienta e se aprofunda também na páscoa do mundo que anseia por vida nova e por salvação.
O mistério da encarnação, iniciando hoje com a anunciação do Anjo à Virgem, é aprofundado pelo mistério da cruz que nos leva à ressurreição. Segundo uma mensagem de Natal, “Para quem consciência ainda tem, o Natal  é dura cruz na casa de alguém”, poderemos nos encaminhar mais ligeiramente para o acontecimento natalino, se estivermos mais atentos e solícitos aos sofrimentos e cruzes que carregam os outros!
Com a Igreja, portanto, somos convidados a sentirmo-nos também grávidos do Senhor! Mais ainda: somos conclamados a “dar à luz ao Cristo não mais Menino, mas Ressuscitado”.  Por isso o Natal do Senhor precisa ser motivado por nossa missionariedade e discipulado a exemplo de Maria. Sejamos o porta-jóias de Jesus, anunciando-O com a própria vida ao mundo que nem sempre O reconhece em nossas incoerências. Quantas aparências, falsidades, mentiras, fingimentos e invejas atrapalham um verdadeiro Natal que não aborte Jesus, por conta do consumismo, hedonismo e individualismo! Sejamos livres para celebrarmos um Natal diferente, como nunca antes em nossa vida pessoal, comunitária e social!
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler: 2Sm 7,1-5.8-12.14.16; Sl 88(89); Rm 16,25-27 e Lc 1,26-38).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2017, pp. 76-79 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2017), pp. 17-20.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO

GAUDETE – DOMINGO DA ALEGRIA


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Alegrai-vos sempre no Senhor.
De novo eu vos digo: alegrai-vos!
o Senhor está perto” (Fl 4,4s).


            Celebramos com esperança, otimismo e muita fé o Terceiro Domingo do Advento – Gaudete DOMINGO DA ALEGRIA! A exemplo do Profeta Isaías, todos devemos nos alegrar, pois o Senhor está próximo. João Batista aparece neste domingo para preparar o caminho de Jesus até nós.
            A Palavra de Deus proclamada neste Domingo nos apresenta o tema da alegria, pois o Espírito do Senhor está sobre nós, nos leva a rezar sem cessar e nos faz reconhecer em João Batista o mensageiro da vinda de Jesus.
A celebração é momento de exultação, pois Deus está em nosso meio. A missão de João Batista é apontar a luz para a humanidade. O desejo de Deus é ver-nos felizes. Mas o que significa, para nós, ser feliz?
            Com nossa ação de graças, reconheçamos que se realizou para nós o anúncio da libertação. Nosso Deus nos associa à alegria da sua vida nova.
Por tradição, o Terceiro Domingo do Advento é denominado Domingo Gaudete, que significa Domingo da Alegria. Isso, porque a antífona de entrada começa com esta expressão: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (em latim Gaudete in Domino semper). Esta, portanto, é a chave para a compreensão dos textos bíblico-litúrgicos e eucológicos, assim como dos ritos e símbolos do Terceiro Domingo do Advento.
            A alegria de que trata a Liturgia deste domingo liga-se à proximidade da festa da Natividade do Senhor. A percepção de que já atravessamos mais da metade do caminho rumo à Noite Santa do Natal ilumina a celebração da comunidade de fé. Com razão a Oração da Igreja assim se exprime: “Levantai vossa cabeça, pois a vossa redenção se aproxima”. Portanto, o júbilo não se dá somente por que já se aproxima uma data memorável, mas sobretudo, porque as consequências do Mistério que nela se celebra já podem ser sentidas pela Igreja peregrina.
            O Terceiro Domingo do Advento – Gaudete é momento de passagem ou transição para a comunidade que celebra como o fora para os contemporâneos do Batista. Nós, como eles, somos atraídos para a “beira do Jordão”, a fim de permanecer de prontidão, à espera da travessia pascal que se inaugura com a revelação de Deus e se plenifica com a encarnação do Verbo.
            Nesse sentido, nosso olhar recai sobre o que se augura com a celebração Eucarística: “que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam”. A preparação para a celebração da natividade e manifestação do Senhor na carne exige transpor o Jordão, passando pelas águas que nos liberam da maldade, da corrupção, da morte. Dito de outro modo, ao celebrar o Terceiro Domingo do Advento, a Igreja se alegra por estar à “beira” do Jordão, em poder levantar a cabeça e vislumbrar seu destino, que é a comunhão de vida com o Messias, cujas vozes proféticas de todos os tempos e lugares apontam e prenunciam, segundo a inteligência da fé.
            Dar graças, fazer eucaristia, corresponde de fato ao “nosso dever e salvação”, porque é no ato de buscar e reconhecer a presença de Deus, que nos percebemos salvos, mergulhados em sua vida. Damo-nos conta o quanto o Espírito Santo está sobre nós empurrando-nos para que demos testemunho da visita do Messias no mundo, alegrando os tristes, devolvendo a dignidade aos empobrecidos. A ação de graças recomendada por Paulo nos faz reconhecer que tudo quanto fora dito por Deus em promessa, cumpriu-se em seu Filho e se desdobra naqueles e naquelas que o servem e lhe são fiéis. Em suma, nossa fidelidade torna evidente aquele que nos chamou e é fiel no cumprimento de sua Palavra.
AGRADECIMENTO PELA DOAÇÃO NA COLETA PARA A EVANGELIZAÇÃO
            [É o domingo em que deveremos partilhar nossa pobreza, doando generosamente os frutos saborosos de nossos exercícios penitenciais e de abstinência propostos para o rico tempo do Advento! Não devemos dar qualquer “migalha” ou aquilo que nos sobra da compra de presentes de Natal. Recebemos um envelope destinado à Coleta para a Evangelização, que deveremos devolver, contendo o resultado daquilo que deixamos de gastar em favor dos que têm menos do que nós, bem como, para que Jesus Cristo seja conhecido e nosso povo evangelizado de sul a norte de nosso imenso País. Quem não tiver ou esquecer o envelope, coloque na coleta da esmola numa das Celebrações deste Domingo da Alegria sua doação, porque todas as Paróquias e Comunidades endereçarão o que recolherem, à Cúria Metropolitana, que por sua vez dará o destino certo à generosidade de nosso coração. Sejamos, portanto, honestos e justos, porque a Igreja no Brasil sobrevive com nossa corresponsabilidade!]
            Desde o início, a obra de evangelização e o trabalho da Igreja contaram com o apoio espiritual e material de todos os batizados. Motivados pela fé recebida e pela gratidão a Deus, todos os membros da Igreja são chamados a colaborar, de várias formas, para que o dom do Evangelho também chegue a outras pessoas.
            Além de vivenciar concretamente sua corresponsabilidade de batizado pelas obras de evangelização e do sustento de irmãos e irmãs empenhados nestas atividades, a sua participação o tornará mais disponível ao Senhor.
            Esta será a destinação de sua coleta: 45% para a sua Diocese; 20% para as 18 Subsedes da CNBB; e 35% para a CNBB Nacional.
            Deus lhe pague pela contribuição nesta importante coleta!
            O grande convite deste Domingo da AlegriaGAUDETE – é transpirar a esperança de que o Natal do Senhor nos ajude a promovermos maior dignidade entre as pessoas, sendo Anjos uns para os outros. Acendendo a vela rosa de nossas Coroas do Advento, possamos renovar o propósito de testemunharmos uma fé cheia de alegria, com sabor divino.
            Não nos esqueçamos de nossos gestos concretos, oferecendo quem sabe, como presente de Natal uma Bíblia ao invés de presentes perecíveis. A Palavra de Deus semeada no coração dos que amamos e dos que ainda não a conhecem, não perecerá. Ao contrário será alimento de vida a quem a acolher com alegria! Não falar mal de ninguém até o Natal poderá tornar-se um magnífico hábito entre irmãos que amam, ao longo do novo ano que se aproxima. Se não tivermos nada de bom a dizer sobre o outro, é melhor calar!

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 61,1-2.10-11; Sl Lc 1; 1 Ts 5,16-24 e Jo 1,6-8.19-28).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2017, pp. 57-60 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2017), pp. 14-16.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações!
E, na alegria do vosso coração,
soará majestosa a sua voz” (Is 30,19.30).


            A palavrinha que poderia sintetizar a Liturgia do Segundo Domingo do Advento é CONVERSÃO, sendo seus protagonistas os Profetas Isaías e João Batista.
            Somos responsáveis pela vinda do Senhor, que nos traz sua proposta de paz e salvação. O profeta Isaías e João Batista nos convidam a preparar os caminhos por onde Jesus deve passar, pois ele vai nos ajudar a construir o novo céu e a nova terra que todos almejamos. Da alegria do nosso coração brilhará a luz de Deus.
            Todos somos responsáveis pela preparação dos caminhos da nova humanidade redimida pela graça de Jesus.
            É necessário preparar o caminho para o Messias. João Batista é o precursor que anuncia e apresenta o Salvador. Deus tem tempo e dá tempo para a conversão.
            Animados a preparar o caminho do Senhor, agradeçamos a Deus porque fomos escolhidos para anunciar, na eucaristia, a salvação já presente e em ação.
            Os batizados em Cristo são novíssimas criaturas. Trazem consigo o seu Espírito, o que significa compartilhar de seu modo de vida, de sua palavra, de seus ensinamentos e ações. Como discípulos e discípulas que são, têm os ouvidos abertos e os olhos atentos. Captam toda palavra de paz dita por Deus fazendo-a reverberar nos confins da terra de modo que ela produza frutos que possam ser colhidos e degustados (cf. o Salmo 84). São também filhos e filhas da glória de Deus, visibilidade de seu esplendor. Sentem-se manifestação do Cristo na fidelidade a seu Evangelho.
            O Tempo do Advento, da expectativa pelo Dia de Deus, nos faz assumir um itinerário de conversão, de modo que “nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro” do seu Filho (cf. Oração do Dia). No mundo em que vivemos, o trabalho dos cristãos se insere no contexto de consolidação de ambientes capazes de acolher e manifestar a presença do Senhor. Toda obra que coopera para a paz e para a justiça, portanto, se enquadra como manifestação da bondade de Deus aos olhos fiéis ao Evangelho. São ecos da Palavra do Senhor, vozes que se encontram em sinfonia no cumprimento das promessas messiânicas de “novos céus e nova terra”.
            O tema da Palavra de Deus que irrompe na história humana pela boca de homens e mulheres em todos os tempos é central no cristianismo. Diz respeito ao coração da nossa profissão de fé.
            A teologia conhece uma expressão muito feliz recuperada pelo Papa Emérito Bento XVI em sua última Encíclica, Verbum Domini: a Vox Verbi, a voz do Verbo. Muitas são as vozes da Palavra de Deus, é uma verdadeira sinfonia (cf. VD, n. 7). Participa, então, da mesma Palavra de Deus toda uma variedade de vozes. São como “harmônicos” do mesmo som que sai da boca do próprio Deus. Vibrações várias da única Palavra que os cristãos reconhecem encarnada em Jesus de Nazaré, confessado como Senhor e Messias.
            No tempo de João Batista, precursor do Messias, as pessoas souberam reconhecê-lo em sua relação com a Palavra de Deus, a ponto de o identificarem com ela. Na verdade, João Batista é uma das “vozes” do Verbo de Deus. Quando o povo de Deus celebra reunido em assembleia, é educado na percepção destas “variantes” da voz divina, enraizada, porém, na única Palavra de Salvação. Em tudo e todos se escuta a voz de Cristo. Tudo quanto colabora para preparar um ambiente propício à sua manifestação é bem vindo e bem quisto. Seja de dentro da Igreja ou de fora dela. Não importa, pois o mais importante é “o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar”.
            Esta Segunda Semana do Advento nos propõe, enfim, a arrumação, a faxina, a limpeza interior. Uma das riquezas deste rico tempo de alegre esperança são os Mutirões de Confissões que acontecem em nossas Comunidades. O Sacramento da Reconciliação tem sido valorizado a cada ano mais, tanto no Advento como na Quaresma! A Confissão que nos prepara melhor para celebrarmos o Natal do Senhor nos devolve, nesse processo de conversão, a PAZ que o pecado nos rouba. Possa o Senhor encontrar em nossos corações, aconchegantes manjedouras que não cheirem mal, mas exalem os perfumes angelicais de pessoas que se esforçam por um mundo mais digno e menos oco de Deus.
            Ainda, possam nossos Presépios montados em residências, igrejas e em todos os lugares, ressaltar a protagonista central do Natal de Jesus: a Família! Se tirarmos a Família de nossos Presépios, sobram tão somente animais e cheiro de feno. Não caiamos na tentação de subtrair a Família do Presépio do Mundo. Deus gostou e achou tão bonita a Família, que também Ele quis uma para si. “Que a Família comece e termine sabendo aonde vai...” (Pe. Zezinho, Oração da Família).

            Desejando-lhes abundantes bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 40,1-5.9-11; Sl 84(85); 2 Pd 3,8-14 e Mc 1,1-8).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2017, pp. 40-43 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2017), pp. 11-13.