Para um Mundo mais Fraterno! “Tolle, lege!” é uma frase em latim que significa “Pegue, leia!”, referência de Santo Agostinho.
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Meus
queridos Amigos e Irmãos na Fé!
Cristo deixou pastores instituídos para continuarem a guiar o seu povo, quer por prados
e campinas
verdejante, quer por vales tenebrosos. Eles são
chaves indispensáveis à vida e à missão da Igreja. A preparação e o cuidado
desses pastores se fazem cada dia mais
exigente e de responsabilidade de todos.
Existem tantos pobres e famintos,
abandonados e sem carinho. A comunidade eclesial, que celebra o pastoreio de Jesus Cristo, não pode cruzar os braços nem fechar os olhos
diante da situação de tantos e tantos sofredores, ovelhas sem pastor.
Pastor ou Pastora é quem tem responsabilidade pelo bem de outras pessoas. A atitude
de Jesus nos lembra de que esta é a forma de ser de Deus, e também deve
caracterizar a comunidade cristã.
No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a viver a “compaixão/sentir
com” os pobres, a ser “pastores amorosos” responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade
dos irmãos e irmãs.
Jesus traz a paz a todos sem
exceção, porque vem da parte de Deus, e, nele, nós somos filhos de Deus. A
divisão entre judeus e pagãos, crentes e não crentes, brancos e negros, homem e
mulher ou qualquer outra oposição não pode ser aceita por nós. Não tem lugar na
comunidade eclesial. A comunidade é chamada a exercer o pastoreio de Jesus, ajudada e animada pelos pastores convocados e instituídos.
O convite de Jesus para ir a um
lugar tranquilo e descansar um pouco não é detalhe que destoa no Evangelho.
Criemos em nossas comunidades espaços para o descanso, o lazer, a convivência
prazerosa. A vida cristã não se reduz a preceitos, pecados, orações, devoções,
abstinências, jejuns, esmolas... mas proporciona também experiências fraternas
na gratuidade, no aconchego, no convívio alegre e fraterno.
Jesus Cristo é a misericórdia de
Deus que nos acompanha ao longo da vida e nos conduz à casa do Pai, para aí
habitarmos eternamente.
Como rebanho, encontramo-nos no
regaço de nosso Pastor para refazer as forças e ouvir sua Palavra. A celebração nos
afasta da correria da missão e dos afazeres da vida, para permanecermos na
intimidade do Senhor, experimentarmos o seu carinho e a sua gratuidade, e
prosseguirmos mais animados em nossa caminhada pascal. Somos tocados pelo seu
olhar compassivo. Sua presença amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos
que juntos celebram o sacramento de sua Palavra, que ecoa do meio dos
acontecimentos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E, num diálogo de aliança
e compromisso, respondemos, professando nossa fé e suplicando, desejosos que
seu Reino venha logo.
Mas é no rito eucarístico que
vivemos a plena comunhão da aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com
Ele nossa vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega de seu
Filho na cruz.
Na comunhão de sua aliança,
deixamo-nos tomar de compaixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada
ao nosso redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos doar
nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria.
O coração compassivo de Jesus acolhe
a todos os que se aproximam dele e nunca decepciona ninguém. Só Deus não decepciona. Nós nos decepcionamos constantemente,
por conta de nossos limites. Mas se deixarmos Jesus assumir nossas fraquezas,
Ele nos ajudará a melhorarmos em nossa missão. É preciso configurar-nos com
Jesus, o Bom
Pastor, vivendo como Ele vive em nossas relações
pessoais, comunitárias, eclesiais, políticas e sociais.
O Senhor é o verdadeiro Pastor que conduz por caminhos retos e
cheios de compaixão. As lideranças e toda a comunidade são convidadas a
orientar sua prática por Jesus, que faz cessar as divisões e leva todos ao Pai.
O profeta Jeremias faz severa
crítica aos responsáveis pelo povo que não cumprem seu dever. Aqui são contemplados os ministros ordenados e instituídos, os
agentes de pastoral e coordenadores de nossos movimentos eclesiais, bem como
nossos políticos. A compaixão e a ternura de
Jesus, pastor
messiânico, diferenciam-se nos dos outros pastores.
Deus não exclui nenhum povo, ele quer que todos sejam “povo de Deus”. A mesa da eucaristia nos
alimenta e restaura nossas forças para sermos bons anunciadores do reino.
Como bom pastor, Jesus se compadece dos pobres, dos famintos, dos desempregados e abandonados
à própria sorte. Solidariza-se com os nossos sofrimentos. Guia-nos,
fortalece-nos e defende nossa vida em meio aos reveses e sobressaltos do dia a
dia.
O convite da Palavra deste Domingo
para cada um, mergulhado em sua vocação, missão e responsabilidade, é de uma
vez por todas configurar-nos com Jesus
Cristo, o Bom Pastor! Isso só será possível se nos despirmos de nossa arrogância,
prepotência, ganância, de nosso carreirismo, busca de prestígio e poder: o
querer ser sempre melhor que os outros. Também precisaremos esforçar-nos para
superar entre nós, pastores e ovelhas, a inveja, que nada mais é do que a baba de Caim, a competitividade, o individualismo e a indiferença com nossos
semelhantes. Quantas situações conhecemos, em que nos alegramos com os
aparentes fracassos de nossos irmãos, até mesmo no ministério? Falamos em
fraternidade sacerdotal, porém mal nos cumprimentamos, e quando possível
falamos mal de nossos próprios irmãos, escondendo nossos defeitos atrás dos
deles. Coisa feia!... É interessante que não confiamos uns nos outros. Antes,
corremos uns dos outros, julgamos mal com mais rapidez do que oferecemos nossa
ajuda. A falta de fraternidade presbiteral e comunitária; a concorrência entre
uma Comunidade e outra, são contratestemunhos que espantam muitos fiéis de
nossas Igrejas. Tais situações escandalizam os menos evangelizados e nos
garante como prêmio eterno uma pedra de moinho ao pescoço e fundo do mar. Mas
nem tudo está perdido. Ainda há tempo de conversão. Eis nossa sorte: Jesus Cristo, o Bom Pastor perdoa sempre.
Permite que recomecemos a cada dia novamente. Mas é preciso querer
viver a ternura que Jesus vive por cada um
que procura esforçar-se para ser configurado com Ele. Oxalá, nossa Igreja passe
por uma profunda conversão e seja reconhecida, porque acolhedora viva a
verdadeira Teologia
Pastoral da Ternura!
Sejam todos abundantemente
abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço sempre amigo e fiel.
Padre
Gilberto Kasper
(Ler Jr
23,1-6; Sl 22(23); Ef 2,13-18 e Mc 6,30-34)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus
de Junho de 2015, pp. 60-62 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum de
Julho de 2015, pp. 61-66.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
A Palavra de Deus do Décimo Quinto Domingo
Comum do Ano Litúrgico de 2015 indica que o
seguimento acontece no cotidiano: no trabalho comunitário, realizado em
mutirão, no desprendimento e na disponibilidade. O anúncio alegre da Boa Nova deve envolver toda a pessoa, não como simples funcionário, mas
como profeta, em meio a tantos conflitos e situações de injustiça e exploração
do povo simples.
Fomos chamados para uma missão que
não escolhemos, mas fomos escolhidos antes
da criação do mundo para sermos enviados como servidores do povo. Escolha é
graça e, por outro lado, traz exigências, como a recusa de privilégio social e
econômico; um desprendimento pessoal.
A vivência religiosa tem
consequência social, política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. O
Evangelho que propõe leva-nos a fazer política. Não uma política segundo os
interesses do “rei” ou dos poderosos, mas conforme o espírito do Evangelho,
segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da opção pelos
pobres.
Fomos marcados por Cristo e com o
Espírito Santo, para uma ação transformadora. O compromisso é fazer com que a
situação de injustiça se converte numa sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou
à conversão que implica na modificação integral de nossa maneira de viver e
agir.
No Evangelho de Marcos, como caminho
de iniciação cristã, descobrimos, passo a passo, quem é Jesus e como ser seu
amigo, parceiro e discípulo. Como apóstolos, somos convocados, batizados e
iluminados, para sermos enviados. O convite de Deus sempre implica num envio.
Somos cristãos não para enfeitar a Igreja, nem para granjear honrarias, mas
para a missão e o compromisso.
O desafio é desempenhar a missão no
modo de Jesus e na pedagogia dele, que veio curar e consolar. Destruir tudo o
que oprime, escraviza, rebaixa e exclui as pessoas. Abrir-se para todas as
possibilidades de vida feliz e abundante para todos.
O Senhor nos fortalece e nos ajuda a
recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço do Reino. Nos
desígnios do Pai, fomos feitos seus e herdeiros desse Reino. Os filhos e
herdeiros têm o direito e a responsabilidade de serem os continuares e amigos
do projeto divino.
A exemplo dos primeiros apóstolos
somos chamados a estar com Jesus. A convivência com ele renova nossa alegria e
nos fortalece na missão de pregar a conversão e combater todas as formas de mal
presentes no mundo.
As leituras deste domingo nos
mostram obstáculos que a mensagem de salvação pode encontrar. Mas também nos
fazem ver que nada deve impedir a Igreja de louvar a Deus e obedecer ao mandato
de Jesus.
Ninguém se faz profeta; Deus é que
chama a pessoa para ser profeta e missionário e a prepara para isso. Deus nos
chamou para a santidade e a unidade com Cristo. Jesus chama e envia seus
discípulos, dando-lhes instruções para a missão.
Podemos repetir neste domingo que a
Igreja de Jesus é essencialmente missionária, discípula e ministerial! A Comunidade toda é chamada
a ser uma verdadeira Igreja do Ir ao Encontro das pessoas todas, especialmente das mais simples, pobres e
marginalizadas. Corremos frequentemente, o risco de acolher as pessoas que nos convém. Não raras vezes somos demasiado
exigentes com nossos Agentes de Pastoral e aquelas pessoas que frequentam
nossas celebrações e nos ajudam em nossas atividades pastorais. Repreendemos
quem veio, quando deveríamos deixar o “rebanho reunido”, indo ao
encontro e à procura de quem não veio, a exemplo do Bom Pastor, que resgata a
ovelha perdida. Ao lado disso, preocupa-nos o acentuado triunfalismo, o
espetaculoso e o abuso do “poder da estola” sobre nossos
fiéis. Precisamos superar a acepção e a discriminação das pessoas que buscam,
nos ministros ordenados e nos agentes de pastoral, maior coerência entre o que pregam e vivem. Não
podemos deixar de nos perguntar sempre: O que Jesus diria? Como Jesus agiria? Qual seria a atitude de
Jesus? Só assim, em nossa missão de verdadeiros
discípulos, em nossas Comunidades de Fé: “A verdade e o
amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a
fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus”. Só assim todos que virem nosso ministério bem vivido e
alimentado pela humildade, reconhecerão que somos de Jesus!
Desejando-lhes muitas bênçãos, com
ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Padre Gilberto Kasper
(Ler Am
7,12-15; Sl 84(85); Ef 1,3-14 e Mc 6,7-13)
Fontes: Liturgia
Diária da Paulus de Julho de 2015, pp. 43-45 e Roteiros Homiléticos da CNBB do
Tempo Comum de Julho de 2015, pp. 55-60.
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