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quinta-feira, 16 de julho de 2015

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            Cristo deixou pastores instituídos para continuarem a guiar o seu povo, quer por prados e campinas verdejante, quer por vales tenebrosos. Eles são chaves indispensáveis à vida e à missão da Igreja. A preparação e o cuidado desses pastores se fazem cada dia mais exigente e de responsabilidade de todos.
            Existem tantos pobres e famintos, abandonados e sem carinho. A comunidade eclesial, que celebra o pastoreio de Jesus Cristo, não pode cruzar os braços nem fechar os olhos diante da situação de tantos e tantos sofredores, ovelhas sem pastor.
            Pastor ou Pastora é quem tem responsabilidade pelo bem de outras pessoas. A atitude de Jesus nos lembra de que esta é a forma de ser de Deus, e também deve caracterizar a comunidade cristã.
            No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a viver a “compaixão/sentir com” os pobres, a ser “pastores amorosos” responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade dos irmãos e irmãs.
            Jesus traz a paz a todos sem exceção, porque vem da parte de Deus, e, nele, nós somos filhos de Deus. A divisão entre judeus e pagãos, crentes e não crentes, brancos e negros, homem e mulher ou qualquer outra oposição não pode ser aceita por nós. Não tem lugar na comunidade eclesial. A comunidade é chamada a exercer o pastoreio de Jesus, ajudada e animada pelos pastores convocados e instituídos.
            O convite de Jesus para ir a um lugar tranquilo e descansar um pouco não é detalhe que destoa no Evangelho. Criemos em nossas comunidades espaços para o descanso, o lazer, a convivência prazerosa. A vida cristã não se reduz a preceitos, pecados, orações, devoções, abstinências, jejuns, esmolas... mas proporciona também experiências fraternas na gratuidade, no aconchego, no convívio alegre e fraterno.
            Jesus Cristo é a misericórdia de Deus que nos acompanha ao longo da vida e nos conduz à casa do Pai, para aí habitarmos eternamente.
            Como rebanho, encontramo-nos no regaço de nosso Pastor para refazer as forças e ouvir sua Palavra. A celebração nos afasta da correria da missão e dos afazeres da vida, para permanecermos na intimidade do Senhor, experimentarmos o seu carinho e a sua gratuidade, e prosseguirmos mais animados em nossa caminhada pascal. Somos tocados pelo seu olhar compassivo. Sua presença amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos que juntos celebram o sacramento de sua Palavra, que ecoa do meio dos acontecimentos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E, num diálogo de aliança e compromisso, respondemos, professando nossa fé e suplicando, desejosos que seu Reino venha logo.
            Mas é no rito eucarístico que vivemos a plena comunhão da aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com Ele nossa vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega de seu Filho na cruz.
            Na comunhão de sua aliança, deixamo-nos tomar de compaixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada ao nosso redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos doar nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria.
            O coração compassivo de Jesus acolhe a todos os que se aproximam dele e nunca decepciona ninguém. Só Deus não decepciona. Nós nos decepcionamos constantemente, por conta de nossos limites. Mas se deixarmos Jesus assumir nossas fraquezas, Ele nos ajudará a melhorarmos em nossa missão. É preciso configurar-nos com Jesus, o Bom Pastor, vivendo como Ele vive em nossas relações pessoais, comunitárias, eclesiais, políticas e sociais.
            O Senhor é o verdadeiro Pastor que conduz por caminhos retos e cheios de compaixão. As lideranças e toda a comunidade são convidadas a orientar sua prática por Jesus, que faz cessar as divisões e leva todos ao Pai.
            O profeta Jeremias faz severa crítica aos responsáveis pelo povo que não cumprem seu dever.  Aqui são contemplados os ministros ordenados e instituídos, os agentes de pastoral e coordenadores de nossos movimentos eclesiais, bem como nossos políticos.  A compaixão e a ternura de Jesus, pastor messiânico, diferenciam-se nos dos outros pastores. Deus não exclui nenhum povo, ele quer que todos sejam “povo de Deus”. A mesa da eucaristia nos alimenta e restaura nossas forças para sermos bons anunciadores do reino.
            Como bom pastor, Jesus se compadece dos pobres, dos famintos, dos desempregados e abandonados à própria sorte. Solidariza-se com os nossos sofrimentos. Guia-nos, fortalece-nos e defende nossa vida em meio aos reveses e sobressaltos do dia a dia.
            O convite da Palavra deste Domingo para cada um, mergulhado em sua vocação, missão e responsabilidade, é de uma vez por todas configurar-nos com Jesus Cristo, o Bom Pastor! Isso só será possível se nos despirmos de nossa arrogância, prepotência, ganância, de nosso carreirismo, busca de prestígio e poder: o querer ser sempre melhor que os outros. Também precisaremos esforçar-nos para superar entre nós, pastores e ovelhas, a inveja, que nada mais é do que a baba de Caim, a competitividade, o individualismo e a indiferença com nossos semelhantes. Quantas situações conhecemos, em que nos alegramos com os aparentes fracassos de nossos irmãos, até mesmo no ministério? Falamos em fraternidade sacerdotal, porém mal nos cumprimentamos, e quando possível falamos mal de nossos próprios irmãos, escondendo nossos defeitos atrás dos deles. Coisa feia!... É interessante que não confiamos uns nos outros. Antes, corremos uns dos outros, julgamos mal com mais rapidez do que oferecemos nossa ajuda. A falta de fraternidade presbiteral e comunitária; a concorrência entre uma Comunidade e outra, são contratestemunhos que espantam muitos fiéis de nossas Igrejas. Tais situações escandalizam os menos evangelizados e nos garante como prêmio eterno uma pedra de moinho ao pescoço e fundo do mar. Mas nem tudo está perdido. Ainda há tempo de conversão. Eis nossa sorte: Jesus Cristo, o Bom Pastor perdoa sempre. Permite que recomecemos a cada dia novamente. Mas é preciso querer viver a ternura que Jesus vive por cada um que procura esforçar-se para ser configurado com Ele. Oxalá, nossa Igreja passe por uma profunda conversão e seja reconhecida, porque acolhedora viva a verdadeira Teologia Pastoral da Ternura!
            Sejam todos abundantemente abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço sempre amigo e fiel.

            Padre Gilberto Kasper

(Ler Jr 23,1-6; Sl 22(23); Ef 2,13-18 e Mc 6,30-34)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Junho de 2015, pp. 60-62 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum de Julho de 2015, pp. 61-66.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - DÉCIMO QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            A Palavra de Deus do Décimo Quinto Domingo Comum do Ano Litúrgico de 2015 indica que o seguimento acontece no cotidiano: no trabalho comunitário, realizado em mutirão, no desprendimento e na disponibilidade. O anúncio alegre da Boa Nova deve envolver toda a pessoa, não como simples funcionário, mas como profeta, em meio a tantos conflitos e situações de injustiça e exploração do povo simples.
            Fomos chamados para uma missão que não escolhemos, mas fomos escolhidos antes da criação do mundo para sermos enviados como servidores do povo. Escolha é graça e, por outro lado, traz exigências, como a recusa de privilégio social e econômico; um desprendimento pessoal.
            A vivência religiosa tem consequência social, política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. O Evangelho que propõe leva-nos a fazer política. Não uma política segundo os interesses do “rei” ou dos poderosos, mas conforme o espírito do Evangelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da opção pelos pobres.
            Fomos marcados por Cristo e com o Espírito Santo, para uma ação transformadora. O compromisso é fazer com que a situação de injustiça se converte numa sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou à conversão que implica na modificação integral de nossa maneira de viver e agir.
            No Evangelho de Marcos, como caminho de iniciação cristã, descobrimos, passo a passo, quem é Jesus e como ser seu amigo, parceiro e discípulo. Como apóstolos, somos convocados, batizados e iluminados, para sermos enviados. O convite de Deus sempre implica num envio. Somos cristãos não para enfeitar a Igreja, nem para granjear honrarias, mas para a missão e o compromisso.
            O desafio é desempenhar a missão no modo de Jesus e na pedagogia dele, que veio curar e consolar. Destruir tudo o que oprime, escraviza, rebaixa e exclui as pessoas. Abrir-se para todas as possibilidades de vida feliz e abundante para todos.
            O Senhor nos fortalece e nos ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço do Reino. Nos desígnios do Pai, fomos feitos seus e herdeiros desse Reino. Os filhos e herdeiros têm o direito e a responsabilidade de serem os continuares e amigos do projeto divino.
            A exemplo dos primeiros apóstolos somos chamados a estar com Jesus. A convivência com ele renova nossa alegria e nos fortalece na missão de pregar a conversão e combater todas as formas de mal presentes no mundo.
            As leituras deste domingo nos mostram obstáculos que a mensagem de salvação pode encontrar. Mas também nos fazem ver que nada deve impedir a Igreja de louvar a Deus e obedecer ao mandato de Jesus.
            Ninguém se faz profeta; Deus é que chama a pessoa para ser profeta e missionário e a prepara para isso. Deus nos chamou para a santidade e a unidade com Cristo. Jesus chama e envia seus discípulos, dando-lhes instruções para a missão.
            Podemos repetir neste domingo que a Igreja de Jesus é essencialmente missionária, discípula e ministerial! A Comunidade toda é chamada a ser uma verdadeira Igreja do Ir ao Encontro das pessoas todas, especialmente das mais simples, pobres e marginalizadas. Corremos frequentemente, o risco de acolher as pessoas que nos convém. Não raras vezes somos demasiado exigentes com nossos Agentes de Pastoral e aquelas pessoas que frequentam nossas celebrações e nos ajudam em nossas atividades pastorais. Repreendemos quem veio, quando deveríamos deixar o “rebanho reunido”, indo ao encontro e à procura de quem não veio, a exemplo do Bom Pastor, que resgata a ovelha perdida. Ao lado disso, preocupa-nos o acentuado triunfalismo, o espetaculoso e o abuso do “poder da estola” sobre nossos fiéis. Precisamos superar a acepção e a discriminação das pessoas que buscam, nos ministros ordenados e nos agentes de pastoral, maior coerência entre o que pregam e vivem. Não podemos deixar de nos perguntar sempre: O que Jesus diria? Como Jesus agiria? Qual seria a atitude de Jesus? Só assim, em nossa missão de verdadeiros discípulos, em nossas Comunidades de Fé: “A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus”. Só assim todos que virem nosso ministério bem vivido e alimentado pela humildade, reconhecerão que somos de Jesus!
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Padre Gilberto Kasper

(Ler Am 7,12-15; Sl 84(85); Ef 1,3-14 e Mc 6,7-13)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Julho de 2015, pp. 43-45 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum de Julho de 2015, pp. 55-60.