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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

HOMILIA PARA O DÉCIMO NONO DOMINGO COMUM - DIA DOS PAIS


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“É preciso vigiar e ficar de prontidão;

em que dia o Senhor há de vir não sabeis, não!” (Mt 24,42.44).

 

            “A vida é uma caixinha de surpresas. A toda hora somos surpreendidos pelo inesperado, porém nem sempre estamos suficientemente preparados, sobretudo para as situações desagradáveis ou, eventualmente, até dramáticas da vida. Por isso nos reunimos todos os domingos com nosso melhor mestre, o Senhor Jesus, para ouvir e assimilar dele a verdadeira sabedoria para viver a vida com perene sentido.

            ‘O espírito da liturgia deste domingo quer suscitar em nós o espírito de constante vigilância e serviço, tendo o coração voltado para Deus. O reino que ele nos oferece por meio de seu Filho é o verdadeiro tesouro que os ladrões não roubam nem a traça corrói. Com confiança e fé celebramos em comunhão com os vocacionados para a vida em família, especialmente com nossos pais.

            Com os olhos da fé, a palavra de Deus nos convida a avaliar nossa caminhada e a nos manter sempre vigilantes e preparados para acolher o Senhor, buscando em tudo a sua vontade.

            A vigilância de Israel na noite da libertação é modelo para todo cristão até a libertação final. A comunidade, pequeno rebanho, precisa estar sempre vigilante e pronta para o seu Senhor. A fé é a força dinâmica que projeta ao futuro a vida do cristão.

            A Eucaristia nos leva a partir o pão juntos. Neste dia oferecemos, com o pão e o vinho, a vida e a missão dos pais, responsáveis por manter a família unida e fraterna’ (cf. Liturgia Diária de Agosto de 2013 da Paulus, pp. 42-45).

            É bom nos conscientizarmos de que ‘o fim para o qual vivemos reflete-se em cada uma de nossas ações. A cada momento pode chegar o fim de nossa vida. Seja este fim aquilo que vigilantes esperamos, como a noite da libertação encontrou os israelitas preparados para saírem – como lemos na página do Livro da Sabedoria -, e não como uma noite de morte e condenação, como o empregado malandro que é pego de surpresa pela volta inesperada de seu patrão – como lemos no Evangelho de Lucas’.

            ‘Devemos preparar-nos para o definitivo de nossa vida, aquilo que permanece, mesmo depois da morte. Mensagem difícil para o nosso tempo de imediatismo. Muitos nem querem pensar no que vem depois; contudo, a perspectiva do fim é inevitável. Já outros vêem o sentido da vida na construção de um mundo novo, ainda que não seja para eles mesmos, mas para seus filhos ou para as gerações futuras, se não tem filhos. Assim como os antigos judeus colocavam sua esperança de sobrevivência nos seus filhos, estas pessoas a colocaram na sociedade do futuro. É nobre. Mas será suficiente?

            Jesus abre outra perspectiva: um tesouro no céu, junto a Deus. Ali a desintegração não chega. Mas, olhar para o céu não desvia nosso olhar da terra? Não leva à negação da realidade histórica, desta terra, da nova sociedade que construímos? Ou será, pelo contrário, uma valorização de tudo isso? Pois, mostrando como é provisória a vida e a história, Jesus nos ensina a usá-las bem, para produzir o que ultrapassa a vida e a história: o amor que nos torna semelhantes a Deus. Este é o tesouro do céu, mas ele precisa ser granjeado aqui na terra.

            Para a cultura judaica, quanto maior o número de filhos, maior significava a graça de Deus. Em nossos dias, quanto maior o número de filhos, maior parece ser a desgraça. Tenta-se a todo custo controlar a natalidade, ao invés de planejá-la. Como não se investe o suficiente em educação, saúde, sanidade básica, oferecendo oportunidades aos cidadãos, jogam-se ‘migalhas’ para que sobrevivam. Refiro-me às tais bolsas família, escola e até Copa do Mundo, R$ 90,00! Para o tal controle da natalidade, aprovam-se leis e medidas que castram a sociedade, ao invés de educá-la a ser gente!

            A visão cristã acompanha os que se empenham pela construção de um mundo novo, solidário e igualitário, para suplantar a atual sociedade baseada no lucro individual. Mas não basta ficar simplesmente neste nível material, por mais que ele dê realismo ao empenho do amor e da justiça. A visão cristã acredita que a solidariedade exercida aqui na História é confirmada para além da História. Ultrapassa nosso alcance humano. É a causa de Deus mesmo, confirmada por quem nos chamou à vida e nos fez existir. À utopia histórica, a visão cristã acrescenta a fé, prova de realidade que não se vêem. A fé, baseada na realidade definitiva que se revelou na ressurreição de Cristo, nos dá a firmeza necessária para abandonar tudo em prol da realização última – razão do nosso existir’.

            Lembro, que na minha infância, falar na morte era bem mais natural do que nos dias atuais. Hoje virou tabu falar em morte, como se as pessoas fossem imortais. Só nos damos conta de que morreremos, quando a morte passa perto de nós, levando-nos pessoas que amamos. Antigamente as pessoas morriam no aconchego familiar e hoje, na frieza e solidão de Hospitais, especialmente quando adormecem para a eternidade na geladeira de Unidades de Terapia Intensiva. Precisamos retomar a naturalidade da morte, que gosto de comparar ao nosso ‘terceiro e definitivo parto’. Nós cristãos, partimos primeiro do útero materno; depois do útero da Igreja, a Pia Batismal e, finalmente, do útero da terra (vida terrena), em direção à vida definitiva, acostando-nos ao amoroso colo de Deus, nosso Pai! O Ano da Fé amadurece nossa certeza de que morrendo, veremos Deus como Ele é. Nossa fé se debruça sobre a esperança, de que vendo como Deus é, seremos santos!

            Celebramos, neste Décimo Nono Domingo do Tempo Comum o Dia dos Pais! E é justamente no Dia dos Pais, que no Brasil iniciamos também, A Semana da Família, uma das Prioridades de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral! Com toda a família franciscana, celebramos a memória (ou festa) de Santa Clara de Assis, uma mulher que, com São Francisco de Assis, encontrou o verdadeiro tesouro que dá sentido pleno à sua vida. Por Jesus Cristo se apaixonou e com ele amorosamente se aliou para todo o resto de sua vida: Jesus Cristo, pobre (=desapegado de tudo), humilde, crucificado. Ainda, nesta semana, dia 14, quinta-feira, celebramos a memória do mártir São Maximiliano Kolbe, um sacerdote franciscano que, na última guerra mundial, preso num campo de concentração, num gesto de total desapego, entregou a própria vida para salvar a vida de um pai de família condenado à morte.

            Na busca que fazemos do verdadeiro tesouro como forma de vivermos em estado de serena vigilância ‘para o que der e vier’, Jesus vem ao nosso encontro com suas sábias palavras” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I da CNBB, pp. 99-105).

            Não deixemos para amar amanhã. Pode ser que hoje seremos chamados a prestar contas de nossa vida, passando pela temível morte, diante do Pai que nos amou primeiro, mas nos medirá pelo amor amado a cada dia de nossa vida!

            Sejam todos muito abençoados, especialmente todos os Pais vivos. Rezemos, também, pelos que já nos precedem no colo do Pai dos pais falecidos! Com ternura e gratidão, o abraço fiel e amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Sb 18,6-9; Sl 32(33); Hb 11,1-19 e Lc 12,32-40).

AGOSTO – MÊS VOCACIONAL


Pe. Gilberto Kasper

 

Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

            O mês de Agosto, no Brasil, por excelência, é o Mês Vocacional. Todo cristão é vocacionado ao amor! Pelo batismo todos participam do sacerdócio real e profético de Jesus Cristo. Os cristãos são convidados a serem discípulos e missionários do Senhor: são sacerdotes e sacerdotisas enquanto vivem os compromissos batismais, sendo no mundo a Igreja do Ir!

            Mas o Mês Vocacional se debruça sobre algumas vocações específicas na Igreja. Durante as quatro semanas, retoma e aprofunda, promove e reatualiza quatro grandes vocações, chamadas de específicas! O primeiro domingo é dedicado ao ministério ordenado. Rezamos e promovemos a Vocação ao Sacerdócio Ordenado. Toda a Igreja tem a responsabilidade de rezar pelas Vocações Sacerdotais, a fim de que nunca faltem Padres bons, dedicados e santos a serviço da santificação das Comunidades de Fé.

            O segundo domingo, dedicado aos Pais, retoma a vocação à paternidade e à maternidade. É, também, o início da Semana da Família, que em nossa Arquidiocese ocupa uma das prioridades do Plano de Pastoral. Os pais são os primeiros responsáveis para que os filhos tenham existência digna e feliz.

            O terceiro domingo do mês vocacional ocupa-se com a vocação à Vida Consagrada, rezando pelos Religiosos e Religiosas, imensa riqueza na evangelização da Igreja. São homens e mulheres que se consagram totalmente ao serviço do Reino de Deus, abrindo mão de constituir Família própria.

            Já o quarto domingo de agosto, agradece a vocação dos Catequistas e das Catequistas, bem como dos demais Ministérios Leigos que enriquecem a Igreja de Cristo presente num mundo sedento de Deus e de valores verdadeiros e essenciais à realização da humanidade.
            Possamos celebrar com esperança o mês vocacional, neste ano, premiado com a Jornada Mundial da Juventude, celebrada no Rio de Janeiro, que acolheu nosso amado Papa Francisco. Que seus sábios conselhos e exemplos concretos de vida austera, nos animem à conversão sacerdotal e ministerial, também nas bases: em nossa intimidade pessoal e na diocesaneidade, a partir das Comunidades que nos são confiadas. Nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto tem ainda outro grande motivo de gratidão: a chegada de seu novo Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, empossado no dia 23 de Junho passado. Com simplicidade, vai conhecendo nossa realidade; conversando com seu novo rebanho, nossa Igreja particular. Seu lema “Permanecei em mim” (Jo 15,4) “expressa sua firme convicção de que só é possível viver e realizar bem o ministério episcopal numa profunda intimidade com Jesus Cristo, o Bom Pastor”. Sejamos, todos: Sacerdotes e Diáconos, dóceis à “firme convicção” de nosso Arcebispo, vivendo sinceramente com ele, a comunhão, a unidade e o bem de todo nosso ministério pelo Reino de Deus a ser anunciado e vivido bem todos os dias. Nossa vocação é eterna, nosso sim generoso e verdadeiro deve ser diário!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

HOMILIA PARA O DÉCIMO OITAVO DOMINGO COMUM DE 2013


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

 

“Felizes os humildes de espírito,

porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,3).

 

            “Ouvindo a boa nova do Reino de Deus relatada por Lucas caminhamos com Jesus rumo à Jerusalém. Nessa caminhada, fazemos de novo uma parada para nos reunirmos em assembléia litúrgica. Celebramos a páscoa cristã, dia do Senhor, dia da Comunidade. Como seria salutar para a humanidade, resgatar o valor do Domingo, o Dia do Senhor. Guardar o Domingo para o Senhor, para o descanso pessoal e para a Família, talvez seja um exercício que resgate a dignidade humana, engolida pela Cultura do Consumo, que por sua vez, leva a humanidade à ganância, ao egoísmo, ao intimismo, enfim, à Cultura da Morte em plena vida. Hoje também celebramos a memória de São João Maria Vianney, é dia do padre e dia das vocações sacerdotais.

            Hoje para celebrar a raiz de nossa fé cristã – a morte e ressurreição do Senhor Jesus – a Palavra nos traz à consciência o que é fundamental para que nossa vida, de fato, tenha sentido.

            “Vaidade das Vaidades”, ‘recorda-nos o autor sagrado. Contra a vaidade e a ganância, a palavra de Deus nos convida a voltar o coração para as coisas do alto, onde está Cristo, nossa vida e riqueza.

            O que é ilusão e vaidade, e em que realmente vale a pena se empenhar? A ganância, fruto do egoísmo, um dia levará os gananciosos a julgamento. Buscar as coisas do alto é buscar o que está de acordo com o projeto de Jesus.

            Depositamos no altar do Senhor o dom da vida dos padres que presidem para nós as santas Missas e a de todos os vocacionados ao ministério ordenado’ (cf. Liturgia Diária de Agosto de 2013 da Paulus, pp. 23-26).

            Os bens materiais seduzem com muita facilidade o coração das pessoas. A verdadeira riqueza, segundo Jesus, é ser generoso com os demais, como o Pai é com todos. Por confiança nas riquezas é falta de bom-senso, falta de sabedoria. Quem põe o coração no dinheiro tem pouca consideração para com a vida humana, mergulha-a no mais absoluto fracasso. De fato, a experiência nos diz: quem se fecha em si mesmo e em seus bens, em seu mundo, perde o melhor de sua vida.

            Quem é materialista e só quer conhecer os prazeres deste mundo, para este o ensinamento de Jesus é indigesto, mas nem por isso deixa de ser verdade. Não levamos nada daqui. As riquezas materiais não têm valor duradouro, nem podem ser o fim ao qual o homem se dedica. Talvez o consumismo de hoje tenha isso de bom: lembra-nos essa precariedade. O produto que compramos hoje amanhã já saiu da moda, e depois de amanhã nem haverá mais peças de reposição para consertá-lo. Nossa nova TV estará fora de moda antes que tivermos completado as prestações... Por outro lado, esse consumismo é grosseira injustiça, pois gastamos em uma geração os recursos das gerações futuras. Se as coisas valem tão pouco, melhor seria não as comprar, e voltar a uma vida mais simples e mais desprendida. Haverá recessão econômica, mas também haveria menos necessidade de dinheiro para ser gasto.

            A caça à riqueza material é um beco sem saída. A razão por que se insiste em produzir sempre mais é que os donos do mundo lucram com a produção, sobretudo das coisas supérfluas que enchem as prateleiras das lojas. Para vender esses supérfluos, criam nas pessoas a necessidade de possuí-las, mediante a publicidade na rua, no jornal e na televisão. Quando então as pessoas não conseguem adquirir todas essas coisas, ficam irrequietas; quando conseguem, ficam enjoadas; e em alguns casos aparece mais uma necessidade: a psicoterapia...

            A ‘sabedoria do lucro’ é injusta e assassina. Leva as pessoas a desconsiderar os fracos. Um proeminente político deste país disse que ‘quem não pode competir não deve consumir’... O sistema do lucro e do desejo sempre mais acirrado, precisa manter as desigualdades, pois parte do pressuposto que todos querem superar a todos. Tal sistema é ‘intrinsecamente pecaminoso’, disseram os Papas Paulo VI e Beato João Paulo II.

            Ser rico, não para si, mas para Deus... Não amontoar riquezas que na hora do juízo serão as testemunhas da nossa avareza, injustiça e exploração (cf. Tg 5,1-6), mas riquezas que constituam a alegria de Deus!

            Não adianta muito discutir se a produção tem que ser capitalista ou socialista, enquanto não se tem claro que o ser humano não existe para a produção, e sim a produção para o ser humano. E este, se for sábio, tentará precisar dela o menos possível” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 93-98).

            Na terça-feira desta semana, dia 6 de agosto, celebraremos a festa da Transfiguração do Senhor, muito concorrida em nosso País, e conhecida como Senhor Bom Jesus, com inúmeros títulos, especialmente em nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto: Bom Jesus do Bonfim, da Lapa (completando seu centenário), da Alvorada, da Cana Verde e outros. Já dia 10 de agosto, celebrando a Memória de São Lourenço, agradeceremos o dom da vocação de nossos bons e esmerados Diáconos Permanentes! É o Dia do Diácono!

Sejamos todos agraciados e abençoados, com esta devoção e a festa que nos permite “uma espiadinha no céu”, juntamente com Pedro, Tiago e João que subiram ao Tabor com Jesus! Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,

Pe. Gilberto kasper

(Ler Ecl 1,2; 2,21-23; Sl 89(90); Cl 3,1-5.9-11 e Lc 12,13-21).