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terça-feira, 13 de março de 2012

CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2012 E SEUS OBJETIVOS

            A Campanha da Fraternidade de 2012 com o tema: Fraternidade e a Saúde Pública e o lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38,8) aborda o tema da saúde, conforme os seguintes objetivos.
            Objetivo Geral: Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde.
            Objetivos Específicos: Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável; sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade; alertar para a importância da organização da Pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe; difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como a estreita relação com os aspectos sócio-culturais de nossa sociedade; despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento e qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde.
            A Campanha da Fraternidade é um dos marcantes sinais de unidade e comunhão da Igreja no Brasil. De Sul a Norte, canta-se o mesmo Hino especialmente composto para o evento e vê-se espalhado o  mesmo Cartaz. Mas o maior sinal da comunhão e unidade é a proposta discutida nas diferentes realidades com o mesmo propósito a ser alcançado. Isto é simplesmente maravilhoso, já que de cada Campanha da Fraternidade surgem inúmeras iniciativas de promoção da dignidade da pessoa na sociedade tão surrada pela Cultura da Sobrevivência de nosso País, marcado pelos mais altos impostos cobrados no mundo, e pela falta de ética nas “coisas públicas” enaltecendo políticas de corrupção de governo a governo, cada um a seu modo, o mais diabólico escancarado em estatísticas falsas e promessas não cumpridas. Basta ver hospitais e unidades básicas de saúde bem como ambulâncias abandonas nos recônditos do interior de nosso rico Brasil.
            Mas a Campanha da Fraternidade não nos deixa perder a esperança de um mundo mais humano e digno para todos: “A alegria do encontro retratado no cartaz recorda aos profissionais da saúde que foram escolhidos para atualizarem a atitude do Bom Samaritano em relação aos enfermos. E, mobiliza os gestores do sistema de Saúde Pública no empenho de possibilitar um atendimento digno e saúde para todos. E, que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Texto Base da CF/2012 pp. 12 e 154).
            Na Quarta-Feira de Cinzas, que inicia o rico Tempo da Quaresma que prepara a principal festa dos cristãos, a Páscoa do Senhor, foi lançada a Campanha da Fraternidade em todas as Comunidades do Brasil. Em nossa Igreja Santo Antoninho, o lançamento aconteceu às 19 horas com a Imposição das Cinzas sobre nossas cabeças, durante a Celebração Eucarística.
Padre Gilberto Kasper

quinta-feira, 8 de março de 2012

HOMILIA PARA O TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            A Palavra de Deus do Terceiro Domingo da Quaresma nos ajudará a revermos a pureza de nossa relação com Deus. A relação pessoal e a relação com Deus, seja através das leis que administram a vivência de nossa fé, seja através da fé transformada em obras, logo, nossa relação com Deus por intermédio dos irmãos, seja à luz da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, cuja Páscoa preparamos!

            A página do Livro do Êxodo nos apresenta o Decálogo, a Lei Mosaica, os Mandamentos como bússola orientadora de caminharmos em direção ao nosso fim último que nada mais é do que a felicidade eterna! A lei torna-se necessária na medida em que a ética se distancia do comportamento humano. O Decálogo é resumido, por Jesus, num único mandamento: o do Amor! Jesus não subestima os Dez Mandamentos, mas os enriquece. Quem ama a Deus e ao próximo como a si mesmo, acolhe o Decálogo com muita simplicidade, sem escrúpulos, descomplicadamente. Para muitos, os Dez Mandamentos são ainda um “peso”, ou então compreendidos como meras proibições ou castigo. Já para quem desenvolve sua capacidade de amar um amor com sabor divino, os Mandamentos são um modo de administrar bem o dom precioso da vida.
            Jesus vai além dos Mandamentos e se irrita quando a lei é colocada acima do amor. Pior fica, quando se utilizam do Templo, da Religião, de iniciativas Pastorais que sacrificam as pessoas, favorecendo lucros indecentes. Não penso que o chicote utilizado por Jesus, tivesse os vendilhões como alvo, mas a estrutura da instituição religiosa de seu tempo, que se utilizava do Templo e do Culto para angariar riquezas. Há uma grande diferença entre manter o Templo, zelar por ele, conservá-lo e ampliá-lo, do que faziam as autoridades religiosas de Jerusalém. O não cumprimento dos preceitos implicava na exclusão do povo simples. Todos esmeravam-se por cumprir o que estava prescrito. O povo viajava meses para a celebração da páscoa judaica, e naturalmente necessitava de “suporte” em torno do Templo para ali adorar a Javé. A exploração do simplesmente necessário foi que irritou a Jesus e o fez expulsar os vendilhões do Templo. Impor sacrifícios descabidos sobre os ombros do povo, exigir o cumprimento de leis simplesmente, não agrada o coração de Deus. Jesus tenta demonstrar que o amor supera e deve estar sempre acima da lei!
            “Toda celebração da Eucaristia é um divisor de águas. Nela vivemos a tensão entre o culto perfeito e o culto baseado nos interesses pessoais e mesquinhos. O evangelho fala da substituição do templo antigo pelo novo. Nós já somos o novo templo, contudo, a cada momento, precisamos ser purificados de tudo aquilo que não nos deixa oferecer sacrifícios agradáveis ao Senhor. Daí a importância da escuta da Palavra de Deus, da avaliação das nossas práticas, do afinar-se com os desígnios do Senhor e do entrar no espírito do culto em espírito e verdade. A liturgia transpira do começo ao fim, o sentido e a espiritualidade do culto prestado por Cristo ao Pai.
            Importa nos deixarmos impregnar por esta liturgia e fazer da vida um culto perfeito. Na celebração, bebemos na fonte que é a misericórdia de Deus Pai. Nele aprendemos a confessar as nossas faltas. Na liturgia importa cantar tudo o que o Senhor fez por nós, antes e depois de ter proposto o código da aliança. A oração eucarística canta exatamente isso, tendo como centro o memorial da páscoa de Cristo.
            Na fé, a cruz parece satisfazer e superar as expectativas humanas. Enviar seu filho para sofrer a morte por amor desafia todo pensamento humano. Nesta Quaresma, devemos ser mais solidários entre nós e, certamente, fazer uma loucura como a da cruz, um gesto insensato em benefício da justiça para com os pobres.
            Estamos em plena Campanha da Fraternidade. Tantas realidades ligadas ao seu tema poderíamos trazer presentes... Poderíamos lembrar a dependência química do álcool que profana o templo que é o nosso corpo. Diz o Texto Base:
            ‘A dependência do álcool é um dos graves problemas de saúde pública brasileiro. Hoje, 18% da população adulta consomem álcool em excesso. O uso do álcool, além de causar sérios e irreversíveis danos a vários órgãos do corpo, está também relacionado a cerca de 60% dos acidentes de trânsito e a 70% das mortes violentas. Segundo o Documento de Aparecida, o problema da droga é como mancha de óleo que invade tudo. Não reconhece fronteiras, nem geográficas, nem humanas. Ataca igualmente países ricos e pobres, crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. A Igreja não pode permanecer indiferente diante desse flagelo que está destruindo a humanidade, especialmente as novas gerações’.
            Celebrar a Eucaristia, memória da páscoa de Cristo, significa entrar de corpo e alma na liturgia que ele oferece eternamente ao Pai. Significa tornar-se discípulo missionário e adorador perfeito e privilegiado” (cf. Roteiros Homiléticos da Quaresma de 2012 da CNBB, n. 20, pp. 41-47).
            São Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios lembra e atualiza essa questão também a nós, de que não devemos correr atrás do espetaculoso, mas procurar encontra o espetacular na própria cruz de Cristo. É dele que emana todo o sentido de nossa fé e a esperança de nossa salvação. Cristo não espera “coisas” de nós, Ele não precisa delas; mas espera que nos amemos, seguindo o Seu exemplo. Saibamos ser misericordiosos uns para com os outros. Mas também solidários e comprometidos com a promoção da dignidade humana.

            Oxalá consigamos passar a Quaresma esforçando-nos por não falar nada mal de ninguém, bem como reservar os frutos de nossos exercícios quaresmais de penitência, como o jejum, a abstinência e outros, para o grande dia da Coleta da Solidariedade, no Domingo de Ramos!                       

            Desejando-lhes abençoada semana, com ternura e gratidão, o abraço sempre fiel e amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler  Ex 20,1-17; Sl 18(19); 1 Cor 1,22-25 e Jo 2,13-25)

terça-feira, 6 de março de 2012

Iniciamos a Quaresma - Mensagem do Arcebispo de Ribeirão Preto


Iniciamos a nossa caminhada para a Páscoa com o tríplice propósito de intensificarmos as orações, o esvaziar-se de si mesmo, com a prática do jejum, e com o amor fraterno, apontado pela Campanha da Fraternidade.


À luz da Palavra de Deus, o itinerário quaresmal significa um tempo de graça e conversão. Um voltar-se para Deus e para os irmãos. É o que chamamos de combate espiritual. Com a ajuda do Espírito Santo, podemos trilhar um caminho de convivência mais fraterno nos diversos ambientes onde estivermos. E, também melhorar a nossa comunicação com Deus através da leitura orante da Palavra de Deus.


Deste modo, assumimos a pedagogia do deserto, onde Deus foi ao encontro do seu povo e Jesus, conduzido pelo Espírito Santo, venceu as tentações – as forças do mal. Ficou “quarenta dias e aí foi tentado por satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.” (Mc 1,14) 

Nem é preciso multiplicar as práticas penitenciais. Basta assumirmos com paciência os incômodos e dificuldades de cada dia, sem murmuração.



















Joviano de Lima Júnior, SSS
Arcebispo de Ribeirão Preto