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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O NATAL DE JESUS: SINAL DE CONTRADIÇÕES



“Eis que este menino nasceu,

como sinal de contradição...” (Cf. Lc 2,34).

                                                                                      
                                                                                                                                                                                                                  Pe. Gilberto Kasper




Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.



Deus sempre foi bem mais simples do que O complicamos. Embora aguardado na “esterilidade dos palácios reais”, nasceu na manjedoura, entre animais, sendo anunciado à “virilidade de corações simples de Pastores”: “Não temais! Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor...” (Cf. Lc 2,10-11).

            Os pastores pertenciam à classe preterida da sociedade, pois cheiravam mal, cuidavam de ovelhas madrugadas adentro. Entretanto, foram eles, que contemplaram por primeiro, o Deus feito pessoa na meiguice de uma criança. Deus driblou a humanidade, tentando ser pobre com os pobres, simples com os simples, rico de ternura com os puros de coração, sem nenhuma pretensão.

            O esplendor do Natal se faz compreensível, na medida em que ao invés de darmos presentes, sejamos presença harmoniosa entre todos, sem discriminação e nem acepção de pessoas. Não haverá melhor presente a oferecer a Jesus, neste Natal, do que assumirmos todos juntos nosso Projeto de Ação Missionária SIM – Ser Igreja em Missão e levarmos a sério nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral com as três prioridades assumidas: A Formação de Líderes, A Família e A Juventude!

            O Natal de Jesus seja celebrado com a ousadia e a coragem borbulhante em cada coração de sermos Seus verdadeiros discípulos e missionários. Assim teremos o Natal mais autêntico e feliz de nossa vida, e seremos as luzes que iluminarão novo ânimo, nova esperança e grandes perspectivas para os “pastores de nossos dias”. Esvaziados de nós mesmos, deixemo-nos encher da luz do Salvador, que será sempre para as pessoas de boa vontade, Sinal de Contradições!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Virgem da Galiléia

Quando em Nazaré Maria ouviu a saudação do anjo Gabriel, ficou perturbada e “começou a pensar qual seria o significado da saudação”: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (cf Lc 1,26-38) O Anjo, ao saudar Maria com o shalon pleno, transmite-lhe a divina salvação: “Alegra-te, ó cheia de graça!” Nela habita a glória de Israel.

Com a vinda de Jesus Cristo, que celebramos no Natal, também nós nos alegramos. Pois, como nos assegura São Paulo, foi-nos revelado “o mistério mantido em sigilo desde sempre.” (Rm 16,25). De fato, o Evangelho é uma alegre mensagem para todo aquele que crê.

O anjo diz à virgem da Galiléia para não temer porque ela encontrou graça diante de Deus. Escolhida para ser a mãe do Salvador, Maria declara estar a serviço do plano de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.” Ela não duvida da palavra do anjo, mensageiro de Deus. Através do sim de Maria, Jesus veio habitar entre nós.

Com Maria, nós entramos na última semana do Advento. Acolhemos aquele que foi “predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela virgem Maria, Jesus...” (Prefácio do Advento). A disponibilidade de Maria nos incentiva a viver com intensidade este momento de graça, rezando com a Igreja, na liturgia deste quarto domingo do Advento: “Derramai, ó Deus, a vossa graça m nossos corações para que, conhecendo pela anunciação do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição.”

























+ Joviano de Lima Júnior, SSS
Arcebispo de Ribeirão Preto

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

REFLEXÃO PARA O QUARTO DOMINGO DO ADVENTO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Céus, deixai cair o orvalho;

nuvens, chovei o justo;

abra-se a terra e brote o Salvador!” (Is 45,8).



            “Já no Quarto Domingo do Advento e às portas da Solenidade do Natal do Senhor, a liturgia dirige o nosso olhar para o anúncio do Anjo feito a Maria e para sua própria pessoa enquanto imagem da Igreja que aguarda a chegada do Natal. Para sublinhar em que ponto a celebração nos situa, recordemos nosso trajeto realizado: nos dois primeiros domingos do Advento escatológico, nossa expectativa foi reacendida em vista das realidades futuras e dos últimos tempos que Jesus inaugurou a partir de sua vinda histórica e sua glorificação. A acolhida do anúncio da Palavra de Deus nos preparou na direção desse evento derradeiro, que o povo da Primeira Aliança viu realizar na Igreja, como já participante das realidades futuras.

No terceiro domingo do Advento, com o olhar mais voltado para a vinda histórica, a Igreja se alegrou, como que antecipando aquilo a que se prepara e no canto de Maria, proclamou as maravilhas que Deus realizou por seu povo e continua a realizar por meio de Jesus e de seu Espírito. Nesse mesmo período iniciamos a novena do Natal do Senhor, intensificando a nossa espera e vigilância, enchendo nossas lâmpadas com o azeite da oração, adentrando no festim do noivo que veio ao nosso encontro. Cada domingo, como luz a iluminar nossos passos, nos conduziu a este momento, onde contemplamos a Virgem como a um espelho, onde podemos ver a imagem daquilo que a Igreja é chamada a ser: casa preparada por Deus, arca da Aliança e receptáculo do Mistério outrora escondido e que Deus, por imensa bondade, revelou a todos” [...].

“Graças ao sim de Maria, Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus. Todos devemos estar disponíveis para a ação do Espírito de Deus, acolhendo no coração o mistério da encarnação. A páscoa de Jesus se manifesta nas pessoas e grupos que se dispõem a receber a boa-nova trazida pelo anjo Gabriel.

De coração alegre e agradecido, acolhamos a Palavra de Deus. Ela nos mostra o plano divino de salvação e em Maria realiza a prometida encarnação do Salvador.

Deus quer caminhar com seu povo, e não ficar trancado no templo (Ler 2Sm 7,1-5.8-12.14.16). Maria aceita a proposta de ser a mãe de Jesus (Ler Lc 1,26-38). O mistério de Deus se revela à humanidade em Jesus encarnado (Ler Rm 16,25-27).

Respondendo nosso amém à oração eucarística, aceitamos com gratidão o plano de Deus; acolhendo a palavra feita carne, deixamo-nos transformar, pelo Espírito, em novas criaturas” (cf. Liturgia Diária de Dezembro de 2011 da Paulus, pp. 54-58).

“Eis a serva do Senhor; cumpra-se em mim a tua palavra!” (Lc 1,38).



[...] “A celebração do quarto domingo, como último Domingo do Advento histórico, na mesma dinâmica do terceiro domingo, antecipa a realidade festiva que se desabrocha no Natal. Nesta celebração a Igreja é a receptora do anúncio do Anjo, participando da encarnação do Verbo ao acolher a Palavra proclamada, exercendo seu discipulado na escuta e na obediência e deixando realizar em seu seio a salvação esperada. Contudo, a chave messiânica da compreensão dos textos nos convida a perceber que a salvação principiou neste mistério e se completa na páscoa do Senhor, para a qual rumamos. Nós, que também já desfrutamos da vida divina em Cristo pela participação em sua páscoa, não devemos fazer o seu caminho de encontro com as realidades carentes de vida nova? Prolongar o anúncio do Anjo ao mundo, descobrindo a semente do Verbo nas realidades mais sofridas, não seria nossa resposta obediente, discipular e atenta à vontade do Pai? O Natal do Senhor se orienta e se aprofunda também na páscoa do mundo que anseia por vida nova e por salvação.

O mistério da encarnação, iniciando hoje com a anunciação do Anjo à Virgem, é aprofundado pelo mistério da cruz que nos leva à ressurreição. Segundo uma mensagem de Natal , ‘Para quem consciência ainda tem, o Natal  é dura cruz na casa de alguém’, poderemos nos encaminhar mais ligeiramente para o acontecimento natalino, se estivermos mais atentos e solícitos aos sofrimentos e cruzes que carregam os outros...” (cf. Roteiros Homiléticos In Projeto Nacional de Evangelização 19 – O Brasil na Missão Continental da CNBB, pp. 34-38).

Com a Igreja, portanto, somos convidados a sentirmo-nos também grávidos do Senhor! Mais ainda: somos conclamados a “dar à luz ao Cristo não mais Menino, mas Ressuscitado”.  Por isso o Natal do Senhor precisa ser motivado por nossa missionariedade e discipulado a exemplo de Maria. Sejamos o porta-jóias de Jesus, anunciando-O com a própria vida ao mundo que nem sempre O reconhece em nossas incoerências. Quantas aparências, falsidades, mentiras, fingimentos e invejas atrapalham um verdadeiro Natal que não aborte Jesus, por conta do consumismo, hedonismo e individualismo! Sejamos livres para celebrarmos um Natal diferente, como nunca antes em nossa vida pessoal, comunitária e social!

“A virgem conceberá e dará à luz um filho;

e ele será chamado Deus-conosco” (Is 7,14).



            Por sugestão de nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Joviano de Lima Júnior, sss, nosso gesto concreto, durante a Novena de Natal tão bem preparada por nosso Seminário Maria Imaculada, é reservar uma ou mais Bíblias para nossas Comunidades carentes, bem como para a Pastoral Carcerária. Colocar a Palavra de Deus no coração de nossos irmãos, nos assemelhará à Nossa Senhora, que não guardou Jesus egoisticamente para si, mas o anunciou com a própria vida ao mundo inteiro!



Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper