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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

LEMBRE-SE DE DAR AS MÃOS!

 

LEMBRE-SE DE DAR AS MÃOS!



Fizemos coisas grandiosas, mas não coisas melhores.  Nós limpamos o ar, mas poluímos a alma.  Conquistamos o átomo, mas não nosso preconceito. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar, mas não a esperar. Fazemos mais computadores para conservar mais informações, para produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos e menos. Os nossos são tempos de comidas rápidas e digestão vagarosa, homens altos e pequenos de caráter, profundos lucros e relacionamentos rasos. Estes são dias de dois salários e mais divórcios, casas mais bonitas, mas lares desmanchados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade jogada fora - “ficar” uma noite - corpos com sobrepeso, e pílulas que fazem de tudo: animar, acalmar, matar.

É um tempo em que há muito na vitrine e nada lá dentro. Um tempo em que a tecnologia lhe traz este artigo e um tempo em que você escolhe ler e participar ou simplesmente apagar. Inspirada em George Carlin, nossa Magnífica Professora e Escritora, a saudosa, Maria Helena Silva Dutra de Oliveira nos sugere alguns exercícios básicos para melhorar nossa qualidade de vida! Lembre-se: use um pouco de tempo com as pessoas que você ama, pois não vão ficar sempre por aqui. Lembre, diga uma palavra amável para quem o olha com medo, pois aquela pessoinha vai crescer e sair do seu lado.

Lembre-se de dar um caloroso abraço na pessoa próxima de você porque é o único tesouro que pode lhe dar de coração e não lhe custa um centavo. Lembre-se de dizer “eu te amo” para sua ou seu companheiro e para as pessoas que ama, mas seja sincero.  Um beijo e um abraço fazem sarar feridas quando vem bem de dentro de você. Lembre-se de dar as mãos e valorize o momento, pois pode não ver aquela pessoa mais uma vez. Dê tempo para o amor, dê tempo para falar, dê tempo para repartir os preciosos pensamentos de seu espírito.

Lembre-se de que você não é melhor do que os outros. Saber escutar antes de gritar é uma arte rara de elegância. Falar baixo, sem perder a razão e sem medo de não ser ouvido nos torna mais humanos e angelicais ao mesmo tempo! Enquanto alguns torcem para nada dar certo e comemoram os erros alheios, nós esquecemos de que bem nos porões de nossa intimidade, geralmente, está exatamente aquele bolor, mofo e mau cheiro que “delatamos”.

Assim seguramente superaremos as crises e voltaremos a usufruir de nossa mais profunda dignidade. Não busquemos culpados fora de nós. Façamos a nossa parte e todo o resto acontecerá por acréscimo. Eis nossa esperança, eis a mais convincente maneira de viver melhor hoje do que ontem!

Sejamos Anjos uns aos outros, sempre que possível. Não olhemos tanto para trás, porque o que passou não volta mais. Nosso olhar deve ser sempre para frente, porque o futuro poderá ser muito melhor, só depende de nós!

Rezemos sempre, diariamente, e por vezes várias vezes por dia:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa.

Deus não muda. A paciência tudo alcança.

Quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta”!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

VAMOS CONVIVER EM PAZ?

 

VAMOS CONVIVER EM PAZ?


 

A vida pode ser uma sucessão de coincidências felizes, de encontros prazerosos, de união entre as pessoas. Mas nem sempre é isso o que vemos ao nosso redor. Na correria diária, são muitos os “ruídos” que tiram o nosso sossego e atrapalham a nossa convivência.

          Por vezes nos tornamos porta-vozes da difamação ao invés de instrumentos da Paz. Como então falar de paz, se desfiguramos nossas próprias famílias por causa de ideologias tantas vezes nefastas? O Natal recentemente celebrado com tanta emoção e solidariedade, trouxe novamente à tona Jesus Cristo, o Príncipe da Paz! Como então dizer-se cristão, quando permitimos ódio em lugar de paz em nossos corações? Que tipo de paz promovemos entre nós? A paz de cemitério, que nos silencia por medo de criarmos “encrencas”, ou a verdadeira paz trazida desde a manjedoura que tanto decantamos no recente Natal celebrado? Essa última exige de nós posturas e respostas proféticas de amor, verdade, justiça e liberdade em todos os sentidos. Não somente naquilo que nos convém!

          Na era da Internet, toda e qualquer mensagem se propaga num piscar de olhos. Fatos que ocorrem num canto do planeta atravessam fronteiras, chegando a outras cidades, outros países e continentes com a rapidez de um clique. Alimentadas pela fofoca e mentiras, histórias que envolvem a intimidade das pessoas tomam proporções inimagináveis e invadem nossos lares como se fossem verdades absolutas. E essas histórias fomentam antipatias, preconceitos e desprezo. Parece-me que vivemos a “era da mentira”!

          Outro agente semeador de discórdia é a necessidade que alguns têm de impor suas idéias e sua maneira de ser. Parecem querer provar a si mesmos que são superiores aos outros. Muitas pessoas gostam de recitar a Oração de São Francisco, como um poema em homenagem à Paz. É fundamental que todos compreendam que a construção desta Paz, em nível mundial ou dentro de casa, depende de cada um de nós. Depende de uma mudança de conduta pessoal. Nas palavras de São João Paulo II num discurso que fez em Assis, a Paz é descrita como um canteiro de obras aberto a todos: “A paz é uma responsabilidade universal: passa através de milhares de pequenos atos da vida cotidiana. Por seu modo cotidiano de viver com os outros, as pessoas optam pela Paz ou a descartam”.

          E neste ano celebramos os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, tão querido, admirado e citado por cristãos e não cristãos. O que ele diria ao mundo tão cheio de ódio, de uma “terceira guerra mundial a prestação”, como dizia o saudoso Papa Francisco? Guerras estúpidas em busca de poder, terras, prestígio; tão doentias que dificilmente se explicam por si mesmas! Governos que se endeusam e matam inocentes, como se estivessem matando insetos. Como ninguém consegue colocar um “basta” nessa dúzia de homens tão inescrupulosos e que desfiguram a humanidade em sua dignidade?

          Sempre que deparamos com a tentação da discórdia, é bom lembrar o exemplo da Família de Nazaré. Foram muitas as apreensões vividas por Maria, José e o Menino Jesus enquanto buscavam um lugar seguro para morar, mas em nenhum momento perderam o sentido da união. Mantiveram-se juntos para o que desse e viesse. O ódio contra os imigrantes se justifica? Somente aos que se julgam os donos do mundo! Isso que morrerão como qualquer pessoa!

          Não podemos nos perder uns dos outros. E, mais importante ainda, não podemos nos perder de Deus, que é a fonte de toda união. Não nos afastemos de sua Palavra em nossa vida pessoal, familiar, espiritual, social e profissional. A fé em Deus nos ensina a contribuir para a união entre os seres humanos.

          Esse discernimento nos leva a refletir antes de realizarmos toda e qualquer ação. A reflexão é o exercício dos sábios. Quando desenvolvemos o hábito de refletir, conseguimos criar um equilíbrio entre razão e emoção, atuando com mais cordialidade e gentileza. Nossas palavras serão mais adequadas, nossas conversas mais oportunas e positivas. Nossas decisões serão mais justas. Nosso comportamento dará aos outros a certeza de que precisamos urgentemente Conviver em Paz!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O DESENCANTO NA POLÍTICA CONTINUA!

 

O DESENCANTO NA POLÍTICA CONTINUA!

 

O Povo Brasileiro exala um contínuo desencanto na política; trata-se de um desencanto na política que continua a cada eleição, especialmente de deputados e senadores. Muitos parecem ser os motivos. Cada dia assistimos a uma novidade de “corrupção”, “lavagem de dinheiro” ou “formação de quadrilha” em relação à maioria dos que pensam que poderão reerguer o Brasil das graves crises semeadas nas últimas décadas e que agora afloram em situações bem desgastantes e desagradáveis. Os eleitos que não se submetem ao doentio sistema de corrupção notório no Congresso Nacional, não sobrevivem. Os honestos podem ser contados nos dedos.

Muito me assusta assistir que a cada dia uma nova polarização é proposta pela classe política, que deveria zelar por quem os elegeu e não os esfolar com bilhões de reais desviados daqui e dali. Fica a impressão de que  estão brincando de serem parlamentares. Brincadeiras, aliás, de profundo mau gosto. A maioria nem conhece a Constituição e é muito mal assessorada juridicamente. Logo, quase tudo vai parar no já tão “odiado” Supremo Tribunal Federal. Onde fica nossa capacidade de buscar nossos direitos no exercício de nossa cidadania? Nosso País sempre foi “assaltado” por líderes políticos, desde o seu descobrimento. A novidade do descobrimento mais recente, é que agora somos informados de como funciona a corrupção sistêmica no cenário político.

Percebe-se uma tentativa daqui e dali, de disfarçar ou procrastinar a realidade de “homens públicos” envolvidos em alguma irregularidade que deveria tê-los impedido de concorrer a algum “cargo público”. Entre eles, os candidatos, há mais de dois mil, que devem alguma explicação à Justiça. Mas a Justiça quer realmente que algum candidato envolvido em alguma irregularidade se explique? Tenho minhas dúvidas. Dificilmente escapa alguém seja de qual partido for.

 Qual vítima de “roubo” não quer conhecer o ladrão que a lesou? É justo que o Povo trabalhador e honesto continue “bancando” os bilhões de reais desviados, em espécie ou bens imóveis, de políticos viciados em barganhas que envergonham qualquer pessoa do bem?

Pior é assistir que alguns Ministros da Suprema Corte defendem a “Impunidade” dos engravatados que riem do Povo simples, pobre, desprovido de necessidades básicas Brasil afora! São, geralmente, benevolentes com os crimes de corrupção, deixam a impressão de que também eles, se beneficiam com dinheiro sujo ou de privilégios nada éticos. Defender o indefensável passa a nítida impressão de que tais Ministros da Suprema Corte debocham abertamente dos cidadãos que garantem seus insuportáveis salários e regalias absurdas, num País onde a maioria considera a corrupção, o maior de todos os problemas.

O desencanto na política é em boa parte promovida pela insegurança jurídica, principalmente por energúmenos do Judiciário que se endeusam e desrespeitam escancaradamente o trabalho sério e eficaz seja da Procuradoria Geral da República, bem como de Juízes que atuam imparcialmente em Instâncias Inferiores. Nenhum discurso jurídico deveria se sobrepor a provas contundentes de que houve culpa comprovada. Por melhor que sejam os advogados de determinados réus, causa estranheza o desrespeito para com a justiça que deve prevalecer sempre. Repito exaustivamente de que não interessa se os que roubaram o País devam ser presos depois dessa ou daquela Instância. Desde que devolvam ao Povo o que covardemente lhes roubaram. E não sejam eleitos e muito menos reeleitos os que traíram a confiança de seu Povo. Reerguidos do desencanto na política poderemos votar em pessoas novas, extirpando a velha política do “toma lá, dá cá”!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

OS 69 ANOS DO FAC!

 OS 69 ANOS DO FAC!

No dia 15 de janeiro de 2026, o FAC - Fraterno Auxílio Cristão da Cidade de Ribeirão Preto completou 69 anos de existência!
O FAC – Fraterno Auxílio Cristão da cidade de Ribeirão Preto necessita da ajuda generosa de mais parceiros e amigos, que queiram ajudar-nos a cuidar dos pobres de nossa cidade. Você poderá ser um sócio mensal ou benfeitor ocasional! Partilhando de sua pobreza, enriquecerá nossa vontade de mantermos nossos projetos que precisam da ajuda de todos!
O FAC desenvolve suas atividades há 69 anos, com muito zelo, sensibilidade, responsabilidade e amor gratuito, por intermédio de dois projetos: o Núcleo de Solidariedade Dom Helder Câmara, instalado na sede do mesmo, na Rua Barão do Amazonas, 881, Centro de Ribeirão Preto, classificado como Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, atendendo jovens e adultos, de ambos os sexos, em situação de vulnerabilidade social.
O Núcleo de Solidariedade Dom Bosco, instalado na Rua Imigrantes Japoneses, 1065, Parque Ribeirão Preto, classificado como serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, atendendo crianças e adolescentes dos 6 aos 15 anos, assegurando espaços de referência para o convívio grupal, comunitário e social, além do desenvolvimento de relações de afetividade, solidariedade e respeito mútuo, desenvolvendo sua convivência familiar e comunitária. Contribui para a ampliação do universo informacional, artístico e cultural de 90 crianças e adolescentes, diariamente, no contra turno escolar.
O custo mensal de uma criança acolhida pelo Núcleo Dom Bosco é de R$ 573,00. Em 2018 iniciamos o Projeto “Apadrinhe uma Criança”. O primeiro Padrinho desse projeto é Dom Moacir Silva, nosso amado Arcebispo Metropolitano, que nos dá o bom exemplo a ser seguido. Porém muito poucas pessoas apadrinharam uma criança até agora, como nossa Conselheira Amália Terezinha Balbo Di Sicco e nosso Benfeitor Newton Pedro Mendonça, sua linda e querida Família, entre outros. Sabemos que são muitos os desafios e as nossas Entidades passam por grandes dificuldades para manterem seus projetos. O Senhor Newton tem convencido muitas pessoas generosas, e que também se dispõem a apadrinhar uma criança ou adolescente do FAC.
Se conseguíssemos um padrinho ou uma madrinha para cada uma das 90 crianças, não precisaríamos desgastar nossos queridos Voluntários com tantas promoções, que nem sempre têm resultados suficientes para honrarmos nossos compromissos mensais com Folha de Pagamentos, Encargos Sociais e Boletos, esses que não se quitam com alimentos ou roupas. Quem sabe, pudéssemos reunir 90 Famílias que, mensalmente, abrissem mão de algo supérfluo e remetessem esse valor de R$ 573,00 ao FAC, apadrinhando assim uma criança? Gastamos tanto mais, muitas vezes, em coisas desnecessárias! Não há nada mais nobre do que partilhar de nossa pobreza em favor de uma criança que terá um futuro bem mais digno e promissor, e que depende de nossa sensibilidade no presente.
O FAC procura responder, na medida do possível, aos anseios do Papa Leão XIV, que deseja “Uma Igreja para os Pobres!”. Contamos com a generosidade de quem desejar unir-se a nós, para juntos cuidarmos dos nossos irmãos mais pobres do que nós. Participando, nos ajudará a manter o FAC funcionando e acolhendo os mais pobres de nossa cidade. Basta telefonar (16) 3237-0942 ou E-mail: facribeirao@facribeirao.com.br!
Quem não puder apadrinhar uma Criança, mas deseja mesmo assim colaborar poderá depositar qualquer quantia na Conta Corrente do FRATERNO AUXÍLIO CRISTÃO no Banco do Brasil – Agência 4242-0 e C/C 20029-8. Deus certamente recompensará a generosidade de nosso povo!




Pe. Gilberto Kasper
Teólogo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

36 ANOS DE MINISTÉRIO SACERDOTAL!

 

36 ANOS DE MINISTÉRIO SACERDOTAL!



 

Há 36 anos, na manhã de um sábado, dia 20 de janeiro de 1990, Festa de São Sebastião, na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, ajoelhado sobre o túmulo do primeiro Bispo de nossa Arquidiocese, Dom Alberto José Gonçalves, por imposição das mãos de nosso amado Dom Arnaldo Ribeiro, fui ordenado Sacerdote para Sempre! Muitos erros e acertos, grande experiência de vida e profunda gratidão a cada dia, sem nenhum momento de arrependimento, pelo sim dado com minhas mãos entre as mãos do Arcebispo.

 

               Quantas pessoas passaram por minha vida nestes 36 anos? Pela vida de quantas pessoas passei eu? Penso ser um momento de avaliação, de balanço, de gratidão e de pedido de perdão, pelas vezes em que não consegui ser um bom padre! Escolhi como lema sacerdotal, a quinta bem-aventurança do Sermão da Montanha: "Bem-Aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7), já que sempre me senti um servo inútil e indigno da graça do ministério sacerdotal! Mesmo assim Deus me quis Padre, tamanha é Sua Bondade, Seu Amor e Sua Misericórdia para comigo.

 

               Ao longo do amadurecimento no meu exercício ministerial, fui descobrindo que a melhor maneira de ser fiel ao Sacerdócio, é adotar a Teologia da Ternura! Mesmo que não tenha conseguido ser fiel, como quis ou deveria, sempre me acompanhou o esforço pessoal por ser um sacerdote bom e misericordioso, a exemplo de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, cuja vida conheci no primeiro Seminário que me acolheu na Arquidiocese de Porto Alegre (RS), dedicado a ele. Como ele, o Sacramento que mais gosto de celebrar, é o da Reconciliação, depois, é claro, da Eucaristia. Como é bom ser dispensador do perdão de Deus àqueles que perderam sua paz interior para o pecado. Pois é no Sacramento do Perdão, que Jesus nos devolve a paz que o pecado nos rouba. Tenho sido muito feliz ao acolher tantas pessoas em nossa amada Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres nos Campos Elíseos há 18 anos, e desde o dia 1º de março do ano de 2020, da também já amada Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto, que são para mim, lugares ideais para a santificação de meu sacerdócio, colaborando na santificação de tão queridos irmãos e irmãs na fé!

                                                                                                                                           

                Como coroinha na Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Santo Afonso e Coordenador da Catequese, Regente do Coral e Animador de Comunidade na Capela Santo Antoninho, no Bairro Liberdade em Novo Hamburgo (RS) ou brincando de Missa com os vizinhos na estrebaria de casa, minha vocação ao sacerdócio foi se confirmando a cada dia que passava. Sentia sempre a necessidade de perdoar, desde tenra idade a quem me ofendesse ou machucasse. Nunca consegui bater em ninguém. Mas sempre fui muito peralta e, mais pedia perdão do que precisava perdoar. Daí meu lema sacerdotal ser a bem-aventurança da misericórdia.

 

               Que eu consiga viver meu sacerdócio pautado nos olhos de Deus, que promovem a justiça e amar as pessoas com o coração de Jesus, que dão sentido ao meu lema e à minha fidelidade sacerdotal: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”! E em cada Eucaristia que celebro, cabem todas as pessoas que me ajudaram a ser Padre, no precioso cálice do Senhor, como minha mais sublime e profunda gratidão!

 

                 Para selar a ternura de Deus em meu Sacerdócio, celebrarei minha ação de graças no recolhimento. Passarei em oração silenciosa. Sei que poderei contar com as orações dos amigos, o melhor presente que poderia receber. Estarei ausente das Redes Sociais, especialmente com telefones desligados! Conto com a compreensão dos que insistirem em ligar. Rezemos em silêncio, porque até mesmo nosso silêncio Deus escuta.

 

Aqueles que desejarem me cumprimentar, por favor, façam-no na oração por mim e sintam o carinho de minha oração por cada um dos que meu Sacerdócio permitiu amar! O maior presente será sempre a participação de uma das Celebrações das Santas Missas que celebro na Igreja Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio aos sábados e domingos às 18 horas, bem como na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, aos domingos às 9 horas, na Avenida Saudade, 202, nos Campos Elíseos em Ribeirão Preto. O mais precioso presente de um sacerdote é ver sua Igreja cheia de gente, saindo cheias de Deus, e não do padre!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

         BATISMO DO SENHOR!

  

 

Com a celebração do Batismo do Senhor, neste ano a 11 de janeiro, encerramos o Tempo do Natal. Embora não precisasse ser batizado, o Senhor quis se solidarizar com todo o povo que buscava o batismo de João. Esta liturgia é momento favorável para relembrarmos e renovarmos nossos compromissos batismais.

          Somos servos do Senhor a serviço da comunidade e responsáveis por construir uma sociedade justa. Jesus busca, em João, o batismo. Aí é proclamado “Filho amado de Deus”. A prática da caridade e da justiça deve ser nosso diferencial diante de Deus.

          Em cada batizado que celebro, costumo fazer três perguntas aos pais e padrinhos: Sabem o dia em que foram batizados? Quem (o padre, diácono ou ministro) os batizou? São de Igreja, participando de alguma Comunidade de Fé? E quando a reposta é “NÃO”? Quem não sabe o dia do batizado, também não o celebra, pelo menos, consciente e livremente. Talvez por tradição, ou porque é hábito da família. Sem uma Comunidade, que sustente os compromissos batismais, a fé recebida no dia de nosso batismo esclerosa, resseca, mofa. Já a Festa do Batismo do Senhor é um insistente convite, de que arejemos nossa fé, cultivando-a e por meio dela, anunciemos as maravilhas que os dons do Espírito Santo realizam naqueles que se abrem e se convertem a Ele. Esconder tais dons significa insensibilidade, indiferença e até omissão. Eis a hora de assumirmos nossa fé, como dom precioso que nos é dado desde o “Útero da Igreja”, a Pia ou Bacia Batismal!

          Podemos nos perguntar se, a partir do Batismo de Jesus, procuramos entender e concretizar o nosso batismo. Estamos dispostos a “mergulhar” no projeto de Jesus para construir relações humanas dignas, a começar pela família, no aconchego do lar, na escola, no trabalho, na Igreja, no mundo, com atitudes solidárias, ecumênicas?

          Deus se revelou em Jesus, confiando-lhe a missão de Servo e Filho amado. Pelo batismo, mergulhamos no mistério da morte e da ressurreição de Jesus para vivermos a vida nova. Em Cristo, recebemos o Espírito para a missão e fomos adotados/as como filhos e filhas de Deus. Somos gerados a cada dia, pelo amor misericordioso e bondade infinita do Pai, para renovarmos a nossa adesão e o nosso compromisso com o seu Reino.

Vamos abrir o ouvido do coração para acolher a voz do Pai, que ressoa dentro de nós, e que declara nossa missão: Tu és minha filha muito amada, tu és meu filho muito amado.

          O Batismo é nosso segundo parto. Primeiro partimos do útero de nossa mãe. Quando batizados, partimos do útero da Igreja, preparando-nos à luz da fé que nele recebemos para o parto definitivo, que se debruça sobre a esperança de que morrendo, partindo do útero da terra, veremos Deus como Deus é, e isso nos basta. Renovemos nossos compromissos batismais, buscando viver nosso Batismo na relação com Deus, que nos adota como seus de verdade, e com os outros, que se tornam nossos irmãos, para santificar-nos. Todo batizado torna-se um ser divinizado, isto é, candidato à santidade. Por isso não é nenhuma pretensão descabida, queremos ser santos. Devemos, isso sim, esforçar-nos todos os dias, para sermos santos.

Pe. Gilberto Kasper

Teólogo