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quarta-feira, 1 de abril de 2026

AS CELEBRAÇÕES DO TRÍDUO PASCAL!

 AS CELEBRAÇÕES DO TRÍDUO PASCAL!


Os três dias, que vão da tarde da quinta feira à tarde do domingo (Calendário Romano 19) constituem o tríduo “da morte, da sepultura e da ressurreição” do Senhor. Na origem, a sexta e o sábado foram caracterizados pelo jejum, o domingo pela alegria, sem que houvesse qualquer celebração a não ser a vigília. Desse ponto de vista, não se pode dizer que o tríduo seja uma extensão da vigília. Ele constitui uma realidade essencial e pressuposta para que a noite pascal se revista plenamente de seu sentido: com efeito, ela é a passagem do jejum à festa, como foi, para o Cristo, a passagem da morte à vida.

A celebração da quinta-feira santa encontra seu ápice na Instituição da Eucaristia. É, também, o dia da instituição do sacerdócio. “Fazei isto em memória de mim”!

A celebração não eucarística da sexta feira santa (Palavra, Oração Universal, Veneração da Cruz e Comunhão) tem por fim introduzir mais profundamente no mistério pascal e preparar a comunidade para a Vigília Pascal.

 No centro, acha-se a Vigília Pascal, que celebra toda a história da salvação, culminando na morte e ressurreição do Cristo. Ela comporta uma Celebração com o Rito da Bênção do Fogo Novo, a Preparação do Círio Pascal, a Proclamação da Páscoa, a Liturgia da Palavra e Batismal (com a renovação das Promessas Batismais) e a Liturgia Eucarística. É “a mãe de todas as Vigílias e Celebrações”!

 Na quinta feira santa, às 9 horas, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, concelebraremos a Missa da Unidade com a Bênção dos Santos Óleos, presidida por nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva. É também nesta ocasião que os Presbíteros renovam diante do Arcebispo e do Povo de Deus reunido, suas promessas sacerdotais. 

 As Celebrações do Tríduo Pascal serão celebradas na Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto. Na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, celebraremos apenas as Missas Dominicais às 9 horas. Enquanto nosso Templo continua em fase de restauro, fica difícil celebrarmos durante os dias da semana, mas a Missa Dominical nunca deixou de ser celebrada. A Santo Antoninho nunca fechou. As obras de restauro estão sendo realizadas na medida em que os Amigos de nossa amada Santo Antoninho, coordenados pelo Engenheiro José Roberto Hortêncio Romero, auxiliado pelo Ítalo Júnior e seus Colaboradores diretos, já autorizadas pelo atual Conselho do CONPPAC, a quem somos agradecidos, especialmente através de seu Presidente, Dr. Lucas Gabriel Pereira e inúmeros Benfeitores!

Iniciando na quinta-feira santa às 19 horas, celebraremos as Instituições dos Sacramentos da Eucaristia, da Ordem e da Humildade (o Lava-Pés) e a Vigília Eucarística após à Missa. A celebração da Paixão e Morte do Senhor será na sexta feira santa (Dia de Jejum e Abstinência, bem como Coleta para os Lugares Santos) na parte da tarde às 15 horas. A Vigília Pascal no sábado santo será à noite às 18 horas. No domingo da Ressurreição do Senhor, celebraremos a Missa Solene às 9 horas na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres nos Campos Elíseos e às 18 horas na Igreja Matriz da Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio. Sejamos próximos uns dos outros na oração, abraçando-nos espiritualmente. Celebremos o Tríduo Pascal com novas esperanças, perspectivas e sentido de vida cristã! Aproveitemos essa pós-graduação do abraço fraternal! Abençoada, Feliz e Santa Páscoa!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 25 de março de 2026

COLETA DA SOLIDARIEDADE!

 

 COLETA DA SOLIDARIEDADE!




 

A Abertura da Semana Santa acontecerá no próximo domingo, dia 29 de março, quando em nossas Comunidades teremos a Celebração Eucarística com a tradicional Bênção e Procissão dos Ramos. É o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor!

Com o Domingo de Ramos, descortina-se a Semana Santa em que a Igreja celebra os mistérios da salvação levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pela entrada messiânica em Jerusalém.

Os ramos abençoados lembram que estamos unidos a Cristo na mesma doação pela salvação do mundo, na labuta árdua contra tudo o que destrói a natureza e a vida na sua integralidade. Neste ano somos convidados a seguir as orientações da Campanha da Fraternidade, refletindo a situação caótica da Moradia em nosso país e no mundo inteiro, dialogando sem radicalismos e polarizações: Fraternidade e Moradia, “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Cuidemos de nossos irmãos sem moradia, sem um endereço, sem terem como voltar para casa, porque não têm lar para irem, a não ser num barraco, diante das portas de algumas lojas, em bancos de praças, e assim estaremos cuidando uns dos outros, devolvendo a quem a perdeu, a dignidade humana!

Se durante a Quaresma fizemos o propósito de “não falar mal de ninguém”, o Domingo de Ramos que abre a grande Semana Santa nos convida ao balanço: conseguimos não falar mal de ninguém ao longo deste grande deserto em preparação à festa da Páscoa? Os pregos de hoje, que crucificam Jesus na pessoa do próximo é, frequentemente a língua ferina, que mente, calunia, difama, destrói a oportunidade de o outro crescer. Muitas vezes por pura inveja. Quantas vezes não suportamos que o outro seja melhor!

Será também o domingo da prestação de contas de todos os nossos exercícios quaresmais de oração com melhor qualidade, de jejum consciente, pensando naqueles que não têm o que comer todos os dias e, finalmente a profunda, sincera e generosa caridade! Sejamos honestos e devolvamos, no espírito da Coleta da Solidariedade os frutos saborosos colhidos em benefício dos que tem menos do que nós. A entrega de nossa partilha deverá ser o que na verdade deixamos de consumir na Quaresma, neste tempo tão rico de conversão, perdão, misericórdia e reconciliação. Ninguém terá o direito de reter qualquer centavo desta, que é a Coleta da Solidariedade, proposta pela Campanha da Fraternidade deste ano. Não deixemos que nada desvie a coleta de sua verdadeira finalidade! Isso seria feio e grave pecado contra a justiça! E para os que duvidam do destino justo da Coleta, testemunho que há muitos anos, por Decreto de nossos amados Arcebispos, um dos beneficiários do resultado da Coleta da Solidariedade é o FAC – Fraterno Auxílio Cristão, que a cada coleta recebe 10% do valor que fica na Arquidiocese, para os projetos sociais alusivos ao tema da Campanha da Fraternidade. Por isso, somos profundamente agradecidos ao nosso Arcebispo Metropolitano Dom Moacir Silva e ao Pe. André Luís Massaro e toda sua Equipe de Campanhas, por tamanha generosidade.

          Aguardamos orientações de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto e da Equipe que coordena a Campanha da Fraternidade, como a partilha de nossa pobreza, através da Coleta da Solidariedade será revertida aos projetos, especialmente aos que enfrentam a falta de moradia digna!

          Pe. Gilberto Kasper

                    Teólogo

quarta-feira, 18 de março de 2026

QUARESMA: TEMPO DE RECONCILIAÇÃO!

 

QUARESMA: TEMPO DE RECONCILIAÇÃO! 



 

                   O Quarto Domingo da Quaresma, chamado Laetare, porque de certa forma antecipa as alegrias preparadas neste forte Tempo de Reconciliação, remete-nos a um dos Sacramentos mais ricos da Igreja, embora subestimado, quando não banalizado: O Sacramento da Reconciliação! Depois da Eucaristia, é o Sacramento da Reconciliação que nos coloca de volta, diante do amor e do perdão de Deus. Para mim, o Sacramento da Reconciliação é como um antibiótico espiritual, que nos impermeabiliza espiritualmente, diante de todas as tentações que procuram afastar-nos do amor de Deus. Como é boa a sensação de termos sido perdoados ou de termos conseguido perdoar a alguém que nos machucou, ofendeu ou prejudicou!

                   

O Evangelho de São Lucas nos apresenta os passos do Sacramento da Reconciliação, na parábola do Pai Misericordioso, contada por Jesus no capítulo 15. O filho mais novo sai de casa, vira as costas para o pai, gasta numa vida desenfreada toda parte da herança que lhe coube e chega ao fundo do poço. Sob os escombros da rejeição, da exclusão e da discriminação da sociedade, faz a experiência da vida longe do pai. O pai sofre com a ausência do filho, mas não corre atrás. Fica esperando pacientemente. Deixa o filho fazer a experiência da miséria humana, da vida sem sentido e vazia de amor.

                   

No momento em que o filho se arrepende, ele mesmo dá o passo de volta: a conversão começa a acontecer, a fim de conduzi-lo à reconciliação! Não adianta procurarmos o Sacramento da Reconciliação por mero cumprimento de preceito, ou para agradar os pais, ou o marido a esposa. Deus espera que a iniciativa seja nossa, só nossa. Quando o pai avista a volta do filho, então sim, corre ao seu encontro; nem o deixa chegar. Abraça-o, sinal de acolhida; beija-o, sinal do ósculo da paz, devolvendo-lhe a paz que o pecado, o afastamento, lhe havia roubado; oferece-lhe uma túnica limpa, sinal de que não há mais o direito de culpar-se, pois obteve o perdão incondicional; sandálias nos pés, sinal de dignidade, pois só os filhos dos empregados andavam descalços; anel no dedo, sinal de herdeiro, mesmo que tenha esbanjado tudo o que havia herdado, volta a ser herdeiro do pai. E finalmente, o novilho gordo, a festa, a Eucaristia, que simboliza a ação de graças pela volta do filho, que estava morto e reviveu, perdido e foi reencontrado (cf. Lc 15,1-3.11-24).

 

                   Assim também nós somos convidados a celebrar a Reconciliação com Deus, conosco mesmos e com os outros, para que a Quaresma produza seus efeitos saborosos, oração de modo especial, pelo mundo afora. O Papa Francisco, quando trata da misericórdia de Deus, costuma afirmar que o Confessionário é o único Tribunal de onde o réu confesso sai absolvido!

 

          Pe. Gilberto Kasper

                    Teólogo

quarta-feira, 11 de março de 2026

QUARESMA: TEMPO DE PERDÃO E MISERICÓRDIA!

 

QUARESMA: TEMPO DE PERDÃO E MISERICÓRDIA!


 

               A Quaresma nos conclama ao perdão e à misericórdia em relação aos outros. Nem sempre conseguimos perdoar. Alguns dizem que: "Perdoar é esquecer!". Prefiro pensar que perdoar é lembrar sem rancor! Nem sempre é possível esquecer, mas o perdão e a misericórdia são essenciais, se quisermos que os exercícios quaresmais nos edifiquem e nos conduzam à verdadeira libertação que a Páscoa do Senhor nos propõe. Um coração cheio de rancor, bolor, mágoas, rusgas e incapacidade de perdoar, é um coração amargo e infeliz.

              

Na parábola do Pai Misericordioso, temos além do mais novo, o filho mais velho. O Evangelho de São Lucas no capítulo 15, versículos 25 a 32, descreve a dificuldade que o irmão mais velho tem, de perdoar o mais novo. Sempre fez tudo certinho, foi o filho obediente e o peralta agora é homenageado? Isso é inconcebível, quando não se conhece a capacidade de perdoar e nem a misericórdia que Deus tem para com o pecador arrependido.

               

Em nossa sociedade temos muitos "irmãos mais velhos", incapazes de perdoar. Isso é muito comum nas famílias, nas instituições eclesiais e políticas, quando selamos a testa das pessoas, determinando-as "pecadoras". Esquecemos o que rezamos na oração que o próprio Cristo nos ensinou: "... perdoai-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...". Se Deus ouvisse este pedido, estaríamos perdidos. Há muitos entre nós, que se atribuem o direito de julgar, condenar e determinar a sentença, como se não tivessem nenhum pecado. Como é lamentável quem pensa e age assim! Quantos pecados mais "fedidos" tal pessoa não estará tentando esconder atrás de quem foi descoberto? Ninguém é melhor do que ninguém. Só Deus não decepciona, já que não existe criatura humana sem defeitos, erros, deslizes, enfim pecados a serem perdoados.

             

O Evangelho de São João, capítulo 8, versículos 1 a 11 narra o episódio da mulher surpreendida em adultério. Os mesmos "prostitutos" que utilizaram de seus serviços pedem sua condenação. Quiseram colocar Jesus numa armadilha. Armadilhas semelhantes às que nós tramamos uns contra os outros, sobretudo quando a inveja nos aguça por dentro, para "tirar de campo" ou "puxar o tapete" de quem nos faz sombra e aparece mais do que nós.

              

"Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra" (Jo 8, 7). Penso que o jeito é mesmo responder aos apelos da Quaresma, para celebrarmos uma Páscoa verdadeira: sejamos os protagonistas do perdão e da misericórdia de Deus! É preferível enganar-se por perdoar e exercer a misericórdia, do que acertar por uma justiça despida de amor!

 

Com Santa Teresa de Calcutá podemos concluir: “Devemos amar a pessoa boa, porque merece e a pessoa má, porque precisa de nosso amor”!

 

Perdoemos sempre a quem nos machuca, magoa, trai, faz mal. A sensação em nossos porões da intimidade será de uma leveza tão grande, muito parecida com os aromas emanados do sepulcro vazio, de onde Jesus ressuscita, a cada perdão concedido!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

QUARESMA: TEMPO DE CONVERSÃO!

 

QUARESMA: TEMPO DE CONVERSÃO!

 


A Quaresma é um dos mais ricos tempos de conversão. Converter-se espiritualmente, significa mudar o que não está bem interiormente. As pessoas perderam a noção de pecado. Já na década de 1950 do século passado, o Papa Pio XII afirmava que um dos maiores males de nossa geração, seria a perda da noção de pecado. Parece que o pecado foi extinto, perdeu seu sentido de existir, só porque determinados comportamentos tornaram-se frequentes entre as pessoas e suas relações. Diz-se: "Isso já não é mais pecado, pois todo mundo faz...". Mas não é bem assim. O sentido de pecado não perdeu suas características, e existe tanto hoje como no tempo de Jesus. Talvez não se faça mais uma determinada listinha de pecados como antigamente. O importante é remetermo-nos à própria consciência, e esta sinalizará se cometemos ou não pecado.

               

Gosto de pensar que pecado é tudo aquilo que nos tira a paz interior, causa-nos medo, angústia ou vergonha por termos feito algo contra Deus, contra nós mesmos ou contra alguém. Pecado é o afastamento do amor de Deus. É deixar Deus falando sozinho, virando-lhe as costas. Assim como muitas vezes nossos adolescentes agem com os pais, pensando que seus princípios estejam ultrapassados. Logo a arrogância, a prepotência, a ganância e a autossuficiência gritam mais alto.

                

A conversão é voltar-se novamente para Deus, a quem damos as costas, deixando-O falar sozinho. É olhar nos olhos de Deus. É estar diante de Deus rosto a rosto e sentir-se envolvido pelo amor com o qual nos criou à sua imagem e semelhança. Isso nem sempre é fácil. Muitas vezes nosso orgulho é maior do que nossa humildade. Aqui está uma grande dificuldade de nossos tempos: o auto-perdão. Não é fácil admitir que erramos, que nos enganamos, o que se torna uma grande dificuldade de perdoar-nos a nós mesmos e, consequentemente aos outros.

                

Com facilidade nos atribuímos o direito de julgar os outros, até mesmo negando-lhes o perdão. Isso significa que temos a pretensão de sermos "deuses" sobre os outros. Outras vezes, escondemos nossos erros atrás dos erros dos outros, a fim de não sermos descobertos. Esse tipo de atitude é um desastre nas relações humanas, sobretudo em determinados grupos de pessoas, que desempenham algum serviço na sociedade, que os coloque em evidência, como nas esferas sociais, econômicas, políticas, familiares e nem por último, eclesiais. Esse esconderijo é o principal ingrediente do pecado da inveja, que antes parece um câncer que embora se manifeste, ninguém aceite.

 

A conversão implica uma "reconciliaterapia". Isto é: admitir as próprias fraquezas, aceitá-las e com a ajuda do perdão que vem de Deus convertê-las em virtudes. Só então produziremos frutos saborosos e contribuiremos por uma sociedade mais humana, justa e fraterna!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

QUARTA-FEIRA DE CINZAS!

 QUARTA-FEIRA DE CINZAS!


A Quarta-Feira de Cinzas inicia na Igreja um período de quarenta dias de preparação à principal Festa dos Cristãos: A Páscoa do Senhor!  Daí o nome: QUARESMA! É um tempo muito rico e que nos propõe alguns exercícios penitenciais, que visam melhorar nossa qualidade de vida, como cristãos, filhos de Deus e irmãos uns dos outros. A Quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, exclusive. A Igreja prescreve tanto para a Quarta-Feira de Cinzas, como para a Sexta-Feira Santa um Dia de Jejum e Abstinência o que não significa que ao longo deste tempo não se façam tais ou outros exercícios que nos levem a uma maior solidariedade e fraternidade para com os mais pobres.

               

Os exercícios quaresmais de penitência são: a oração, o jejum e a esmola! Os cristãos são chamados a aprimorar a qualidade de sua relação com Deus através de maior tempo de recolhimento e oração, na meditação da Palavra e na escuta da vontade de Deus para com a humanidade; a aprimorar a qualidade de sua relação consigo mesmos através do jejum e a aprimorar a qualidade de sua relação com os irmãos menos favorecidos, através da esmola, que melhor soaria como partilha!

                

Nossa oração, como diálogo, só é capaz de chegar ao coração de Deus, quando brota do nosso próprio coração. Do contrário seria a mesma coisa, como falar num telefone desconectado. Nosso jejum não pode reduzir-se a uma simples dieta que nos ajude a emagrecer, porque deixamos de consumir certas guloseimas que geralmente engordam. Não podemos esquecer que nossa região possui um dos lixos mais luxuosos do Brasil, ou seja, comida manufaturada jogada no lixo. Mais esbanjamos do que consumimos do necessário. É a comida que sobra nos pratos por conta de etiquetas já ultrapassadas ou que azeda nas panelas de nosso povo. Nossa esmola não pode reduzir-se a um simples desencargo de consciência ou ato de dó. Deve transcender ao esforço de que todos, principalmente os que têm menos do que nós, possam viver com igual dignidade humana.

                

A Campanha da Fraternidade sugere a Coleta da Solidariedade que acontece em todas as Comunidades do Brasil no Domingo de Ramos. O resultado dessa Coleta é investido em projetos de promoção humana, favorecendo os que tantas vezes nossa sociedade de consumo exclui, mas que sempre foram os preferidos de Deus. Gosto de sugerir que esta Coleta seja o resultado dos exercícios quaresmais de penitência: a oração, o jejum e a abstinência que remetemos aos mais pobres do que nós. De nada valerá contribuir com a Coleta da Solidariedade, colocando determinado valor que não nos faça falta. Mas se nossa contribuição for o resultado do nosso jejum e de nossa abstinência, durante os quarenta dias da Quaresma, o valor será agradável a Deus e produzirá frutos saborosos em benefício dos mais necessitados. Sugiro que façamos as contas de quantos refrigerantes, sorvetes, carnes ou outros prazeres deixaremos de consumir por conta de nosso jejum e de nossa abstinência. O resultado destes é que deveria ser oferecido no dia da Coleta e jamais uma quantia qualquer. Nosso jejum e nossa abstinência só agradarão ao coração de Deus, enquanto forem revertidos em benefício de quem tem menos do que nós.


Neste ano o tema da Campanha da Fraternidade (CF) nos convida a debruçar nossa consciência, de modo ainda mais contundente, sobre “a casa que é o espaço onde a vida acontece, onde os vínculos se fortalecem, onde a fé se torna visível nos pequenos gestos cotidianos. No entanto, para milhões de brasileiros, a moradia ainda é um direito negado ou precariamente assegurado. A Campanha da Fraternidade de 2026 nos desafia a olhar essa realidade com os olhos do Evangelho, reconhecendo que, sem moradia digna, não há dignidade plena” (cf. CF em Família e Via-Sacra, p. 3). Daí o tema: Fraternidade e Moradia e o lema: “Ele veio morar entre nós” (João 1,14).


Um jejum que costumo adotar, bem como sugerir aos meus interlocutores é o “jejum da língua”. Durante a Quaresma não falar nada mal de ninguém. Parece um exercício fácil, porém é uma difícil penitência, passar quarenta dias sem falar nadinha mal de quem quer que seja. Se não souber nada de bom das pessoas com quem convivo, devo calar-me. Esse jejum talvez seja mais difícil em tempos de tantas Fake News, porém deverá agradar ao coração misericordioso de Deus. Qual pai quer ouvir seus filhos falando mal uns dos outros? Se Deus é nosso Pai, devemos nos comportar como irmãos que se respeitam, que se querem e que se amam muito!

                

Sejamos, nesta Quaresma, melhores do que em todas as anteriores. Assim seremos mais autênticos diante de Deus, de nós mesmos e dos outros.


Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

LEMBRE-SE DE DAR AS MÃOS!

 

LEMBRE-SE DE DAR AS MÃOS!



Fizemos coisas grandiosas, mas não coisas melhores.  Nós limpamos o ar, mas poluímos a alma.  Conquistamos o átomo, mas não nosso preconceito. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar, mas não a esperar. Fazemos mais computadores para conservar mais informações, para produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos e menos. Os nossos são tempos de comidas rápidas e digestão vagarosa, homens altos e pequenos de caráter, profundos lucros e relacionamentos rasos. Estes são dias de dois salários e mais divórcios, casas mais bonitas, mas lares desmanchados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade jogada fora - “ficar” uma noite - corpos com sobrepeso, e pílulas que fazem de tudo: animar, acalmar, matar.

É um tempo em que há muito na vitrine e nada lá dentro. Um tempo em que a tecnologia lhe traz este artigo e um tempo em que você escolhe ler e participar ou simplesmente apagar. Inspirada em George Carlin, nossa Magnífica Professora e Escritora, a saudosa, Maria Helena Silva Dutra de Oliveira nos sugere alguns exercícios básicos para melhorar nossa qualidade de vida! Lembre-se: use um pouco de tempo com as pessoas que você ama, pois não vão ficar sempre por aqui. Lembre, diga uma palavra amável para quem o olha com medo, pois aquela pessoinha vai crescer e sair do seu lado.

Lembre-se de dar um caloroso abraço na pessoa próxima de você porque é o único tesouro que pode lhe dar de coração e não lhe custa um centavo. Lembre-se de dizer “eu te amo” para sua ou seu companheiro e para as pessoas que ama, mas seja sincero.  Um beijo e um abraço fazem sarar feridas quando vem bem de dentro de você. Lembre-se de dar as mãos e valorize o momento, pois pode não ver aquela pessoa mais uma vez. Dê tempo para o amor, dê tempo para falar, dê tempo para repartir os preciosos pensamentos de seu espírito.

Lembre-se de que você não é melhor do que os outros. Saber escutar antes de gritar é uma arte rara de elegância. Falar baixo, sem perder a razão e sem medo de não ser ouvido nos torna mais humanos e angelicais ao mesmo tempo! Enquanto alguns torcem para nada dar certo e comemoram os erros alheios, nós esquecemos de que bem nos porões de nossa intimidade, geralmente, está exatamente aquele bolor, mofo e mau cheiro que “delatamos”.

Assim seguramente superaremos as crises e voltaremos a usufruir de nossa mais profunda dignidade. Não busquemos culpados fora de nós. Façamos a nossa parte e todo o resto acontecerá por acréscimo. Eis nossa esperança, eis a mais convincente maneira de viver melhor hoje do que ontem!

Sejamos Anjos uns aos outros, sempre que possível. Não olhemos tanto para trás, porque o que passou não volta mais. Nosso olhar deve ser sempre para frente, porque o futuro poderá ser muito melhor, só depende de nós!

Rezemos sempre, diariamente, e por vezes várias vezes por dia:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa.

Deus não muda. A paciência tudo alcança.

Quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta”!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

VAMOS CONVIVER EM PAZ?

 

VAMOS CONVIVER EM PAZ?


 

A vida pode ser uma sucessão de coincidências felizes, de encontros prazerosos, de união entre as pessoas. Mas nem sempre é isso o que vemos ao nosso redor. Na correria diária, são muitos os “ruídos” que tiram o nosso sossego e atrapalham a nossa convivência.

          Por vezes nos tornamos porta-vozes da difamação ao invés de instrumentos da Paz. Como então falar de paz, se desfiguramos nossas próprias famílias por causa de ideologias tantas vezes nefastas? O Natal recentemente celebrado com tanta emoção e solidariedade, trouxe novamente à tona Jesus Cristo, o Príncipe da Paz! Como então dizer-se cristão, quando permitimos ódio em lugar de paz em nossos corações? Que tipo de paz promovemos entre nós? A paz de cemitério, que nos silencia por medo de criarmos “encrencas”, ou a verdadeira paz trazida desde a manjedoura que tanto decantamos no recente Natal celebrado? Essa última exige de nós posturas e respostas proféticas de amor, verdade, justiça e liberdade em todos os sentidos. Não somente naquilo que nos convém!

          Na era da Internet, toda e qualquer mensagem se propaga num piscar de olhos. Fatos que ocorrem num canto do planeta atravessam fronteiras, chegando a outras cidades, outros países e continentes com a rapidez de um clique. Alimentadas pela fofoca e mentiras, histórias que envolvem a intimidade das pessoas tomam proporções inimagináveis e invadem nossos lares como se fossem verdades absolutas. E essas histórias fomentam antipatias, preconceitos e desprezo. Parece-me que vivemos a “era da mentira”!

          Outro agente semeador de discórdia é a necessidade que alguns têm de impor suas idéias e sua maneira de ser. Parecem querer provar a si mesmos que são superiores aos outros. Muitas pessoas gostam de recitar a Oração de São Francisco, como um poema em homenagem à Paz. É fundamental que todos compreendam que a construção desta Paz, em nível mundial ou dentro de casa, depende de cada um de nós. Depende de uma mudança de conduta pessoal. Nas palavras de São João Paulo II num discurso que fez em Assis, a Paz é descrita como um canteiro de obras aberto a todos: “A paz é uma responsabilidade universal: passa através de milhares de pequenos atos da vida cotidiana. Por seu modo cotidiano de viver com os outros, as pessoas optam pela Paz ou a descartam”.

          E neste ano celebramos os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, tão querido, admirado e citado por cristãos e não cristãos. O que ele diria ao mundo tão cheio de ódio, de uma “terceira guerra mundial a prestação”, como dizia o saudoso Papa Francisco? Guerras estúpidas em busca de poder, terras, prestígio; tão doentias que dificilmente se explicam por si mesmas! Governos que se endeusam e matam inocentes, como se estivessem matando insetos. Como ninguém consegue colocar um “basta” nessa dúzia de homens tão inescrupulosos e que desfiguram a humanidade em sua dignidade?

          Sempre que deparamos com a tentação da discórdia, é bom lembrar o exemplo da Família de Nazaré. Foram muitas as apreensões vividas por Maria, José e o Menino Jesus enquanto buscavam um lugar seguro para morar, mas em nenhum momento perderam o sentido da união. Mantiveram-se juntos para o que desse e viesse. O ódio contra os imigrantes se justifica? Somente aos que se julgam os donos do mundo! Isso que morrerão como qualquer pessoa!

          Não podemos nos perder uns dos outros. E, mais importante ainda, não podemos nos perder de Deus, que é a fonte de toda união. Não nos afastemos de sua Palavra em nossa vida pessoal, familiar, espiritual, social e profissional. A fé em Deus nos ensina a contribuir para a união entre os seres humanos.

          Esse discernimento nos leva a refletir antes de realizarmos toda e qualquer ação. A reflexão é o exercício dos sábios. Quando desenvolvemos o hábito de refletir, conseguimos criar um equilíbrio entre razão e emoção, atuando com mais cordialidade e gentileza. Nossas palavras serão mais adequadas, nossas conversas mais oportunas e positivas. Nossas decisões serão mais justas. Nosso comportamento dará aos outros a certeza de que precisamos urgentemente Conviver em Paz!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O DESENCANTO NA POLÍTICA CONTINUA!

 

O DESENCANTO NA POLÍTICA CONTINUA!

 

O Povo Brasileiro exala um contínuo desencanto na política; trata-se de um desencanto na política que continua a cada eleição, especialmente de deputados e senadores. Muitos parecem ser os motivos. Cada dia assistimos a uma novidade de “corrupção”, “lavagem de dinheiro” ou “formação de quadrilha” em relação à maioria dos que pensam que poderão reerguer o Brasil das graves crises semeadas nas últimas décadas e que agora afloram em situações bem desgastantes e desagradáveis. Os eleitos que não se submetem ao doentio sistema de corrupção notório no Congresso Nacional, não sobrevivem. Os honestos podem ser contados nos dedos.

Muito me assusta assistir que a cada dia uma nova polarização é proposta pela classe política, que deveria zelar por quem os elegeu e não os esfolar com bilhões de reais desviados daqui e dali. Fica a impressão de que  estão brincando de serem parlamentares. Brincadeiras, aliás, de profundo mau gosto. A maioria nem conhece a Constituição e é muito mal assessorada juridicamente. Logo, quase tudo vai parar no já tão “odiado” Supremo Tribunal Federal. Onde fica nossa capacidade de buscar nossos direitos no exercício de nossa cidadania? Nosso País sempre foi “assaltado” por líderes políticos, desde o seu descobrimento. A novidade do descobrimento mais recente, é que agora somos informados de como funciona a corrupção sistêmica no cenário político.

Percebe-se uma tentativa daqui e dali, de disfarçar ou procrastinar a realidade de “homens públicos” envolvidos em alguma irregularidade que deveria tê-los impedido de concorrer a algum “cargo público”. Entre eles, os candidatos, há mais de dois mil, que devem alguma explicação à Justiça. Mas a Justiça quer realmente que algum candidato envolvido em alguma irregularidade se explique? Tenho minhas dúvidas. Dificilmente escapa alguém seja de qual partido for.

 Qual vítima de “roubo” não quer conhecer o ladrão que a lesou? É justo que o Povo trabalhador e honesto continue “bancando” os bilhões de reais desviados, em espécie ou bens imóveis, de políticos viciados em barganhas que envergonham qualquer pessoa do bem?

Pior é assistir que alguns Ministros da Suprema Corte defendem a “Impunidade” dos engravatados que riem do Povo simples, pobre, desprovido de necessidades básicas Brasil afora! São, geralmente, benevolentes com os crimes de corrupção, deixam a impressão de que também eles, se beneficiam com dinheiro sujo ou de privilégios nada éticos. Defender o indefensável passa a nítida impressão de que tais Ministros da Suprema Corte debocham abertamente dos cidadãos que garantem seus insuportáveis salários e regalias absurdas, num País onde a maioria considera a corrupção, o maior de todos os problemas.

O desencanto na política é em boa parte promovida pela insegurança jurídica, principalmente por energúmenos do Judiciário que se endeusam e desrespeitam escancaradamente o trabalho sério e eficaz seja da Procuradoria Geral da República, bem como de Juízes que atuam imparcialmente em Instâncias Inferiores. Nenhum discurso jurídico deveria se sobrepor a provas contundentes de que houve culpa comprovada. Por melhor que sejam os advogados de determinados réus, causa estranheza o desrespeito para com a justiça que deve prevalecer sempre. Repito exaustivamente de que não interessa se os que roubaram o País devam ser presos depois dessa ou daquela Instância. Desde que devolvam ao Povo o que covardemente lhes roubaram. E não sejam eleitos e muito menos reeleitos os que traíram a confiança de seu Povo. Reerguidos do desencanto na política poderemos votar em pessoas novas, extirpando a velha política do “toma lá, dá cá”!

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

OS 69 ANOS DO FAC!

 OS 69 ANOS DO FAC!

No dia 15 de janeiro de 2026, o FAC - Fraterno Auxílio Cristão da Cidade de Ribeirão Preto completou 69 anos de existência!
O FAC – Fraterno Auxílio Cristão da cidade de Ribeirão Preto necessita da ajuda generosa de mais parceiros e amigos, que queiram ajudar-nos a cuidar dos pobres de nossa cidade. Você poderá ser um sócio mensal ou benfeitor ocasional! Partilhando de sua pobreza, enriquecerá nossa vontade de mantermos nossos projetos que precisam da ajuda de todos!
O FAC desenvolve suas atividades há 69 anos, com muito zelo, sensibilidade, responsabilidade e amor gratuito, por intermédio de dois projetos: o Núcleo de Solidariedade Dom Helder Câmara, instalado na sede do mesmo, na Rua Barão do Amazonas, 881, Centro de Ribeirão Preto, classificado como Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, atendendo jovens e adultos, de ambos os sexos, em situação de vulnerabilidade social.
O Núcleo de Solidariedade Dom Bosco, instalado na Rua Imigrantes Japoneses, 1065, Parque Ribeirão Preto, classificado como serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, atendendo crianças e adolescentes dos 6 aos 15 anos, assegurando espaços de referência para o convívio grupal, comunitário e social, além do desenvolvimento de relações de afetividade, solidariedade e respeito mútuo, desenvolvendo sua convivência familiar e comunitária. Contribui para a ampliação do universo informacional, artístico e cultural de 90 crianças e adolescentes, diariamente, no contra turno escolar.
O custo mensal de uma criança acolhida pelo Núcleo Dom Bosco é de R$ 573,00. Em 2018 iniciamos o Projeto “Apadrinhe uma Criança”. O primeiro Padrinho desse projeto é Dom Moacir Silva, nosso amado Arcebispo Metropolitano, que nos dá o bom exemplo a ser seguido. Porém muito poucas pessoas apadrinharam uma criança até agora, como nossa Conselheira Amália Terezinha Balbo Di Sicco e nosso Benfeitor Newton Pedro Mendonça, sua linda e querida Família, entre outros. Sabemos que são muitos os desafios e as nossas Entidades passam por grandes dificuldades para manterem seus projetos. O Senhor Newton tem convencido muitas pessoas generosas, e que também se dispõem a apadrinhar uma criança ou adolescente do FAC.
Se conseguíssemos um padrinho ou uma madrinha para cada uma das 90 crianças, não precisaríamos desgastar nossos queridos Voluntários com tantas promoções, que nem sempre têm resultados suficientes para honrarmos nossos compromissos mensais com Folha de Pagamentos, Encargos Sociais e Boletos, esses que não se quitam com alimentos ou roupas. Quem sabe, pudéssemos reunir 90 Famílias que, mensalmente, abrissem mão de algo supérfluo e remetessem esse valor de R$ 573,00 ao FAC, apadrinhando assim uma criança? Gastamos tanto mais, muitas vezes, em coisas desnecessárias! Não há nada mais nobre do que partilhar de nossa pobreza em favor de uma criança que terá um futuro bem mais digno e promissor, e que depende de nossa sensibilidade no presente.
O FAC procura responder, na medida do possível, aos anseios do Papa Leão XIV, que deseja “Uma Igreja para os Pobres!”. Contamos com a generosidade de quem desejar unir-se a nós, para juntos cuidarmos dos nossos irmãos mais pobres do que nós. Participando, nos ajudará a manter o FAC funcionando e acolhendo os mais pobres de nossa cidade. Basta telefonar (16) 3237-0942 ou E-mail: facribeirao@facribeirao.com.br!
Quem não puder apadrinhar uma Criança, mas deseja mesmo assim colaborar poderá depositar qualquer quantia na Conta Corrente do FRATERNO AUXÍLIO CRISTÃO no Banco do Brasil – Agência 4242-0 e C/C 20029-8. Deus certamente recompensará a generosidade de nosso povo!




Pe. Gilberto Kasper
Teólogo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

36 ANOS DE MINISTÉRIO SACERDOTAL!

 

36 ANOS DE MINISTÉRIO SACERDOTAL!



 

Há 36 anos, na manhã de um sábado, dia 20 de janeiro de 1990, Festa de São Sebastião, na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, ajoelhado sobre o túmulo do primeiro Bispo de nossa Arquidiocese, Dom Alberto José Gonçalves, por imposição das mãos de nosso amado Dom Arnaldo Ribeiro, fui ordenado Sacerdote para Sempre! Muitos erros e acertos, grande experiência de vida e profunda gratidão a cada dia, sem nenhum momento de arrependimento, pelo sim dado com minhas mãos entre as mãos do Arcebispo.

 

               Quantas pessoas passaram por minha vida nestes 36 anos? Pela vida de quantas pessoas passei eu? Penso ser um momento de avaliação, de balanço, de gratidão e de pedido de perdão, pelas vezes em que não consegui ser um bom padre! Escolhi como lema sacerdotal, a quinta bem-aventurança do Sermão da Montanha: "Bem-Aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7), já que sempre me senti um servo inútil e indigno da graça do ministério sacerdotal! Mesmo assim Deus me quis Padre, tamanha é Sua Bondade, Seu Amor e Sua Misericórdia para comigo.

 

               Ao longo do amadurecimento no meu exercício ministerial, fui descobrindo que a melhor maneira de ser fiel ao Sacerdócio, é adotar a Teologia da Ternura! Mesmo que não tenha conseguido ser fiel, como quis ou deveria, sempre me acompanhou o esforço pessoal por ser um sacerdote bom e misericordioso, a exemplo de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, cuja vida conheci no primeiro Seminário que me acolheu na Arquidiocese de Porto Alegre (RS), dedicado a ele. Como ele, o Sacramento que mais gosto de celebrar, é o da Reconciliação, depois, é claro, da Eucaristia. Como é bom ser dispensador do perdão de Deus àqueles que perderam sua paz interior para o pecado. Pois é no Sacramento do Perdão, que Jesus nos devolve a paz que o pecado nos rouba. Tenho sido muito feliz ao acolher tantas pessoas em nossa amada Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres nos Campos Elíseos há 18 anos, e desde o dia 1º de março do ano de 2020, da também já amada Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto, que são para mim, lugares ideais para a santificação de meu sacerdócio, colaborando na santificação de tão queridos irmãos e irmãs na fé!

                                                                                                                                           

                Como coroinha na Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Santo Afonso e Coordenador da Catequese, Regente do Coral e Animador de Comunidade na Capela Santo Antoninho, no Bairro Liberdade em Novo Hamburgo (RS) ou brincando de Missa com os vizinhos na estrebaria de casa, minha vocação ao sacerdócio foi se confirmando a cada dia que passava. Sentia sempre a necessidade de perdoar, desde tenra idade a quem me ofendesse ou machucasse. Nunca consegui bater em ninguém. Mas sempre fui muito peralta e, mais pedia perdão do que precisava perdoar. Daí meu lema sacerdotal ser a bem-aventurança da misericórdia.

 

               Que eu consiga viver meu sacerdócio pautado nos olhos de Deus, que promovem a justiça e amar as pessoas com o coração de Jesus, que dão sentido ao meu lema e à minha fidelidade sacerdotal: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”! E em cada Eucaristia que celebro, cabem todas as pessoas que me ajudaram a ser Padre, no precioso cálice do Senhor, como minha mais sublime e profunda gratidão!

 

                 Para selar a ternura de Deus em meu Sacerdócio, celebrarei minha ação de graças no recolhimento. Passarei em oração silenciosa. Sei que poderei contar com as orações dos amigos, o melhor presente que poderia receber. Estarei ausente das Redes Sociais, especialmente com telefones desligados! Conto com a compreensão dos que insistirem em ligar. Rezemos em silêncio, porque até mesmo nosso silêncio Deus escuta.

 

Aqueles que desejarem me cumprimentar, por favor, façam-no na oração por mim e sintam o carinho de minha oração por cada um dos que meu Sacerdócio permitiu amar! O maior presente será sempre a participação de uma das Celebrações das Santas Missas que celebro na Igreja Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio aos sábados e domingos às 18 horas, bem como na Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, aos domingos às 9 horas, na Avenida Saudade, 202, nos Campos Elíseos em Ribeirão Preto. O mais precioso presente de um sacerdote é ver sua Igreja cheia de gente, saindo cheias de Deus, e não do padre!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

         BATISMO DO SENHOR!

  

 

Com a celebração do Batismo do Senhor, neste ano a 11 de janeiro, encerramos o Tempo do Natal. Embora não precisasse ser batizado, o Senhor quis se solidarizar com todo o povo que buscava o batismo de João. Esta liturgia é momento favorável para relembrarmos e renovarmos nossos compromissos batismais.

          Somos servos do Senhor a serviço da comunidade e responsáveis por construir uma sociedade justa. Jesus busca, em João, o batismo. Aí é proclamado “Filho amado de Deus”. A prática da caridade e da justiça deve ser nosso diferencial diante de Deus.

          Em cada batizado que celebro, costumo fazer três perguntas aos pais e padrinhos: Sabem o dia em que foram batizados? Quem (o padre, diácono ou ministro) os batizou? São de Igreja, participando de alguma Comunidade de Fé? E quando a reposta é “NÃO”? Quem não sabe o dia do batizado, também não o celebra, pelo menos, consciente e livremente. Talvez por tradição, ou porque é hábito da família. Sem uma Comunidade, que sustente os compromissos batismais, a fé recebida no dia de nosso batismo esclerosa, resseca, mofa. Já a Festa do Batismo do Senhor é um insistente convite, de que arejemos nossa fé, cultivando-a e por meio dela, anunciemos as maravilhas que os dons do Espírito Santo realizam naqueles que se abrem e se convertem a Ele. Esconder tais dons significa insensibilidade, indiferença e até omissão. Eis a hora de assumirmos nossa fé, como dom precioso que nos é dado desde o “Útero da Igreja”, a Pia ou Bacia Batismal!

          Podemos nos perguntar se, a partir do Batismo de Jesus, procuramos entender e concretizar o nosso batismo. Estamos dispostos a “mergulhar” no projeto de Jesus para construir relações humanas dignas, a começar pela família, no aconchego do lar, na escola, no trabalho, na Igreja, no mundo, com atitudes solidárias, ecumênicas?

          Deus se revelou em Jesus, confiando-lhe a missão de Servo e Filho amado. Pelo batismo, mergulhamos no mistério da morte e da ressurreição de Jesus para vivermos a vida nova. Em Cristo, recebemos o Espírito para a missão e fomos adotados/as como filhos e filhas de Deus. Somos gerados a cada dia, pelo amor misericordioso e bondade infinita do Pai, para renovarmos a nossa adesão e o nosso compromisso com o seu Reino.

Vamos abrir o ouvido do coração para acolher a voz do Pai, que ressoa dentro de nós, e que declara nossa missão: Tu és minha filha muito amada, tu és meu filho muito amado.

          O Batismo é nosso segundo parto. Primeiro partimos do útero de nossa mãe. Quando batizados, partimos do útero da Igreja, preparando-nos à luz da fé que nele recebemos para o parto definitivo, que se debruça sobre a esperança de que morrendo, partindo do útero da terra, veremos Deus como Deus é, e isso nos basta. Renovemos nossos compromissos batismais, buscando viver nosso Batismo na relação com Deus, que nos adota como seus de verdade, e com os outros, que se tornam nossos irmãos, para santificar-nos. Todo batizado torna-se um ser divinizado, isto é, candidato à santidade. Por isso não é nenhuma pretensão descabida, queremos ser santos. Devemos, isso sim, esforçar-nos todos os dias, para sermos santos.

Pe. Gilberto Kasper

Teólogo