Padre
Gilberto Kasper é Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e
Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário,
Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da
Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da
Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Contato: pe.kasper@gmail.com
A Quarta-Feira de
Cinzas inicia na Igreja um período de quarenta dias de preparação à principal
Festa dos Cristãos: A Páscoa do Senhor!
Daí o nome: QUARESMA! É um tempo muito rico e que nos propõe alguns
exercícios penitenciais, que visam melhorar nossa qualidade de vida, como
cristãos, filhos de Deus e irmãos uns dos outros. A Quaresma vai da
Quarta-Feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa,
exclusive. A Igreja prescreve tanto para a Quarta-Feira de Cinzas, como para a
Sexta-Feira Santa um Dia de Jejum e Abstinência o que não significa que ao
longo deste tempo não se façam tais ou outros exercícios que nos levem a uma
maior solidariedade e fraternidade para com os mais pobres.
Os exercícios
quaresmais de penitência são: a oração, o jejum e a esmola! Os cristãos são
chamados a aprimorar a qualidade de sua relação com Deus através de maior tempo
de recolhimento e oração, na meditação da Palavra e na escuta da vontade de
Deus para com a humanidade; a aprimorar a qualidade de sua relação consigo
mesmos através do jejum e a aprimorar a qualidade de sua relação com os irmãos
menos favorecidos, através da esmola, que melhor soaria como partilha!
Nossa oração, como
diálogo, só é capaz de chegar ao coração de Deus, quando brota do nosso próprio
coração. Do contrário seria a mesma coisa, como falar num telefone
desconectado. Nosso jejum não pode reduzir-se a uma simples dieta que nos ajude
a emagrecer, porque deixamos de consumir certas guloseimas que geralmente
engordam. Não podemos esquecer que nossa região possui um dos lixos mais
luxuosos do Brasil, ou seja, comida manufaturada jogada no lixo. Mais
esbanjamos do que consumimos do necessário. É a comida que sobra nos pratos por
conta de etiquetas já ultrapassadas ou que azeda nas panelas de nosso povo.
Nossa esmola não pode reduzir-se a um simples desencargo de consciência ou ato
de dó. Deve transcender ao esforço de que todos, principalmente os que têm
menos do que nós, possam viver com igual dignidade humana.
A Campanha da
Fraternidade sugere a Coleta da Solidariedade que acontece em todas as
Comunidades do Brasil no Domingo de Ramos. O resultado dessa Coleta é investido
em projetos de promoção humana, favorecendo os que tantas vezes nossa sociedade
de consumo exclui, mas que sempre foram os preferidos de Deus. Gosto de sugerir
que esta Coleta seja o resultado dos exercícios quaresmais de penitência: a
oração, o jejum e a abstinência que remetemos aos mais pobres do que nós. De
nada valerá contribuir com a Coleta da Solidariedade, colocando determinado
valor que não nos faça falta. Mas se nossa contribuição for o resultado do
nosso jejum e de nossa abstinência, durante os quarenta dias da Quaresma, o
valor será agradável a Deus e produzirá frutos saborosos em benefício dos mais
necessitados. Sugiro que façamos as contas de quantos refrigerantes, sorvetes,
carnes ou outros prazeres deixaremos de consumir por conta de nosso jejum e de
nossa abstinência. O resultado destes é que deveria ser oferecido no dia da
Coleta e jamais uma quantia qualquer. Nosso jejum e nossa abstinência só
agradarão ao coração de Deus, enquanto forem revertidos em benefício de quem
tem menos do que nós.
Sejamos, nesta
Quaresma, melhores do que em todas as anteriores. Assim seremos mais autênticos
diante de Deus, de nós mesmos e dos outros.